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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Dos sonhos




Um amigo, o Júlio Diniz, registrou um momento ímpar nesta foto. Algo que me despertou para refletir sobre o contraste entre a inocência de uma criança sobre o que a espera no futuro e alí logo em frente, a finitude dos sonhos. Alguém disse que os sonhos resistem a morte, mas discordo. Sonho é coisa de gente incompleta. Penso que do outro lado, não há anseios pois lá se encontra plenitude.

Os sonhos são narcóticos que tornam esta vida possível. Sem eles, a vida parece perder o sentido. Enquanto existem sonhos, há motivos para correr atrás deles.

Um sonhador, é alguém que ainda tem a ilusão da completude aqui neste lugar. Para mim, uma pessoa evoluída, amadurecida na fé, aprende a resignar-se diante do Mistério. Faz planos, mas com realismo.

Não tenho fórmula para indicar e talvez nem haja, mas posso contar minha experiência que é bem simples. Um dia disse à Deus: Enquanto minha vida era minha e eu achava que meus caminhos eram meus, eu quis ganhá-la e a perdi. Só escolhi caminhos de morte e só colhi sofrimento e dor. Não sei governar bem meus instintos, só faço me destruir, me depreciar. Toma agora a minha vida, agora ela é Sua, faz dela o que o Senhor quiser. Não quero mais o que eu quero. Quero o que o Senhor quiser pra mim.

Alí desisti de ser sonhadora, porque morri para o que eu era. Renasci serva de um Deus que sabe o que é bom pra mim. Eu queria ser feliz, ter uma família bem grande, um marido apaixonado e uma penca de filhos ao redor da mesa. Queria ter estudado, me formado e ter tido uma carreira, conquistado coisas, enfim, queria o que todo mundo quer e tem como ideal de felicidade.

Hoje vejo que tudo isso ficou para trás. Mas ao invés de frustração, vejo que não fui apenas mais uma. Deus tratou da minha vida de forma artesanal, talvez porque eu tenha a colocado em suas mãos. Fez de mim uma peça única, de uso exclusivo Seu. O que eu queria era tão menor, diante do que Ele quis pra mim!

Minha renda é suficiente para que eu viva com dignidade, mas nada sobra. Tive um filho só, que é suficiente para me fazer rir, chorar, me orgulhar e me preocupar. Nunca tive marido e sempre dependi de Deus. Não tenho ilusões quanto à este mundo, mas sou alegre e querida pelas pessoas que me cercam. Minha família, meus amigos, todos tem prazer de vir à minha casa. E ficam felizes por ver que de nada sinto falta.

Eu sei que neste mundo, não tem valor uma pessoa que não entra nas formas pré-estabelecidas. Alguém que nunca está ornando perfeitamente com o todo, alguém que está sempre insatisfeita com os conceitos impostos. Mas gente, eu tenho tempo de sentar-me aos pés de Jesus, assim como Maria, enquanto Marta se ocupava das coisas efêmeras.

Não vivo de sonhos, mas tenho esperança. Espero da vida, não ilusões, mas tudo aquilo o que Jesus já profetizou que haveria. Mas sei o que me aguarda no Dia do Senhor. Entendo que de nada serei poupada, mas estou segura em suas promessas. Com Ele, sou mais que vencedora, mesmo sem ter mérito nenhum.

O desapego das coisas ínfimas, é resultado de uma esperança muito maior, que vai além do dia em que partir daqui. Não é sonho, é certeza.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Ser cristão




"Sou cristão" se tornou status, mas na verdade, poucos de fato o são.

Ou você se torna discípulo, ou será apenas mais um religioso. Ou quiçá algum hipócrita que a multidão arrasta...

Jesus nunca foi evangélico ou católico. Não usava Bíblias, não planejava pregações. Dava a água conforme a sede e dava comida conforme a fome.

Quando as multidões se assentavam diante dele, Ele não desenrolava um pergaminho pra citar profetas antigos. Quando os citava, era com propriedade.

Usava o tempo pra falar de amor, pra ensinar a boa convivência, pra despertar a esperança.

Se um mal feitor vier fazer mal à vocês, deixe que leve tudo. Não está nas coisas efêmeras o teu coração.

Se alguém te ferir e causar dano, aceite-o de volta, mesmo que isto signifique sofrer danos futuros. Você também foi perdoado.

Não ofereça nada à Deus, se seu coração estiver contaminado de mágoas e rancores, primeiro vai lá e faz as pazes com teus irmãos.

Quantas vezes se deve perdoar? Quantas vezes precisarem do seu perdão. Ou você pensa que Deus não tem sido benevolente com você todos os dias?

Se precisarem da sua ajuda, faz mais um pouco, divida as cargas, ajude a edificar.

Não corra atrás do vento. Os verdadeiros bem-aventurados, são os que guardam a esperança.

O que caracteriza um seguidor de Cristo não são as obras, mas o AMOR.

