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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Cristãos agnósticos

Há um pouco mais de cinco anos, tenho tido um contato mais estreito com pessoas que por razão que desconheço, enveredaram por um pensamento que tem se tornado muito comum. A ideia de que Deus, após esvaziar-se de Sua Glória e encarnar, tenha perdido seus atributos divinos e portanto hoje, a vida desses cristãos está isolada de qualquer tipo de intervenção divina. Deus não transcende com o homem e estamos todos soltos ao acaso.

Meu espírito rejeita essa ideia e talvez por isso eu nunca tenha me interessado em estudar com mais afinco o tema. Mas a vida se encarrega de trazer para minha convivência, pessoas que se impressionam com minha forma de viver a espiritualidade, justamente por ver em mim, algo que já não possuem.

Não é uma escolha minha. Minha experiência com o sobrenatural começou aos dois anos, quando eu não tinha condições de fazer escolhas por mim. Fui alvo de misericórdia, recebi uma cura importante, quando já estava desenganada. E também o momento da minha conversão (creio que o homem começa sua relação com Deus, quando nasce. Mas há um momento de escolha, quando enfim entende sua dependência) se deu num cenário repleto de mistérios e fatos que eu jamais poderei explicar. Logo, seria louca se depois de ter vivido tantas experiências, negasse que Deus se moveu em meu favor.

Me resta então observar essas vidas e tentar encaixar esse pensamento no cristianismo. Busco fundamento, mas só encontro um amor frio e algo como se o fio que nos conduz à Deus e nos faz percebê-lo, esteja com "mal contato" nesses amigos.

Jesus exultou dizendo que essas coisas foram ocultas aos sábios e entendidos, porque Deus escolheu se revelar aos pequeninos. Em tantas outras passagens bíblicas lemos que Ele, exalta aos humildes e aos exaltados, humilha. Que Ele resiste aos soberbos, mas tem misericórdia do coração quebrantado. Logo, não fica difícil entender que o tropeço e impedimento, é justamente o crescimento do ego.

Curiosamente, todas essas pessoas foram persuadidas por uma promessa de liberdade, que as fizeram abrir mão do convívio eclesiástico. Não entendem mais que receberam a liberdade espiritual, de não ser subjugado pela carne. Distorcem a palavra liberdade, como se ela significasse viver instintivamente como um animal irracional, mas como em toda escolha, colhem consequências. Na ânsia de ser, entram num labirinto de confusão. Na sede de ganhar a vida, a perdem.

Jesus pagou o preço da reconciliação, justamente para que fôssemos adotados e tivéssemos restaurados um relacionamento com Deus. A fé na justiça de Cristo, nos dá a mediação que nos faltava para estar religados à Deus. E para que Deus adotaria filhos, se não fosse para estar com eles? Nos abandonaria ao acaso? Não teria nos chamado com um propósito?

O mesmo Deus que procurou Adão e esperou na varanda o retorno do pródigo. O mesmo Deus que amou a causa do mundo, enviando a Redenção por meio de Jesus. O mesmo Deus que buscou se relacionar com seu povo, o que acolhe ao órfão e a viúva, o que tira o homem do pó e o faz assentar com príncipes. O Deus imutável, mudaria?

A fé é o instrumento que Deus disponibiliza ao homem para vivenciar as coisas do Alto. Vivemos pela fé e sem fé, não há assimilação das experiência com Deus.

Concluindo, para mim eles perderam a melhor parte. Apesar de confessar Jesus e fazerem questão de ser chamados cristãos, fizeram como Esaú e seu prato de lentilhas. Abriram mão de um direito conquistado para eles, por preço insignificante: a ilusão de ser.

Vale lembrar que só Deus É. O homem está limitado no tempo. 
E livre é o Espírito que é Vento e sopra onde quer. Qualquer tentativa de ser igual à Deus, me remete ao Éden e às palavras da Serpente. A mesma proposta ecoa hoje, com nova roupagem, causando a mesma morte, a mesma separação.


domingo, 16 de setembro de 2012

Culpa e perdão

"Davi, que julga a um desconhecido e o condena à morte e ouve mais tarde a revelação: 'Tu és aquele homem'" ["O Aleph", de Borges].

O Evangelho de Jesus, nos ensina o amor e isso é tudo.
Não ama quem não se coloca no lugar do outro, quem não consegue se alegrar com a felicidade alheia, quem não se importa com a dor do outro, mesmo quando temos a nossa própria dor.

Não ama quem corre atrás de seus próprios interesses, passando por cima de outras pessoas, como se elas fossem degraus. Não ama quem vê Jesus como seu vingador pessoal, pronto a destruir qualquer vida que ousar à se opor a este. 

Dia desses li uma frase de uma música cristã (?) que dizia "Vai lá e pega quem falou da minha vida, avisa que eu Estou de Pé. E quem contou o fim dos meus dias, avisa que eu Estou de Pé" e fiquei pensando que a motivação das lutas, podem passar por vales de sentimentos de ódio e vingança, tipo "Conta lá, instiga a inveja deles, desperta a raiva desses filhos do cão".

Não foi isso o que Jesus ensinou. Não é o verdadeiro Evangelho, que nos ensina que somos mais que vencedores, POR MEIO de Cristo Jesus, que nos amou. Quem venceu foi Ele e por amor. Não há privilégios para a "nata da humanidade". Segundo Jesus, devemos amar os inimigos e orar por quem nos persegue, devemos ter a consciência que a luta em si, não é contra carne e sangue, mas contra forças do mal que opera em regiões invisíveis. Mas o ego... sempre o ego, prejudica o que deveria ser um relacionamento de Deus Pai, com cada filho.

Davi ao ouvir uma parábola, teve condições de sentir repugnância por sua atitude. Houve uma reprovação, porque ele não atinou pra sua culpa. Se fosse outro, estaria condenado por ele. Se cada um de nós tivesse o hábito de se colocar no lugar do outro, de fazer uma auto análise vez ou outra, a vida seria um pouco mais fácil.

Sim, Jesus levou sobre si a nossa culpa. Mas se não fazemos contato com nossos erros e sentimentos maus, eles continuam sendo nossos. Não há perdão sem arrependimento. Se não passarmos pelo Sangue, não há purificação.

A cada contato com a consciência da nossa condição humana, temos condições de rever posturas, voltar atrás em atitudes, reconhecer que a imagem do espelho, é de alguém que não caminha com Cristo. Assim há um despertar, seguido de coração incomodado, seguido de reconhecimento e arrependimento. Assim há perdão e liberdade.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Caminho largo e caminho estreito

"Entrai pela porta estreita porta grande e larga é a estrada que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. Estreito é a porta e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos encontram." (Mateus 7, 13.14)


Muito se discute sobre isto e são várias as interpretações que já ouvi. A maioria acha que o caminho largo, consiste nos prazeres do mundo, em detrimento à uma postura sacrificada, vivida na Igreja. Ultimamente tenho ouvido que o caminho largo é o apresentado pela religiosidade que ilude o cristão à buscar a prosperidade financeira, deixando de lado o verdadeiro Evangelho.

Enfim, comecei a meditar sobre isso hoje e foram brotando possibilidades, que meu espírito acolheu.

Creio que fomos salvos de nós mesmos, para viver uma nova realidade. Negar-nos e seguir Jesus, é mais do que simplesmente dizer um "sim", ter o nome inscrito no rol de membros e cumprir um protocolo.

"E poucos encontram." Percebe que Jesus não está falando de um grupo, ou de um conjunto de regras, mas da decisão e sucesso pessoal de cada caminhante? "Estreito" é um adjetivo que sugere a passagem individual de cada pessoa, assim como a possibilidade de encontrar esse caminho que conduz à vida, é algo que experimentamos à partir de uma busca pessoal.

A decisão por Cristo acontece em cada vida num momento distinto. E o caminho também é estreito, porque cada caminhante requer tratamento específico, cada um no seu passo, tempo e necessidade.

Para mim, o primeiro passo é assumir minha responsabilidade individual e intransferível. Meu crescimento espiritual, depende da mortificação da minha carne. Enquanto estamos nos enxergando como parte de um pacote, perdemos a noção da nossa individualidade dentro do Corpo. Sim, somos um organismo, mas nem todos são mãos, ou boca, ou olhos, etc.

Qual a importância de nos enxergarmos como indivíduos, tratados por Deus de forma artesanal? Porque assim conseguimos saber o quanto temos avançado ou o quanto temos ficado estagnados no caminho. Salvação é graça, mas o aperfeiçoamento é uma resposta natural na vida do salvo. É este desenvolvimento que se alcança no caminho estreito. Ninguém que tenha sido alcançado pela graça, permanece o mesmo.

Pelo que percebo, o caminho estreito se refere a viver em amor, que requer a renúncia de nossa vontade e do impulso de nos atender. É um caminho deveras desconfortável, penoso, difícil e apertado. Passar pela porta estreita, ou seja, o acesso que é Cristo, também se esvaziou de si para encarnar a vontade do Pai. Seguí-lo, é tomar consciência de que amar é algo mais próximo do sofrimento, do que desse perfil do cristão inserido num grupo seleto de privilegiados.

Em contrapartida, o caminho largo é o que escolhemos à partir do ego. É prazeroso e fácil nos servir e nos obedecer, mesmo que isso seja oprimir o outro.

A maioria das pessoas escolhem este caminho, posto que a carne age como a lei da gravidade. Não requer esforço algum, viver segundo nossos instintos caídos.

