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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Metamorfoseando

Ninguém é igual nem no dia seguinte, porque somamos experiências novas todos os dias. Hoje, acordei diferente de quem fui ontem, semana passada, ano passado, década passada…

Há coisas que transformam tanto o nosso olhar que já não nos reconhecemos em antigas posturas, opiniões, visões de mundo, ideologias.

Um exemplo é este blog onde escrevo minhas ideias há quase 20 anos. Quando releio textos antigos, encontro outra versão de mim. Percebo isso na forma de viver a fé — que vai sendo lapidada — e na maneira de lidar com o outro: com as diferenças, as afinidades, com a necessidade de validação que já não me habita mais.

Vejo também o quanto fui rígida com crenças antigas, e como foi doloroso me despir delas.

Só de pensar que ninguém está pronto, e que até o fim da vida ainda vou mudar tanto, eu me encanto.

Começamos de um lugar, de um ponto de partida, mas é ao longo da caminhada que nos construímos — e isso parece não ter fim.

Não sei se para os outros isso é tão perceptível, mas eu reconheço exatamente os momentos que expandiram minha mente e me fizeram repensar tudo.

Fico impressionada quando reencontro pessoas que não vejo há muito tempo e as encontro exatamente iguais: os mesmos pensamentos, as mesmas posturas, os mesmos preconceitos. Como se já tivessem alcançado o ápice do que podem ser. Como se não fosse mais possível crescer. Como se acreditassem, de fato, que suas próprias réguas medem o mundo.

A forma correta de viver, as crenças verdadeiras — como se a tradição fosse intocável e tudo o que não se encaixa precisasse ser rejeitado. Engessados naquilo que acreditam ser o máximo que podem ser.

E quanto mais me desconstruo, menos desejo pertencer a esses lugares. Quanto mais compreendo o que é ser verdadeiramente livre, menos aceito cabrestos, viseiras, jugos que não sejam suaves, fardos que não sejam leves.

Sigo assim, em constante metamorfose, sentindo-me privilegiada por compreender o que é respeito. Tudo e todos têm o direito de ser o que são — os que se permitem mudar e até mesmo os que insistem em sua própria cegueira.

Eu só quero ir.

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