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sábado, 3 de janeiro de 2026

O rio

À margem de um rio qualquer
Observava atônita uma mulher:
_ O curso não pára e leva tudo 
A água arrasta o que vê pela frente.
A mulher olhava a frente 
A margem do outro lado
Tudo parecia estável, 
Um grupo de jovens tranquilos
Assentavam-se juntos a dialogar
A mulher distraiu-se com aquilo
Nasceu o desejo de estar lá 
Seria o resgate sonhado? 
Aquele que parece mais empolgado 
Com que gosto domina as palavras 
Os outros interessados no que falava
E a mulher também gostou do que ouviu
Esqueceu do rio e do que ele causava
Achou a ponte que a ligava
Passou para a outra margem
Assentou no meio dos príncipes 
Comeu aquelas palavras 
Que o jovem empolgado disse
Mas a ponte uniu fisicamente,
Porém ela os sentia distantes 
Não davam abertura, não se importavam 
O rapaz se fechou quando a percebeu
Ela encantada, absorvia o que falavam
Mas pouca coisa compreendeu
Não naquele momento, mas depois 
Por enquanto tudo era obscuro 
O que concebia estava gerando 
O fruto era bom, só não estava maduro 
Ela quis atravessar a ponte
Mas não esperava encontrar um muro
Uma barreira invisível entre os dois.
Quase duas décadas se foram
E ela ainda lembra o que ouviu
O rio já não causa temor
Dá margem ela também partiu



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