Mas amar é tarefa árdua. Se dar pelo outro, é para a minoria. São poucos os que encontram este caminho.


domingo, 19 de agosto de 2012

Graça, para que ninguém se glorie

Voltei a participar de fóruns de discussão apologética, mas não com a dedicação de antes. Dose certa pra conversar e crescer mais um pouco, mas sem aquela entrega toda, que acaba resultando em disputas e decepções.

Uma coisa me chama muito a atenção. A religiosidade é uma espécie de doença que marca a alma. Por mais que a mente se abra, por mais que haja a ilusão da liberdade, por mais que o caminho mude, o ranço religioso não sai com água e sabão. E a pessoa que uma vez foi violentada pelas regras humanas impostas pela religião, sempre estará escravizada às próprias culpas e com o dedo em riste na direção do outro, buscando no que pode acusá-lo. Religião é mesmo um jogo de culpas, quem deve mais, quem é mais sujo, quem é menos ou mais merecedor da Graça.

Então, se perpetua a condição das obras como moeda de troca pela Salvação.

Ah gente... não basta o que a Palavra diz a respeito? Um grupo de destituídos da presença Gloriosa de Deus, onde não havia "um justo sequer" e aceitos de novo por meio dos méritos de UM SÓ? 

Estávamos antes na mesma condição, no mesmo patamar de "mortos em seus delitos e pecados" e ressuscitamos em Cristo, para estar com Ele na condição de aprendizes. A única ordem dada aos seguidores, era que fossem anunciando esta Boa Nova, para que creiam todos os povos. O preço foi pago, é GRAÇA, as pessoas só precisam receber a Notícia!

Não há mérito em mim que possa me manter salva, já que fui incapaz de conquistar minha própria Salvação. Jamais poderei me gloriar de nada, porque recebi um favor imerecido. Contudo, as palavras do Bom Pastor estão guardadas no meu coração e se consigo praticar alguma, é como resposta ao seu amor, como um eco Àquele que amou primeiro, por fé de que Ele é a Verdade e que tem as Palavras de Vida.

Jamais meus atos, minhas obras e minha tentativa de seguir as regras, seriam imputadas como justiça,  pois não há perfeição em mim. Nem sempre consigo fazer o que desejo fazer, ora meu espírito milita e vence, ora a carne prevalece e tudo isso acrescenta dívida e não justificação. Mas se tenho a Mediação de Cristo, é a Obra Dele que me justifica. Minha justiça já não é o que faço, mas o que recebi.

É tão mais fácil descansar em Deus!
Certamente surgirão por todos os lados acusadores que vão lembrar obras passadas, gente contaminada de inveja e comparações com sua vida e que te acharão indigno. Mas descanse, pois o amor de Cristo te cobriu de Sangue e te lavou para sempre! O que você fez, faz e fará já passou por purificação atemporal e agora, dentro do tempo, você vai caminhar como qualquer outro homem.

A caminhada cristã não se concretiza em planícies. Há que se aprender a subir barrancos, descer ribanceiras, entrar em vales e passar por pedregulhos que tentarão te derrubar. Cuide para não cair, mas se cair, lembre-se que é Dele todo o trabalho e seu trabalho é descansar Nele :)

sábado, 11 de agosto de 2012

No lugar que se chama hoje

E de novo, a mulher diante do espelho, tenta ouvir a voz que vem de dentro. Mas agora, sua história não vem mais como flashs involuntários, vem como um filme, que ela assiste como se fosse mera espectadora.

Ah, menina... quem dera eu pudesse te pegar no colo e dizer baixinho "vai passar..."

Há alguém que te escolheu para proclamar uma mensagem de esperança à crianças vazias como você, mas para que você saiba o que elas sentem, é necessário que pise no solo da experiência.

Ah, moça... quem dera eu pudesse sentar-me contigo e dizer que neste mundo só há ilusões. As pessoas correm atrás do vento e se perdem nas próprias cobiças, sem se dar conta de que são neblina que logo se dissipará. Essas mesmas ilusões que te cegam, são sementes ruins que crescem conspirando contra você e só podem produzir uma coisa: vazio.

Ah, jovem... quem dera eu pudesse te alertar, que nem todos que oferecem o braço, querem te levar à um bom caminho. Que nem toda mensagem camuflada de esperança, provém da verdade e que a esperança que procuras, não está dentro dessas paredes, mas nos encontros, nas trocas, nas relações e na experiência com o amor.

Ah mulher... que as lembranças te sirvam como crescimento, para saber que há UM contigo, que jamais te deixou nem abandonou. Cada dor manifestou Sua Glória, cada lágrima Seu consolo, cada dúvida Sua amizade e cada momento de solidão a Sua companhia te ensinando.

Que as lembranças não morram nunca, para que você não esqueça em quem tem crido, mas que elas jamais voltem a doer, para que você proclame que há esperança para quem sofre!

Em resposta ao post http://janetecardoso.blogspot.com.br/2008/02/em-algum-lugar.html

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Eis que era muito bom

Ontem pela manhã, saí da igreja de alma leve porque falei um pouco sobre minha percepção da narrativa da criação, para pessoas que lêem e interpretam o Gênesis literalmente, perdendo a essência principal do texto  (e isso tira dele toda a beleza). Claro que não pude expor tudo o que escrevo aqui, pois a maioria das pessoas alí não tem estrutura para acompanhar minhas viagens. Mas aqui eu posso :D

As metáforas usadas naquela poesia para mim, fazem toda a diferença na forma como entendo a fé cristã e eliminá-las como figuras de linguagem, empobrece não só o texto, mas também compromete o entendimento de todo o contexto bíblico.

A conversa girava em torno do que os irmãos achavam sobre o fato de Adão preferir atender à Eva do que à Deus. Por que o homem não resistiu ao fruto proibido e por que a mulher ouviu a Serpente? Todos eram unânimes de que o pecado original era a desobediência e alguns se arriscavam a especular. Quando resolvi opinar, um silêncio ensurdecedor tomou conta do ambiente, mas fui em frente.

Para mim, a leitura da criação não é literal. Moisés(?) usou de figuras de linguagem, para que a interpretação fosse alcançada pelos hebreus. Todos sabem que uma sugestão é melhor assimilada que uma afirmação e a Bíblia inteira é repleta delas.

O Fruto portanto não era um fruto, mas a representação do discernimento. Algo que já estava reservado para o momento designado por Deus, pois o homem foi criado tal como somos, com sua parcela de bem e de mal, tanto que a "Árvore do conhecimento do bem e do mal" já estava representada alí.

Sem entrar numa discussão sobre o que representa o que, imagino Adão como homem e como humanidade. Assim, ao mesmo passo que leio a narrativa como a experiência dele, faço alusões com a postura comum de todos os homens.

O trabalho da "Serpente" não foi outro, senão despertar no homem, sua cobiça, sua concupiscência, seu ego. Usei a figura do diabo, para que os irmãos entendessem que o que nos seduz, é algo que já está estabelecido pelos nossos desejos mais íntimos. O mal se apresenta com a aparência de bem. A proposta que conspira contra nós, tem aparência boa e sedutora, mas sua raiz já está fincada em nossas almas.

Pois bem. Já li e ouvi inúmeras pregações à respeito da queda humana, sempre muito superficiais. Fica sempre no ar, um quê de injustiça, pois a humanidade herdou tudo o que há de mal, à partir da rebeldia de dois adolescentes que não sabiam discernir por não terem experiência alguma e uma figura astuta passou-lhes a perna (por isso as perdeu haha).

Mas se formos um pouco mais atentos para o fato de que o mal já havia (lembram da Árvore do conhecimento do bem e do mal?) e que a Serpente foi certeira ao seduzir o casal, dizendo que eles seriam iguais à Deus, constataremos que a arrogância foi tamanha, quando as criaturas desejaram usurpar um atributo que pertencia ao Criador. E uma ofensa à um ser Eterno, tem no mínimo consequências eternas.

Ele, que as colocou num lugar perfeito e os fez cooperadores consigo mesmo e ia ao seu encontro para relacionar-se com eles como um amigo íntimo.

Conhecedor de todas as coisas (lembram que a redenção estava em seus planos antes da fundação do mundo?) a pergunta "Onde estás?", serviu para que o homem se enxergasse longe da vontade de Deus. Cada vez que um homem se afasta do centro da vontade de Deus, esta pergunta lateja em sua consciência e por isso todos são inescusáveis (Rom 1:20).

A parte mais bonita que vejo nesta narrativa, é o gesto de amor que Deus tem, quando providencia-lhes vestes que cubram sua vergonha. Porque isto acontece após o homem reconhecer sua nudez e recebe perdão através do sacrifício de sangue. Apesar do casal colher as consequências de seu erro, vejo que o amor de Deus é o mesmo.

Para mim, apesar do pecado ter entrado no mundo por meio de um, cada homem responde por si. Todos nascemos com esta terrível tendência à escolher nossa própria vontade, em detrimento à vontade de Deus. E o auto domínio só é possível por meio da mortificação do ego. O negar-se tão aconselhado por Jesus.

Não sei se Adão tinha umbigo (:P) mas com certeza foi egocêntrico. E o homem que se coloca no centro e vê a vida a partir do próprio umbigo, é incapaz de viver o amor, que não visa o próprio bem, mas se manifesta sempre na direção do outro.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

As rédeas que te prendem

À partir do comentário de uma irmã querida, de que hoje ela é muito mais cristã do que no tempo em que foi Batista, comecei a meditar em algumas coisas que normalmente não atinaria.

Não posso dizer nada à partir da experiência dela ou de qualquer outro, mas à partir da minha própria caminhada com Cristo, posso expor o que entendi.

