Hoje foi dia de arrumar o guarda-roupa e automaticamente eu começo a refletir, enquanto desisto de algumas peças... Houveram vários momentos em que fiquei sem nada pra vestir, ou porque engordei derrepente ou porque não tinha condições de comprar nada.
Numa dessas ocasiões, ganhei uma blusa da minha irmã num aniversário e esta ficou sendo filha única durante muito tempo, pois eu estava construindo minha casa e tinha outras prioridades.
Tenho até certa facilidade em me desfazer de roupas, principalmente se alguma amiga, sobrinhas ou nora estiverem precisando de algo, porque tenho muitas. Mas desta blusa nunca consegui me desfazer, embora nem tenha condições de uso mais.
Guardo ela até hoje, exatos 26 anos, mesmo furada, para fazer este link, entre a escassez e a fartura, entre o dia de não ter e o dia de ter para dar, entre a realidade dura e o desejo de viver melhor.
Nada na vida da gente é por acaso. Se hoje posso escolher o que vestir, faço com gratidão, porque sei o que é não ter opção.
Contudo, sei que Deus cuida de mim, porque quando eu não podia gastar com roupas, Ele estava suprindo outras necessidades mais urgentes. Era meu sonho se realizando, tomando forma, minha primeira casa própria.
É necessário saber viver em todas as situações: com muito, com pouco, quando tudo dá certo e quando nem tudo vem de mão beijada. Mas tudo passa e tudo coopera pro nosso bem.
Hoje, com tantas roupas boas e diversidade, meu carinho especial é desta blusa velha, porque a história da gente é cheia de símbolos. E esta significa pra mim a fidelidade daquele que me sustenta nas mínimas coisas.
Nem minha melhor roupa é tão querida.
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