Obras são consequências na vida de quem é grato, pelo que recebeu de Graça. Quem é o homem para barganhar com Deus?

E assim, Ele mostrou ao jovem rico que ele só tinha religião, mas negligenciava no amor, por isso não poderia seguí-lo.

Assim, Ele repeliu aos Fariseus hipócritas, porque não entravam e nem deixavam entrar.

E assim, Ele foi moldando os próprios discípulos, viciados em sua própria humanidade, até o ponto de morrerem pelo Evangelho.

Assim Ele quer fazer por você, te libertar da religiosidade e te fazer um adorador, em espírito e em verdade.

Alguém que enxerga o mundo como a Seara pronta para ser colhida. Alguém que se dispõe a trabalhar por Seu Reino.

Alguém que deseja amar, porque também foi amado.

sábado, 17 de agosto de 2013

Abundância




O que posso afirmar à meu respeito:
Sou pobre, mas tenho tudo e de nada sinto falta.
Sou só, mas não desamparada.
Estudei menos do que eu gostaria, mas sou instruída para instruir.
Sou a menor na minha casa, mas fui colocada em lugares altos.
Não tenho do que me gloriar, mas ao passo que espanto, atraio.
Muitos projetos meus ficaram pelo caminho,
mas tenho convicção de que tudo, absolutamente tudo
foi, é e será, conforme o que Deus desejou para mim.
Fechando os olhos hoje, sei para onde vou.
Não porque tenha merecido, mas por ter me submetido
à mensagem simples do meu Senhor.
À Notícia Boa de que nada será em vão.
De nada fui poupada, mas tenho onde descansar.
Jesus em mim é consciência antecipada do que serei
Nele... eternamente...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Os amigos do mundo




De certa forma, este texto complementa o anterior. Desta vez, meu foco pretende ser uma abordagem à alguns versículos.

"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."
Romanos 12:2

"Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus."
Tiago 4:4

Pelo prisma da filosofia, uma tese é contestada pela antítese, mas pode encontrar equilíbrio na síntese das duas ideias, aproveitando o melhor delas.

Minha posição é caminhar sempre me equilibrando entre as ideias rígidas da ortodoxia religiosa e a libertinagem aceita no espírito do mundo, como algo habitual, corriqueiro e natural. Não escolho nem um extremo, nem outro. 

Se em meu espírito, tenho grafada a lei de Deus (qual seja, o Amor) viverei sob as escolhas que meu espírito fará em sabedoria, coerente com o Evangelho que minha boca professa. Mas se vivo de acordo com as influências externas, certamente serei mais um dos tolos que a mídia, a religiosidade e a sociedade manipulam.

Sempre defendi que a ordem que me molda, tem que vir de dentro, porque o Espírito de Deus, habita em mim. Se me permito ser moldada pelas ideias que vem de fora, serei mais uma pessoa lamentavelmente idiotizada pelo espírito que governa o mundo.

Um exemplo: as mulheres sempre lutaram por igualdade e durante muito tempo foram subestimadas e subjugadas. O Evangelho me diz que já não há diferenças entre seres humanos, nem hierarquias, nem acepções vindas da parte de Deus. Logo, é insensato aceitar que mulheres permaneçam à margem, porque são iguais em potencial.

Mas apesar do impulso de defender o direito de ser da mulher, me causa desconforto ver que algumas se perderam tanto, ao ponto de se depreciar. Você observa uma jovem funckeira por exemplo e vê que sua dança é uma simulação do ato sexual. Sinto tristeza quando vejo moças dançando "o quadradinho de oito", como se isso fosse libertação do passado de opressão. 

Elas fazem isso de acordo com a intuição que vem do Espírito no espírito, ou por influência do meio em que vivem? Novelas, BBB, letras de músicas ridículas, violência nas torcidas dos esportes, enfim, o leque é enorme! Se todo mundo faz, fica fácil ir na onda.

O Mistério conduz ao nosso interior. Cada vez que o foco for absorver o espírito do mundo, vamos ignorar a mensagem de Jesus. E quando Jesus for o alvo, o espírito do mundo não terá poderes de sedução.

Quem estuda a história, sabe que a humanidade caminha rumo à uma racionalidade e liberdade. Porém, no caminho se perde, justamente porque o norte está do lado de fora. Cresce e desenvolve, mas quase sempre como uma doença sem controle.

O Evangelho propõe uma reconciliação com o Autor da Vida. Aquele que certamente conhece bem a saída desse labirinto, onde de antemão colocou a Porta, Cristo.

Quem decide ser dependente da Verdade, consegue discernir este paradoxo: Quer crescer? Diminua!

terça-feira, 30 de julho de 2013

O sábio e o tolo




A sabedoria é um dos dons que Deus liberalmente nos concede. Mas por ser dom, não é algo que aconteça por atacado. É para quem busca intimidade com Deus e a deseja.

Lugar de tolo é no raso, onde tem muitas companhias. O sábio geralmente está só, experimentando as alturas ou a profundidade.

