Páginas

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Igrejas judaizantes




Hoje, a maioria das igrejas evangélicas se fixam em pregações judaizantes. Formulam suas táticas de engodo, usando textos do Antigo Testamento, como se Israel e a Igreja fossem o mesmo povo. E como se não houvessem duas alianças, com promessas distintas e Leis distintas. Usam a velha aliança para prometer o que Deus não prometeu à Igreja e para garantir o que jamais foi garantido. E assim, plantam a semente da segregação, da falsa ideia de povo seleto de privilegiados, gente alienada, materialista, vingativa e vazia do amor de Deus.

Israel é a figura de um povo endurecido, adúltero e almático. A Igreja de Cristo é quebrantada, esposa fiel e espiritual. A imagem do Deus de Israel é percebida pela limitação do homem em Adão, por isto é a de um Deus terrível, vingativo e ditador. Em Cristo, Deus é um Pai amoroso, abençoador e que convida a humanidade a ser co-herdeiras com o Filho.

As promessas feitas a Israel são materiais, temporais e condicionadas à obediência. As promessas para a Igreja de Cristo são espirituais, eternas e ofertadas pela Graça de Deus.

A Lei de Moisés foi dada a Israel, porque eles jamais a cumpririam e assim, foram o povo escolhido por Deus para mostrar à humanidade, a necessidade do Salvador. Nunca houve um justo sequer além de Cristo e sob o prisma eterno, não poderia ser diferente, pois o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo.

Já ouvimos tantas vezes leituras superficiais, onde se afirmava que Abraão se precipitou ao ter um filho com
Hagar, a egípcia. Pois o filho da promessa deveria nascer de Sarah, sua esposa. Mas conhecendo a explicação de Paulo acerca da escrava e da livre, onde uma representa a Lei e a outra a Graça, vemos que nada do que acontece é em vão e que tudo está perfeitamente amarradinho ao plano de Deus, que era levantar um povo na Terra, para estabelecer Seu Reino Eterno.

Haviam promessas naturais para a descendência natural de Abraão, os hebreus. E haviam promessas sobrenaturais, para os que se faziam herdeiros da fé de Abraão, seus descendentes por meio de Cristo.

Depois que Abraão recebeu a promessa de que seria o pai de uma grande nação e que dele Deus suscitaria uma enorme descendência, tal como as estrelas do céu, e que através de seu descendente, todas as famílias da Terra seriam abençoadas, nasceu Isaque, o herdeiro da promessa e nele, o descendente Jesus, por meio de quem no tempo oportuno, Deus consumou a Obra Redentora.

A promessa foi feita antes da Lei, mas cumprida no Novo Testamento, em Cristo. Pois por meio da fé, todo homem que guarda Nele a esperança, será salvo.

Portanto, Hagar a escrava, é representada pelo Monte Sinai e a Lei. Antes de se converter, todo homem é um Ismael. E Sarah a livre, é a Nova Jerusalém celestial e a Graça que nos converte em Isaque.

Enquanto não tínhamos fé, dependíamos de nosso esforço e éramos escravos do pecado que habita nossa natureza terrena. A Lei servia para apontar nossas culpas. Era como se uma grande carga estivesse sobre nosso lombo, pois jamais poderíamos cumprir todas aquelas regras.

Mas vindo a Luz do mundo, nossos olhos foram abertos pela fé. E nosso fardo foi substituído por algo leve e possível. Viver sem culpa, é incomparavelmente melhor.

A Lei em si é boa. Não podem ser más, cláusulas que dizem "não roubem, não matem, não cobicem, não adulterem". Posto que são ordenanças que protegem o homem. O problema está na nossa imperfeição. É impossível ao homem natural, cumprir toda a Lei e falhando em uma, nos tornamos culpados de todas. Assim, a Lei nos torna malditos e dignos de morte. Ela é boa, mas nela nos tornamos réus inevitavelmente.

Pela fé em Cristo, esperamos Nele a salvação. Foi Ele quem pagou a nossa dívida, se fazendo maldito no nosso lugar e riscando a cédula que nos condenava. Nele somos verdadeiramente livres da culpa e da condenação. Já não observamos a Lei, pois em Cristo, é o amor que nos aperfeiçoa.

A conversão consiste numa confissão: somos incapazes de nos justificar pelas obras e dependemos da Justiça em Cristo. É impossível se converter e ainda crer em mérito próprio.

Assim, já não somos Ismaéis debaixo da Lei, escravos de nossa imperfeição. Mas em Cristo, fomos feitos Isaques, herdeiros da promessa, livres. Um herdeiro não precisa se esforçar para herdar. Ele apenas espera, é herdeiro.

Os da Lei, abrem mão de Cristo. Julgam que a Obra Redentora é imperfeita e portanto devem completá-la guardando mandamentos. Os da Graça, simplesmente descansam e esperam Nele. Pois crêem na Sua Perfeição e na eficácia do sacrifício na Cruz, consumado de uma vez por todas, para que as benesses da Graça de Deus, alcancem Seu povo.

Enquanto as igrejas continuarem agindo como se fossem Israel, permanecerão na sequidão do deserto espiritual, negando o amor e cegas para as promessas conquistadas por Cristo com alto preço.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Igreja ou igreja




Para a maioria dos evangélicos, a Bíblia é um manual de regras e prática da fé, para mim é Palavra de vida, que encontrando terra fértil, germina e gesta vida de Cristo naqueles que creram. Por esta razão, o que o Senhor disse, é. O que Ele não disse ou não mandou dizer, simplesmente não é. 

Este é o parâmetro para que eu saiba o que é da vontade de Deus e o que nasceu da vaidade humana. Este é o diferencial entre minha vida e a de pessoas religiosas. Se a Palavra está do lado de fora, ela é regra de conduta, se ela está dentro, é caráter.

Fui chamada por Deus, capacitada com olhos que enxergam para além do que vêem e sensibilidade para discernir as coisas que vejo. Para os mais atentos, não é novidade que a igreja caminha a passos largos para a perdição. Digo a igreja com "i" minúsculo, porque a Igreja de Cristo está garantida por Ele mesmo, desde antes da fundação do mundo e segue até que Ele venha. Ao passo que a igreja histórica, desde que se corrompeu em Roma, nunca mais deixou de se prostituir com os sistemas do mundo. Se os que se chamam pelo Nome de Cristo, cressem no que Ele disse, estariam preparados para esta apostasia, pois precede a Sua volta.

Fui chamada para resgatar a simplicidade e pureza do Evangelho naqueles que são. Não gasto energia com os que não são. Assim, desconstruindo conceitos, costumes, distorções que a igreja histórica instituiu, resgato no coração dos filhos a esperança Nele. Enquanto se acoplam os costumes humanos na sã doutrina, a igreja histórica vira qualquer coisa, menos a Igreja instituída por Cristo.

Desde que a igreja virou empresa e os dons viraram hierarquia, pouco sobrou da comunhão dos que amam, pois as motivações para servir, são cada vez mais diversas.

Jamais escrevi ou falei contra placas ou pessoas, até porque o sistema corrompido está revelado no Apocalipse e será destruído, não é algo pontual, que eu possa simplesmente resolver ou sugerir saídas. Está claramente exposto o que será dele. Mas contra a Igreja de Cristo, a porta do inferno não prevalece, posto que Ele mesmo a comprou para si. Isto é, pessoas de todos os tempos, línguas e culturas, que creram e esperaram no Senhor.

Assim, minha missão é muito mais ampla, do que discutir opiniões com gente que abraça a causa evangélica e nega o Evangelho. Um sistema estabelecido não muda e não mudará. Mas os que estão cegos, por negligência daqueles que tomam a frente para os conduzir, a estes bastará ouvirem a Palavra da verdade e a guardarem, para terem de novo os olhos abertos. 

Enquanto cegos guiarem cegos, tudo será apenas religião. Mas quando virem, tiverem suas mentes iluminadas pela Luz de Cristo, trilharão o Caminho, a Verdade e a Vida.

A grande confusão que acontece na cabeça de religiosos, é que só enxergam o sistema, mas não a Igreja. Enquanto as decisões vierem de fora para dentro, não há nova vida. Mas quando as consciências estiverem pautadas no Evangelho de Cristo, e o ensino do Mestre for a comida de cada filho, digerida e metabolizada, a força virá à partir de dentro e já não haverá mais confusão. Por enquanto, tanto dentro, quanto fora das paredes, joio e trigo crescem juntos.

Hoje, as pessoas se melindram com a verdade porque são medíocres. A sã doutrina sempre causará comichões nos ouvidos daqueles que não são. Ao passo que as que são, já não tem ego para ferir e nem orgulho para doer, porque morreram e ressuscitaram com Cristo e já não vivem, mas Cristo vive nestes.

