Ele era música...
Me lembro como se fosse hoje, ele pegava o violão e eu me apressava a sentar próxima a ele, para cantar junto, músicas do Roberto Carlos, alguns hinos antigos da harpa cristã ou suas próprias composições. Amava ouvir meu pai cantar e essa é a lembrança mais viva que guardo dele.
Desde ontem tenho pensado muito nos meus pais e hoje assistindo vídeos no YouTube, me apareceu por coincidência um vídeo que minha mãe fez por ocasião dos 20 anos de morte, com fotos de diversas fases da vida e um trecho de uma música que minha mãe compôs e meu pai colocou melodia. A voz dele ainda é tão presente, mesmo 39 anos depois de sua partida.
E agora a noite, me apareceu um vídeo muito antigo do Roberto Carlos cantando "De tanto amor". Parece que estou cantando com meu pai.
"A saudade vai chegarE por favor meu bemMe deixe pelo menos só te ver passarEu nada vou dizerPerdoa se eu chorar"
Por alguns instantes, não havia distância entre o ontem e o hoje. Era como se o tempo tivesse recuado e eu pudesse, mais uma vez, desfrutar daquele momento tão simples e tão precioso.
A música continuava tocando, e eu já não era apenas uma mulher recordando o pai que perdeu. Eu era também aquela menina que se apressava para sentar pertinho dele quando o violão anunciava que a música ia começar.
A saudade tem dessas coisas. Às vezes, ela chega sem avisar, traz consigo uma voz, um rosto, uma cena guardada no tempo e nos devolve, por alguns instantes, a quem fomos e a quem amamos.
Hoje, por alguns minutos, meu pai esteve aqui. E eu fui, novamente, a menina sentada ao seu lado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário