A alma do homem é seu histórico. O que sabe, experimentou, o que conheceu de si, do outro, da vida, sua personalidade, seu temperamento, seu intelecto, suas limitações... A alma é o indivíduo em si. É a bagagem que colhemos na vida e carregamos como impressão de nós mesmos.
O espírito é Deus em nós. É a antena que capta o sagrado, é a esponja que percebe as energias, é a sensibilidade que identifica a intuição, é o terreno onde cresce a fé. Morrendo o homem, volta o espírito a Deus que o deu. Porque é o sopro que transcendeu e fez da alma um ser vivente, existir também por um canal vivificante.
Todos os dilemas humanos estão na alma, que nada sabe para além do que constata. Já o espírito, sempre sabe, sempre espera o tempo oportuno, sempre busca os melhores dons. É onde está a sabedoria.
Então por que um homem crê e o outro não? Os limites e bloqueios acontecem por vários meios: cultivo da crosta do si mesmo, culto demasiado ao corpo e a tudo que é material, obstinação, egocentrismo, há também a questão cultural que direciona a mente almática e apaga o espírito. E há a percepção do mistério pelo espírito, sem contudo a alma conseguir traduzir para o entendimento.
Nada disso tem a ver com religião, mas com a percepção do Criador pela criatura.
O Evangelho é como faca de dois gumes, capaz de dividir a compreensão de alma e espírito. E saber exatamente de onde vem a vontade do homem: se da escravidão da alma caída ou se do terreno espiritual que frutifica para a eternidade.
Se do espírito, coincide com a vontade do Espírito de Deus, se da alma, é só a esfera humana prevalecendo.
O homem íntegro se percebe triuno e tem paz, apesar dessa constante militância interna. O homem carnal é comum, tem o entendimento obscuro e tem medo.
Não querer a própria vontade, mas a vontade de Deus, é o ápice de quem alcançou a plenitude espiritual.
Porque a alma é útil enquanto prova a vida temporal, mas o espírito é filtro que seleciona o que permanece.
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