Assim, não me esforço para justificar o dom aos homens, não é a estes que prestarei contas do que faço e vivo. Mas se vejo e entendo, ai de mim se não proclamar a verdade! Antes, não temo o que possa me fazer o homem. Nasci com o fim de glorificar a Deus com a vida.

Se as portas institucionais se fecharem para mim, Cristo é a Porta por onde passei de uma vez por todas. Pregarei fora do arraial.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Mês da família?




Pela tradição da Igreja evangélica e para o cumprimento da agenda anual de programações da Igreja, o mês de maio é separado para instruir e exaltar a função das famílias dentro da comunidade cristã. Para isto, todas as pregações, cultos nos lares e palestras, são direcionadas ao mesmo tema: funções/obrigações/responsabilidades do marido para a esposa, da esposa para o marido, dos filhos para com os pais e dos pais para com os filhos.

Mas como fui agraciada com um olhar mais amplo, percebo coisas que a maioria das pessoas deixam passar desapercebidas ou se calam, para evitar mais constrangimentos. Meu objetivo neste post, pode ser visto como uma crítica à religiosidade, mas também pode servir como edificação do Corpo que foi chamado para acolher e amar.

Nada tenho contra as instruções de Paulo sobre a família, apesar de perceber que textos onde ele se mostra contrário ao casamento, não tenham o mesmo valor doutrinário. Creio piamente que uma família bem estruturada, tende a ser mais harmoniosa e amorosa, coisas primordiais para que a caminhada cristã seja facilitada.

Porém não posso fechar os olhos para as coisas que saltam às basicalidades e superficialidade das pessoas, que na tentativa de fortalecer conceitos sobre a estrutura da família, passam de largo para o que de fato legitima uma família: respeito mútuo, cooperação, divisão de tarefas e obrigações e principalmente o AMOR que possibilita uma boa convivência.

A realidade da Igreja é outra, somos formados também por famílias atípicas, que ficam à parte durante um mês inteiro. Entre estas: casais sem filhos, filhos sem pais cristãos, viúvos, divorciados, avós que criam netos, sobrinhos que acompanham familiares, mães solteiras, sogras que foram acolhidas... enfim, realidades que são descartadas no mês de maio, quando nada faz menção sobre estas vidas que durante o ano participam ativamente de tudo o que acontece na Igreja.

Atos 2:47b " E assim, a cada dia o Senhor juntava à comunidade as pessoas que iam sendo salvas."

Acompanhem meu raciocínio: A Graça alcançou sem acepção, o Senhor iluminou o entendimento, enxertou na Videira Verdadeira, arregalou os olhos para as revelações espirituais, constituiu a cada um de nós Rei e Sacerdote, porque a Igreja é um sacerdócio real segundo a Ordem de Melquisedeque. Então nos tornamos habitação do Espírito Santo e até nossa espiritualidade é reconhecida. Mas a comunidade ainda exclui e considera como caso à parte. O Evangelho é agregador, mas a tradição evangélica, o Cristianismo histórico, a instituição religiosa é excludente e continua agindo com acepção.

Pelos moldes da Igreja, nem Jesus se encaixaria, porque nem era filho de José. O que fica evidente, é que muitas vezes a tradição evangélica fala mais alto que o próprio Evangelho. E que histórias como a de Rute, que decide cuidar de sua sogra Noemi, a de Timóteo que é ensinado pela avó, a do pai que pede socorro pelo filho endemoninhado, a da mãe que pede socorro pela filha sem que sejam mencionados outros membros da família, ficam sem valor.

Pelo que parece, o Evangelho excludente, não é o mesmo que alcançou a mulher que foi pega em flagrante adultério, ou a que teve cinco maridos e estava com um que não era marido dela. 

E a questão é a seguinte: É Deus que cega a congregação por causa da constante falta da prática de amor, ou é o exagero da religiosidade que cega para as coisas que são de fato importante? O que é inegável é o retrocesso, ao invés do avanço na estatura de varões perfeitos, porque toda a segregação, toda a exclusão e todo o preconceito, são contrários ao amor que caracteriza a Igreja de Cristo.

Este ano não vou participar do retiro de encerramento do mês de maio da Igreja, porque foi estabelecido que família é o casal com filhos, o resto é parente e parentes não serão permitidos.

No meu caso, a família que considero é a parentela inteira, porque na prática, eu moro só. Mas para a Igreja que exclui, eu sequer tenho uma família. Assim como eu, muitas outras pessoas que o Senhor acolheu, ficarão em situação constrangedora, porque a Igreja não aprendeu a amar e nem a acolher essas pessoas.

Este ano fazem 18 anos que congrego no mesmo lugar, mas o esforço que faço para permanecer e perseverar, é muito maior no meu caso do que no caso de famílias tradicionais, porque tudo gira em torno do umbigo dos religiosos. Assim, nas festas de solteiros estou de fora por causa da minha idade e por ter um filho. Nos encontros de casais estou fora, nos encontros dos homens onde podem levar a família estou fora e também no contexto do mês de maio.

Se não fosse a Graça que me sustenta e o amor de Deus que jamais me abandona e nem despreza, por que eu bateria nesta porta que nunca se abre?


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Deixando as coisas de menino

Um pouco de fermento, leveda a massa inteira, ao ponto dos líderes que se dipõem a pregar o Evangelho, o transformarem em veneno, completamente nocivo à saúde espiritual dos que os ouvem. De fato, o evangelho simpático aos ouvidos carnais, promete abrir portas, garante vitórias, segrega, distorce, engana, manipula, escraviza, vicia e cega uma multidão incontável de débeis na fé.

Gente que lê e não compreende, escuta e não ouve, olha e não enxerga, enquanto engolem uma gororoba evangélica, incapaz de dar crescimento, inútil para edificar, mantendo cativos numa ilusão, pessoas que usam o Nome de Jesus, sem nunca ter andado com Ele. Sangue-sugas da fé, insaciáveis meninos birrentos, que terminam frustrados em sua atrofia, sem jamais ter experimentado da Graça de Deus.

Chega! Todo aquele que deseja andar com Cristo, terá que entender que carregará a marca dele, será reflexo de seu Senhor. Sim, padecerá, sofrerá escárnio, será abandonado, dará a cara à tapa, será traído, negado pelos amigos, viverá na maioria das vezes só. Contudo, permanecerá amando.

Os filhos de Deus, à semelhança de Cristo, sofrerão muitas aflições e o consolo destes, é se lembrar que o Senhor venceu tudo o que lhe fora proposto, firme até o fim. Nosso alvo é ser como Ele e suas palavras ecoam dentro de nós, pois são espírito e vida. "Não desanimem, estou com vocês até o final, perseverem, não retrocedam, sejam constantes, sua felicidade consiste na certeza de ser meu. Você é feliz quando sofre injustiças, é perseguido, ou quando chora por causa de mim. É um bem-aventurado quando permanece humilde, fiel, manso e pacificador, porque assim aprendeu comigo."

Observem a vida de Paulo, se ele passou a conquistar coisas para si mesmo, depois da conversão. Ao contrário, ele se despiu de quem era, para ser revestido de um novo homem, cujo viver sempre foi Cristo, tendo inclusive a morte por Cristo como lucro.

Quem quiser enganar-se ainda, coma mais deste alimento estragado. A tolice lhe garantirá muitas companhias e te manterá nas amenidades, na superfície, nas basicalidades, na carnalidade.

Quem não estiver disposto a perder pessoas, abrir mão de status, esvaziar-se de si mesmo, jamais conhecerá as coisas do Alto, nem compreenderá a profundidade da revelação.

Há que se tomar cada qual a sua cruz e conviver cada um com seu espinho fincado na carne. E não faltarão filhos das trevas para apontar o dedo em riste. Mas a Graça bastará.

Padecer por Cristo é privilégio para poucos. Os remanescentes que herdarão a Vida Eterna.

sábado, 21 de março de 2015

Desde os tempos eternos

Assimilar a atemporalidade é um desafio para nós que somos finitos e tão limitados em todos os sentidos. Mas uma leitura espiritualizada da bíblia, um mergulho além da letra, uma entrega de coração nas revelações, nos permitem compreender o que muitos não conseguem sequer enxergar, por estarem acorrentados à razão, como se a fé fosse algo definido, algo raciocinado e encerrado num conceito humano qualquer.

Não... apesar de experimentarmos a vida dentro de uma percepção de tempo e espaço, onde identificamos os acontecimentos dentro de uma sequência lógica, ela É antes de ser concreta neste mundo. 