Na minha vida, a primeira manifestação sobrenatural de que tenho conhecimento, foi aos dois anos, quando eu sequer tinha condições de saber o que é fé. Desenganada, recebi cura e cresci com esse sentimento de gratidão, por esse tal Jesus, que disseram ter me salvado da morte. Cresci assim, sem religião, sem doutrina, sem igreja e sem obra alguma que não fosse motivada por um amor que brotava naturalmente. Eu tinha prazer em ouvir as pessoas testemunhando sobre minha vida e realmente me sentia amada.

Quando tive minha primeira grande crise existencial, já estava com 20 anos. Nesta ocasião, tive uma briga com Deus. Era tão grande a turbulência, que eu o questionei o porque de ter me livrado na infância, pra permitir que naquela época eu passasse por tudo aquilo. Eu não queria mais viver se não houvesse uma solução. Doente, sem recursos, sozinha, com a responsabilidade de criar um filho eu pedi que Deus me matasse de uma vez ou me desse um recomeço. Alí, prostrada no chão da cozinha, sem religião, sem igreja, sem testemunhas, reconheci minha completa dependência e me rendi cansada em Seus braços. Tenho este dia como marco da minha decisão. Deus e eu nos acertamos e eu renasci.

Abandonar minha velha mente foi um parto que demorou longos 5 anos. O renascimento não é como o nascimento físico, que ocorre em algumas horas. O processo, pelo menos o meu, foi algo muito penoso e demorado. Só depois desse tempo todo, comecei a congregar numa igreja evangélica.

Fui, porque o testemunho de um amigo me convenceu. Ele foi um alcoólatra que vivia caindo na sargeta e várias vezes depois de beber todo o pagamento, voltava sem roupas e sem sapatos, humilhado, pedindo dinheiro para ir embora. Agora, restaurado, falava empolgado da igreja que lhe estendeu a mão. Eu gostava de conversar com ele, sempre íamos lanchar juntos e ele sempre insistia pra que eu o acompanhasse à igreja. Certa noite fui e acabei ficando por alguns meses, uns poucos, até começar a discernir.

Naquela época eu ainda era muito crua, não sabia nada de Bíblia, mas já sabia que aquele alí não era meu lugar. Quando os absurdos começaram a vir à tona, mesmo sem muito conhecimento, entendi que a questão não é o lugar, mas a postura. A decisão diante do Evangelho é que faz toda a diferença. Fez na vida dele, fez na minha, faz na vida de qualquer um que crê na Boa Nova de Salvação.

Depois de algumas decepções, conheci a igreja que congrego hoje e sei o que estou fazendo alí.

O que tenho a dizer é o seguinte: a instituição não pode ser responsabilizada nem pelo crescimento, nem pela decadência de ninguém. Aquele que crê, começa um processo de mudança de mente, à partir do ensino que o Mestre nos deixou e isso independe do endereço que ele esteja. A fé vem pelo ouvir e nesse contexto, ouvir significa entender, assimilar. À medida que há entendimento, a fé vai criando corpo, ficando robusta e há crescimento espiritual.

Minha relação com Cristo, começou no início da minha vida e se fortaleceu quando cri em sua Obra Redentora. Onde quer que eu esteja, seja dentro ou fora de qualquer institução, nada pode tirar de mim a fé de que a cédula que havia contra mim, foi riscada. E eu posso te garantir, querido leitor, que o que sei a respeito da fé cristã, aprendi na caminhada, nos encontros, na troca de ideias, nas experiências com Deus, enfim, a instituição jamais me atrapalhou ou influenciou. A diferença continua sendo a postura.

Pelo que entendo, amado, a "igreja" que pode ser uma casa, um templo, uma garagem, um pedaço de areia na praia, deve ser o espaço onde se reúne pessoas prontas a acolher quem o Senhor acrescenta conosco. Pessoas que chegam feridas, confusas, necessitadas. O cristão que vai à igreja para receber algo, ainda é imaturo. O cristão que conhece seu lugar no Corpo, se reúne para oferecer de si em favor do outro, porque sabe que IGREJA é ele. Deus escolheu habitar em Templos de carne.

Por isso não vejo sentido nessa supervalorização do formato das reuniões deste século. Pra mim, aquele endereço é o lugar que escolhi para ter comunhão com pessoas que passaram a ser extenção da minha família. E poderia ser outro. 

Se o fato de congregar numa igreja te tira a liberdade, o erro está na sua postura. Se o fato de estar fora da instituição te faz sentir-se livre, você não entendeu que o que te fez livre, foi o preço de sangue pago em seu resgate. Você continua preso às rédeas de seus preconceitos.

Conheço muitas pessoas que se iludem com essa "liberdade" e perdem a paz, sentem-se vazias, desamparadas, atordoadas num labirinto sem solução. Isso é resquício do que a religiosidade fez com você, quando disseram que uma vez longe da instituição, você seria um desviado, um perdido, um sem rumo. O que você não percebeu, é que está preso pelo inconsciênte, porque creditou à instituição e não à Cristo a sua paz.

Se de fato você está convicto do que recebeu, não fará diferença estar ou não na lista do rol de membros de qualquer congregação. Te bastará saber que do Livro da Vida, ninguém te riscará.

Fato, é que a vida cristã não pode ficar estática. Você olha para trás e precisa ver que algo mudou, pois se não houve crescimento, possivelmente seu encontro com Jesus ainda não tenha acontecido. 

Antes de militar contra uma instituição, desenterre seu talento e faça discípulos. Mas não se iluda, onde se reúnem dois ou três ao Nome de Jesus, é Igreja. Mas também é garantia de problemas e divergências.

sábado, 28 de julho de 2012

O mundo

João 15

18 Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim.
19 Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.


Baseados neste e em muitos outros versículos, a maioria dos cristãos interpretam que devem levar uma vida distinta dos "incrédulos". Que não devem frequentar os mesmos lugares, que não devem fazer as mesmas coisas, que sequer devem escutar as mesmas músicas, usar as mesmas roupas, etc. Consequentemente, criaram um mercado próprio, com coisas adequadas à eles, para que não precisassem mais se envolver com as coisas "do mundo". Um mercado oportunista, fantasiado de edificação, que com raras exceções acrescentam para o crescimento do cristão, mas quase sempre fecham sua mente dentro da religiosidade.

Não é novidade pra ninguém, eu acho, que não sou consumidora de produtos gospeis. Não escolho escutar músicas evangélicas, a não ser que esteja num ambiente como uma igreja por exemplo. Nem objetos, nem livros, nem nada que se venda em nome de Deus. Primeiro porque entendo que devemos dar de graça aquilo o que recebemos de graça, por isso não vou compactuar com o enriquecimento de ninguém que use o nome de Jesus. 

Segundo, porque o que entendo daquele episódio, onde Jesus se irou contra os vendilhões do Templo, expulsando todos dali, tanto os que vendiam, quanto os que compravam por estarem profanando o Sagrado, é que a atitude dele seria a mesma hoje, quando visse cristãos idolatrando cristãos, com direito inclusive à autógrafos e fotos. Ou usando o nome de Deus para vender roupas, objetos e toda sorte de coisas destinadas a quem acha que está no mundo, mas não deve consumir as coisas do mundo.

O que deve nos reger, é o bom senso de ecolher coisas condizentes com a vida que levamos e isso é algo que ninguém precisa nos dizer, basta discernimento. Além do que, não existe música sagrada e música do mundo. Existe música boa e música ruim em todos os segmentos.

Mas o motivo do post é sugerir uma outra interpretação para "o mundo".
Primeiro, vamos relembrar que Jesus andava com pecadores, se assentava com eles, dormia em suas casas, estava inserido no todo e jamais discriminou ninguém que o quisesse tocar, falar, aprender, pedir, enfim. Jesus não estava muito aí pra moral religiosa daquela época.

Sabemos que quando o Evangelho nos alcança, há uma mudança de mente. Paulo usa a metáfora do Corpo, para que entendêssemos que agora somos um, que cada um tem sua função no organismo chamado Igreja, que apesar de diferentes, nos completamos. Há um que é o Cabeça, Cristo. Cabeça, porque a mente é dele e nós o seguimos. É Jesus quem nos ensina a caminhar segundo a vontade de Deus. Portanto, a figura da Igreja, nada mais é, do que o espírito moldado segundo o Espírito.

Por esse prisma, "o mundo", nada mais é do que o espírito que não foi alcançado por uma mudança de mente, portanto continua escravizado ao seu egoísmo, à sua cegueira, à sua morte.

Logo, há gente dentro das igrejas, que congregam há anos e que estão no mundo, porque não são orientadas pela mente de Cristo. Em contrapartida, há gente que não congrega em prédios, templos, mas vivem o amor à Deus e aos seus semelhantes, logo cumpriram a lei de Cristo, fazem parte do Corpo.

Não é possível um outro tipo de vida, que não seja experimentado pelos nossos sentidos e se estamos aqui neste mundo, só é possível viver no mundo. O que não implica necessariamente, nos conformar com o sistema que rege o mundo, o pensamento comum, o espírito do mundo, seus conceitos.

Você eu não sei, mas falando por mim, não me arrependo de conhecer as coisas que conheci, os lugares que frequentei, as pessoas de religiões diversas que me relacionei. A culpa não conhece meu endereço.

Ser cristão é uma postura na vida, tomada por quem tem convicção e sabe em quem tem crido. E se há um lugar onde nossa luz pode brilhar, é bem no meio das trevas. Nossa postura tem que ser semelhante a de Jesus, o Lírio dos Vales, que permaneceu incontaminado, estando no meio da lama.

