Não simpatizo com Lula, muito menos com Flávio.
Para mim, é trocar seis por meia dúzia. Mas é fato que, diante da dificuldade de reunir eleitores abastados em número suficiente para eleger representantes que defendam seus próprios interesses, setores da direita recorrem ao discurso moralista para manipular os menos esclarecidos e transformá-los em massa de manobra.
A ironia é que boa parte desse eleitorado é formada por pessoas pobres, assalariadas, que, seduzidas por pautas morais e religiosas, acabam votando contra os próprios interesses.
O que realmente preocupa neste momento é a perda de direitos conquistados, as privatizações, os acordos com os Estados Unidos envolvendo nosso petróleo e outros recursos minerais estratégicos, encontrados em nosso território, e as mudanças na legislação que possam abrir caminho para perpetuar essa família infeliz no poder por décadas.
Porque Deus não se envolve em disputas políticas como muitos querem fazer acreditar. E o que as bancadas religiosas defendem, muitas vezes, são interesses próprios, projetos de poder e pautas particulares que pouco ou nada têm a ver com o Evangelho de Cristo.
O restante pertence ao campo das escolhas individuais. Concordando ou não, o Estado é laico, e cada pessoa tem o direito de ser quem é, desde que respeite os direitos dos outros.
Conviver com as diferenças não é uma opção que nos cabe conceder ao outro, mas um dever de quem vive em sociedade.
Não precisamos concordar com tudo, compartilhar as mesmas convicções ou aprovar todas as escolhas alheias.
Precisamos, sim, compreender que nossas diferenças não nos dão o direito de retirar do outro a liberdade, a dignidade e os direitos que também reivindicamos para nós.
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