Tudo, absolutamente tudo, existia desde a eternidade, de forma subjetiva em Deus, porque Ele é eterno e Nele, tudo subsiste, tudo é desde sempre e numa linguagem revelada biblicamente, simplesmente é, desde antes da fundação do mundo.

Assim, a narrativa de Gênesis, simplesmente concretiza aquilo o que era subjetivamente, porque o homem só compreende o que é objetivo. Nas narinas do homem feito de pó, Deus sopra o homem que existia desde antes da fundação do mundo e ele então se torna uma alma, um ser objetivo, que trilhará uma jornada neste mundo, tempo e espaço.

À imagem e semelhança de Cristo, que é de eternidade à eternidade, Adão vive no tempo cronológico e experimenta do conhecimento do bem e do mal, que havia subjetivamente em Deus, que tudo sabe e tudo conhece. Traz à existência material, o que já existia e já era ciência de Deus, como se a vida humana fosse um filme visto pela primeira vez por nós, mas por Ele, conhecido em cada detalhe.

Assim, cada homem e cada trajetória, está exposta diante de Deus, sem que haja nada encoberto e por acontecer. Cada vida está desnuda do início ao fim, do ventre ao túmulo para Ele, enquanto para nós, aguardam tão somente ser concretizadas no tempo. Tanto os eleitos quanto os que O negaram, são conhecidos desde antes da fundação do mundo. 

Não porque Ele tenha feito acepção, mas porque toda a humanidade foi encerrada no pecado, para que todos conhecessem a Misericórdia revelada em Cristo, o Cordeiro imolado desde antes da fundação do mundo. Todos se reconheceram por meio da maldição da Lei que acusa da culpa, para que o Salvador fosse ansiado por todos e para que crêssemos que Ele se fez maldição no nosso lugar.

E então, cada um escolheu ou se render à Justiça de Deus que é Cristo, ou buscar a justificação pelos méritos e esforços humanos ou simplesmente não creram.

Para a maioria das pessoas, Deus é solicitado para fazer, abençoar, conceder, livrar... eu entendo que Deus é, fez, realizou, abençoou, concedeu, deu crescimento, elegeu, santificou e salvou desde antes da fundação do mundo. Aqueles a quem João viu diante do Trono Branco, existiam e estavam lá de forma subjetiva. João estava em espírito, no solo da atemporalidade, da mesma forma que nós morremos com Cristo na Cruz, para ressuscitar Nele e viver a vida Dele.

O tempo da ignorância que Deus não levou em conta, deixou de existir com as coisas de menino. Renascido, cada filho de Deus tem condições de se enxergar e escolher a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. E pelos frutos que cada um deu ou não, determinou se foi limpo para frutificar mais, ou se foi cortado.

É preciso entender, que o tempo é problema para o homem almático, mas não para aqueles que entenderam que são eternos desde sempre. Somos Dele, vivemos por Ele e para Ele, desde antes da manifestação concreta de todas as coisas, até sermos coroados Naquele dia. E o que vivemos agora no tempo, precisa ser o reflexo daquilo o que aprendemos com a Luz do mundo, pois Ele revelou o que antes era sombra e trouxe ao nosso entendimento, coisas que homens comuns não assimilam.

Os santificados, são todos aqueles que foram separados para o uso de Deus, os que vivem piedosamente, trilhando as veredas do amor. Estes que tem um Salvador, porque nunca o rejeitaram como Senhor e nem desprezaram seus ensinamentos. Não apenas guardam as suas palavras que são espírito e vida, mas as praticam e as tem como um grande tesouro.

Estes que o amaram, amam também seus semelhantes, perseverando até que o tempo seja consumado. Selados pelo amor, porque tem a essência amorosa de Deus, aguardam a volta de Cristo, para ser plenos Nele, eternamente.

E os que se fixaram na cobiça e na satisfação do próprio ego, são igualmente conhecidos e para estes não há esperança, porque correram atrás do vento e não são dos que amaram a Deus.

Deus sempre soube quem é quem. E agiu com Misericórdia, com todos os homens que aprenderam a amar como Ele nos amou.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Jesus, meu tudo.

Graça, favor recebido, jamais merecido!
"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão." João 10:27-28
Uma consciência pautada no Evangelho, reconhece que não tem mérito.
Sabe que independe de quem quer, ou de quem corre atrás de um suposto merecimento às coisas que vem do Alto. Mas foi alcançado puramente por bondade e misericórdia...

Saber-se verdadeiramente livre, é entender que apesar de que NADA nos separará do amor de Deus, nosso maior prazer é estar no centro de Sua vontade. Já não faz sentido o pecar deliberadamente, porque ser livre, é também conseguir SE dizer "não".

Compreender a Graça Maravilhosa e estar em Cristo, é reconhecer-se destituído por causa das obras, mas religado por causa da fé. A Vida gestada no coração dos filhos de Deus, é o que nos sustenta nesta caminhada, em direção ao Alvo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Análise da 3ª Carta de João

Aula de capacitação de professores e vocacionados - Professor Reginaldo Xavier
Alunos: Janete, Mateus, Renildes, Zuleika, Eunice e José Antônio.



Autor: O autor da Carta se denomina "O Presbítero". A tradição estabelece que o autor tenha sido o Apóstolo João, para a Igreja em Éfeso, entre os anos 80 e 95 D.C.

Texto: 3ª Carta de João
Tema: A permanência na verdade
Chave: Verdade  v. 1, 2, 3, 4, 8 e 12
Divisões: v. 1 a 4   Saudações e exaltação do bom exemplo de Gaio
                v. 5 a 8   Mal testemunho de Diótrefes
                v. 9 a 15 Bom testemunho de Demétrio

Personagens: João, Gaio, Diótrefes, Demétrio e os evangelistas itinerantes.

Gaio - Há algumas menções a personagens no Novo Testamento com este nome:

* Um cristão da Macedônia é mencionado como companheiro de Paulo em sua 3ª viagem missionária, juntamente com Aristarco (AT 19:29)

* No capítulo seguinte, um Gaio de Derbe é listado como um dos sete companheiros de viagem de Paulo que esperam por ele em Trôade (AT 20:4)

* Um Gaio é mencionado morando em Corinto e sendo um dos poucos que Paulo batizou (os outros foram Crispo e a família de Estéfanas) que fundou a Igreja na Cidade (1 Co 1:14)

* Um Gaio aparece na porção final de cumprimentos da Epístola aos Romanos (Rm 16:23) como sendo o anfitrião de Paulo e também de toda a Igreja. (Provavelmente Paulo estava escrevendo de Corinto, da casa de Gaio)

* Finalmente, Gaio de Éfeso, a quem a 3ª Carta de João foi enviada (Ele pode ser qualquer um destes ou não).


Diótrefes

Diótrefes era grego como indicado na etimologia de seu nome (alimentado por Zeus).
Era orgulhoso, arrogante, prepotente, incapaz de respeitar a autoridade do Apóstolo João. Era um líder movido pelo ciúme de "sua" Igreja.

Demétrio

Há duas menções ao nome Demétrio no NT. Provavelmente se trata da mesma pessoa.
O primeiro aparece em AT 19:24 Era um ourives da prata que fazia nichos para colocar imagens da deusa Diana dos efésios, rico que sentiu-se ameaçado pela pregação de Paulo e instigou os artífices. Juntos arrebataram Gaio e Aristarco, macedônios companheiros de Paulo na viagem.
Demétrio estava encabeçando toda esta confusão, sem contudo ter uma acusação concreta contra os cristãos, que não blasfemaram e nem cometeram sacrilégios contra a deusa deles, apenas pregavam o Evangelho.
Na 3ª Carta de João, Demétrio é um convertido ao Evangelho, que dá bom testemunho. Um cristão modelo, elogiado por João.


Cenário


Muitos dos primeiros cristãos foram chamados para a evangelização itinerante e dependiam que outros cristãos os recebessem como hóspedes nas aldeias. 
Diótrefes havia se ajuntado à comunidade cristã e se tornado líder, mas se via como um "dono da Igreja", queria um lugar de primazia entre os irmãos e expelia da Igreja quem quer que não o seguisse. 
Seus esforços para proteger seu próprio partido e interesses, eram prejudiciais à causa de Cristo (Verdade). João não se intimidou com tal carnalidade.
Queria o primado, ou seja servia a si mesmo, embora fingindo estar servindo a todos.
Vivia num permanente clima de encenação. Saberia manejar e tirar proveito da pureza, ingenuidade e da simplicidade dos irmãos em Cristo, tudo isto a seu bel prazer e egoísmo, longe do ensinamento de Jesus.
De maneira autocrática ele não só deixava de acolher os emissários de João, como impedia que os irmãos os hospedassem. E quando não conseguia seu intento, expulsava os irmãos da Igreja. Seu procedimento era maligno e reprovável diante de Deus.
João escreve à Gaio insistindo para que continuasse sua obra piedosa de receber os servos do Senhor, apesar da oposição de Diótrefes e promete tratar drasticamente com o usurpador, já que este rejeita sua autoridade e não recebe suas cartas. Menciona também Demétrio, como um cristão genuíno que serve de modelo para os outros.