Um sábio, é uma pessoa que tem consciência de que não está pronto, mas em constante crescimento. Seu alvo é a ampliação do espírito, enquanto mortifica as deformidades da alma, resguardando contudo suas características individuais.

O sábio não é nada mais que uma pessoa que consegue sistematizar em palavras, a intuição percebida no espírito, transformando-as em ideias na mente (alma), alcançando assim, outras pessoas, auxiliando no crescimento espiritual.

O sábio é assertivo, não tem medo de errar o que afirma, porque a sabedoria vem do Espírito, no espírito do homem.

O tolo, engole a informação, seja falsa ou verdadeira, desde que seja convincente. Da mesma forma, não consegue discernir a verdade, se ela não se encaixa e se acomoda à sua própria concupiscência, porque ele faz essa avaliação com a mente (alma) e não com o espírito.

O tolo é aquele que perde a individuação e se encaixa nas formas da religiosidade. Usa as mesmas roupas, os mesmos jargões, a mesma ideia distorcida sobre privilégios em detrimento de outros. Precisa estar inserido num grupo, porque sozinho se desorienta.

O sábio não é manipulável e não precisa de líderes para o conduzir, pois a ordem que o molda, vem de dentro, onde o Espírito habita.

O tolo voa em qualquer vento de doutrinas humanas, enquanto o sábio se deixa conduzir pelo vento do Espírito e só por Ele.

Um líder inteligente e astuto, não é necessariamente sábio. Ele tem a facilidade de persuadir mentes, lavar cérebros, convencer almas, mas não auxiliam no crescimento espiritual.

O sábio é coerente e firme, ajuda pessoas a encontrar respostas dentro de si mesmas.

Não se alcança sabedoria decorando a letra, mas uma vez alimentados dela, ninguém precisa fazer da leitura bíblica uma religião, o cumprimento de uma obrigação. A revelação da letra no espírito, transborda e jorra.

A sabedoria possibilita ao homem, escolher melhor seu próprio caminho, mas principalmente o torna luzeiro para orientar o caminho de quem vai com ele.

Tiago3:17 Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Você e o Universo



De novo, vou falar um pouco à partir da tricotomia, para dar introdução ao que vamos conversar.

O Corpo funciona como uma extensão do outro. Fisicamente, somos uma coisa só, uma matéria só. Pra melhor entender, pense que com a mesma facilidade, um corpo passa ao outro tanto doenças, quanto consolo num abraço, quanto prazer na cópula. Uma carne se completa na outra, uma carne continua a outra como uma imensa corrente. Calor humano é acolhimento e a ausência dele, causa muita dor. Sentimos falta desses encontros, mesmo que venham com atritos, pois são mesmo os toques que vão aparando nossas arestas. É necessário que o corpo esteja se relacionando com outros, experimentando por meio dos sentidos, aquilo que a natureza traz como testemunho da criação.

A Alma já é mais seletiva. Um grupo pode conseguir acompanhar meu pensamento e assimilar parte do que quero transmitir e pra isso é necessário afinidade. Mas um não pensará exatamente como o outro, porque as questões que movem um ser, não são idênticas para todos. Vai depender da história, da experiência de cada um. O raciocínio é independente, mesmo que o laço de afeto exista, mesmo que haja um bom diálogo. Aprenderemos algumas coisas juntos, mas cada um perceberá a vida a seu modo. Concordamos, divergimos, discutimos, queremos prevalecer com nossas ideias. Nos unimos à um por laços de afeto e nos afastamos de outros, de acordo com a "liga" que acontece ou não.

O Espírito não. É o religamento entre Deus e o homem. É particular, pessoal, exclusivo, completamente independente do que acontece com os outros. Do início ao fim, é você e Deus. Cada um avança em seu próprio ritmo e a liberdade para se ampliar, depende dos obstáculos e bloqueios que cada um forja para si. À medida que subimos os "degraus" nessa estatura que buscamos, vemos as coisas com mais clareza e nitidez, posto que mais achegados à Luz, todas as coisas são reveladas e nada permanece oculto.

O Evangelho realiza no homem, uma espécie de harmonização. Ninguém precisa escolher anular parte alguma, nem mesmo a carne, tão marginalizada. Um homem íntegro, não pode viver por aí sem seu corpo, não pode anular sua capacidade de raciocinar e não pode viver sem o impulso que o faz buscar a Deus, mesmo que ele não compreenda que o vazio que o consome, é justamente este canal partido.

O que a Boa Nova propõe, é que o homem chegue à um grau de crescimento, que o permite dominar seu próprio corpo para que não se deprecie e se destrua. Que ele consiga direcionar seus pensamentos e relações, de modo que o ego seja mortificado. Que ele possa assimilar tanto a revelação de Deus, que consiga avançar em amor. A revelação bíblica é uma espécie de educação, que possibilitará ao homem de boa vontade, deixar de ser semente para finalmente germinar, crescer e dar frutos.

