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domingo, 11 de janeiro de 2026

EQM

Hoje eu queria falar de algo que acho que nunca abordei aqui: EQM, experiência de quase morte e suas consequências e outros mistérios que alguns podem classificar como alguma alteração neurológica, devaneio, ou algo do tipo, ou por ignorância do assunto ou por preconceito mesmo.

Tem um canal que acompanho há alguns anos "EQM, afinal o que somos nós?" Do físico Carlos Mendes,  onde inúmeras pessoas narram suas experiências em momentos de parada cardíaca, ou acidentes, ou doenças terminais, cirurgias arriscadas, coma, etc. Momentos onde pisam o solo do mistério ou o mistério as alcança. Invariavelmente, essas pessoas voltam com relatos muito semelhantes e sensações que não sabem explicar. Se tiver oportunidade, assista! 

Particularmente como cristã, associo minhas próprias experiências com a direção divina. Onde não consigo explicar, me calo e simplesmente sinto. 

Todo mundo sabe que Paulo sofreu vários momentos de quase morte, por naufrágio, apedrejamento, açoites, prisões. E num certo relato, ele diz que vivenciou algo que não sabia explicar se no corpo ou fora dele, onde viu e ouviu coisas maravilhosas demais para mencionar. É exatamente isto o que acontece com essas pessoas. Não uma histeria coletiva num culto penteca, onde alguns querem ser mais espirituais que outros. Mas algo que acontece na linha tênue entre essa dimensão e a outra, onde nossa limitação impede as definições, mas é inegável que algo aconteceu para mudar o rumo das nossas escolhas. A frequência muda e a experiência vem.

Bom, algumas vezes já mencionei que fui desenganada, minha morte chegou a ser anunciada, meus órgãos estavam enfraquecidos, não vou entrar em detalhes porque não é o foco.

O fato é que cresci com a sensação de não pertencimento, como alguém que não aceita o mundo e nem é aceito por ele. Nunca tive diagnóstico nenhum, apenas desconfiança de quem conviveu comigo, por causa do atraso no desenvolvimento, prejuízos relacionais, crises de regulação, sensibilidade sensorial, etc. O mais próximo disso é o autismo, mas também pode ter sido algo como sequela por causa da doença. 

Fato é que fui a criança estranha, a adolescente isolada, a adulta anti social, a pessoa que está no mundo mas continua desconectada dele. Onde a massa está, eu estou no sentido oposto, sofrendo todos os atritos que me despedaçam. Por outro lado, percebo coisas e pessoas de uma forma incomum e o sagrado é o primeiro lugar da minha vida. Desde que me entendo por gente me sinto cuidada, conduzida e muitas vezes socorrida. Para mim, nada é sem resposta ou sem sentido.

Outras pessoas ligadas a outras religiões, já me vêem com outro olhar por causa da minha intuição e sensibilidade. Não vou contar minhas experiências, já me bastam outros estigmas. Mas já fui acusada de muita coisa por sentir a energia das pessoas e reagir a elas, ou encontrar gente sem programar isso, assustando essas pessoas. Cheguei a me sentir inexplicavelmente próxima de gente que eu não convivo, sair e dar de cara com essas pessoas, bom acho que já me fiz entender.

Além da hiperempatia e sinestesia, percepções que sei que são particularidades minhas, pelo menos nas minhas relações mais próximas. Chegou a sentir dor física quando vejo alguém se machucar ou cheiros do que assisto na TV. Além das projeções durante o sono com sensações reais. 

Um parafuso a mais ou a menos eu sei que tenho. De perto ninguém é tão normal assim. Mas não me abalo, Jesus disse que Deus escolheu se revelar às coisas loucas do mundo para envergonhar quem se gloria em si mesmo.

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