Significado:


Natural: O problema daquela Igreja local, que consistia no amor de uns que serviam a Cristo e a falta de amor do líder usurpador, contrário ao Evangelho nas coisas mais básicas.

Original: Ainda hoje existem líderes que ocupam cargos nas Igrejas, mas com outras motivações e não pautados pelos fundamentos da fé cristã.
É muito atual este tema. De um lado, verdadeiros cristãos, unidos no amor, buscando permanecer na Verdade e na prática do Evangelho: Enquanto do outro lado, líderes que se infiltram em busca de poder, tentando estabelecer sua supremacia, não se dobrando nem mesmo à Cristo.

Coerente: Por outro lado, o testemunho positivo dos verdadeiros cristãos, nos mostra que se formos fiéis, todos saberão. Quem convive conosco precisa testificar de quem somos. E mais importante que isso, podemos influenciar outros irmãos a caminharem na verdade. De uma forma ou de outra, nossa conduta envia uma mensagem e esta mensagem, pode ser uma influência positiva ou negativa. Que tipo de testemunho estamos dando?
Nossa preocupação deve ser sempre permanecer na Verdade, isto é, nos ensinamentos do Mestre, fundamentados no amor, ainda que hajam forças contrárias que tentem impedir o crescimento dos irmãos até a estatura de varões perfeitos. Sempre haverão pessoas infiltradas nas igrejas, fixadas nos anseios do próprio ventre. 
Na Igreja de Cristo, não há espaço para disputas de poder, há apenas UM dono, Um que é o Cabeça de todos os membros. Não há lugar para ambições pessoais. 
Nós que somos livres, somos capazes de reconhecer um líder tirano e se estivermos firmes na Verdade, serviremos em amor como aprendemos.

Bibliográfico: sinceridade, hospitalidade e caráter cristão

1, 2 amor fraternal
3, 4 andando na verdade
5 fidelidade a Deus, deveres sociais, hospitalidade
6 reputação
7, 8 Por Cristo, cooperação
9 opositores
10 Autoridade, calúnia, perseguição
11 Advertência
12 bom nome, veracidade
13 verdadeira amizade
14, 15 amizade entre irmãos, paz invocada



Aplicabilidade - Valores como o serviço em amor, a disponibilidade na doação e a fidelidade à Doutrina de Cristo são para todos os tempos.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Canto de júbilo

O Evangelho enche meu coração de júbilo, como é bom compreender o amor de Deus! Está consumado, está pronto, sou grata pelo que recebi de Graça!



Porque sou fraca, Ele é minha força
porque sou pobre, Ele me supriu
porque sou frágil, fez-se meu abrigo
porque sou nua, Ele me revestiu
Porque sou breve, deu-me nova natureza
porque sou pó, moldou-me pela fé
porque sou vento está me conduzindo
para ser santa, tal como Ele é
Porque me ama, chama pelo nome
porque me ama, não me deixa mais
porque me ama, deu-me segurança,
porque me ama, deu-me Sua paz!
Estou segura e isto, eternamente
porque se fez pecado em meu lugar
Por isto, Nele eu fui regenerada
e pela Graça, eu aprendi a amar!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Olhar para além

Há muito que não alimento ilusões.
De certo que aprendi a ver mais vantagem nas desilusões do que nas ilusões, porque pelo menos são verdades. Encaro o sabor amargo da vida, com todos os seus percalços, todas as suas adversidades, todas as frustrações, todas as inseguranças... contudo, quem me sustenta está adiante e eu ouço sua voz.

Não, não há ilusões. Quando olho para trás e remexo nas minhas coleções de sonhos frustrados, na falta de amor, nas tentativas vãs de encontrar felicidade nesta vida, vejo que a infantilidade dos meus sentimentos me fizeram muito mal. Não as pessoas, mas o que esperei delas.

O que o homem tem de bom para oferecer? Que esperança é esta que nutrimos uns nos outros? Por que investimos tanto tempo procurando no outro, o que pode nos suprir, se o Único que pode, porque é pleno em si mesmo, é aquele que nos chama a perseverar até o fim?

Pareço pessimista, sei. Mas não estou lamentando nada. Apenas enxergo para além do que vêem e prefiro não me juntar aos que correm atrás do vento, porque entendi que só sobrará enfado e cansaço. Aprendi a viver com pouco, com menos companhias, com poucas expectativas, com nenhuma ilusão.

Sob o prisma da carne, que nunca se satisfaz, certamente ela não se alegra em ter que viver só, sem a segurança de um bom emprego, sem o conforto de um salário justo, sem a oportunidade de gozar as delícias dessa vida, porque certamente conheço algumas.

Mas sob o prisma do espírito, que está pronto e segue para o alvo, a consciência de que sou uma privilegiada, chamada para ser luzeiro na vida de meus irmãos é o que me conduz para adiante. Não há tempo para correr atrás do vento, há pressa para chegar vencedora em meu destino.

Peregrina em terra estranha, não poucas vezes mal recebida. As palavras que tenho, não são amadas por todos e como forasteira, muitas vezes não tive onde recostar a cabeça. Mas há propósito, sou serva designada por meu Senhor, a ir anunciando que Ele voltará.

Meu Senhor não é o meio de conseguir coisas. Ele é o meu destino, o objetivo porque caminho, o alvo onde quero chegar. Quem me alimenta é sua Palavra, quem me sustenta é o espírito e vida que vem dela. Sem o amado da minha alma eu não vivo. Minha esperança não está em dias melhores, mas adiante, na vida que terei na minha Pátria.

Os sonhos tornam esta vida possível, mas só a esperança torna esta vida suportável. Enquanto correm atrás do vento cada vez com mais pressa, eu olho para o Monte e digo vem, Senhor, vem!

1 Coríntios 15:19 "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens."


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Sobre o amor na tricotomia

Neste post, pretento transcrever o que tenho meditado nestes dias, sobre o amor em seus três tipos distintos, tão melhor percebido pelos gregos do que por nós. Se por aqui temos que nos virar com uma única palavra amor, que pode significar muitas coisas, nos textos bíblicos é possível identificar o amor em cada uma de suas fontes.

De qualquer forma, o amor é um impulso na direção do outro.

Em Eros, o mais egoísta dos três tipos de amor, é o que liga um corpo ao outro, não necessariamente entre um casal, mas mesmo entre amigos, quando há toque, abraço, beijo. É estreitamente ligado ao prazer, porque desperta os sentidos do corpo, que busca satisfação. É troca, mas se prioriza o próprio desejo.

Em Philos, é a alma que é despertada, com sua sede de troca. Com o mesmo ímpeto que doa de si, quer receber na mesma medida. São afinidades, são necessidades que complementamos uns com os outros. O que falta em um, o outro supre. Mas não é amor incondicional, pois perdemos o interesse quando não nos correspondem na mesma medida. Investimos, mas esperamos retorno.

Ágape é doador. Não se prioriza e nem busca a própria satisfação. É o amor despertado no espírito, é sublime, é incondicional. E quanto menos possibilidade há de retorno, maior o grau de amor. Jesus amou assim, se dando por quem estava perdido. Negando-se em favor de quem nada poderia retribuir. Amor puramente espiritual.

Assim, respectivamente Eros, Philos e Ágape, são próprios do corpo, alma e espírito. Para quem não entende muito bem como distinguir a constituição humana, penso da seguinte forma:

Percebo o espírito como uma espécie de cordão umbilical, que faz parte da mãe, mas que alimenta o filho em formação. O espírito é sopro e não parte do homem, é o que possibilita nossa sensibilidade espiritual, a intuição das coisas invisíveis, o relacionamento com Deus propriamente dito. É de Deus e volta para Ele quando expiramos.

Estamos assentados nas regiões celestes em espírito e de lá rebemos a revelação. O Espírito se comunica com nosso espírito (ou com este canal que faz a transcendência entre o sublime e o limitado.

Corpo é uma capa de pó e alma é nosso HD com todos os registros do que somos e adquirimos. 