A Eternidade é a assinatura do Criador, em sua criatura. É algo que nossa mente não assimila por motivos óbvios, mas que nosso espírito intui porque está estreitamente ligado ao plano global de Deus para a humanidade. Crescer, ampliar cada vez mais esse desejo, nos traz a consciência de quão ínfima é nossa realidade, de quão pequena é nossa perspectiva, quando estamos encerrados na condição humana. 

Mas à medida em que o Mistério se desvenda, se revela, se relaciona conosco, é possível entender o simbolismo bíblico, que retrata o homem na sua condição mais vil, mais egocêntrica, mais vazia do desejo de relacionamento com o Criador. Quando diante de uma única Lei, a infringe para que seu ego prevaleça. O homem diante da promessa de ser como Deus e conhecer todas as coisas, cobiça o poder, deseja usurpar um status que pertencia a Deus. E diante  da culpa se esconde, se envergonha e responsabiliza ao outro.

Se o primeiro Adão revela o homem em sua condição mais medíocre, Jesus faz o caminho inverso, negando sua própria vontade para acolher a Vontade do Pai, mortificando completamente qualquer raiz de ego, frutificando excelentemente o Amor e sendo Perfeito. Tendo todo poder se esvazia, sendo digno passa a maior vergonha que um homem poderia passar e sendo inocente, aceita em si a culpa dos homens.

Se eu pudesse desenhar um esquema que ilustre a caminhada cristã, que vai do egocentrismo, a condição mais medíocre, até a plenitude, quando conseguimos nos negar em favor do outro, seria mais ou menos assim:

Adão/Ego em uma extremidade, Cristo/Amor em outra. Uma reta transversal como uma subida, onde o homem sai de Adão e avança na direção de Cristo. Paralelamente, vários devios, ilusões, ofertas, tentações, mas à frente o alvo almejado. O homem tem um quadrado acima da cabeça simbolizando a alma e todas as suas informações e acima dela uma grande antena, que conecta o peito às ondas de revelação.

Se o homem avançar à ponto de viver à partir do seu espírito, saberá se conduzir pelo Caminho, sem desviar nem para a esquerda, nem para a direita, até chegar à estatura do varão perfeito. Se viver à partir da alma, tudo o que terá será temporal e limitado à esse sistema. E se viver à partir do corpo, agirá por instinto e se destruirá.

As religiões se transformaram em distração para alma, com tantas regras, liturgias, convenções. E entretenimento para o corpo, mas pouco contribuem para que o homem se relacione com Deus. Essa busca é pessoal e intransferível.

Se alcançarmos o equilíbrio, o auto domínio, buscando a Deus e Sua Vontade, mesmo que as circunstâncias sejam desfavoráveis, a esperança nos motivará a continuar neste propósito. E na consumação de todas as coisas, estaremos finalmente prontos para realizar em Cristo, as obras mais sublimes do Universo.

Olhe para o Universo e perceba para que obra maravilhosa você foi chamado! Um dia, a Terra já foi sem forma e vazia...

sábado, 13 de julho de 2013

O que há de vir





Coisa sublime é Tua revelação
Maravilhosa demais para mim
Somos sementes do que seremos um dia,
sob Tua Glória sem fim...

Seguimos conduzidos por Tua mão
Contemplando o alvo adiante
Nossa fé nos sustenta nas promessas
pois jamais vimos coisas semelhantes.

Um dia Teus servos contemplarão
novos céus e nova Terra,
onde se estabelecerá Teu governo,
onde toda a dor se encerra.

E assim como no princípio
Eras o Verbo em toda a criação,
Teus servos, pequenos deuses glorificados,
coisas ainda maiores farão...

Quanta coisa ainda há para vir à existência,
neste Universo infinito, Senhor!
Como são felizes os que fizerem parte
do Teu reinado de Amor!

domingo, 23 de junho de 2013

Cura gay - Sobre a tricotomia e suas desordens

A alma humana é o governo do indivíduo. Cada vez que o homem não sabe se governar, acaba cedendo à outros esta função. Então é influenciado.

O espírito é o verbo do homem. Dele vem todo impulso, a força, a energia, a vida. Um espírito precisa se conectar à alma, para realizar.

Uma pessoa que perde o contato com seu espírito, não assimila sua intuição. Será almático e possivelmente, governado por outros.

Assim surgem os vícios, as distorções da sexualidade, as manipulações por um ideal comum, pessoas que perdem a individuação, se conformam com o que vem de fora, etc.

Uma pessoa que assimila bem sua intuição, seu impulso interior, tem domínio sobre sua alma e faz escolhas que o amplia, dá crescimento.

Quando a alma administra bem sua função, o homem não se sente vazio. Com o conhecimento, há uma boa administração do ser.

Por isso, é do espírito que tem que vir a ordem que te molda, não de fora, da mente de outras pessoas. Só assim teu ser será protegido e pleno.

Nunca entregue teu governo a ninguém. Só o Espírito de Deus no teu espírito, pode te dar a direção, verbalizar, impulsionar para o bem.

