Priscila Alcântara, Leonardo Gonçalves, Kleber Lucas, Ed René Kivitz, Caio Fábio, etc. cito esses nomes só pra chamar atenção, porque quero mesmo é falar de quem os ataca.
Volta e meia assisto discussões ferrenhas entre os que são religiosos e constituem a si mesmo como juízes uns dos outros, classificando pessoas e destinando ao inferno quem não compraram com sangue. A única alma que você pode mandar pra cá e pra lá é a sua.
É incrível como os legalistas de hoje ainda não compreenderam que o pródigo nunca deixou de ser filho e que cada ser humano tem seu próprio processo. Que o que fica, não só já condenou o que vai (talvez por ser mais corajoso que ele) como reprova inclusive a bondade do Pai, porque ainda está crente na meritocracia.
Um olhar menos hipócrita, enxergaria que entre a meia dúzia de convertidos que há no vosso meio, tem também os omissos, os alienados e os filhos do inferno sugando a energia do trigo. E que estar num rol de membros, ou com um diploma de pastor na mão, ou cumprir uma agenda religiosa não garante a ninguém um relacionamento com Deus. Aliás, distrai a alma de muita gente e impede de viver o que é realmente importante.
Que se estivessem se importando de fato, estariam buscando com pranto uma nova reforma com menos distorções da Bíblia, porque nem tudo é ignorância, na maioria das vezes é má fé mesmo.
Quem resgata o homem é a Graça de Deus e Ele mesmo arregala os olhos dos filhos para a própria miséria. Se cada um chorasse e lamentasse pelas próprias falhas, não sobraria tempo para fiscalizar a caminhada alheia.
Ainda que seja possível enxergar joio e trigo, o trabalho de separar não é nosso. À Igreja cabe anunciar que o preço foi pago e acolher quem o Espírito ajunta.
Se entra no meio de vocês uma prostituta, um ex presidiário, um travesti, vocês não sabem o que fazer com eles, como querem conduzir o entendimento de quem se enxerga como filho? Não souberam o que fazer comigo que sou mãe solteira, como acham que podem resgatar quem escolheu ficar bem longe da bocarra cheia de bravatas e hipocrisia de vocês?
Cada um responderá pelas próprias escolhas e enquanto há vida, todo mundo pode se esvaziar da caduquice dos seus conceitos.
Deus cuida de cada um. Quando o pródigo lembra do pai, não é com o discurso condenatório do filho que acha que não erra, mas vem com gratidão e humildade. E o Pai tem pra ele uma festa. E para o outro? Aceita que dói menos.
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