É assim que Deus revela ao meu entendimento, a constituição humana. Isto sem que seja necessário esquartejar nada, porque é patente a função de cada nuance do homem.

O espírito tem sua função enquanto Deus nos edifica. Quando nosso edifício celeste estiver terminado, seremos imagem visível de Deus em Cristo. Enquanto nos negamos aqui e crescemos alí, o espírito, tal como o cordão umbilical, nos dá crescimento enquanto nos purifica dos "produtos de eliminação" igualzinho no ventre.

É um canal e não a parte mais importante em detrimento às outras. É ambiente propício para o Espírito Santo habitar.

Enquanto o homem é carnal, Eros e Philos alternam as posições em seus relacionamentos. Na medida em que se torna espiritual, é Ágape que toma o governo e a decisão de se doar passa a ser prioridade.

sábado, 22 de novembro de 2014

Culto racional

"Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." Romanos 12:1

Ouvi ontem uma reflexão sobre culto racional, onde o preletor dava ênfase à purificação do corpo, citando inclusive a prostituição, adultério e masturbação. E enquanto ele falava sobre estas coisas e sobre a tricotomia, fiquei pensando no prisma como leio o versículo. Interessante como cada um tem uma percepção diferente do mesmo texto que lê. Eu o entendo da seguinte forma:

O culto que saciou a Deus de uma vez por todas, foi realizado por Jesus na Cruz, não restando para o homem nenhum outro tipo de culto, sacrifício e ritual que agrade a Deus. Foi o que Jesus realizou, que Deus enxerga quando nos olha, pois Ele faz esta mediação entre nós.

Assim, o culto que nos cabe, não é o que chamamos de culto na igreja. Aqueles acontecimentos servem para nos unir e não para cultuar a Deus. O culto que devemos oferecer é por meio do corpo, através dos sentidos, nos encontros, no ato de amar e servir ao próximo. É racional porque acontece por meio da consciência de ser separados para o uso de Deus.

Pelo que entendi da pregação, a ênfase à purificação do corpo foi no sentido de não pecar. Mas como é impossível ao pecador viver sem pecado, não creio que o texto trata disto. Pelo que entendo, cultuamos por meio do corpo, porque é por meio do corpo que transformamos o amor em ação. Culto racional acontece, quando fazemos escolhas que agradam a Deus com relação ao próximo. Eu ia até comentar sobre este prisma ontem, mas achei que atrapalharia o raciocínio do meu amigo.

O que chamamos de culto não é culto. Só é possível cultuar por meio do amor e concretizando-o por meio do corpo.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O amor nos regenera

João 3:16 "Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a Vida eterna."

A Vida de Cristo se manifestou aos filhos de Deus, dando-lhes vida.

Primeiramente, gostaria de meditar com os irmãos sobre o que é o amor. O mundo romanceou a palavra amor, de forma que conseguiram banalizar seu significado. Hoje se apelida qualquer sentimento com a palavra "amor", mas nem tudo o que se chama de amor, é de fato amor.

Como a Palavra nos diz que Deus é amor e não que Ele apenas possui amor, concluo que o amor é a sua mais pura essência e não um mero sentimento. Essência que o impulsionou à uma ação que manifestou este amor ao mundo. Um ato amoroso, a concretização de algo, uma doação de si mesmo em favor dos homens.

Quando Jesus disse que quando fazemos algo aos seus pequeninos, estaríamos fazendo à Ele, estava dizendo que o amor só se torna real no ato de amar e Ele escolheu ser amado no nosso próximo. Não de palavras, mas em verdade, com ações reais e sinceras.

Uma vez que o amor de Deus transcendeu na direção do homem, este homem está apto à emanar o amor na direção do próximo, porque a essência de Deus está nele e jorra dele. Esta é a evidência de que o homem foi vivificado com a Vida de Cristo. Você crê que recebeu em si a Vida de Cristo? Sua essência é o amor?

Efésios 2:1 a 3 "E vos vivificou, estando vós mortos em delitos e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência."

Tal como os que ainda estão dominados pela concupiscência da carne, estávamos nós arrastados pelo curso do mundo, que assim como num rio, arrasta tudo o que cai em suas águas. Não há escolha para um objeto sem vida que cai num rio. Inevitavelmente ele segue o curso das águas. Assim são os filhos da desobediência. Quem dita as ordens são os maus pensamentos e os desejos da carne. Assim éramos nós, quando estávamos mortos, filhos da desobediência, filhos da ira, inimigos de Deus.

Mas Deus é riquíssimo em misericórdia. Ele colocou o coração na nossa miséria. Pelo muito amor que nos amou, estando nós mortos, Ele nos deu Vida de sua Vida, nos colocando assentados nas regiões celestiais, porque agora quem vive em nós é Cristo e é esta Natureza divina em nós, que sujeita nossa velha natureza carnal, de forma que já não somos mais arrastados pelo curso do mundo, mas seguimos na direção oposta, com os olhos fixados em Cristo e vivendo o amor que recebemos primeiro.

Fomos salvos de nós mesmos, da morte em que nos lançamos quando vivíamos em desobediência. Recebemos a Vida no maior ato de amor, porque não poderíamos lhe retribuir. Não vivemos nós, mas Cristo vive em nós.

Este ato de regeneração só pôde acontecer porque Deus amou o mundo e enviou a Luz para nos iluminar e dissipar as trevas. A fé que vem pelo ouvir a palavra, é como receber a iluminação e passar a enxergar a própria miséria, assim, a Graça nos salva, porque abriu nossos olhos por meio da fé e passamos a ver a Luz e a refletí-la ao mundo.

Os que antes estavam mortos, precisaram nascer de novo, para receber de Cristo a Vida. Como se deu isto?

Romanos 6:6 "Sabemos isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído e não sirvamos o pecado como escravos."

Efésios 4:22 a 24 "Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade."

É um ato de fé, crer que o velho homem já foi crucificado com Cristo. Mas a velha natureza morre aos poucos. Despojar e revestir sugerem um processo. Nos despirmos da velha natureza, para que possamos nos revestir da nova. A Noiva está sendo ataviada para encontrar o Noivo.

Relembrando, a regeneração é o dom da Graça de Deus, realizada em nós pelo Espírito Santo. É este processo de mudança de natureza, cujo principal efeito é nos salvar de ser arrastados pelo curso do mundo, das trevas, da morte espiritual, mudando a disposição da nossa alma à direção oposta, inclinando nosso coração à Deus e sua Vontade.

Nascer de novo, não é o dia em que ouvimos um apelo e resolvemos levantar a mão. E também não é o dia em que fomos inseridos num rol de membros. Nascemos de novo quando despertamos para nossa condição de miséria e entendemos que sem Cristo, nada podemos fazer e assim, confiamos que Dele procederá toda a transformação necessária, pois Ele que nos amou , a completará.

Romanos 8:1 "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito."

Não basta dizer "sou de Cristo" "estou em Cristo". Há uma característica manifestada na vida dos que são. Eles não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Cristo só é Salvador, daqueles de quem também é Senhor.

E você, consegue distinguir entre estas duas direções distintas? Você vai no curso do mundo, ou vive pela Vida que recebeu de Cristo por causa do amor do Pai?

sábado, 25 de outubro de 2014

Compartilhando uma experiência






Terça feira, depois de sair do supermercado, parei no semáforo para esperá-lo fechar. Ele fica próximo à uma banca de revistas, onde também tem um poste. Como é um cruzamento difícil e eu vi que de um lado não vinha carro e do outro vinha um ônibus com certa distância, pensei: "Dá tempo de atravessar" e fui.

Ao chegar do outro lado da avenida, o ônibus que eu tinha visto, bateu na banca e parou no poste. Imediatamente o poste pegou fogo, os cabos de alta tensão arrebentaram e entraram em curto, caíram pela rua, enquanto dentro do ônibus as pessoas gritavam desesperadas e as pessoas na rua corriam para socorrer. Ficou tudo escuro e eu estática do outro lado da rua, pensando que por uma fração de menos de um minuto, eu poderia estar morta.

Teoricamente, eu estava em segurança, pois esperava o sinal fechar. Mas se não fosse o impulso de atravessar com ele aberto, eu poderia ter sofrido um atropelamento ou uma descarga elétrica que não me daria chance nem de ser socorrida.

Foi um susto bem grande, mas graças a Deus, não houveram mortes neste acidente e dos cinco passageiros feridos, só um precisou ir ao pronto socorro. Eu fui pra casa bem assustada ainda e durante esta semana, refleti em algumas coisas.

