Os pais são, antes de tudo, pessoas imperfeitas.
Apesar do romantismo e das idealizações, cada um entrega apenas o que consegue ser e fazer.
Os meus foram falhos. Causaram feridas profundas que carrego até hoje.
Ainda assim, foram uma das partes mais importantes da minha formação. Com todos os problemas das gerações passadas:
uma sociedade patriarcal onde a infidelidade era normalizada e a correção física considerada aceitável, eles ainda nos priorizaram, ensinaram e cuidaram dentro das possibilidades que tinham.
Sou grata pelo legado que deixaram, mas não cega para suas imperfeições.
Eu também fui mãe muito jovem, sem estrutura e sem apoio do genitor. Fui o possível que meus vinte anos permitiam ser. E, ainda assim, errei muito.
Somados à neurodivergência, às dificuldades financeiras e aos problemas relacionais, os desafios da pouca idade me fizeram aprender vivendo, errando, tentando sobreviver enquanto educava.
Hoje sou melhor como avó do que fui como mãe.
E também tento ser melhor como mãe agora, porque a vida nos aperfeiçoa. Mas existem coisas quebradas que o tempo não restaura completamente.
Assim como carrego minhas dores, sei que meu filho também carrega as dele. Principalmente pela pouca convivência com o pai, que teve cinco filhos com cinco mulheres diferentes e falhou com todos.
Os pais não são perfeitos.
Cada um oferece aquilo que tem dentro de si, às vezes amor misturado com trauma, cuidado misturado com despreparo, presença misturada com ausência.
No fim, quase todos estão apenas tentando não repetir totalmente aquilo que também os feriu.
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