Quando você prefere fugir da realidade, é porque não está conseguindo se administrar. Sua alma está desgovernada.

O corpo por sua vez, quando bem administrado, terá disciplina pois não poderá ditar as ordens, nem ter tudo o que quer. A alma decide.

Um homem desgovernado, não tem controle sobre seus instintos e deprecia o próprio corpo.

É desta libertação que o Evangelho trata. O homem sai de uma realidade de escravidão e confusão e aprende a se governar.

Sobre a sexualidade: não há sexualidade no espírito (verbo) nem na alma (governo) mas apenas no corpo (instrumento).

Quando uma pessoa não se reconhece no próprio gênero, sua estrutura tricotômica está desarmoniosa.

Uma pessoa pode escolher viver nesta desordem, mas não se sentirá feliz com isso.

A mente não trabalha contrária à sua formação genética. Uma pessoa que não se reconhece em seu gênero, vive uma angústia, uma ansiedade. Ela está indo contra ao governo que lhe foi dado. Ela rejeita o governo de sua alma sobre seu corpo.

Homossexualidade aprisiona, não gera liberdade. Não há plenitude no indivíduo que vive esta desordem na alma. Esse desgoverno causa sofrimento.

E todo esse discurso orgulhoso não leva a nada. Ninguém tem orgulho do que não escolheu.

Há uma busca a fazer em direção à harmonização da tricotomia. Só assim, a pessoa volta a se enxergar como é.

Só o Evangelho liberta o homem. Só retomando o governo de si mesmo, o homem deixa de ser escravo e é finalmente livre.

O trabalho de evangelização consiste em devolver ao homem a capacidade de assimilar com a psiquê, o impulso do espírito que está pronto.

Assim o reflexo para o corpo, será a harmonia e a saúde em todos os sentidos.

O termo "cura gay" fere o orgulho. Mas não é de todo errado, já que a alma também pode ser curada, quando governa bem todo o resto.

Espero que esta minha explanação, não confunda quem lê. Não se trata de homofobia (violência e discriminação) e nem preconceito com pessoas.

Não ver a homossexualidade como algo saudável e natural, não me impede de respeitar os direitos de cidadãos gays. Muito menos de amar e acolher estas pessoas.

Deus não faz acepção, eu também não faria.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A mulher samaritana




Graça, favor imerecido, dom gratuito de Deus.
Evangelho, a boa Nova de que não precisamos mais ficar encerrados na morte, porque Jesus pagou nosso resgate e Nele, temos a esperança da ressurreição.

Deparei com uma pergunta num site qualquer: "Se alguém precisa professar uma fé correta, a Graça não deixa de ser de graça?" Pelo que entendi, o rapaz se referia às nações onde o Evangelho tem dificuldade de ser difundido, onde muitas pessoas não podem crer por não terem ouvido a boa Nova.

No Evangelho segundo João, cap 4, deparamos com a história de uma mulher samaritana. Uma pessoa desprezada não só pelos judeus, por ser samaritana e mulher, mas também pelos samaritanos, por causa do seu histórico de vida.

Estes são os passos desta conversão: Jesus se revela, a mulher anseia pela sua promessa. Ele a faz se enxergar pecadora, ela se preocupa com a geografia e Jesus lhe mostra o que é verdadeiramente ser Igreja. Como Igreja, ela sai anunciando a Cristo e a sua promessa à todos que encontra, não por já ter sido suprida, mas por crer que aquele com quem estivera, era o enviado de Deus.

O Evangelho é assim: há a notícia de que em determinada fonte, jorra água viva, sem pedágio, sem preço à pagar, sem acepção alguma e qualquer homem que quiser, tem livre acesso à ela. 

Mas a pessoa precisa:
- Acreditar que a notícia é verdadeira
- Desejar beber desta água
- Entender que esta fonte é única
- Se dispor a ir na direção da fonte

Então, o preço foi pago, mas se a pessoa nunca souber disso, não poderá se deslocar até a fonte e não poderá beber da água. Claro que isto tudo é apenas uma analogia para entendimento, pois a Graça é livre de geografias e não faz acepção de pessoas. Mas o Evangelho precisa ser anunciado para que as pessoas creiam.

Antes de pensar que isso é injusto à quem pertence à outras culturas, pois só ressuscitará quem crer em Cristo e for reconciliado por meio Dele (pois todos pecaram, não há um justo sequer e Jesus é o Mediador entre Deus e os homens). Pense que se em algum momento você bebeu desta água, foi constituído Igreja e precisa ir para cumprir sua responsabilidade. Somos cooperadores de Deus no anúncio desta mensagem.

Se cada homem fizesse como a samaritana, testemunhando o que viu e ouviu, muitas pessoas sedentas pela verdade, teriam sido supridas. É mais fácil cruzar os braços e questionar.

Jesus mencionou a água que matava a sede temporariamente e a água que aniquilava com a sede. Ele estava falando do quanto a eternidade é melhor que a efemeridade. Assim como o VT é sombra do que haveria de vir no NT. Cada homem que a Graça ainda não alcançou por meio da fé, ainda é sombra do homem que poderia ser.

O homem que rejeita esta notícia, já teve sua recompensa. A pessoa que ainda não ouviu, não tem condições de beber. Terá que assimilar o amor por intuição, pois o espírito está pronto. (quem ama, cumpre a lei de Cristo) Desta forma é muito mais difícil, pois a carne conspira contra nós e se a alma não faz escolhas por meio do intelecto, fatalmente o homem tende a se obedecer.

Muitas vezes o que o espírito intui, é desprezado pela pessoa porque a carne grita por satisfação. A revelação fica lá adormecida, até que o intelecto assimila uma informação e então o homem entende com clareza o que já sabia por revelação. Logo, pregar o Evangelho é uma manifestação de amor na direção do outro. Aquilo o que você mesmo recebeu, você deseja que o próximo receba. É o amor transcendendo de Deus na sua direção, para que você possa emanar na direção do próximo.

Esta água tem o poder de transformar alma vivente em espírito vivificante. O portador do Evangelho, emana amor e tem este impulso na direção do próximo.

Tem gente demais preocupada com o local onde estava o poço quando o diálogo aconteceu, gente fixada na literalidade das palavras de Jesus e gente anunciando que qualquer água serve. Mas é cada vez mais raro, pessoas dispostas a ir anunciar a Boa Nova.

Quando você pensar em alguém do outro lado do mundo, onde o Evangelho não chegou, é legítima sua preocupação, assim como o desejo de fazer sua parte deve te incomodar.

O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo. A promessa de salvação aconteceu no Éden. Jesus consumou a obra redentora dentro do tempo. Mas cada homem será alcançado pela Graça, na medida em que crer no Evangelho. Tudo o que se poderia conhecer de Deus, já está revelado. Mesmo quem não assimilou a verdade por meio da alma, pode intuir o amor por meio do espírito.

Portanto, se você é Igreja, anuncie a Boa Nova. Ame ao próximo como a si mesmo. Faça pelo próximo, o que alguém um dia fez por você.

sábado, 1 de junho de 2013

Marta e Maria





"E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;
E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.
E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;
E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." 
Lucas 10:38-42



Estamos  diante do relato de duas posturas diferentes de cristãos. Sabemos que as duas amavam ao Senhor, mas a maneira de demonstrar este amor era bem distinta.

Marta priorizava as obras e Maria a fé. Marta queria servir ao Senhor da melhor forma possível, ficando cansada e agitada com sua impotência. Maria só queria aprender o ensinamento de Jesus.

Jesus estava aconselhando Marta, a priorizar as coisas espirituais. Ela o recebeu em sua casa, mas não lhe deu prioridade. O medo de não servir direito, tirou dela o prazer de se relacionar com o Senhor, de aquietar-se e ouví-lo, de crescer espiritualmente.

Enquanto Maria estava confiante de que tinha escolhido o melhor, Marta estava ansiosa, inquieta, andando desorientada.

Enquanto Maria estava tranquila e atenta à Jesus, Marta andava afadigada e nada aprendia.

Enquanto Maria estava focada na eternidade, Marta estava preocupada com a efemeridade.

Enquanto Maria estava ocupada com os interesses do Reino, Marta buscava muitas coisas.

Enquanto Maria aproveitava a oportunidade para crescer e foi elogiada, Marta estava invertendo os valores e foi censurada.

Maria escolheu a melhor parte, Marta estava escolhendo as coisas passageiras, as quais o Senhor não considerou importantes.

Maria se ocupou do que lhe alimentava o espírito, Marta estava preocupada com o corpo.

Não que as coisas materiais devam ser desprezadas, afinal somos carne e temos necessidades a serem supridas por meio do corpo. Mas nossa prioridade, deve ser preparar sempre o espírito, alimentá-lo e fortalecê-lo,   pois as coisas terrenas passam, mas o que o espírito absorveu, jamais nos será tirado.

Mateus 6:33 "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." 

Aquele que busca as coisas, não é suprido espiritualmente. Mas o que busca o Reino, de nada tem falta.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

O preço da tal liberdade

Quem pode por ordem no caos? 
Quem dissolve a dor, quem povoa a solidão, 
quem entoa músicas no silêncio, 
se não for de mãos dadas com o outro?

A liberdade tem um alto preço, 
preço de sangue que borbulha, mas não redime.

Só há uma cura e está no amor.

Só o amor tem o poder de transcender o homem 
da efemeridade à eternidade. 
Do caos, à esperança de Vida.

Só UM é Amor.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Deus não faz acepção de pessoas




Algum de vocês já se perguntou o por quê de Deus ter feito proibições quanto ao consumo de diversos animais na Lei de Moisés? De acordo com as características de cada animal, eles eram considerados puros ou imundos. Logo que conheci os textos bíblicos que falam à respeito, eu me perguntava o porque de Deus ter criado animais imundos e por que consumir alguns era pecado e outros não.

