Tem um canal que acompanho há alguns anos "EQM, afinal o que somos nós?" Do físico Carlos Mendes, onde inúmeras pessoas narram suas experiências em momentos de parada cardíaca, ou acidentes, ou doenças terminais, cirurgias arriscadas, coma, etc. Momentos onde pisam o solo do mistério ou o mistério as alcança. Invariavelmente, essas pessoas voltam com relatos muito semelhantes e sensações que não sabem explicar. Se tiver oportunidade, assista!
Particularmente como cristã, associo minhas próprias experiências com a direção divina. Onde não consigo explicar, me calo e simplesmente sinto.
Todo mundo sabe que Paulo sofreu vários momentos de quase morte, por naufrágio, apedrejamento, açoites, prisões. E num certo relato, ele diz que vivenciou algo que não sabia explicar se no corpo ou fora dele, onde viu e ouviu coisas maravilhosas demais para mencionar. É exatamente isto o que acontece com essas pessoas. Não uma histeria coletiva num culto penteca, onde alguns querem ser mais espirituais que outros. Mas algo que acontece na linha tênue entre essa dimensão e a outra, onde nossa limitação impede as definições, mas é inegável que algo aconteceu para mudar o rumo das nossas escolhas. A frequência muda e a experiência vem.
Bom, algumas vezes já mencionei que fui desenganada, minha morte chegou a ser anunciada, meus órgãos estavam enfraquecidos, não vou entrar em detalhes porque não é o foco.
O fato é que cresci com a sensação de não pertencimento, como alguém que não aceita o mundo e nem é aceito por ele. Nunca tive diagnóstico nenhum, apenas desconfiança de quem conviveu comigo, por causa do atraso no desenvolvimento, prejuízos relacionais, crises de regulação, sensibilidade sensorial, etc. O mais próximo disso é o autismo, mas também pode ter sido algo como sequela por causa da doença.
Fato é que fui a criança estranha, a adolescente isolada, a adulta anti social, a pessoa que está no mundo mas continua desconectada dele. Onde a massa está, eu estou no sentido oposto, sofrendo todos os atritos que me despedaçam. Por outro lado, percebo coisas e pessoas de uma forma incomum e o sagrado é o primeiro lugar da minha vida. Desde que me entendo por gente me sinto cuidada, conduzida e muitas vezes socorrida. Para mim, nada é sem resposta ou sem sentido.
Outras pessoas ligadas a outras religiões, já me vêem com outro olhar por causa da minha intuição e sensibilidade. Não vou contar minhas experiências, já me bastam outros estigmas. Mas já fui acusada de muita coisa por sentir a energia das pessoas e reagir a elas, ou encontrar gente sem programar isso, assustando essas pessoas. Cheguei a me sentir inexplicavelmente próxima de gente que eu não convivo, sair e dar de cara com essas pessoas, bom acho que já me fiz entender.
Além da hiperempatia e sinestesia, percepções que sei que são particularidades minhas, pelo menos nas minhas relações mais próximas. Chegou a sentir dor física quando vejo alguém se machucar ou cheiros do que assisto na TV. Além das projeções durante o sono com sensações reais.
Um parafuso a mais ou a menos eu sei que tenho. De perto ninguém é tão normal assim. Mas não me abalo, Jesus disse que Deus escolheu se revelar às coisas loucas do mundo para envergonhar quem se gloria em si mesmo.
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