Estamos no mundo, mas somos guiados pela mente de Jesus. E assim como ele, podemos usufruir de tudo o que nos cerca, na liberdade que ele mesmo nos deu.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sobre fanatismos

Muito se fala sobre o fanatismo religioso, sobre as distorções religiosas, mas hoje quero chamar a atenção para um outro tipo de fanatismo que está cada vez mais evidente.

Como sei se corro o risco de ser um fanático? Quando os laços de amor são subjugados pelas ideologias que defendo. Quando o que o outro sente, me importa menos do que a defesa da minha verdade. Isso acontece tanto com os fanáticos religiosos, que não toleram os outros grupos, quanto com os que se revoltam contra a institucionalização da Igreja e deixam de perceber, que estamos tratando de vidas, de amigos, de pessoas que o Evangelho libertou e portanto podem fazer suas escolhas, inclusive a de congregar em templos e ainda assim, serem respeitadas.

Alguns líderes que fomentam essa antipatia, não mencionam o tempo em que estiveram pendurados nas tetas institucionais, gozando de privilégios e sendo tratados como celebridades. Pra que denunciar nessa época, todos os erros onde eram coniventes? Mas bastou que em algum dia, fossem  tratados com a mesma intolerância, preconceito e covardia como qualquer outro pecador, para usarem o mesmo poder de persuasão que tinham antes, para a causa inversa. 

Estão na Graça? Talvez. Mas por que a dificuldade de perdoar seus antigos coniventes? Qual o movimento deles? Vingança. Jogar no ventilador os erros dos outros, como se isto amenizasse os seus próprios erros. Mistificam os próprios pecados, relativizam o ensino de Jesus, para que o Evangelho lhes sirva.

Ou perpetuam um discurso de auto-comiseração, lamentando serem uns excluídos, uns coitados, uns odiados pelos religiosos. Uma síndrome de Messias mal ressuscitado que nunca os deixa livres.

Não; Um homem, qualquer que seja ele, mesmo esses que se dispõem a conduzir rebanhos, sempre estarão imersos em sua humanidade e volta e meia suas feridas latejarão, suas mágos borbulharão até transbordar pela boca.

Reconheço, leio e concordo com muitas de suas ideias, mas não assimilo bem o fato de seus seguidores ganharem o mesmo esteriótipo arrogante, grosseiro e magoado, ao invés de seguirem o exemplo manso e humilde de Jesus.

Líder pra mim é Jesus, o Cristo. Verdade pra mim é o próprio, que à si mesmo denominou assim. É Ele quem vai à minha frente.

Não estou aqui pra defender religião alguma. Muito menos para atacar quem pensa diferente de mim. Estou aqui para acolher e amar a quem quer que seja, para se possível ir junto, no caminho do bem.

As minhas escolhas sou eu quem faço e talvez a sua verdade não sirva pra mim. Ainda assim, no amor, somos UM.

sábado, 14 de julho de 2012

Carnal ou espiritual?

A Bíblia diz que a carne milita contra o espírito e o espírito contra a carne e o resultado desta peleja, resulta na forma como lidamos com o sagrado. Ou nos tornamos espirituais, ou carnais, de acordo com o nosso lado que prevalesce.

Essa luta se dá, por uma guerra de vontades. A de Deus, que é boa, Perfeita e Agradável e a nossa, que conspira contra nós mesmos, apesar da ilusão de liberdade.

Antes, vou falar um pouco sobre as três partes que formam o homem: corpo, alma e espírito, pra nossa conversa fluir melhor.

O corpo pelo que entendo, é apenas um instrumento para que a vontade que prevalecer, realize suas obras na parte física. É frágil, não peca e não tem vontades. O corpo em si, é apenas matéria, é involuntário, seu funcionamento é fisiológico e o natural é que funcione plenamente. Qualquer disfunção é sinal de doença física. Portanto, ele leva a culpa pelo entendimento equivocado de alguns líderes evangélicos, que o confundem com a metáfora bíblica, que chama de "carne", todo homem centrado em si mesmo, ou seja, em sua vontade, sua alma. Ele é carne, porque é perecível. E para não perecer, precisa da intervenção de Deus. O homem carnal, na verdade, é um homem almático.

Isso, porque é na alma que o pecado é concebido e gerado. Lá habitam nossas concupiscências, estas que precisam ser mortificadas. E cabe a cada homem a decisão de mortificá-las. Como? Buscando a espiritualidade, porque das partes que formam o homem, o espírito é a única que está em seu estado definitivo. Ele está pronto.

Todas as características que nos dão o status de indivíduos, estão na alma. Ela é como um banco de dados, onde está registrado tudo o que somos, pensamos, desejamos e sentimos. Por isso, ela não é nossa "parte inimiga", ela é nosso ser. O que acontece, é que a alma é extremamente egocêntrica. Ela anseia por satisfação, tem sede de prevalecer, ainda que isso possa ferir o outro. Não está pronta. Ela agrega ou elimina coisas o tempo todo, modificando nosso caráter diante da vida.

A paixão, por exemplo, é almática. Uma pessoa movida por paixão, sofre um descontrole de seus sentimentos e atos. É uma espécie de deformidade que atinge a alma e a faz sofrer por atingir seu lado mais egocêntrico, aquele que deseja subjugar o outro e persuadí-lo a nos atender nas nossas vontades. O ego visa sempre a auto-satisfação e sofre muito se é negado. Por isso o sofrimento da alma é tão comum. A maioria das pessoas são almáticas e não espirituais. E quando uma alma está adoecida, ela manifesta doenças no corpo.

O espírito é o sopro de Deus que vivifica o homem. É como um empréstimo que volta pro Dono quando morremos. Mas enquanto estamos aqui, é o fio condutor, o canal que nos liga à Deus. É no espírito que captamos o sagrado, é no espírito que o Espírito de Deus escolheu morar e é lá que seu fruto tem crescimento. Alí percebemos a fé, o amor e temos senso de não sermos sós, fazemos parte de um todo. O espírito não é como a alma, que enxerga a vida à partir do ego. Ele se enxerga no Corpo e sabe que tem um que é o cabeça.

É por meio do espírito, que somos movidos na direção do outro. Alí, somos impulsionados a nos negar e renunciar em favor de um grupo inteiro. O amor é espiritual, por isso não busca o próprio bem, antes é doador. É entrega, é renúncia e sofre com a dor do outro porque é misericordioso, isto é, se coloca no coração do outro. Deus é amor, pois é Espírito. Amor portanto, não é sentimento, mas atributo de Deus no homem. E é privilégio de  alguns que conseguem se desprender da parte egocêntrica da alma. E nada é melhor para uma criatura, que estar sintonizada ao seu Criador e para o propósito Dele para tê-la criado.

Se por um lado o homem carnal deseja prevalecer, o homem espiritual tem intimidade com o perdão. O homem carnal é movido pelas próprias paixões, o espiritual sabe que as coordenadas são dadas por um Mestre. O motivo da paz de um homem espiritual, não está nas circunstâncias, mas em sua esperança.

Uma alma bem orientada, não precisa entrar em formas. Temos características próprias e positivas, que favorecem o funcionamento do todo. Cada indivíduo é diferente, mas pode viver em plena integração. Basta que ela aprenda a discernir entre o impulso que a escraviza ao ego e são destrutíveis em sua integridade e os que a tornam única e portanto, positivas.

Um homem com "mal contato" com seu espírito, fica prejudicado na assimilação do amor, da fé, não há intuição, não há inspiração para a vida, para a comunhão, para a troca. Não há esperança. Ele passa pela vida mergulhado em sua confusão. Um homem espiritual, sabe o material de que é feito, tem consciência de sua alma e de tudo o que o prejudica. A diferença, é  que ele pode dizer "não" à si mesmo, negar-se. O homem espiritual também sofre, mas não está centrado em suas causas egoístas. Sabe que o propósito para todas as coisas, é o bem global. Tem seu fardo, mas é leve. Tem seu jugo, mas é suave.

Mas da mesma forma que um homem almático está com um mal contato que o prejudica a entrar em sintonia com o invisível, o homem espiritual não pode perder o contato com sua individuação, ou também entrará em crise. Ele precisa perceber a vida através de seus sentidos. Mente no alto e pés no chão.
 
O funcionamento pleno de tudo o que nos forma, depende apenas de uma boa orientação. E nada melhor para nos orientar na vida, que o Autor da Vida.







terça-feira, 10 de julho de 2012

Sobre a caminhada cristã

Estava lendo um exercício do curso que estou fazendo na igreja, onde a missionária sugere o diário de um cão e o de um gato, para que cada aluno identifique sua postura diante da vida cristã. é mais ou menos assim:

Cão

8:00 Oba, ração--- gosto muito disso
9:30 Oba, um passeio de carro --- gosto muito disso
9:40 Oba, uma caminhada --- gosto muito disso
... e assim por diante.

Gato

Dia 283 no cativeiro. Meus sequestradores insistem em zombar de mim, balançando uns objetos pequenos e estranhos. Enquanto eles comem carne fresca, sou forçado a comer cereais secos. Só aguento isso por causa da esperança de escapar e da leve satisfação que tenho em destruir alguns móveis.
... e assim por diante.

E aí, como vocês já me conhecem, minha mente começou a borbulhar de ideias, coisas que provavelmente vou compartilhar amanhã, segunda semana do curso.

Nem a visão romântica do cão, que acha tudo perfeito e agradável, nem a visão murmuradora do gato, que acha que o mundo inteiro conspira contra ele.

Minha postura diante da vida é assimilar tanto o dia bom, quanto o dia mal, como necessários pro meu crescimento e proximidade com Deus.