Nesta semana, um calvinista disse que era por causa da saúde, pois somos templos do Espírito Santo. Claro que a definição não me satisfez, pois como por exemplo: camarões eram proibidos e pelo que me consta, camarões só fazem mal à quem tem alergia a camarões. 

Outro exemplo: um amigo que se dizia judeu, só comia frangos da Sadia, pois dizia que o dono era judeu e não matava seus frangos estrangulados, mas cortava fora a cabeça. Comer frangos estrangulados era pecado, mas comer frangos decepados não. Logo, não tem nada a ver com levar uma vida saudável.

Perguntei à Deus e pus-me a meditar. Afinal, as coisas espirituais se discernem espiritualmente. O que significam estes animais, Senhor? E eis o que aprendi:

Animais impuros, representavam os diversos povos ao redor do Arraial, com costumes e religiosidades estranhas à vontade de Deus, como por exemplo, cultos à deuses estranhos, homossexualidades, prostituições e sacrifícios de crianças.

O povo de Deus, deveria se abster desses animais como alimento, convivência e até do toque, como figura de pureza e separação de outras culturas. 

Veja a atitude de Jesus:


E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada.

Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós.
E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!
Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos.
E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã. 
Mateus 15:22-28


Quando Jesus se referiu àquela mulher com a metáfora dos "cachorrinhos" considerados imundos no VT, não estava chamando a moça de cadela, cão, cachorra, não estava ofendendo ela. Estava apenas dizendo que naquele momento, ainda não era hora da Graça se manifestar aos povos estranhos. Por causa da fé que ela demonstrou, Ele abriu uma exceção. Mas só quando a Igreja se estabeleceu, Paulo pregou à respeito dos Gentios serem enxertados no Ramo. Herdamos o que os seus rejeitaram.

Veja: 

"E tendo fome, quis comer; e, enquanto lho preparavam, sobreveio-lhe um arrebatamento de sentidos,

E viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra.
No qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu.
E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come.
Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda.
E segunda vez lhe disse a voz: Não faças tu comum ao que Deus purificou.
E aconteceu isto por três vezes; e o vaso tornou a recolher-se ao céu."



"E disse-lhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo."



"E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas;
Mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo." 

Atos 10:34-35 


Quando Pedro entrou em conflito, por preservar costumes judeus e considerar a supremacia de seu povo, teve uma visão, onde Deus o mandava "comer" de tudo, entre todos os animais imundos. Pois a Graça alcançou a todos os povos, línguas e nações. Já não há acepção entre os homens. Tanto os judeus quanto os gentios, deveriam ser evangelizados para decidir por Cristo e sua Justiça.

Não existem mais animais impuros, pois o que era sombra no VT é Luz no NT. Assim como Deus não faz acepção de pessoas e fez de cada homem que nasça do Seu Espírito, um filho, co-herdeiro com Cristo.

"Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus."
Gálatas 3:28




quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sobre a desconstrução da religiosidade, mas não do amor.





Por causa da intolerância, dos ataques e dos grupos que se formam em redes sociais, numa verdadeira guerra santa, onde cada um defende seu ponto de vista e constitui nos outros, alvos inimigos. Estes parágrafos eram twittes à princípio, mas resolvi registrar aqui para que outros possam pensar à respeito.

Nietzsche começou um movimento importante para desconstruir a religiosidade que retira o homem da realidade. Fez lembrar a integridade.

Assim como falta no homem natural, o canal que o religa ao mistério de Deus, um homem que se fixe na espiritualidade, se torna lunático. Uma pessoa saudável, precisa se reconhecer corpo, alma e espírito, assimilando o que é próprio de cada nuance de sua vida.

Mas é incoerente que cristãos se tornem seguidores de um homem almático. É preciso entender que ele só pode olhar pelo prisma da alma vivente.

O que um ateu pode afirmar sobre a vida espiritual de alguém?

Assim, toda esperança, todo ideal, toda idealização, toda utopia, tira os pés do chão da vida e não apenas a religiosidade. Isso é próprio. O homem natural, tende a desviar seu foco à algo que lhe dê alguma segurança.

A fé não pode ser combatida, porque há erros de interpretação no cristianismo. São coisas distintas.

Cada homem é livre pra escolher seu caminho e livre até para escolher os narcóticos que tornarão sua vida possível. Logo, se a religiosidade falsa supre alguém, não sou eu que tenho que atacar a escolha alheia.

Tudo o que posso fazer, é sugerir meu entendimento, postar minhas ideias, mostrar como assimilo a revelação. Mas se a verdade deles não serve pra mim, impor a minha é arrogância e prepotência.

Ter consciência de que não somos inerrantes, deveria servir para sermos tolerantes. Toda raiz de prepotência na posse da verdade, já torna qualquer tese antipática. Uma sugestão sempre foi melhor assimilada do que uma imposição.

