Páginas

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Verdadeiros encontros



No tempo que eu congregava em igrejas evangélicas, o mês de maio era chamado de "mês da família". Onde durante o mês inteiro haviam cultos nos lares e palestras nas igrejas. As palestras eram mais do mesmo, mas as visitas na casa eram algo que eu amava, porque oravámos por causa específicas daquelas famílias, conversávamos e riamos com muito mais intimidade do que no ambiente engessado da congregação.

Naquele tempo, meu sonho era congregar assim, como na Igreja primitiva, resgatando o vínculo de se olhar de perto, nos envolvendo uns com os outros, com liberdade pra tirar dúvidas, comer juntos, nos fortalecendo como Igreja. 

Todo ano eu reforçava o pedido de praticar isso também durante os outros meses do ano, mas a mentalidade das pessoas levam elas pra liturgia, pro ritual, pro formato estabelecido, pra ilusão de estar prestando um culto solene, quando na verdade, o culto que Deus aceitou de uma vez por todas foi o de Cristo na Cruz, nossas reuniões deveriam ter o objetivo de nos fortalecer como comunidade, coisa muito mais fácil de acontecer na intimidade dos lares.

Bom, me desinstitucionalizei em 2015 e finalmente realizei esse desejo de me reunir com um pequeno grupo, onde acontecia exatamente o que idealizei. Estudávamos, confraternizávamos e no final compartilhávamos a mesa juntos.

Então descobri que se envolver na intimidade das pessoas não é algo tão bom assim. Onde se reúnem dois ou três, o quarto já pode ser o joio brotando. Partidarismo aparece, parcialidade, facções, divisões, inveja, disputa de egos, ganância, gente dando o sangue enquanto os sanguessugas se encostam, humanidade.

Então entendi que o formato das igrejas evangélicas só dura porque as pessoas não se envolvem. Entram, cumprem o protocolo e voltam para suas casas com a sensação de dever cumprido, assim mesmo no automático. E permanecem nesses ciclos anos à fio. Porque caminhar juntos de fato é coisa difícil demais. Impossível sem o amor necessário.

Atualmente, procuro me afastar de ativismos, mas me coloco disponível. Sem planejamentos, sem grupo específico, mas presente onde Deus me coloca, sem formato, sem acepção de pessoas, usando o que tenho e recebendo o que as pessoas tem. Verdadeiramente livre, com a fé sólida e com a leveza que Jesus nos prometeu. 

Ninguém precisa se encaixar em fôrma nenhuma quando entende que o culto racional é na vida, a Igreja são os encontros e o Evangelho é na prática do amor. E mais: entender que humanidade não evapora, que as pessoas vão continuar limitadas e complicadas, independente do quanto pareçam religiosas 

Nenhum comentário:

Postar um comentário