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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Jesus e as riquezas



A Ordem de Aarão era temporal, limitada a uma aliança terrena, com Leis e preceitos que resultariam em bençãos e maldições segundo a obediência de Israel. O problema não era a Lei, mas a forma carnal como o homem assimilava a espiritualidade, distorcendo princípios e transformando tudo em ritual vazio. Vemos profetas repreendendo Israel em vários momentos.

Marcou a história de um povo que assimilava o amor de Deus pelos seus feitos, garantindo a Israel as vitórias e prosperidade financeira quando o povo era levado a obediência pelo Rei. Ou escravidão, maldições e escassez quando o povo se rebelava. Bem e mal era creditado a Deus.

Até hoje o povo judeu é reconhecido pelas suas riquezas, técnicas de agricultura e progresso rápido, levando em conta que só voltou para Jerusalém há menos de um século. Tiveram  ajuda internacional, mas reconstruíram e prosperaram novamente, depois do exílio e holocausto. O mundo vindouro passou a ser algo secundário, construído no entendimento deles séculos depois.

Já a Ordem de Melquisedeque, cujo sumo sacerdote é Cristo, é eterna e sua Lei é o amor. De que maneira o cristão assimila o amor de Deus? Pelo sacrifício salvífico de Jesus no nosso lugar, pagando nosso resgate e nos libertando de nossa dívida. As promessas são eternas e espirituais, como penhor recebemos o mesmo Espírito de Cristo, que nos marca como propriedade Dele, para cooperação com seu Reino, até o encontro com Cristo para sermos eternos com Ele.

Algumas igrejas evangélicas, judaízam seus membros, pregando que prosperidade financeira e vitórias em suas causas e chuvas de milagres, são garantidos por Jesus. Mas o esforço de Jesus foi justamente desconstruir esta ideia, pois não é possível servir a Deus e as riquezas. Falou do amor ao dinheiro, da maldição que o rico carrega com suas demasiadas preocupações e provou com o jovem rico, que mesmo desejando fazer a vontade de Deus, o dinheiro é impedimento, porque é onde o homem coloca o coração.

Paulo também fala que o homem é um grande miserável, quando está limitado a esta vida material, não  devemos reduzir o Evangelho à benefícios terrenos, pois a promessa de Cristo para a Igreja, é a vida eterna. Ênfase no artigo "a". Toda a distorção que coloca os gentios na Ordem de Aarão é equivocada. Pois para nós que fomos alcançados pela Graça, as promessas são espirituais, mesmo as que começam agora.

É bastante lucrativo para as empresas religiosas essa barganha sem fim. Uma distorção que transforma fé em moeda de troca. 

O culto público que deveria ser motivado pela gratidão ao amor que recebemos primeiro, virou troca por benesses que Deus praticamente é obrigado a conceder. 

O cristão não assimila que não é Israel e perpetua a Lei mosaica mesmo sem fazer parte do contexto da nossa cultura. E quando não recebe o que prometeram fica frustrado e em crise.

O fato de ser bíblico, não quer dizer que é para todos. Vida abundante é vida completa, vida com significado, vida com plenitude de um modo geral. Não tem nada a ver com riquezas para satisfazer a própria cobiça. 

E ao que Deus abençoa com recursos, é para que compartilhe com quem tem falta, como era na antiga aliança, onde o imposto do dízimo, servia para alimentar quem não tinha terras. O princípio é o mesmo, igualdade social. Era assim que a Igreja primitiva vivia e é assim, desprendidos das coisas materiais que deveríamos viver.

E se alguém busca com afinco essas coisas e conquista, é legítimo. Só não vincule isto ao que Deus não garantiu a ninguém. O amor gera o desprendimento.

Vida abundante não é ter tudo o que você deseja, mas ser suprido em tudo o que você precisa.

O que você deseja, pode ser apenas um laço da sua carne. De nada tem falta o que busca o Reino de Deus como prioridade.

A nós, importa juntar tesouros incorruptíveis (amor, justiça, misericórdia) que de fato é o que permanece. O resto, pertence à traça e à ferrugem. Vencer na vida é viver.

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