E cada homem tem dentro de si a fonte que jorra sua verdade. Se aprender à buscar, não precisará da direção dos outros. Rapaz, a aridez de ninguém é capaz de interferir na produção dos seus frutos. Cada um faça o seu, porque cada um responde por si.

Ademais, se os frios, materialistas, racionais, são infelizes, porque ditariam sua verdade à quem busca em outras direções? Se nem estes encontraram o que afirmam...

Descanse numa verdade universal: a única alma que está ao seu alcance, é a sua.

Não condicione a tolerância, a harmonia, a boa convivência, aos que fazem parte do seu gueto. Ame apenas e a vida vai parecer muito melhor.

Já conseguiu amar a Deus acima de TODAS as coisas e ao próximo como a ti mesmo? Como quer ensinar os outros a serem cristãos, cabra?

Faça aos outros, o que gostaria que fizessem a você mesmo.

terça-feira, 21 de maio de 2013

O amor espiritual





Apesar do nosso idioma ter restrito à uma única palavra, uma diversidade de significados, gosto de analisar o AMOR pelos prismas das palavras gregas Eros, Phileo e Ágape, porque considero  perfeitas para traduzir a complexidade.

Eros é o mais egoísta dos três e pra se satisfazer, precisa literalmente entrar no outro e ser com ele uma só carne. Se houver frieza não serve, se não houver beleza e atração física não serve. Um se satisfaz no outro e mesmo que busque a satisfação alheia, é por mera necessidade de alimentar a autoestima. Acabou o fogo, acabou a loucura. E se não houver o amor Phileo ou Ágape, acaba o relacionamento.

Phileo é o amor das trocas, provém da necessidade almática de completude. Há um investimento e a expectativa de retorno. Há doação, mas busca também a reciprocidade. Se não houver reconhecimento, há decepção.

Um exemplo típico é uma família que investe numa criança. Doa, educa, cuida, mas ai deste se não retribuir, se não corresponder aos esforços, se não for obediente, se quiser praticar a própria vontade. Há rompimento, sofrimento, conflito... Phileo é troca e não aceita se entregar gratuitamente. Por isso é tão comum as amizades se dissolverem. Se não há retorno do investimento, Phileo perde a força, não se basta.

Agora imagine que num parto, as coisas não corram bem e o resultado é uma criança com paralisia cerebral. Por mais graves que sejam as sequelas e por menos chances que o filho venha a ter de ter uma vida normal, de corresponder ao amor, ainda assim, receberá entrega, cuidado, carinho, doação,  socorro, suprimento...

Assim é Ágape. É assim que Deus nos ama. A Graça não exige retorno, ela ama primeiro, incondicionalmente.

É esta a dificuldade das religiões. Embora preguem um Deus galardoador, impõem a necessidade de troca, como se Phileo fosse primordial no relacionamento de Deus com o homem. Então ensinam obediência, obras e serviços diversos, como moeda de troca por benevolências e bênçãos. No fundo são os registros humanos que forjam também o entendimento à cerca da fé. Entendimento almático, invadindo o espiritual.

Mas como aquela mãe, que se doa ao filho impotente, vulnerável, frágil e incapaz de lhe corresponder à altura, aquela que ainda assim terá um elo de amor espiritual, sem esperar dele, mais do que ele pode lhe oferecer de si, o amor de Deus é incondicional, é gratuito e não busca troca, pois Ele é pleno, não precisa de retorno.

Alguém pode dizer que o exemplo é ruim, afinal temos condições de servir, retribuir. Mas aí é que está. O serviço é consequência e não causa. Fomos amados primeiro para conseguir amar. Se fazemos algo à partir deste amor, é a gratidão que nos move e não um meio de pagar o impagável.

Se há um elo entre Deus e o homem, é espiritual, são laços de amor incondicional, sem relação com as obras humanas. O que o homem consegue fazer, é porque está em Cristo e não por mérito próprio. Mas ainda que permaneça egoísta e não avance em crescimento na direção do amor espiritual, continua sendo alvo de misericórdia, amor, cuidado, porque Deus jamais abandona o homem. Deus é abençoador porque é Bom e não porque merecemos.

Por isso, ponha de lado a barganha, a culpa, o medo, as acusações, as ameaças... tudo isso são contaminações humanas, numa área que serviria para religar, mas se tornou em mentiras.

Quem crê que foi amado imerecidamente, ama por consequência, como resposta. E sentirá fluir de si, este impulso natural na direção de Deus e do próximo. Aí conseguirá doar de si sem esperar pagamento. Porque sabe que antes de todas as coisas foi amado.

Para uma melhor ilustração, leia esta postagem http://janetecardoso.blogspot.com.br/2007/05/surpresas-do-cotidiano.html se refere à uma criança que conheci no metrô. Sua mãe o abandonou logo após o nascimento, ele estava com 5 anos quando o encontrei e o portador do amor Ágape, era o pai.


"Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti." 

Isaías 49:15