Minhas dificuldades existem para que eu aprenda a confiar em Deus e depender Dele. Os momentos agradáveis, para que eu tenha sempre um coração grato. Vivemos o tempo da fartura e o da escassês, temos o dia de rir e o tempo de lamentar, porque precisamos desses parâmetros.

Se eu não soubesse o que é a morte, se não tivesse vivenciado o dia da perda, como assimilaria o sacrifício na Cruz? Se não soubesse o que é uma perseguição, abandono, traição, como entenderia o que Jesus sentiu no meu lugar? E se tudo nesta vida fosse maravilhoso como a visão romanceada do cão, por que eu guardaria a esperança na perfeição do porvir?

Quando leio que Jesus levou sobre si a minha dor, o que vem à minha mente, não é que estou isenta de sofrer. Mas a certeza de que seja lá que tipo de dor eu venha sentir, ele sentiu. Com a diferença de que sofro como consequência das minhas escolhas, mas ele, pura e simplesmente pela causa humana, por amor à nós.

Logo, entendo que a maturidade espiritual, não é negar que hajam  contingências, é justamente tirar de cada dia o seu valor e usá-lo como experiência. 

Como um pai que ensina o filho a andar de bicicleta e o vê caindo várias vezes, se machucando e tem compaixão dizendo: "tentamos numa outra oportunidade". Creio que assim é Deus, quando atende à um pedido de socorro. Ele livra, mas a prova virá em outro tempo, porque Ele nos quer emancipados. Geralmente o cristão quer ser abduzido do meio do problema. Eu creio que cada dificuldade tem seu propósito.

Quando pedimos a Deus sabedoria, fé, paciência, geralmente imaginamos uma chuvinha invisível de virtudes, que nos tornará de uma hora pra outra diferentes. Mas não é  assim que acontece. 

Se pedimos fé, sabedoria, disponibilidade para perdoar, somos provados com situações que vão mostrar se estamos mesmo buscando o que pedimos. Surgirão oportunidades para perdoar, para usar a fé ou para exercitar a sabedoria e geralmente chamamos essas situações de problemas. Assim se cresce na graça: vivendo.

Alguns cristãos pensam que as provações mostrarão quem somos a Deus. Mas o fato é que Ele sonda e esquadrinha corações e sabe perfeitamente o que somos. As provas portanto, servem para nos mostrar nossa condição à nós mesmos. Assim, tomamos consciência das nossas fraquezas, imaturidade e pequenez.

E à medida que caminhamos e mudamos nossa postura, entendemos enfim, que é nossa própria carne quem conspira contra nós e não inimigos externos.

Entender que a vida é inconstante, não é falta de fé, mas certeza de que seja lá em que circunstância for, seja o dia de rir ou o dia de chorar, tudo vai sempre cooperar pro nosso bem.

sábado, 30 de junho de 2012

Antes, amar.

Compreendo perfeitamente o quanto se sente ludibriada, a pessoa que foi manipulada pelo sistema religioso institucional. Depois de uma vida dedicada à religiosidade e às regras humanas, com um pouco mais de afinco nos estudos bíblicos, é possível identificar a enorme quantidade de entulhos gospeis e enxertos.

O que não concordo, é que violentem pessoas de boa fé, com discursos arrogantes e cheios de mágoa, empurrando verdades garganta adentro.  Isso é violentá-las, sem se dar conta se estão ou não preparadas para uma decepção tão grande, já que a fé é algo bem íntimo. É como socar feijoada num recém nascido. Longe de ser amor, isso é crueldade.

É preciso delicadeza para sugerir novas possibilidades. Se queremos contribuir com o crescimento do Reino, o anúncio da Boa Nova, temos que ser mansos como Jesus. 

Me importa menos desmascarar líderes e sistemas, do que amortecer a dor do meu próximo, de forma que as decepções não os transforme em gente desiludida.  E percam a fé na Graça de Deus por consequência da desumanidade desses que saem para apedrejar do lado de fora. Se vingam porque não amam. São vândalos e não revolucionários.

Quero me aproximar das pessoas, e na medida que se interessem pelo que tenho a dizer, direi. E se não se interessarem, as amarei como Jesus amou, sem acepções. Respeitando sua imaturidade, mas plantando sempre a semente do amor. Para que no tempo delas, germinem. 

E está se tornando corriqueiro isso, de tentar trazer os revoltados à consciência, de que não é fazendo o mal inconsequentemente, que vão de uma hora pra outra, mudar o erro estabelecido. Mas com posturas e ideias, é possível sim, ser luzeiros na vida de alguns.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sem acepções

Há um tempo atrás, uma amiga me pediu ajuda em oração e enquanto ela se justificava, fui incapaz de pronunciar palavra. Depois que o irmão começou a namorar, se afastou da família e ela dizia: "Tenho orado no sentido dele abrir os olhos e se decepcionar ao ponto de não restar nem amizade". E eu, atônita com tanta frieza, ainda tentei sem sucesso, dizer que Deus não a ouviria e que o certo seria ela desejar uma mudança positiva na vida da moça, de forma que a harmonia voltasse para a família.

Num outro caso, um moço tenta me convencer que sua mãe tem revelações da parte de Deus e que estas mudam a atitude dela e a de sua família. Para mim, esse tipo de coisa só contribui como alimento para a arrogância de sentir-se mais santo, mais ungido, mais espiritual que os outros. E claro, um pretexto e tanto para manipular as pessoas. Bastaria que conhecessem a Bíblia e com a ajuda do Espírito assimilassem, afinal, não precisamos de novas revelações além das que estão contidas alí. No que tange à experiência de cada um com Deus, se dá no chão da vida, dos sentidos, dos encontros. Não precisamos de revelações sobrenaturais para entender coisas óbvias. Entendam que creio que Deus tudo pode, mas sou contra essas banalizações do que para mim, é sagrado. Além de não acreditar em privilégios concedidos à quem é tão carne quanto qualquer outro. Não depois de estar TUDO consumado.

Essa semana sugeri num post no facebook uma auto-análise para avaliarmos se sustentamos nossos discursos com atitudes. E isso serviu de pretexto para duas irmãs lavarem roupa suja na minha página. O desejo que Deus castigue, condene, que essas pessoas sejam desmascaradas era gritante das duas partes.

E hoje o motorista lamentava com a cobradora: "Deus conhece o meu coração! Se eu ganhasse essa cesta, ajudaria as pessoas, mas olha a vida do "fulano", o que ele vai fazer com ela?"

E eu daqui da minha insignificância, olhava a paisagem lá fora e fazia contato com meu próprio egoísmo. Quantas vezes já amaldiçoei quem desejou meu mal, quem investiu contra mim, quem me feriu e desejei que Deus fizesse justiça por mim? Glória à Deus, que amou tanto à mim quanto à essas pessoas, justamente por conhecer meu coração, não deu trela pra ele :P

Para Ele, tanto o desejo mal que as dominou em determinado momento, quanto meu desejo de vingança, são a mesma coisa, nos põe no mesmo patamar. E Sua misericórdia, cobriu tanto à eles, quanto à mim.

Graças a Deus ainda consigo reconhecer meus tropeços e saber que o preço de quem amo foi pago, mas também o dos que não quero amar. Não há acepção, não há privilégios neste lugar, além deste de ter crido na Boa Nova. 

Na fé, encontramos força para não deixar que o Sol se ponha sobre nossa ira.

Reconhecer nossa condição, é o caminho para a tolerância, a renúncia, o perdão e finalmente o AMOR.

sábado, 9 de junho de 2012

Deus nos homens



Estava pensando. Se não houvesse uma Palavra revelada, expondo a vontade de Deus para a humanidade, ainda assim Deus falaria à Sua criação.

Tudo o que vem a existir, tem em si as digitais do seu criador, seus sentimentos e desejos, ainda que não corresponda a toda a sua expectativa, tem a essência do seu criador. Por que seria diferente com a criação divina?

Imagino que o corpo (instrumento) do homem foi formado e com ele o ser (alma). Toda a sua individuação estava alí em potencial e o sopro de vida (espírito) acrescentou no homem a presença do Criador. Não há uma criatura sequer, que não carregue em si a energia de Deus, o sopro e a essência de Deus por meio de seu fôlego.

É nisso que creio, quando lembro que Jesus disse que apesar da carne ser fraca, o espírito estava pronto. Na verdade, o que está pronto não pertence ao homem. O espírito é o fôlego de Deus, que se retira de nós e volta pra Ele quando morremos. Mas enquanto vivemos, é este o canal que nos liga. É por meio do espírito que percebemos a fé, o amor, a contemplação do belo e desenvolvemos o fruto do Espírito até que esteja pronto a ser nosso alimento espiritual.

Por esse prisma, não há sequer um homem que não perceba Deus, pois todos tem um espírito dado por Ele. Ainda que uma cultura diferente, molde o entendimento deste homem em outra direção, ele ainda será capaz de perceber o amor e conhecer a vontade de Deus, por meio do espírito.

O que a cultura molda, é a alma. O espírito está pronto. O corpo é apenas o instrumento que nos possibilita realizar ações. Ele mesmo nada deseja e não peca. A concupiscência do homem, está em sua alma.

Então, cada povo, língua e nação, apesar de não conhecer a cultura cristã, ainda tem a essência de Deus advinda do Sopro de vida.

Mesmo os ateus, aqueles que negam a existência de Deus. Quando conversamos com eles, os argumentos são sempre direcionados à injustiça dos homens, à desigualdade no mundo, as catástroferes inexplicáveis, enfim, claramente percebemos, que o que eles rejeitam não é Deus, mas as caricaturas do deus criado por cada homem. Negam com a mente, porque não assimilam o Deus que percebem, com o deus apresentado pela ortodoxia.

