Em 1Pe1:16, Pedro citou as Escrituras, aconselhando os cristãos à uma vida separada.
No Velho Testamento, o lugar santo, era o separado dos outros, para a adoração, o dia santo, sábado, era separado por causa do Senhor. Os objetos santos eram de uso exclusivo no templo, enfim, algo santificado, é algo consagrado para o uso de Deus, separado das coisas comuns.
A religião distorce o sentido da santidade, da separação, da consagração, colocando nos lombos do homem, uma carga deveras difícil de se carregar. Dão a conotação de perfeição à esta separação, frustrando cristãos sinceros e alimentando sentimento de culpa.
Jesus foi santo. A Razão de sua vinda era justamente o propósito do Pai de oferecer o sacrifício Perfeito pelo resgate de muitos. Ele foi fiel até o fim e portanto digno de ser ressuscitado, cumprindo Nele o que cabia a nós.
Muitos cristãos gostam de dar ênfase ao sofrimento de Jesus, contar quantas pontas tinham o açoite, quantos espinhos na coroa, falam com ímpeto que Jesus derramou até a última gota de sangue, enfim, supervalorizam a dor, como se ela fosse o que validou o sacrifício. Se todos esses pormenores fossem importantes, haveria um livro inteiro apenas para descrevê-los, mas não são.
A própria Bíblia narra a história de uma mulher, esposa de profeta, que além de ser estuprada e assassinada, foi também esquartejada pelo marido como ato de seu protesto e cada parte sua, enviada às doze tribos de Israel. Certamente uma morte muito terrível, porém, sem valor redentor.
O que valida o sacrifício de Jesus, é sua Perfeição. O fato de não ter pecado, apesar de andar num meio corrompido. O Lírio dos vales, que permanece alvo no meio da lama. E por causa de sua Perfeição, ressuscitou glorificado, digno de ser nosso Mediador.
Conheci um cristão que disse: "Mesmo que Jesus não tenha ressuscitado, eu creio nele". Provavelmente esse moço, não tenha entendido nada até agora. Pois se Jesus não ressuscitou, sua morte foi em vão, não serviu para nos justificar. E esta história tem tanta validade quando a de Cinderela.
Mas se Jesus ressuscitou, significa que o Cordeiro foi Perfeito e aceito como expiação de nossa culpa. Como sabemos disso? Mediante a fé. É o Espírito Santo que testifica em nós todas essas coisas.
Quando o Senhor diz "Sede santos, como eu sou santo", está dizendo "Escolha ser instrumento, seja usado para as coisas do Reino, aceite ser moldado pela voz doce do meu Espírito, seja separado das coisas comuns".
Se a religião te impõe algo insustentável, algo que certamente sua condição humana tornará impossível, não se aflija! A santidade vem do Santo Deus. Fomos criados para luzir a santidade de Deus para o mundo, espelhar o caráter de Cristo. E quem começou a boa obra, é fiel para concluir. Descanse nisso e apenas busque boas escolhas.
Um adendo para expor uma teoria: imagino que a "fofoca" seja algo tão comum em comunidades evangélicas justamente porque a frustração de não alcançar a utopia de perfeição, faz com que a pessoa sinta a necessidade de denunciar o erro dos outros, aliviando assim sua própria incapacidade. Ou seja, é danosa essa imposição e muito infrutífera.
Tão somente tenhamos essa consciência de separação por meio de Cristo, para escolher sempre a Boa, Perfeita e Agradável Vontade do nosso Deus. A santidade produz em nós refrigério, enquanto escolher o ambiente do pecado, nos enche de desconforto. Mas saber que estamos sujeitos a obedecer nossa carne é necessário para entender que quem nos justifica é a Perfeição de Cristo e não nossas próprias obras.





