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segunda-feira, 2 de março de 2026

Direito de errar

Li uma frase ontem que dizia mais ou menos assim: "Em regra, depois dos 50 temos menos anos pela frente do que já vivemos. O “Direito de Errar” é da juventude. A maturidade exige mais estratégia, mais cálculo e mais consciência das consequências."

E é claro que errar deliberadamente, sabendo que muitas vezes é atraso no processo, é colheita desagradável, é recomeçar do zero, enfim, não é uma escolha acertada fazer tudo o que dá na telha.

Mas olha por outro prisma. Quantas pessoas através dos séculos viveram suas vidas, suas escolhas, seus processos, quantos deles se encontraram, se identificaram e se amaram, quantos viveram juntos, constituíram família, quantas gerações viveram isso até chegar a mim?

Eu sei pouco da minha genealogia, mas sei que a avó da minha avó foi uma menina índia capturada e esposa de um branco. Deram o nome de Carlota a ela e entre os filhos que teve, nasceu minha bisa Joana, que teve minha avó Francisca, que casou com um rapaz que ficou órfão e meu bisavô acabou de criar, já que os pais dele trabalhavam na fazenda dele. Dois irmãos se casaram com duas irmãs e foram morar no Rio de janeiro, onde tiveram seus filhos.

Lá, entre muitos irmãos minha mãe nasceu, casou com meu pai, enviuvou, acabou de nos criar. E também foi onde conheci o falecido e tive meu filho. Para muita gente, todos fizeram escolhas erradas, inclusive deliberadamente. Mas esse povo todo nasceu disso e cada um teve sua história de vida, com erros e acertos.

Minha escolha foi um erro? Minha gravidez foi um erro? Mudar de Estado foi um erro? Mas aqui meus irmãos se casaram, meus sobrinhos e filho casaram e novos membros vem nascendo, crianças que também vão errar, vão acertar, como todo ser humano.

O que Deus condena não é o erro porque sabe que somos pó. Também não perdemos a capacidade de errar quando nos convertemos, isso até nos coloca no lugar de dependência da Graça de Deus, que não só nos salva, como também nos aperfeiçoa, sendo um favor imerecido e não porque merecemos alguma coisa vinda do Alto. Meritocracia e Evangelho não combinam. É Lei ou Graça. Ou você crê na sua força ou crê que Jesus consumou a Obra.

O que nos afasta ou aproxima de Deus é a intenção. Metaforicamente, Adão quis ser como Deus e a consequência foi a desobediência. Davi quis que Urias morresse e teve muitas consequências, Judas sempre quis vantagens para si mesmo e acabou em suicídio. Não erraram apenas por condição humana, mas por escolha deliberada de ir contra Deus. Mas não foi por meio deles que Jesus nasceu e cumpriu seu propósito? Tinha ou não tinha que ter sido assim?

No fim as coisas são como tem que ser, Deus não perdeu o controle de nada e um dia deixaremos de ver como um reflexo embaçado e veremos tudo como é. Até lá seguiremos errando, conscientemente ou não, porque faz parte da nossa humanidade. Por enquanto, "Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova." Romanos 12:22 

Desde que a consciência esteja limpa por não prejudicar a si mesmo e ao outro e se prejudicar o perdão existe como bálsamo, nada nos separará do amor de Deus, porque o mérito é de Cristo e não nosso. Fica em paz!

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