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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Na minha vida, Deus é

Deus não pode ser sequestrado por uma instituição, a espiritualidade não se mede pela adesão a uma agenda religiosa, e a graça não depende da constância humana para permanecer eficaz.

Há oposição entre a caricatura de Deus construída pelo moralismo religioso e a experiência de quem aprendeu a amar porque foi amado primeiro. 

Na minha vida, Deus é.

Fica difícil para alguém que anula a própria individuação, terceiriza o direito de raciocinar e adota uma agenda religiosa acreditando que isso o torna espiritualmente diferenciado olhar para quem está fora do arraial sem procurar motivos para acusar, sem precisar apontar o dedo, sem encontrar algo que desabone.

Mais difícil ainda é admitir que Aquele que nos mantém de pé não pode ser monopolizado, aprisionado ou retido numa estrutura de concreto.

Ele supre. Ele sustenta. Ele firma os passos. Ele é na vida de quem Ele quiser se revelar.

Os justos aos próprios olhos, os ativistas sem amor, os repetidores de versículos isolados e os cumpridores de rituais conhecem apenas uma caricatura de Deus: aquela que amedronta, impõe condições e exige desempenho.

Mas os agraciados são diferentes.

Estes amam porque compreenderam que foram amados primeiro. Sabem que são bênção porque foram abençoados de uma vez por todas. Entenderam que Deus não condiciona a conclusão daquilo que começou à inconstância humana.

A graça não é um prêmio pela nossa regularidade, nem Deus depende da nossa impecabilidade para permanecer fiel a si mesmo.

E, enquanto alguns precisam de uma estrutura para delimitar onde Deus pode estar, outros aprenderam a reconhecê-lo na vida, para além das fronteiras que os homens estabeleceram.

Não porque Deus tenha deixado de ser Deus dentro do arraial, mas porque nunca foi propriedade dele.

Na minha vida, Deus é.

E isso não depende de um endereço religioso, de um pertencimento institucional ou da aprovação de quem acredita ter o monopólio da fé.

Deus é porque Ele é. E eu o reconheço na vida, na graça, no amor e naquilo que Ele continua realizando em mim, apesar de mim.


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