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terça-feira, 14 de abril de 2026

Escrever para ser

Sou uma pessoa mais ouvinte do que falante. Posso trabalhar o dia inteiro só dizendo o básico e inevitável, mas em silêncio a maioria do tempo. Passo pelas multidões quase sem ser notada, raramente puxo um assunto, não tenho muita necessidade de falar, aliás minha oratória é horrível. Não sou uma mulher interessante, minha fala é monótona, lenta, também não gesticulo, sou bem introspectiva.

Quando alguém fala da coerência dos meus textos, da facilidade de entender o que escrevo, da minha sensibilidade, da firmeza da minha fé... Penso o quanto escrever me ajuda a ajudar pessoas.

Mas minha mente não cala. Parece aqueles ramos que crescem se alastrando pelas paredes. Dia desses um desses ramos subiu na minha casa e agora o telhado está tomado, minha cabeça é assim. É como um balão que vai enchendo, ganhando corpo, se expandindo, ganhando o espaço, o céu, o universo... Não cala.

Pra onde transborda tudo isso? Escrevo. Guardo algumas coisas aqui, outras descarto, mas escrevo muito. Tento colocar pra fora parte do que penso. Se fosse falar, não encontraria ouvidos. Mas escrevo e deixo por aí pra quem quiser ler ou pra quem por acaso me achar.

De certa forma o que falamos se perde, mas o que está escrito é documento. Vão ficar pra posteridade. Alguém do futuro ainda vai ler um dos meus quase mil textos e poesias e viajar comigo. Onde minha letra chegar, um pouco de mim vai ser conhecido. 

Já me sugeriram escrever livros, mas não tenho gabarito pra isso. Escrevo por necessidade mesmo, é uma extensão da minha própria vida, pra driblar minhas limitações. De graça recebo e de graça dou. Isso basta pra mim.

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