Nos tempos em que Jesus andava na Terra, ele olhava um religioso exemplar, desses que se gabam de observar a Lei segui-la. Desses que oram em público para serem vistos pelo máximo de pessoas possíveis. Desses que fazem proselitismo religioso, desses que apontam para pecadores e os abomina.
Então, Jesus escolheu esses religiosos para usar como exemplo em várias de suas parábolas e quando algum deles estava por perto, serviam de exemplo para seus discípulos.
As putas e os publicanos precedem essa raça de víboras, hipócritas, sepulcros caiados no Reino dos céus. Estes que gritam Senhor, Senhor com os lábios, mas não o conhecem e nem são conhecidos. Estes que distribuem fardos pesados e jugo desigual, que não entram e nem deixam entrar, cegos pelas suas tradições.
É o irmão do filho pródigo que o julgou e se revoltou com sua volta e a bondade do Pai, que antes de perguntar por onde andou e como gastou sua herança, fez festa. O que achava que tinha mérito nas próprias obras e se apressava pra condenar o irmão, que se enxergou imerecedor de ser chamado filho.
Era o fariseu com nojo do publicano, se exaltando e contando suas bravatas. O publicano que não ousava nem levantar os olhos, reconhecendo a própria miséria.
Eram o sacerdote e o levita que passaram de largo, enquanto o mestiço samaritano menosprezado, socorria e cuidava das necessidades do próximo que nem conhecia
Os religiosos citados por Jesus nunca se converteram de fato, embora vivessem em função de religião. Conversão é outra coisa: sugere uma mudança de rota, uma completa transformação de postura, o início de uma metanoia que vai durar a vida inteira, um renascer.
O dia da conversão não tem nada a ver com aderir a uma nova religião. No momento em que o homem reconhece a própria miséria digna de morte, Jesus o transporta das trevas para a luz. De jambuzeiro bravo, é enxertado na boa Oliveira e dá muito fruto, porque é a seiva de Cristo que passará a circular nele.
Saber-se para passar a ser em Cristo. Reconhecer a necessidade da Mediação do Salvador, porque fora Dele nada podemos fazer, mas com Ele podemos todas as coisas.
Um dia no chão da cozinha, eu declarei que não era mais dona da minha vida. A entreguei a Cristo para aniquilar com ela ou me dar novidade de vida. Daquele jeito eu não queria mais viver. E a Graça me levantou do pó, sarou minhas feridas e colocou um louvor nos meus lábios.
Dali em diante entendi quem sou em Cristo. E até hoje Ele tem cuidado de mim.
A gente passa a vida alimentando a crença em si mesmo, nutrindo o ego com ilusão, para descobrir que para ser cheio de Deus, é necessário diminuir para que Ele cresça.
O marco da conversão é justamente este: negar a si mesmo, entendendo que o Senhor é um só, tomar nossa cruz, sabendo que para cumprir nosso propósito na vida vamos sangrar e seguir Jesus porque é Ele que tem as palavras que são espírito e vida, com Ele somos co-herdeiros.
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