Ela não chegou pronta, veio sendo feita no tempo, na dor, no amor que escolheu permanecer.
Já foi silêncio por fora e tempestade por dentro,
mas aprendeu a controlar os ventos e hoje é abrigo,
mesmo quando ninguém vê. Mora só mas não é só.
Carrega vozes, risos, memórias, mãos pequenas que já segurou e corações que ainda alcança mesmo à distância.
Tem dias comuns, de rotina simples, de cuidar da vida dos outros e ainda cultiva o invisível como quem rega eternidade. Escreve. E quando escreve, planta.
Palavras não são enfeite, são sementes.
E quem passa pelo seu jardim sempre leva um pouco de vida junto. Aprendeu que fé não é palco, nem discurso bonito: é pão repartido, é porta entreaberta, é escolher amar quando seria mais fácil endurecer.
Ela entendeu, em silêncio, que os mandamentos
não cabem em pedra, pedem carne, pulso, presença.
E assim vive: não perfeita mas inteira.
Entre tantas flores iguais no mundo, não teme ser aquela que carrega outra cor, que destoa do comum,
Porque sabe sem precisar provar que foi plantada por Deus no lugar certo, no tempo exato,
para florescer de dentro pra fora. 🌷
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