Amizade é um contrato afetivo que deve existir enquanto fizer sentido para ambas as partes.
Não deve haver obrigações, mas consideração mútua. Não é a frequência dos encontros que determina a profundidade de um vínculo, mas a qualidade do que permanece entre as pessoas.
Há amigos que passo muito tempo sem ver e que, quando reencontro, descubro que o carinho continua intacto, como se o tempo não tivesse passado.
E há pessoas que moram logo ali, tão perto geograficamente, mas tão distantes afetivamente, que não tenho vontade de ver, procurar ou sequer ser encontrada.
Porque alguma coisa se quebrou pelo caminho. E, quando isso acontece, nem sempre há vontade de consertar. Às vezes, simplesmente aceitamos que os caminhos se separaram e seguimos cada um na sua direção.
Afinal, proximidade não é sinônimo de intimidade, assim como distância não significa esquecimento.
Amizade não é uma dívida a ser cobrada, nem um compromisso a ser mantido por conveniência, culpa ou obrigação. É um vínculo que se alimenta de reciprocidade, respeito e consideração.
E, quando deixa de fazer sentido para um dos lados, não precisa terminar em guerra. Pode simplesmente deixar de existir na vida cotidiana, sem ressentimentos, sem cobranças e sem a necessidade de reabrir portas que já não desejamos atravessar.
Porque ter liberdade para escolher quem permanece em nossa vida também é uma forma de respeito por nós mesmos.
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