Deus é Mistério. Ainda que haja uma revelação, ela é apenas o que podemos suportar Dele e ainda assim, cada homem a enxergará por um ângulo, de acordo com o suporte que sua própria alma lhe dará. São seus anseios e angústias que formará um deus à sua imagem e semelhança.

Conhecemos muitos cristãos que tem em Jesus, o seu vingador pessoal, ou aquele que está o tempo inteiro preocupado em satisfazer os desejos e necessidades dos seus súditos. Tudo indica que sejam manifestações de egocentrismo e não do AMOR, que deveria moldar a vida de todo aquele que a Graça alcançou.

Uma pessoa liberta dos costumes deste mundo, há de imaginar que Deus não está mais ocupado com a conta bancária dela, do que com o miserável que come lixo. É sempre a mesma tecla: o ego destrói o que o Amor deseja construir.

Creio sinceramente que o Espírito de Deus foi derramado sobre toda carne, pois é isso o que a revelação bíblica garante. E que apesar das religiões separarem os homens em grupos que digladiam entre si, o Deus que vivifica um, faz o mesmo pelo outro e sem acepção.

E possuir uma Bíblia em casa, não garante a ninguém um espírito em sintonia com o Amor. Da mesma forma que vemos manifestações de amor por todo o mundo. E não me consta que haja outra fonte do Amor, senão Deus, o Criador de todas as coisas.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Metanóia

A Obra Redentora foi consumada dentro do tempo, quando Cristo expirou na Cruz. Mas não, a Graça não tem 2012 anos. O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo (Ap 13:8). Antes que houvesse homem e pecado, já havia o Amor, já havia a Porta da Redenção. E antes da consumação do sacrifício de Jesus, muitos foram justificados Nele, pela fé.

Além do equívoco de fatiar o tempo, separamos a fé em dispensações e isso facilita uma confusão muito comum no meio cristão. Apesar do Sacerdócio de Cristo ter entrado em vigor após a ab-rogação da Lei Mosaica, a Graça é espiritual e atemporal.

A metáfora do Oleiro, sugere que o Senhor trabalha na vida de cada homem de forma artesanal, individual. Não somos robôs agindo em série, cada um vive num ritmo e todos somos filhos amados, recebendo atenção minuciosa, de acordo com as necessidades de aperfeiçoamento de nossa alma.

Portanto, a Graça chega na vida de cada homem, à medida que este homem decide passar pela Porta. Antes disso, ele está sob a Lei.

Sim, dentro do tempo tudo está consumado. Mas dentro de cada coração, a decisão é singular. Ela acontecerá no momento da conversão da mente. Mudança que marca o nascimento de uma nova postura, uma nova realidade de vida. Não é uma condição, mas uma consequência natural na mente do que crê.

O que temos visto, é um grupo de pessoas que erram deliberadamente, afirmando que a Graça absolve a culpa e já não vivemos mais na Lei. Mas a consciência cauterizada é diferente da absolvição da culpa proposta pelo Evangelho. Não há perdão sem arrependimento.

O preço está pago, mas sem fé, é impossível reconhecer e assimilar a voz do Bom Pastor.

Desde o antigo testamento, Deus nunca desejou holocaustos e sacrifícios vazios de sentimentos. Eles deveriam ser precedidos por contritamento e quebrantamento de espírito. Assim é hoje em nossas vidas. Qual a serventia de tantos discursos que valorizam o próprio ventre, se os corações não se voltam para Deus, se as pessoas já não se reconhecem como são?

O homem que nega suas próprias responsabilidades, usando Cristo como bode expiatório, não o viu como Cordeiro de Deus. Não há fé sem metanóia. Não há conserto sem a proposta de um recomeço. Novidade de vida.

Assim, os que perseveram no mal menosprezando a Lei, continuam debaixo dela. A Lei não é má, ela apenas denuncia quem somos. A Lei serviu para mostrar ao homem, sua incapacidade de se justificar por obras. Ela revela a condição humana. A necessidade do Salvador.

Não há meio de viver na Graça, se não for pela intimidade em andar com Cristo, o Amor. O Reino de Deus é hoje e está dentro de quem aceitou e amou a Boa Nova.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Contradições

Por pura misericórdia, Deus tem me usado como canal para levar outras pessoas a refletirem sobre suas mazelas. São palavras que na maioria das vezes, latejam e fluem de mim, mas não são exatamente minhas.

Não poucas vezes, eu mesma sou confrontada com elas. Elas trazem à tona minhas próprias dores e misérias. Elas desenterram gritos e gemidos que insistem em se esconder na minha alma.

Não há ser  humano que não se contradiga em algum momento. Não há homem que não depare com a dor de existir e ser o que é.

Mas no Reino de Deus, é pra cima que se cai.  Essa ferida só vai sarar, depois que o carnegão sair. Que doa até o último gemido, mas que a ferida se feche.

Reconhecer minha incompletude e desespero, me torna cada vez mais dependente e entregue à quem pode me resgatar.

Na verdade, me permito chorar e urrar de dor, nos braços do único que se importa em secar minhas lágrimas, sem sombra alguma de acusação. Ele apenas me ama. Apenas me aperta forte em seu peito largo.

sábado, 26 de maio de 2012

Sede santos, como eu sou santo

Em 1Pe1:16, Pedro citou as Escrituras, aconselhando os cristãos à uma vida separada. 
No Velho Testamento, o lugar santo, era o separado dos outros, para a adoração, o dia santo, sábado, era separado por causa do Senhor. Os objetos santos eram de uso exclusivo no templo, enfim, algo santificado, é algo consagrado para o uso de Deus, separado das coisas comuns.

A religião distorce o sentido da santidade, da separação, da consagração, colocando nos lombos do homem, uma carga deveras difícil de se carregar. Dão a conotação de perfeição à esta separação, frustrando cristãos sinceros e alimentando sentimento de culpa.

Jesus foi santo. A Razão de sua vinda era justamente o propósito do Pai de oferecer o sacrifício Perfeito pelo resgate de muitos. Ele foi fiel até o fim e portanto digno de ser ressuscitado, cumprindo Nele o que cabia a nós.

Muitos cristãos gostam de dar ênfase ao sofrimento de Jesus, contar quantas pontas tinham o açoite, quantos espinhos na coroa, falam com ímpeto que Jesus derramou até a última gota de sangue, enfim, supervalorizam a dor, como se ela fosse o que validou o sacrifício. Se todos esses pormenores fossem importantes, haveria um livro inteiro apenas para descrevê-los, mas não são.

A própria Bíblia narra a história de uma mulher, esposa  de profeta, que além de ser estuprada e assassinada, foi também esquartejada pelo marido como ato de seu protesto e cada parte sua, enviada às doze tribos de Israel. Certamente uma morte muito terrível, porém, sem valor redentor.

O que valida o sacrifício de Jesus, é sua Perfeição. O fato de não ter pecado, apesar de andar num meio corrompido. O Lírio dos vales, que permanece alvo no meio da lama. E por causa de sua Perfeição, ressuscitou glorificado, digno de ser nosso Mediador.

Conheci um cristão que disse: "Mesmo que Jesus não tenha ressuscitado, eu creio nele". Provavelmente esse moço, não tenha entendido nada até agora. Pois se Jesus não ressuscitou, sua morte foi em vão, não serviu para nos justificar. E esta história tem tanta validade quando a de Cinderela. 

Mas se Jesus ressuscitou, significa que o Cordeiro foi Perfeito e aceito como expiação de nossa culpa. Como sabemos disso? Mediante a fé. É o Espírito Santo que testifica em nós todas essas coisas.

Quando o Senhor diz "Sede santos, como eu sou santo", está dizendo "Escolha ser instrumento, seja usado para as coisas do Reino, aceite ser moldado pela voz doce do meu Espírito, seja separado das coisas comuns".

Se a religião te impõe algo insustentável, algo que certamente sua condição humana tornará impossível, não se aflija! A santidade vem do Santo Deus. Fomos criados para luzir a santidade de Deus para o mundo, espelhar o caráter de Cristo. E quem começou a boa obra, é fiel para concluir. Descanse nisso e apenas busque boas escolhas.

Um adendo para expor uma teoria: imagino que  a "fofoca" seja algo tão comum em comunidades evangélicas justamente porque a frustração de não alcançar a utopia de perfeição, faz com que a pessoa sinta a necessidade de denunciar o erro dos outros, aliviando assim sua própria incapacidade. Ou seja, é danosa essa imposição e muito infrutífera.

Tão somente tenhamos essa consciência de separação por meio de Cristo, para escolher sempre a Boa, Perfeita e Agradável Vontade do nosso Deus. A santidade produz em nós refrigério, enquanto escolher o ambiente do pecado, nos enche de desconforto. Mas saber que estamos sujeitos a obedecer nossa carne é necessário para entender que quem nos justifica é a Perfeição de Cristo e não nossas próprias obras.

sábado, 19 de maio de 2012

Desprendimento

Estava lendo um texto muito interessante do meu amigo Júlio Diniz http://www.quartododesejo.com/2012/05/bonanca-nao-vira.html sobre a morte e como lidar com ela.

Ainda ontem, estava meditando sobre a efemeridade da vida e no movimento que as pessoas fazem, ao correrem atrás do vento, tentando acumular coisas e pessoas, tentando alcançar seus pódiuns, vencer, conquistar, crescer, ser...

A morte é uma realidade, que nos coloca frente a frente com nossa condição. A de não ser e apenas estar dentro do tempo, até o dia que isso é retirado de nós, querendo ou não. Seja lá qual for nossa fé, um dia seremos talvez lembranças pra quem fica.

Logo, toda essa correria em busca de realização, é mero desespero. A morte não escolhe gênero, idade, posição social. Ela é a única certeza que temos, apesar da incerteza de quando será.

E enquanto o corpo quer o crescimento, a caminhada cristã sugere o inverso: o decrescimento. Convém à alma diminuir, para que cresça a presença de Deus em nossas vidas. Um vaso cheio, não deixa espaço para receber azeite. Quanto mais cheios de nós, de coisas, de ocupações, menos disposição para assimilar o que vem do Alto.

As pessoas buscam o crescimento, as conquistas, todos querem vencer na vida. Tudo o que eu quero é decrescer, diminuir, me esvaziar de mim. Quero não querer.

Assim, talvez quando for minha vez de partir, as lembranças que ficarão, serão a de um abraço, um sorriso, um auxílio, uma boa palavra... 

Nada  na minha vida aconteceu de forma convencional. Sempre senti que não sou deste mundo e as coisas do mundo, as que a maioria das pessoas lutam pra ter, sempre me pareceram pequenas demais. Cheguei  a uma conclusão: Deus não me deu uma família, me deu todas. Não sou um indivíduo, sou o mundo que Ele  amou. O que passa pelas minhas mãos, não é meu, mas está sob minha administração. Assim, cabe a  mim usar de forma que beneficie os outros também.

Desprendimento. Acho que a consciência de que tudo é efêmero, reaviva em nós a esperança no que há de vir. Estamos nessa dimensão para deixar de ser. Matar o ego, para conseguir viver o amor.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Acolhei ao débil na fé

A gente lida com coisas bem bizarras no meio gospel. Eu, me limito a observar e silenciar, desde que não se deturpe a mensagem bíblica.

Condenar o débil na fé por necessitar de amuletos, canais para vivenciar a divindade, é o mesmo que escarnecer de alguém que precise de prótese.

A falta de sensibilidade para lidar com a superficialidade do outro, já é indício de superficialidade. É como rir do olho de vidro, enquanto arrasta um andador.

É sensato dizer que um cadeirante está se locomovendo errado? Não seria esta a única forma que ele dispõe para ir e vir?

Da mesma forma, não se empurra feijoada boca à dentro, de um bebê lactante. Ou se comete uma monstruosidade.

Continuo achando, que Deus se revela a cada homem de forma distinta, usando a essência desse homem como canal. Somos diferentes. Mas é fato que reconhecemos nossos iguais.

O erro é a arrogância de achar que nossa forma de perceber o mistério é o correto e todos os outros, equívocos.

Cada homem percebe de Deus, o que suporta.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Família: amor ou ego

Na congregação, estamos no período do ano que mais gostamos, porque é quando separamos o mês para visitar as famílias da Igreja, orando especificamente e estreitando a comunhão. É sempre muito gratificante e crescemos muito estudando temas sobre a família e aprendendo com as experiências dos irmãos.

E como Deus me deu o texto anterior para compartilhar com os irmãos ontem, eu ainda não tinha entendido bem a relação entre o ego X amor dentro da Igreja e a relação que este assunto tinha com a família. Só ontem Deus me deu o restante da reflexão e eu percebi, que a Igreja, é uma família amplificada ou a família, uma miniatura da Igreja.

A família é uma instituição, que representa a Igreja de Cristo, onde o marido é o cabeça, a esposa sua cooperadora, auxiliar e os filhos são como os cristãos que seguem sob orientação e bom exemplo do pai.

O marido, deve amar sua esposa, ao ponto de se dar por ela. Autoritarismo, orgulho, tirania, não são atributos do amor. Não é possível amar sem renúncia. Tem homens que casam e acham que ganharam uma serva, mas a postura de Jesus com relação à Noiva é outra: Ele se deu por amor à ela, para que ela fosse verdadeiramente livre.

A esposa deve ser submissa ao marido, por questão de ordem na família, para que não hajam choques de ideias que prejudiquem a harmonia do lar. Não é possível ser submissa a quem não se ama. Num contexto amplificado, Jesus amou a Igreja, se deu por ela e EM RESPOSTA a esse amor que recebeu primeiro, a Igreja coopera com a expansão do Reino. A mulher é auxiliar do marido, em resposta ao seu amor.

Os filhos, devem respeito e honra aos pais. Não é possível a obediência e a reverência sem amor. Filhos rebeldes, irreverentes, afrontadores, estão mais centrados no ego, do que no amor.

Os pais, devem conduzir os filhos, sem provocá-los a ira. Devem entender que autoridade, não está vinculada à ditadura, pois até o Deus Soberano, nos dotou de livre arbítrio, para que escolhamos obedecer, por amor.

Na parábola do filho pródigo, entendemos que deixar ir, também é amor, porque as experiências ensinam mais que teorias. Na parábola, podemos observar que o filho que vai, volta convertido, reconhecendo sua real condição, enquanto o que ficou, continuou egoísta, ciumento, enfurecido com a misericórdia do pai.

E da mesma forma, que no texto anterior, enfatizamos que o ego tem o poder de distorcer, deturpar o verdadeiro Evangelho, em detrimento ao amor, que deve reger todas as nossas ações, o mesmo ego também distorce o sentido da família, inverte papéis e às vezes coloca ponto final, porque só o amor é eterno.

Lembrem-se que o diabo já foi vencido na Cruz. Hoje, nosso maior inimigo é nosso próprio ego. É ele quem tem o poder de distorcer o sentido de todas as coisas, quando o amor se esfria.

sábado, 5 de maio de 2012

O Evangelho de Cristo e os outros

Do início ao fim, a narrativa bíblica trata da disputa entre ego e amor. E o vencedor, é o que consegue renunciar à própria carne, para amar.
 
A matemática é simples: Quanto mais quero pra mim, menos penso no outro. Se me nego em favor do outro, estou exercitando amor. Numa pessoa cheia de si, não cabe mais ninguém.
 
A Lei de Cristo é o amor. À Deus acima de tudo, porque assim saimos do centro e ao próximo como à nós mesmos, para conseguir ser UM com o outro.
 
- Adão: a Serpente não fez outra coisa, senão despertar o ego de Adão, que já havia. Ela não criou o mal, ela não fez a concupiscência brotar na alma dele, ela apenas o seduziu com a ideia de ser "igual a Deus". Adão cobiçou essa posição e escolheu fazer sua própria vontade, em detrimento à Vontade de Deus, que era de que ele se negasse e obedecesse a única lei que havia alí. Seria o amor, vencendo o ego.
 
- Jesus, o 2º Adão comeu de outra árvore e viveu. Foi perfeito, porque preferiu a Vontade do Pai à sua própria. Assim, foi guiado pelo Espírito Santo, mortificou a alma e venceu. Jesus, enquanto encarnado, era homem sujeito à desejos como qualquer outro. Mas permaneceu no propósito à que foi enviado.
 
Quanto mais mortificados para nossa vontade, que é o mal em nós, porque provém do nosso egoísmo, mais sensíveis ao que devemos realizar. E quanto mais de nós, da vontade, do ego, da necessidade de nos atender, menos percepção teremos de Deus e de Sua Vontade. Por isso devemos buscar o Reinado Dele em nossas vidas. Assim, as outras coisas são acrescentadas naturalmente, sem necessidade da nossa preocupação com elas. (Mt 6:33)
 
Jesus nos ensinou como deve ser a caminhada e o Evangelho é como um espelho que nos reflete por dentro.

- A Graça nos dá condições de perdoar 70X7. Se nossas mágoas fazem até aniversários, significa que ainda temos mais de nós do que de Deus. Assim é com a raiva, ciúmes, divisões, egoísmos, etc. Está consumado! Já temos condições de nos negar!
- Dar o outro lado da face, caminhar a segunda milha, só ofertar depois do conserto com o irmão, ceiar após examinar-se, ser desprendido das coisas materiais, socorrer e dividir com os necessitados... tudo isso, são exercícios propostos por Jesus, para que nos avaliemos, para mortificar o ego e alimentar o amor.
 
Jesus também nos ensinou a viver um dia de cada vez, dependendo de Deus constantemente: "o pão nosso de cada dia, nos dai hoje", " Cada dia traz o seu próprio mal, não andeis ansiosos", "no mundo, tereis aflições", "negue-se, tome sua cruz e siga-me".


Jesus apresenta um Evangelho, onde:
-O menor, é o maior.
-O fraco é o forte.
-O pequenino é o que conhece.
-O que sofre é o bem-aventurado, feliz.
-O que perde, é o que ganha.
-O que dá, é o que recebe.
-O que se nega, é o que vence.

Filipenses 1:29 "pois vos foi concedido, por amor de Cristo, não somente o crer nele, mas também o padecer por ele"

João 15: 18 e 19 "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia."

Ap 21:4 "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." 





Perceberam que o povo de Deus é bem diferente do que se prega hoje? Não há privilégios, não há o céu na Terra, mas há a realidade de perseguição e inimizade com o sistema aceitável no mundo. Há o compromisso de negar a carne, tomar a cruz que são as nossas responsabilidades e seguir Jesus anunciando o Reino.


O evangelho falso


- O Evangelho de Cristo nos une, nos faz UM Nele. Instituições religiosas nos separam por placas.
- O que pregam:

Evangelho agradável aos ouvidos (2Tm 4:3,4) "Porque virá o tempo, em que não suportarão a sã doutrina; mas tendo comichões nos ouvidos, amontoarão para si, doutores segundo suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando-se às fábulas".

Gal 1:8-11 "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.
Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. 
 
