A dor é um depurador.
Pra que exale um bom perfume, a mirra é esmagada, pra tirar toda a impureza, ouro e prata são levadas ao fogo pra que a uva se torne o melhor vinho, tem que ser pisada. A massa pra ficar lisa, usada para qualquer fim, precisa ser sovada, amassada, trabalhada. A azeitona prensada pra extrair o azeite puro ..
A dor é um depurador.
Ninguém compreende por quê na nossa condição, não há quem não sofra. Quem não passe por vales de lágrimas, quem não escale em suas dificuldades, ou lute para não cair em seus declives. Para alcançar qualquer fim, o meio é muita dor.
A dor é um depurador.
Seja que caminho for, transpor barreiras, superar limites, vencer desafios, vencer doenças que assolam este instrumento denso e limitado, desgaste físico e mental pra conseguir mais recursos, não importa: em qualquer classe, qualquer raça, qualquer gênero, há dor.
A dor é um depurador.
A morte é um processo lento para uns que precisam de mais tempo para se desprender, repentina pra quem anseia cumprir o propósito e ganhar a plenitude, indigna pra quem busca se expor, suave pra quem colecionou suas dores pelo longo caminho, mas dói, sempre dói. Parar as entranhas, cessar a consciência, largar as rédeas, entregar-se...
Até não ter mais dor.
Quer ser vinho sem ser pisado? Quer ser pão sem ser sovado? Quer ser valioso sem ser depurado? Quer ser precioso sem ser lapidado? Quer ser perfume sem ser esmagado? O ego não resiste ao deserto, você entra no processo cheio de arestas inúteis e sai de lá menor, porém muito melhor.
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