Ninguém sai da Igreja, porque ser Igreja é uma consciência, não um endereço.
Contudo, toda vez que alguém rompe o vínculo com uma instituição religiosa, seja qual for a razão, recebe o estigma de "desviado" ou "desigrejado", principalmente quando não retorna ao "mundo", mas também não se filia a outra organização.
Esse julgamento é injusto e leviano. Muitos se desligam justamente porque despertaram de um longo sono e passaram a enxergar incoerências praticadas em detrimento da verdade revelada em Cristo.
É um chamado para ser Igreja em todos os ambientes, porque já não existem lugares sagrados que aproximem mais de Deus do que outros, nem ritos capazes de justificar o homem ou conquistar o Seu favor. É o favor imerecido de Deus que nos alcança e nos justifica.
Para muitos, voltar ao Evangelho significa voltar à instituição e aos laços fraternos que dizem existir. Mas, não raras vezes, esses laços se limitam ao lado de dentro da porta.
Para quem experimentou a liberdade do Evangelho, porém, o desvio pode assumir outra forma: a de quem se fecha entre os seus semelhantes, como se fosse uma categoria espiritual superior. Não se mistura, não transborda para além das próprias fronteiras e não pratica o amor sem acepção de pessoas. Vive iludido pela própria busca, pelo próprio esforço, pelo próprio mérito e pelas próprias práticas.
O aquário pode até parecer seguro, mas é no oceano que a vida encontra todas as possibilidades de encontros.
É nesses encontros que manifestamos, por meio das nossas atitudes, a quem pertencemos
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