Não foi no altar, nem embalada por música
Sem discurso ensaiado, sem voz me conduzindo
Foi no chão, prostrada, sozinha e doente.
No lugar mais baixo da casa,
onde o corpo cede, onde o choro vence
e a alma já não sustenta aparência.
Ali não tinha plateia, não tinha doutrina,
não tinha ninguém dizendo como sentir.
Só dor e um vazio que não cabia mais em mim.
E foi desse vazio que nasceu a busca.
Não elegante, não correta, não religiosa.
Mas real como um pedido de socorro
Chamei por Deus sem saber chamá-Lo direito,
sem promessa, sem barganha,
sem linguagem pronta.
E ainda assim Ele respondeu.
Não com espetáculo, mas com presença.
Não com regras, mas com encontro.
E, aos poucos,
foi reconstruindo dentro de mim
uma fé possível, dessas que andam,
que sentam à mesa, que olham nos olhos,
que reconhecem o outro
como lugar de Deus também.
Hoje eu sei: não foi apenas sobre me levantar do chão… foi sobre descobrir
que Ele sempre esteve ali comigo
E bastava me esvaziar de mim
Para ser cheia Dele.
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