A primeira vez que sua autonomia aparece, é quando você já recebeu as primeiras noções da educação e pode escolher obedecer ou transgredir.
Uma criança não é boa ou má, ela só é autêntica. A criança não teima porque é ruim, ela testa o adulto para ver até onde consegue ser. Assim ela vai sendo moldada, até aprender o que se deve, para depois decidir no tempo oportuno, baseada no suporte que recebeu, tomar as próprias decisões.
Adão e Eva no Éden, eram filhos com uma única Lei e a transgrediram na tentativa de ser "como Deus".
É mais ou menos assim que funcionou a Lei no velho testamento. A Lei dizia o que se podia e o que não se podia fazer, porque tudo trazia uma consequência boa ou ruim.
Você tem dois caminhos diante de si (dizia), se obedecer será bem sucedido, será abençoado, será meu servo, porém se transgredir os preceitos, será punido, terá que sacrificar para se purificar, terá que sofrer o dano, se afastará de Deus e suas bênçãos.
E assim na antiguidade, o povo judeu foi sendo educado e moldado para formar sua própria consciência, até que pudessem por si só, decidirem.
Jesus veio e já não era necessário consultar as regras escritas, a lista de podes e não podes, tudo estava revelado e encarnado diante deles. Uma vez consumada a Obra salvifica, todo homem era capaz de reconhecer que era sobre Ele que a Lei falava. Uns acataram a sua autoridade, outros transgridem até hoje.
A Lei inscrita no coração, sugere que já estamos prontos, não precisamos mais de alguém nos dizendo como agir, pois a revelação já nos ensinou por meio de seu Espírito. O que vem da consciência pautada no Evangelho é benção, é espiritual, o resto é carne que já traz sua própria maldição, já está condenada, não permanece. Uma natureza milita contra a outra.
Filhos da obediência intuem uma vida abundante em todos os sentidos e os filhos da desobediência, desonram o que já está exposto e revelado, colhendo suas consequências. Não é que quem tem a Lei no coração viva perfeitamente, mas vive em constante ajuste, porque reconhece, discerne e retorna.
Ainda hoje algumas religiões são apegadas a Lei, como se adultos ainda precisassem ser tutoriados. Mas a autonomia já nos foi dada e Deus quer filhos que vão em seu nome. E não eternos meninos dependentes de regras.
Há tempo para ser menino e para deixar as coisas de menino, já dizia Paulo de Tarso. Se a Lei está do lado de fora, pode até conduzir seus passos pelo medo da punição. Mas se a Lei estiver grafada no coração, é caráter formado.
A revelação torna o espírito pronto.
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