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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Deus, a justiça e a mediação de Cristo



As questões levantadas pelos ateus geralmente envolvem uma indignação genuína diante dos crimes e das injustiças que, aparentemente, Deus permite. 

E isso é perfeitamente compreensível, pois partem de uma perspectiva humana, condicionada ao nosso tempo e espaço, para interpretar questões que envolvem a eternidade.

A grande maioria dos religiosos, por sua vez, também não tem Cristo como chave hermenêutica para compreender as Escrituras. Por isso, acaba caindo nas mesmas armadilhas interpretativas.

Simplificando a mensagem bíblica em poucas palavras, é possível chegar a uma compreensão geral:

Deus não está sujeito ao tempo. A humanidade é responsável por suas escolhas, e o juízo divino não está limitado à sucessão temporal que condiciona a nossa percepção da realidade.

Mas, se Deus é justo, por que não aniquila os criminosos?

Porque, se a culpa fosse motivo suficiente para aniquilar alguém, a justiça precisaria ser aplicada sem acepção de pessoas. Afinal, todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. 

É Cristo quem nos reconcilia com o Pai, tornando possível aquilo que nossos próprios méritos jamais poderiam alcançar.

Assim, na consumação dos tempos, o que determina nosso destino não é a superioridade moral que imaginamos possuir, mas a mediação de Cristo.

Quem crê na mediação de Cristo, está justificado nos méritos dele. Jesus homem é a justiça de Deus para nos livrar de nós mesmos pela fé .Os outros, são julgados pelas próprias obras.

O cristão ainda peca, não porque o pecado deixe de ter importância, mas porque a condição humana continua sujeita às suas fraquezas. 

Existe, porém, uma diferença entre tropeçar na luta contra a própria natureza e fazer do pecado uma escolha deliberada, incompatível com aquilo que se professa crer.

A carne conspira contra nós? Certamente. Mas o espírito está pronto, ainda que a carne seja fraca.

A graça não transforma a desobediência deliberada em algo irrelevante, tampouco nos dispensa da responsabilidade de buscar uma vida coerente com o caráter de Cristo. 

Afinal, Jesus não apenas nos oferece reconciliação: também nos revela o caminho que devemos seguir.

Quem não busca a santidade, não se separa daquilo que contradiz o caráter de Cristo e não procura viver de maneira diferente do mundo talvez ainda professe uma religião, mas precisa examinar a autenticidade da própria fé.

Porque crer em Cristo não é apenas confiar naquilo que Ele fez por nós. É também reconhecer, naquilo que Ele ensinou, a referência para aquilo que estamos nos tornando.


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