Páginas

domingo, 26 de abril de 2026

Sobre conexões

Sou observadora de pessoas. Muitas vezes, mais do que ver, eu sinto.

Percebo não só o que é dito, mas também o que se esconde nas entrelinhas. Nem toda aproximação é genuína. Às vezes, por trás de uma bajulação, existe alguém interessado em extrair. Alguém que se aproxima não para somar, mas para se beneficiar.

Falta empatia, falta troca. Tudo é calculado para que a melhor parte seja sempre sua.

O egocêntrico transforma qualquer assunto em palco. Tudo gira em torno dele: suas dores, seus feitos, suas versões. Quando percebe algo de bom no outro, desdenha. Quando vê crescimento, diminui. Quando não é incluído, se ressente e às vezes, revida.

Há quem use máscaras impecáveis. Parece ser o melhor amigo, a melhor companhia… até o momento em que revela outra face. E, quando isso acontece, não raro distorce histórias, inverte papéis e se coloca como vítima.

Durante muito tempo, minha tendência foi duvidar da maldade. Preferia acreditar em momentos ruins, em falhas pontuais. Mas o tempo ensina a observar: o tom das palavras, o peso do olhar, o cuidado  ou a falta dele  ao lidar com o outro.

Sobre amizade, aprendi algo importante: vínculos não se retomam simplesmente de onde pararam. Se houve ruptura e não houve diálogo, silêncio também é resposta.

A vida, com sua sabedoria, preenche ausências com novos encontros,  mais leves, mais verdadeiros, sem a necessidade de remendar o que se quebrou.

Perdoar, sim. Mas seguir com discernimento.

Também entendi que relações construídas apenas por conveniência não criam raízes. Quando o contexto muda, elas se desfazem.

Prefiro conexões que nascem da afinidade, da energia boa, da reciprocidade. Relações em que há disposição real de cuidar e permanecer.

Não é preciso multidão. Um ou dois ao lado, que vejam, respeitem e caminhem junto, já são suficientes.

E, para o resto, menos exposição, mais paz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário