Estava lendo um exercício do curso que estou fazendo na igreja, onde a missionária sugere o diário de um cão e o de um gato, para que cada aluno identifique sua postura diante da vida cristã. é mais ou menos assim:
Cão
8:00 Oba, ração--- gosto muito disso
9:30 Oba, um passeio de carro --- gosto muito disso
9:40 Oba, uma caminhada --- gosto muito disso
... e assim por diante.
Gato
Dia 283 no cativeiro. Meus sequestradores insistem em zombar de mim, balançando uns objetos pequenos e estranhos. Enquanto eles comem carne fresca, sou forçado a comer cereais secos. Só aguento isso por causa da esperança de escapar e da leve satisfação que tenho em destruir alguns móveis.
... e assim por diante.
E aí, como vocês já me conhecem, minha mente começou a borbulhar de ideias, coisas que provavelmente vou compartilhar amanhã, segunda semana do curso.
Nem a visão romântica do cão, que acha tudo perfeito e agradável, nem a visão murmuradora do gato, que acha que o mundo inteiro conspira contra ele.
Minha postura diante da vida é assimilar tanto o dia bom, quanto o dia mal, como necessários pro meu crescimento e proximidade com Deus.
Minhas dificuldades existem para que eu aprenda a confiar em Deus e depender Dele. Os momentos agradáveis, para que eu tenha sempre um coração grato. Vivemos o tempo da fartura e o da escassês, temos o dia de rir e o tempo de lamentar, porque precisamos desses parâmetros.
Se eu não soubesse o que é a morte, se não tivesse vivenciado o dia da perda, como assimilaria o sacrifício na Cruz? Se não soubesse o que é uma perseguição, abandono, traição, como entenderia o que Jesus sentiu no meu lugar? E se tudo nesta vida fosse maravilhoso como a visão romanceada do cão, por que eu guardaria a esperança na perfeição do porvir?
Quando leio que Jesus levou sobre si a minha dor, o que vem à minha mente, não é que estou isenta de sofrer. Mas a certeza de que seja lá que tipo de dor eu venha sentir, ele sentiu. Com a diferença de que sofro como consequência das minhas escolhas, mas ele, pura e simplesmente pela causa humana, por amor à nós.
Logo, entendo que a maturidade espiritual, não é negar que hajam contingências, é justamente tirar de cada dia o seu valor e usá-lo como experiência.
Como um pai que ensina o filho a andar de bicicleta e o vê caindo várias vezes, se machucando e tem compaixão dizendo: "tentamos numa outra oportunidade". Creio que assim é Deus, quando atende à um pedido de socorro. Ele livra, mas a prova virá em outro tempo, porque Ele nos quer emancipados. Geralmente o cristão quer ser abduzido do meio do problema. Eu creio que cada dificuldade tem seu propósito.
Quando pedimos a Deus sabedoria, fé, paciência, geralmente imaginamos uma chuvinha invisível de virtudes, que nos tornará de uma hora pra outra diferentes. Mas não é assim que acontece.
Se pedimos fé, sabedoria, disponibilidade para perdoar, somos provados com situações que vão mostrar se estamos mesmo buscando o que pedimos. Surgirão oportunidades para perdoar, para usar a fé ou para exercitar a sabedoria e geralmente chamamos essas situações de problemas. Assim se cresce na graça: vivendo.
Alguns cristãos pensam que as provações mostrarão quem somos a Deus. Mas o fato é que Ele sonda e esquadrinha corações e sabe perfeitamente o que somos. As provas portanto, servem para nos mostrar nossa condição à nós mesmos. Assim, tomamos consciência das nossas fraquezas, imaturidade e pequenez.
E à medida que caminhamos e mudamos nossa postura, entendemos enfim, que é nossa própria carne quem conspira contra nós e não inimigos externos.
Entender que a vida é inconstante, não é falta de fé, mas certeza de que seja lá em que circunstância for, seja o dia de rir ou o dia de chorar, tudo vai sempre cooperar pro nosso bem.