Se me perguntarem se tenho medo da morte, eu diria que não. Se perguntarem se quero ver o Senhor, é a coisa que mais anseio. Mas se perguntarem se quero sofrer um atropelamento ou ser eletrocutada, a resposta é claro que não. Isto, porque o autor da vida, nos deu o instinto de preservação dela. Sem este instinto, nos tornaríamos suicidas na primeira crise existencial.

Mas falando racionalmente, a hora que o Senhor me chamar, é isso mesmo. Sei que não tenho raízes nesta vida, nem ninguém que dependa de mim. As pessoas que sentiriam minha falta, sentiriam porque gostam da minha companhia e não porque precisam de mim.

Este episódio me fez pensar na brevidade da vida, em como somos vulneráveis e como nada depende de nós. Num minuto estamos aqui e no outro, podemos não estar. Então, será que as coisas que empurro com a barriga, ficarão inacabadas? Preciso repensar algumas posturas.

Também pensei em conceitos que são teóricos, mas que após um evento desses, se tornam experiências reais, como: Deus tem o controle de todas as coisas. De fato, vi com meus próprios olhos, que Ele domina minuto a minuto, pois não sei se gastei um minuto atravessando a rua, o que sei é que dentro de um minuto, Ele me tirou do lugar de risco e colocou num lugar seguro.

E se me livrou da morte, deve haver algum propósito. Sou uma pessoa que tem o privilégio de falar sobre o Evangelho todos os dias, mas será que isto é tudo o que posso fazer? Será que o Senhor espera mais de mim, será que preservou minha vida para que eu cresça mais e viva melhor?

Outra particularidade, é que meu pai morreu exatamente assim. A cena diante de mim, foi como uma viagem no tempo, a diferença é que meu pai ficou imprensado entre o ônibus e o poste, enquanto o curto impedia as pessoas de se aproximarem. Seria um choque enorme pra minha família, se me perdessem da mesma forma. Um mistério que não vou conseguir entender agora.

Por fim, o Senhor tem se agigantado em mim. É maravilhoso mergulhar no Evangelho e ajudar a edificar pessoas, enquanto eu sou edificada por outras. Melhor ainda é a certeza de que Ele está comigo o tempo todo, como prometeu, até o fim, porque o viver é Cristo e o morrer é lucro.

sábado, 18 de outubro de 2014

Ali eu estou no meio deles





"Também lhes digo que se dois de vocês concordarem na terra em qualquer assunto sobre o qual pedirem, isso lhes será feito por meu Pai que está nos céus. Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles".



Bem sabemos que o Senhor está conosco todos os dias, até a consumação do século. É Ele o nosso Bom Pastor, que vai-nos guiando, orientando, conduzindo, cuidando, de forma que nem se cairmos num abismo, ele nos permite ficar lá, pois não nos abandona.

Sabemos que o nosso quarto é o melhor ambiente para conversar com Ele, pois alí não é possível forjar máscaras, nem escolher palavras que impressionem os homens, nem estar em evidência numa reunião, pois o Senhor sondará o interior e Dele nada pode ficar oculto. No quarto ou em qualquer outro lugar onde oramos sós, somos de fato nós mesmos, derramando diante do Senhor a nossa verdade e entrega.

Mas há uma forma de reunião, onde Ele garantiu que estaria presente. Não apenas porque é um ajuntamento humano, pois se fosse assim, o mesmo seria num estádio, num ônibus, numa festa, numa feira, onde certamente se encontrarão vários cristãos.

Mas a decisão de nos reunir em Nome do Senhor, é o que nos faz um Corpo. É quando nos reunimos como Igreja, que tornamos possível a presença física do Senhor. Assim, quando um membro se liga ao outro, por meio de intercessões, por meio de tomarmos a dor uns dos outros, de nos alegrar uns com os outros, de compartilhar juntos e aprender a Palavra, de nos edificarmos uns aos outros... é quando o amor circula no nosso meio, como o sangue circula num organismo, é que o Senhor se faz presente como o Senhor da Igreja.

Como Corpo, comemos juntos, estreitando os laços de comunhão, como Corpo trocamos afeto e palavras de consolo, como Corpo nos encorajamos a prosseguir perseverando, como Corpo nos exortamos, nos suportamos uns aos outros, como Corpo nos tornamos UM no Senhor, que é o Cabeça de todo o Corpo.

Geralmente quando oramos sozinhos, nos empenhamos em colocar diante de Deus as nossas próprias causas, mas o Senhor está falando do que será feito, quando estes que se reúnem no Seu Nome, se unirem num mesmo propósito de oração, quando concordarem em algum assunto diante Dele.

Estarmos reunidos como a Igreja do Senhor, é um grande privilégio para nós e é do agrado do Senhor que assim seja, pois sozinhos não somos Corpo, sozinhos não fazemos circular entre nós afetos de misericórdia, sozinhos, corremos o risco de nos tornar egocêntricos, atrás de nossos próprios interesses.

O Senhor está verdadeiramente presente quando somos UM.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Triunidade humana

À imagem e semelhança de Deus, o homem é criado triuno. Formado à partir do pó da terra, recebe nas narinas o fôlego de vida e assim torna-se alma vivente. Porque a vida de Deus está nele, relaciona-se como amigo e coopera com Deus, na administração de toda a criação. Experimenta a vida à partir dos sentidos porque é da terra, mas submete-se à Deus porque é Dele. Toda a sua capacidade de sentir, raciocinar e desejar está sujeita à Deus, que relaciona-se com ele sem intermediários, pois seu espírito faz este elo perfeito.

Mas o ser que nos caracteriza como indivíduos, nos lembra o tempo inteiro das nossas faltas e necessidades. No caso de Adão, ele precisava de uma companheira e a alma dava sinais de tristeza e insatisfação. Então, manifestou sentimento, vontade e razão para ter uma companhia. Até aí, a forma do homem era saudável: O instinto se submetia à vontade, que se submetia à vontade de Deus. Ou seja, o espírito governava tanto a alma, quanto o corpo. Assim, o homem esperou o tempo de Deus para receber a sua esposa.

Assim, o homem criado se relacionava com Deus, com intimidade, porque estava organizado de maneira correta. Criado do pó (corpo), recebeu nas narinas o fôlego de vida (espírito) e se tornou alma vivente (alma, ser único, indivíduo).

Ao pecar, o homem deixou de ser governado pelo espírito, que já não vivificava o corpo, pois foi mortificado pela escolha consciente (atributo almático).

Por que o homem convertido, é um homem que nasce de novo? Porque é necessário que morra na Cruz, para receber a Vida de Deus em si novamente. Assim, o espírito é restaurado ao estágio original e a alma é que passa a ser mortificada de forma que todo o ser seja aperfeiçoado em Cristo, espírito vivificante.

A velha criatura morre e ressurge reorganizada. O instinto do corpo e a cobiça da alma, já não escravizam o homem, que passa a ser governado pelo Espírito de Deus em seu espírito. Uma espécie de educação que devolve ao espírito o seu lugar, para que as escolhas do homem, entrem em sintonia com a revelação de Deus.

Para melhor entender, gosto de usar o ovo como analogia. Para ser ovo, precisa ser o todo: casca, claro e gema. Os três elementos juntos é que formam o ovo. Assim somos nós, corpo, alma e espírito formam um único indivíduo e não há parte menos importante, apesar de cada uma ter sua função distinta.

Tal como a casca, nosso corpo é uma espécie de embalagem que guarda o que de fato somos, a alma com toda a sua individuação. E o âmago do ser é o espírito, que sustenta todo o restante, pois é a vida de Deus no homem.

A velha natureza é alma vivente e Deus a chama de mortos em delitos e pecados, pois o espírito está apagado, impedindo um relacionamento com Deus. A nova natureza restaurada em Cristo, religa o homem à Deus, tornando-o espírito vivificante, pois carrega em si a vida de Deus, refletindo Cristo, emanando por onde vai, como luzeiro na vida de muitos.

Os anjos são espíritos, por isso se relacionam diretamente com Deus. Nós, porém, por estarmos encerrados num corpo, precisamos de Jesus Cristo homem, para mediar nosso relacionamento com Deus.

O espírito não é propriamente nosso, como a alma (individuação) e o corpo (instrumento individual), pois volta para Deus que o deu, quando morremos. O corpo se deteriora e a alma é a parte de nós que sofrerá transformações durante a vida. É ela que alcançará a estatura de varão perfeito. Ela é aperfeiçoada, enquanto o corpo se corrompe.

O espírito portanto, é como o cordão umbilical que liga à placenta, que dá vida e sustenta até que a criatura esteja pronta para a eternidade. É uma espécie de canal que nos liga à fonte de Vida. É o que nos torna sensíveis para assimilar as revelações espirituais.

