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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Arminianos e calvinistas


Para mim, assim como a filosofia, a teologia também é um campo para discussões, mas nada é conclusivo, posto que tanto a cosmovisão de cada indivíduo, quanto o que alcançam da revelação, depende da intuição e limitação de cada um. Ninguém pode bater o martelo quando duas vertentes diferentes tem base no mesmo livro, que de nenhuma forma pode se contradizer.

Se a Bíblia é uma só é a mensagem global aponta para Cristo, não há como determinar que ou arminianos ou calvinistas estão certos ou errados. Errado é encaixar Deus nos nossos conceitos, assim como limita-lo à nossa humanidade, tempo, espaço, colocando a predestinação ou livre arbítrio como justificativa pra tudo se tornar o que é.

A diferença entre as duas vertentes, é que os arminianos olham a vida a partir do tempo e espaço humanos, assim todas as escolhas nos cabem. Dentro da nossa limitação, finitude, temporalidade, é essa a impressão que temos. E é assim que alguns versículos nos despertam: você escolhe e a partir das suas escolhas há consequências. 

Mas olhar só por esse prisma causa outro problema: tornamos Deus minúsculo, submisso à nossa própria vontade, tendo que resolver com um plano B nossos erros, negociando com o homem o tempo inteiro e carente de uma resposta humana. 

Com relação à salvação, ela vai e vem de acordo com as escolhas do dia. A pessoa perde a salvação diariamente porque não vai deixar de ser um pecador e se está afastada da prática religiosa, não merece mais as benesses da Cruz, como se alguém alguma vez mereceu.

E os calvinistas, defendem uma linha a partir da eternidade, onde tudo subsiste em Deus, que sabe tudo que houve, há e haverá desde sempre e portanto, tem o domínio dos que são e dos que não são por presciência. Há correntes inclusive que coloca Deus escolhendo uns e rejeitando outros antes mesmo de serem criados, como se a criação obedecesse uma cronologia.

Mas olhando apenas por esse prisma, corremos o risco de forjar um Deus tirano, que decide tudo por nós, porém nos pune se algo que Ele mesmo provocou, acontece. Salva quem quer, dá a quem quiser, como fantoches em suas mãos. Tão bizarro de assimilar quanto o Deus minúsculo.

Agora experimenta imaginar que Deus não faz parte do nosso tempo e espaço, que é ilimitado, atemporal, eterno de maneira que nossa mente jamais conseguirá definir. E este Deus que é de eternidade à eternidade, conhece o antes, o durante e o depois. 

Que sua vida é conhecida Dele, inclusive no que ainda nem aconteceu. Desde a substância informe, até o pó que se tornará, nada está oculto. Ele já viu tudo: atos e pensamentos, obras e intenções. De fato sabe de todas as coisas.

Fica mais fácil entender que as escolhas são nossa responsabilidade, porém todas conhecidas Dele de antemão. De eternidade a eternidade, Ele sabe quem o amou, quem deu ouvidos, quem foi luzeiro na vida do outro. A Graça alcançou e guiou os que foram se reconhecendo dependentes e o amor aperfeiçoou os que foram sendo enxertados em Cristo.

Em contrapartida já viu quem não produziu, porque embora a semente seja a mesma, cada uma cai num solo diferente.

Tudo bem não alcançar tudo, porque agora vemos como por espelhos, embaçado, sem clareza por causa da condição humana, mas crer que Deus nunca perdeu o controle e não ter a necessidade de entender tudo, catalogando o mistério em conceitos, já é o suficiente.

Uma coisa entendi: não preciso escolher nenhuma linha de pensamento, até porque entendo que tanto uma quanto a outra tem coerência bíblica, mas também tem falhas. 

Assim, entendo que sou Dele desde antes da fundação do mundo e concretizo meus atos de fé dentro do tempo em que estou inserida, conforme a Graça vai me conduzindo. Por este prisma, embora eu tenha escolhido me render dentro da história, fui escolhida desde a eternidade para chegar  vencedora no último dia e nisto está minha segurança.

Porque o que fui, sou e serei já está desvendado diante de Deus, que me amou primeiro e me sabe antes de mim.

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