1 Tim4:1,2 "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo sua própria consciência cauterizada"

Filipenses 3 :17 a 19 "Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós;  Porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição, cujo deus é o ventre, e cuja glória assenta no que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisas terrenas."

Distorções de títulos: Cargos na Igreja primitiva, é questão de dom e organização de funções e não hierarquia. Não há outra mediação além da mediação de Cristo.

Presbítero - ancião
Apóstolo - enviado
Discípulo - aprendiz, seguidor
Bispo - sipervisor
Diácono - ajudante
Pastor - Metáfora sobre o pastoreio de ovelhas. O que guia, alimenta, protege.

Traduzimos a Bíblia, mas usamos os títulos em grego. Isso dá status e até certa disputa de importância, num Corpo onde só um é o cabeça.

- Comércio de dons, músicas, livros, testemunhos, produtos gospeis. Um verdadeiro mercado, em detrimento ao preceito de Jesus de que devemos DAR o que de graça recebemos. A ira de Jesus no Templo, foi contra os que vendiam e os que compravam, profanando o Sagrado.


Com toda essa distorção, o falso evangelho faz o caminho inverso, tornando o homem cada vez mais egoísta e menos amoroso.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tristeza não tem fim, felicidade sim.

Estava meditando sobre felicidade. Certamente já abordei esse assunto neste blog, mas convém conversar mais um pouco.

Hoje, não só os evangélicos da teologia da prosperidade buscam o céu na Terra, mas o conceito geral de felicidade sob o prisma humano, perpetua o sentimento de abandono e vazio, já que segundo meu ponto de vista, a felicidade neste formato, é utopia. Jamais seremos plenos neste corpo corruptível.

De acordo com o ensinamento de Jesus, os bem aventurados são outros. Aqueles que apesar de todas as adversidades, perseguições e injustiças, conseguem guardar Nele sua esperança.

O Evangelho de Cristo, é o da perseguição, da inimizade com o sistema do mundo. A promessa consiste num revestimento interno, nada que nos diferencie ou privilegie em comparação aos não crentes.

Todo esse discurso atraente de promessas e vitórias, de prosperidades e conquistas, são fábulas enganosas e não tem vínculo com a sã doutrina. Servem apenas para manipular quem não se domina.

Quem consegue olhar ao redor, conviver com tanta dor, injustiça e disputas e ainda assim permanecer zen, não conheceu o Evangelho, porque não é possível ser um com o outro e ter paz vendo o outro sofrer. Essa história de ser filho do Rei, é coisa de lunático que não tem senso de comunhão.

Tenho muitos momentos de angústia, de outra forma seria uma pedra e não uma pessoa habitada por Deus. Jesus não incentivou o conformismo e a estagnação, mas a busca constante de auto domínio. Isto é negar-se. E tomar a cruz, é cumprir a parte que nos cabe, as nossas responsabilidades, assim como Jesus tomou a dele.

Felicidade é relativo. Pra muita gente por exemplo, felicidade é fechar o mês no azul, ter paz de consciência pra dormir, ter uma casa agradável, a dispensa farta, ter uma família unida, ter amigos carinhosos, ter o respeito das pessoas... enfim, tenho todas essas coisas, vivo ou não no céu?

Fixar os olhos na minha carência, é no mínimo egoísmo, porque ninguém tem tudo. Por que eu seria mais merecedora? Até porque, se eu fosse mais tolerante com os erros dos outros, não estaria só. Solidão é o preço que pago por não querer menos que o amor, não querer menos do que dou. Vou lamentar o que eu mesma escolhi?

Então, se me acorrento às minhas noites sem carinho ou aos momentos em que não tenho com quem falar, poderia me sentir infeliz e ficar cega pra tudo de bom que tenho e sou. Mas se valorizo a vida que tenho, reconheço que apesar de estar inserida num mundo frio e  cheio de sofrimento, Deus me guarda e supre em tudo.

Dor, sofrimento, perseguição, frustrações, decepções, são episódios necessários e proveitosos pro nosso crescimento. São como impulsos que nos lançam pra cima, se soubermos crescer na situação. Até mesmo as doenças tem um lado positivo que nos dá coragem e perseverança, desde que se guarde a fé. Há dignidade na dor.

Mas as doenças psicossomáticas, que são decorrentes de problemas emocionais viciosos e insistentes, nada acrescentam, senão peso nas costas. Jugo pesado, que carregamos por opção.

Portanto, você é feliz se tem bom relacionamento nos seus encontros, se sabe perdoar e pedir perdão, se guarda a fé e a esperança em Cristo, se acima de tudo, ama.

Espinhos na carne, nos lembram dia e noite a nossa condição, Mas a Graça, continua bastando.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Dois extremos


Dois extremos, tem adoecido o Corpo chamado Igreja: Os que enveredam pela influência da pós-modernidade e os que se deixam levar pelas fantasias evangelicais, que enchem a sã doutrina de penduricalhos dispensáveis.

Dia desses, ouvi uma pérola sobre as gotas de sangue que brotaram e desceram da testa de Jesus, no auge de sua agonia no Getsemani. O pregador leu em algum lugar, que Jesus pode ter tido um infarto ou derrame cerebral. Segundo ele, só nessas condições, é possível transpirar sangue. É mais fácil aceitar uma heresia, do que simplesmente crer que houve uma conversão do suor em sangue.

É como se a revelação bíblica, já não fosse suficiênte. A morte de Jesus, não foi terrível o bastante e carece de uma incrementada.

É como se o mérito de Jesus fosse o tamanho de seu sofrimento e não mais a Sua Perfeição ao se entregar sem nenhum pecado e impureza, depois de caminhar no meio da lama, da podridão... O Lírio puríssimo no meio dos vales.

O outro extremo, é a total ausência de fé. Não sei por que cargas d'água, alguns cristãos ao estudarem mais à fundo a filosofia, escolhem Nietzsche e outros pensadores ateus, para com suas ideias, relativizarem o ensinamento de Cristo, pondo de lado a certeza de que Ele era antes de todas as coisas e que tudo foi conforme deveria ter sido.

A maioria não se diz ateu, mas perdem completamente a fé e a visão à partir do espírito. É como uma "miopia" espiritual, que só permite que a visão fique limitada à carne e toda a sua corrupção.

Realmente, é muito mais fácil confessar o fracasso, mas por que, se temos a Graça conquistada pela Perfeição do Cordeiro de Deus?

O perigo dos cristãos seguidores de filósofos ateus é este: não conseguem vislumbrar o que receberam na Cruz, por motivos óbvios.

O pensamento de Nietzsche, é centrado em alguém que enxerga a vida à partir da carne, enquanto os cristãos genuínos, vêem à partir da Cruz.

Sem a fé, sobra apenas o que somos. Mas pela fé, já não importa o que somos. Importa o que Cristo é. Importa que a Perfeição comprou os imperfeitos e não foi em vão que nos deu o Seu Espírito como penhor.

Se estou só, realmente sou um fracasso. Mas se  estou em Cristo, sou mais que vencedora.

Não que haja mérito em mim, mas o preço foi pago, pra que eu vencesse Nele. E vencer, não é outra coisa, senão poder dizer não ao meu ego e às minhas concupiscências.

Sem a fé edificada na Rocha, sobra ilusão ou desilusão.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Vida Abundante






Na quarta feira passada, propuz uma reflexão às irmãs da UAF, reunidas pela ocasião do aniversário de uma delas, onde me escolheram para trazer a Palavra naquela tarde. 

Baseada numa das reflexões de Ed René Kivitz, que por sinal sempre me ensinam muito, expus num quadro dividido ao meio, duas colunas: uma para "Vida" e outra para "Morte".

E cada uma delas ia designando onde eu deveria escrever as expressões que eu citava: amor, perdão, discórdia, paz, trabalho, família em harmonia, ódio, drogas, acusação, fruto do Espírito, frieza, amizade...

O objetivo deste quadro era fazer com que as irmãs visualizassem, que na coluna concernente à palavra "Vida", haviam frases referentes à vida espiritual, material, emocional, relacional, etc. Para que entendessem que a Vida abundante conquistada por Cristo, é plena, completa, integral, saudável em cada área.

E que um corpo sem alma é defunto e uma alma sem corpo é fantasma. Portanto, Jesus não morreu por defuntos e fantasmas, mas morreu por homens, sabendo que estávamos inseridos nesta realidade. Por isto, embora seja temporal, transitória, passageira, ainda assim a vida é valiosa e a qualidade dela custou caro.

Refletimos também sobre o que escrevemos na coluna referente à "Morte". E verificamos que todas nós, estamos em falta em algum quesito. Há um ajuste à fazer em determinada área. Algumas delas perceberam inclusive, que embora congreguem há tanto tempo, ainda vivem uma vida de morte.

Constatamos então, que a cura já não depende de Deus, mas de uma mudança de postura nossa, porque a Obra Redentora está pronta. É interessante perceber que a maioria dos cristãos mistificam o que está errado, culpando o diabo. A dinâmica serviu para trazer à consciência de cada uma, sua responsabilidade para viver com abundância.

Lemos também Lucas 17:21, para ilustrar que o Reino de Deus já é uma realidade e está dentro de nós. Se por alguma razão não o vemos, a falha é nossa.

É como algo que cai no fundo de um lago e não pode ser visto enquanto a água está agitada. Uma vez que as águas se tranquilizam, é possível encontrar o que se procura.

Enfim, todas acharam o encontro proveitoso e estavam felizes por entender que a Salvação está na esperança do porvir, mas também é o pão na mesa. É a comunhão da Igreja, mas também é a saúde do corpo. É a alegria no Espírito Santo, mas também é a reconciliação.

Jesus disponibilizou Vida abundante e ela já começou!