Há encontros que não fazem barulho,
mas mudam tudo por dentro.
Ninguém ali parecia extraordinário.
Eram jovens comuns, reunidos em volta de uma mesa simples —
pão repartido, frutas espalhadas, um pouco de vinho
e muitas histórias atravessando o ar.
Riam, falavam ao mesmo tempo,
discordavam com leveza,
escutavam com presença.
Mas havia algo diferente, quase imperceptível aos olhos apressados:
cada um carregava no peito uma luz acesa.
Não era uma luz que vinha de fora.
Não era imposta, nem ensinada como regra.
Era uma chama mansa, dessas que nascem quando alguém se sente visto,
quando a palavra encontra lugar,
quando o afeto não pede licença para existir.
Ali, servir não tinha nome bonito.
Era gesto.
Era o pão oferecido sem cerimônia.
O olhar que acolhe antes da fala terminar.
A mão que repousa sobre a mesa, perto da outra, dizendo: “eu estou aqui”.
Talvez seja isso o sagrado —
não o que se impõe de cima,
mas o que floresce entre.
Uma luz que não cega,
mas aquece.
E que, quando encontra outra,
não disputa… se reconhece.
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