2 Coríntios 4:8-9
"Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos."
O cristão não se desespera, porque esperar em Cristo é justamente a expressão da fé. Viver não pelo que os olhos veem, mas pela esperança, é um dos maiores sinais de que realmente cremos. Confiar tanto diante do "sim" quanto do "não"; descansar em Deus, seja Ele realizando a nossa vontade ou conduzindo-nos pela vontade d'Ele. Essa é a postura de quem nasceu de novo.
Lembro-me bem do velório da minha mãe. Uma pessoa comentou como era "estranha" a maneira como estávamos vivendo o luto. Havia filhos abatidos, entristecidos, chorando a perda, mas não havia desespero, desmaios ou questionamentos contra Deus. Ela disse que nem parecia que havíamos perdido nossa mãe, como se a ficha ainda não tivesse caído.
Aquilo me surpreendeu, principalmente por partir de alguém religioso. Talvez porque muitas pessoas confundam fé com a expectativa de que Deus sempre fará aquilo que desejamos. Quando isso não acontece, a confiança se desfaz.
Nossa mãe continua sendo nossa maior saudade. Ainda hoje sentimos sua falta e, muitas vezes, choramos sua ausência. Mas esperamos, até o fim, pelo cumprimento da promessa da ressurreição. Somos gratos porque seu sofrimento foi abreviado por uma morte natural e, mais gratos ainda, pelos últimos dias que tivemos ao seu lado, quando ela nos aconselhou, nos consolou e nos orientou sobre como seguir depois de sua partida.
Tivemos paz para atravessar aquele momento e jamais questionamos o fato de Deus não ter prolongado sua vida por meio de um milagre. Sabemos que Ele continua no controle e que todos nós temos nossos dias determinados. Isso não diminui a dor da separação, mas muda a forma como a enfrentamos.
Como é comum ver pessoas profundamente frustradas diante dos "nãos" da vida. Às vezes, chamamos de fé aquilo que, na verdade, depende apenas das circunstâncias. Quando a fé se sustenta apenas enquanto tudo acontece como esperamos, ela se revela muito frágil.
Dor, problemas, dificuldades, perdas, doenças... tudo isso faz parte da experiência humana. Nem sempre haverá livramento; muitas vezes, teremos de atravessar as aflições. Mas podemos fazê-lo guardados pela confiança e pela esperança de que Jesus jamais nos abandona. E, mesmo sem compreender tudo agora, seguimos certos de que um dia todas as coisas serão plenamente esclarecidas, porque a plenitude não pertence a este tempo, mas à eternidade.
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