Deus é Espírito e soprou de si no homem para vivificá-lo. Com a conversão, Ele nos dá um novo espírito, pois o pecado havia nos lançado nas trevas e antes de crer, estávamos mortos (mortificados para perceber Deus, desligados Dele). Cristo ao nos vivificar Nele, restaura a ordem correta do ser. Assim, andando pelo espírito, temos condições de conhecer a revelação de Deus, pois o Espírito se comunica com nosso espírito.

Um ser almático (governado à partir da alma), não assimila as coisas do Alto. Um homem almático, sempre se baseará pelo raciocínio, emoção e vontade própria. Portanto a conversão produz em nós, a restauração do governo espiritual, assim, tanto a alma se submeterá, negando a si mesma em favor de um propósito maior, quanto o corpo concretizará obras concernentes à vontade de Deus.

Um homem que negue esta estrutura triuna, terá dificuldades em assimilar a voz do Espírito Santo, pois procurará compreender com assimilações mentais, o que só pode ser discernido espiritualmente. O homem espiritual está atento ao que vem de dentro para fora. E não precisa tanto do que vem de fora para dentro, como os estudos sistemáticos.

O homem regenerado, tem domínio sobre o que pertence à velha criatura, pois por meio de seu espírito, conhece o que Deus tem para ele. A alma não pode governar, pois levará o homem a se afastar da Luz e mergulhar nas trevas. O corpo não pode governar pois é instinto. 

Louvado seja Deus que nos regenera em Cristo, para que por meio Dele em nós, conheçamos a Sua vontade e a vivamos para a Glória Dele mesmo.



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sobre um Deus atemporal

Saber que Deus não está sujeito ao tempo que Ele mesmo criou, é fundamental para compreender o que somos em Cristo. Assim, mudam os conceitos que usamos na oração, no processo de santificação, na compreenção da revelação bíblica, na identificação de heresias e doutrinas estranhas, etc.

Entender que o Cordeiro foi imolado ANTES da fundação do mundo, nos garante que Deus realmente nos amou primeiro, mesmo antes que houvesse no mundo cada um de nós. E em Si mesmo garantiu que fôssemos salvos, santificados, cooperadores de Seu Reino e aperfeiçoados no Seu amor.

Assim, minha oração não gira em torno da minha vontade, como se Deus estivesse inerte, esperando que eu o peça para agir. Antes, abro mão do que quero e peço para encontrar a sintonia com Sua Vontade e que ela me satisfaça.

Conhecendo que sou Dele, desde antes de ser gerada, compreendo que embora dentro do tempo, as minhas escolhas dependam de mim, sei que longe dos domínios do tempo, Ele me viu, me atraiu, me conduziu e me recebeu vencedora.

Assim como creio que o sacrifício do Cordeiro na Cruz, me redimiu da minha culpa, mesmo que tenha sido consumado no tempo há mais de 2000 anos, creio que minha carne também estava naquela Cruz, sendo necessário que morresse, para que Cristo vivesse em mim.

Ainda que dentro do tempo, eu a perceba vivíssima e carecendo do meu domínio sobre ela, sei contudo que quem a sujeita é o Espírito Santo e não eu. O trabalho é todo Dele e esta é minha única e suficiente garantia, de que vou chegar naquele Dia, apta a entrar na Pátria que Ele preparou.

sábado, 27 de setembro de 2014

O selo que garante o crente

Ontem eu conversava com uma moça, que resolveu separar 6 meses de sua vida para buscar a Deus e se consagrar. Era nosso terceiro encontro e desde o primeiro, viemos conversando sobre a fé, sobre nossas experiências com Deus e com a Igreja. E tem sido edificante para nós duas.

Ela veio de Guiné Bissau onde estava trabalhando em missões, marcada por uma decepção. Dizia que esperava perseguições dos de fora, mas foi surpreendida por conspirações, injúria e complôs dos que faziam parte do grupo. Esse filme já assisti muitas vezes e eu mesma já vivi experiência de perseguições dos que são de "dentro" e sofri bastante até compreender que o joio está alí para sugar a força e energia do trigo, para que ele não frutifique. Quem não é de fato um servo que vive segundo as orientações do Cabeça que é Cristo, de forma alguma acolherá seus membros. E o processo é sempre o mesmo, primeiro vem uma grande decepção, para depois vir o amadurecimento.

Naquilo em que posso ajudar, estou disponível, mas ontem ela falava de manifestações sobrenaturais e eu apenas ouvia. Ela percebeu que não me empolgo com o tema e fez perguntas diretas, onde tive que me posicionar. Percebi que ela ficou um pouco frustrada, tentando me convencer de algo que não faz sentido para mim.

Respondi apenas que as experiências dela com Deus, são para ela. E as minhas são para mim. Ele age com cada filho de forma única, por isso não conseguiremos uma conexão perfeita com ninguém. Não precisamos ter 100% de sintonia para nos amar e respeitar naquilo em que vivemos. Como estávamos nos despedindo quando o assunto entrou nesses termos, penso que ele vai continuar no próximo encontro. É muito chato ter que confrontar o que considero infantilidade, numa pessoa que se enxerga espiritual por "viver" experiências sobrenaturais.

Para mim, a mente humana é capaz de criar situações, ilusões, viagens na maionese, de acordo com os ambientes que se escolhem viver. Tomamos a forma dos grupos que escolhemos com muita facilidade. Somos persuadidos o tempo inteiro, somos influenciáveis, sugestionáveis e de fato, todos acreditamos que as experiências são de fato autênticas. Então, sei que vou passar por momentos desagradáveis tentando expor o que penso a respeito.

Quando vejo esses templos de ouro, onde os sinais e manifestações sobrenaturais são mato. E em contraste vejo a falta de pão em aldeias de homens simples, percebo o quão distorcida é a ideia de uma espiritualidade saudável.

Espiritual para mim, não é o místico que fala em línguas, dança e cai no espírito, mas aquele que ama, que acolhe, que não tem dificuldade com o perdão, que age com sabedoria, que lê e encontra clareza na revelação do Evangelho. Estes não precisam de nada que chamem atenção para si, apenas caminham como servos de Cristo, obedecendo as ordens de seu Senhor. Estes que são luzeiros na vida de muitos, sabendo que refletem tão somente a Luz de Cristo e não há mérito humano nisto.

Os dons... ah, os dons! Conforme o formato da Igreja vai mudando, os dons também acompanham estas mudanças. As necessidades do mundo são outras, o Evangelho avança de várias formas e o que a instituição transformou em doutrina, na prática já se extinguiu. Assim, se no início eram necessários Apóstolos, Profetas, Mestres e etc. Porque a mensagem precisava ser espalhada, hoje a necessidade é acordar os que se deixaram escravizar novamente, os que entregaram suas inteligências à homens astutos e covardes.

Amor! Este é o selo que nos separa para Deus. E uma vez alcançados por este amor que transcende e nos marca como propriedade Dele, recebemos também a capacitação para encaminhar este amor por onde passamos. Até quando veremos gente enrolando a língua, manipulando as outras vidas com supostas profecias, gente rodando, caindo, pulando como surtados num centro de macumba, se dizendo espirituais? Estes mesmos "irmãos" que não se comovem com a dor do outro e que continuam tão rasos e vazios como sempre foram.

Compreendo a infantilidade porque já fui menina. Houve um tempo em que me deixei levar por muitas influências desse tipo. Estava mal orientada, estava no lugar errado e confundia o que ouvia com Evangelho. Mas nas minhas orações, sempre pedi a Deus sabedoria e sempre pedi para perder as escamas dos olhos. Quando vi que estava entrando por um caminho sedutor e que este mesmo caminho era alimento para a vanglória, pedi libertação. E de uma hora para outra, comecei a enxergar que aquelas visões, presságios, sonhos, eram influências enganadoras e nada tinham do Evangelho. Deus me libertou, me revestiu de coerência. Hoje eu não preciso e nem quero manifestações sobrenaturais na minha vida. Deus fala e sempre falou ao meu coração com simplicidade e clareza, como o Senhor falava aos seus discípulos.

Para ilustrar um pouco o que estou dizendo, me lembrei hoje de uma experiência que vivi. Em 1996 conheci uma mulher grávida, que tinha uma bebê ainda de colo. Conversando com ela, descobri que o pai das crianças estava preso, ela passava necessidades e a situação era desesperadora. Me lembro que a apoiei e orei com ela algumas vezes. 15 anos depois, entrei numa loja e eis que a reconheci. Meu coração se alegrou, como se eu estivesse diante de uma grande amiga e eu agradeci a Deus aquele momento que encheu meu coração de gozo. Conversei com ela e claro que ela não se lembrava de mim, mas me deu notícias das meninas, que estavam adolescentes, estudavam e estavam sendo criadas na igreja, enfim, as notícias me alegraram muito.

Comentei sobre este encontro onde congrego e minha voz embargou, pois me emocionei. Alguém disse "ela crê que Deus ouviu a oração dela". Não entenderam nada! Quanta gente orou por ela? Pouco importa se Deus ouviu a minha oração ou a de outro. Não foi o que eu fiz, foi o que Ele fez, que me emocionou. Além de cuidar das necessidades daquela mulher, Ele cuidou de me dar notícias. Era como se dissesse: "Seu coração se moveu na direção desta irmã, eu cuidei e quero que você saiba disto". Deus é surpreendente e a Glória é toda Dele.

Assim, a manifestação que quero para mim é esta: que eu possa ser cada dia mais vazia de mim mesma, para ser cada dia preenchida pelo amor que vem de Deus. Que eu possa negar minha vontade que na maioria das vezes vem carregada das minhas cobiças, para que eu possa encontrar e me contentar com a Vontade de Deus, que é sempre boa, perfeita e agradável.

Que não haja manifestação alguma, que me diferencie de qualquer um, mas que o Senhor não cesse de me aperfeiçoar o caráter, até que eu chegue à estatura de um varão perfeito. O vínculo da perfeição é o amor e é este dom que eu desejo buscar incessantemente, até que Ele venha.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Quando a dor produz crescimento




Eu não conheço uma pessoa sequer, que tenha sido aperfeiçoada na fé quando estava tudo bem, na mais perfeita paz. Mas são inúmeras as experiências de crescimento em meio a dor. Não a dor em si, mas a maneira de lidar com ela. O sofrimento é caminho que ninguém quer escolher, embora ninguém tenha como escapar dele.

Não digo a quantidade de sofrimento, mas a resignação que impulsiona a responder com amor à investida do mal.

Gosto sempre de lembrar das minhas experiências e localizar nelas o que recebi de Deus. Penso que tudo o que vivi, me ensinou algo e se me ensinou, devo usar para testemunho.

Quando ainda era criança, fui desenganada e sobrevivi. Então, este livramento marcou o início da minha fé, pois sempre vi a mão de Deus sobre mim. Aos vinte anos, depois de muitas decepções, traumas, medos e desilusões, reconheci diante de Deus que não era capaz de cuidar da minha própria vida. Me vi nua, doente, suja, sozinha e infeliz, completamente dependente Dele.

Foi quando tomei consciência de que deveria buscá-lo, pois sabia que não poderia mais viver sem um relacionamento com Ele. Embora eu tenha tentado voltar atrás, vi que já não podia. Estava condenada a depender do amor de Deus. Estava faminta e sedenta para aprender mais sobre Ele.

Anos depois, diante da traição, do engano, da perda, da vergonha, da consciência da condição humana, me vi forçada a me desprender da religiosidade que cega. Foi quando me enxerguei como sou. Houve um despertar que aniquilou com meu orgulho.

E depois de um longo período de sete anos, sofrendo toda a sorte de perseguições dentro de grupos que se diziam cristãos, depois de ataques, humilhações e falsas acusações por causa do Evangelho que há em mim, trilhei o caminho da perseverança, esperança e amadurecimento, me despindo de vez, de todos os conceitos antes construídos, para enfim viver a leveza do Evangelho simples, no amor de Cristo.

Olho para trás e vejo Deus em cada uma dessas ocasiões. Logo, não é a dor em si que frutifica para o bem, mas o amor que sustenta e guia no Caminho. Assim, as perseguições produziram orações por quem me perseguia. A traição produziu perdão. O ataque acabou gerando misericórdia, pois que miséria é viver sem Deus! O vazio, o medo, a doença, a dúvida, gerou dependência e entrega.

À exemplo de Jesus que no momento em que estava sendo assassinado, orava pelos assassinos, que não sabiam o que estavam fazendo. Assim age os que são do Evangelho. Não com vingança. dureza de coração e revolta contra Deus, mas com amor de Cristo, que nega a si mesmo, até as últimas consequências.

Tem gente que sofre tanto e repete as mesmas situações de sofrimento enquanto vivem. São pessoas que deixam o amor de lado e agem com egocentrismo, se afastam de Deus e do próximo, porque se priorizam. Estes permanecerão atrofiados e amargurados. 

Mas aquele que aprendeu a amar, se verá como um bem-aventurado, que quanto mais é espremido, mais derrama do melhor azeite. Que quanto mais é pisado, melhor vinho sai de si. Que quanto mais lapidado, mais exposto está o seu âmago virtuoso e quanto mais é sovado, melhor massa se tornará nas mãos de Deus. Que depurado, ganha valor. Que refinado, se purifica. E que enxertado em Cristo, já não é jambuzeiro bravo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Se morremos, porque ainda temos que mortificar a carne?




Olá amados seguidores deste blogue, quanto tempo! Ando bastante atarefada pois tenho aproveitado a oportunidade que surgiu para estudar, ler e aperfeiçoar o dom de mestre que o Senhor me deu. É uma espécie de curso, com matérias de seminário, com intuito de facilitar minha vida no preparo de mensagens, técnicas para treinar a oratória, enfim, ainda estou fazendo aula de grego. Tenho alguns livros esperando na fila, mas há de dar tudo certo :)

Há tempo para tudo nessa vida e confesso que não tenho sentido vontade de escrever. Algumas pessoas andaram insistindo para que eu transformasse minhas reflexões em literatura e isso chegou a me entristecer, pois nunca foi minha intenção comercializar o que Deus me dá de graça. Me dedico há anos na desconstrução de conceitos religiosos, escapando do esteriótipo evangélico da atualidade, nadando contra a correnteza que arrasta o sistema religioso no curso deste mundo, combatendo as formas, o comércio gospel, as ideias calcificadas e pregando o Evangelho na sua simplicidade. E parece que as pessoas não entenderam muito bem minhas propostas.

Então, escrevo pequenas reflexões e posto na minha rede social, mas perdi um pouco o interesse em atualizar o blogue frequentemente. Usei o período para aprender mais, para treinar a habilidade para lidar com pessoas no tete a tete. Afinal, fui chamada para cuidar de gente, mas sempre que der, volto aqui para deixar alguma reflexão.

Ontem estava pensando no mistério de estar cruscificada na Cruz, morta com Cristo e ressurreta Nele. Segundo Colossences 3, morremos em Cristo, mas a carne precisa ser mortificada na escolha de ocupar o pensamento com as coisas do Alto, abandonando as práticas concernentes à natureza antiga.

Então eu pensava: se estamos mortos, porque ainda temos que mortificar? E o Senhor me ensinou que olhando por Sua perspectiva eterna, atemporal, a Obra redentora consumada em Cristo desde antes da fundação do mundo, estabeleceu minha situação eterna. Agora estou cruscificada Nele, para herdar com Ele a Vida. Da mesma forma que creio que Sua morte levou sobre si a minha culpa, sendo suficiente para me religar à Deus, preciso crer que minha carne morreu, embora a perceba tão viva.

Sob a perspectiva humana sim, ela morrerá enquanto se caminha no crescimento, até a estatura de varão perfeito, de glória em glória e de fé em fé, na renúncia e no aperfeiçoamento do amor de Cristo em mim, de forma que eu sirva e veja o outro como extenção de mim mesma. Um longo e penoso processo de mortificação.

Mas mesmo isto, quem realiza em mim não sou eu. O preço foi pago e tudo consumado em Cristo. O que serei no fim de tudo, já foi conquistado desde a eternidade. Nossas escolhas são veredas que o Senhor preparou de antemão para que andemos por elas, logo, só cumpro o que devo cumprir, porque sou Dele e Ele é meu e ninguém pode me arrebatar de Sua mão.

Embora a minha carne me pareça tão viva e tão nociva quando conspira contra mim e contra o que meu espírito deseja, ela está condenada a definhar e desaparecer. E morrendo esta natureza antiga, a nova vai se renovando, até que eu seja plena em Cristo. Assim, vou crescendo enquanto vou diminuindo :)

Deus é lindo! Eu o louvo por tamanha revelação! Apesar de conhecer minhas tendências e reconhecer o que sou, sei que estou segura eternamente, porque Nele sou herdeira e um herdeiro só precisa esperar até tomar posse do que herdou. Se ninguém me arrebata de Sua mão e se Ele mesmo não me lança fora, à que temerei?