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sábado, 14 de julho de 2012

Carnal ou espiritual?

A Bíblia diz que a carne milita contra o espírito e o espírito contra a carne e o resultado desta peleja, resulta na forma como lidamos com o sagrado. Ou nos tornamos espirituais, ou carnais, de acordo com o nosso lado que prevalesce.

Essa luta se dá, por uma guerra de vontades. A de Deus, que é boa, Perfeita e Agradável e a nossa, que conspira contra nós mesmos, apesar da ilusão de liberdade.

Antes, vou falar um pouco sobre as três partes que formam o homem: corpo, alma e espírito, pra nossa conversa fluir melhor.

O corpo pelo que entendo, é apenas um instrumento para que a vontade que prevalecer, realize suas obras na parte física. É frágil, não peca e não tem vontades. O corpo em si, é apenas matéria, é involuntário, seu funcionamento é fisiológico e o natural é que funcione plenamente. Qualquer disfunção é sinal de doença física. Portanto, ele leva a culpa pelo entendimento equivocado de alguns líderes evangélicos, que o confundem com a metáfora bíblica, que chama de "carne", todo homem centrado em si mesmo, ou seja, em sua vontade, sua alma. Ele é carne, porque é perecível. E para não perecer, precisa da intervenção de Deus. O homem carnal, na verdade, é um homem almático.

Isso, porque é na alma que o pecado é concebido e gerado. Lá habitam nossas concupiscências, estas que precisam ser mortificadas. E cabe a cada homem a decisão de mortificá-las. Como? Buscando a espiritualidade, porque das partes que formam o homem, o espírito é a única que está em seu estado definitivo. Ele está pronto.

Todas as características que nos dão o status de indivíduos, estão na alma. Ela é como um banco de dados, onde está registrado tudo o que somos, pensamos, desejamos e sentimos. Por isso, ela não é nossa "parte inimiga", ela é nosso ser. O que acontece, é que a alma é extremamente egocêntrica. Ela anseia por satisfação, tem sede de prevalecer, ainda que isso possa ferir o outro. Não está pronta. Ela agrega ou elimina coisas o tempo todo, modificando nosso caráter diante da vida.

A paixão, por exemplo, é almática. Uma pessoa movida por paixão, sofre um descontrole de seus sentimentos e atos. É uma espécie de deformidade que atinge a alma e a faz sofrer por atingir seu lado mais egocêntrico, aquele que deseja subjugar o outro e persuadí-lo a nos atender nas nossas vontades. O ego visa sempre a auto-satisfação e sofre muito se é negado. Por isso o sofrimento da alma é tão comum. A maioria das pessoas são almáticas e não espirituais. E quando uma alma está adoecida, ela manifesta doenças no corpo.

O espírito é o sopro de Deus que vivifica o homem. É como um empréstimo que volta pro Dono quando morremos. Mas enquanto estamos aqui, é o fio condutor, o canal que nos liga à Deus. É no espírito que captamos o sagrado, é no espírito que o Espírito de Deus escolheu morar e é lá que seu fruto tem crescimento. Alí percebemos a fé, o amor e temos senso de não sermos sós, fazemos parte de um todo. O espírito não é como a alma, que enxerga a vida à partir do ego. Ele se enxerga no Corpo e sabe que tem um que é o cabeça.

É por meio do espírito, que somos movidos na direção do outro. Alí, somos impulsionados a nos negar e renunciar em favor de um grupo inteiro. O amor é espiritual, por isso não busca o próprio bem, antes é doador. É entrega, é renúncia e sofre com a dor do outro porque é misericordioso, isto é, se coloca no coração do outro. Deus é amor, pois é Espírito. Amor portanto, não é sentimento, mas atributo de Deus no homem. E é privilégio de  alguns que conseguem se desprender da parte egocêntrica da alma. E nada é melhor para uma criatura, que estar sintonizada ao seu Criador e para o propósito Dele para tê-la criado.

Se por um lado o homem carnal deseja prevalecer, o homem espiritual tem intimidade com o perdão. O homem carnal é movido pelas próprias paixões, o espiritual sabe que as coordenadas são dadas por um Mestre. O motivo da paz de um homem espiritual, não está nas circunstâncias, mas em sua esperança.

Uma alma bem orientada, não precisa entrar em formas. Temos características próprias e positivas, que favorecem o funcionamento do todo. Cada indivíduo é diferente, mas pode viver em plena integração. Basta que ela aprenda a discernir entre o impulso que a escraviza ao ego e são destrutíveis em sua integridade e os que a tornam única e portanto, positivas.

Um homem com "mal contato" com seu espírito, fica prejudicado na assimilação do amor, da fé, não há intuição, não há inspiração para a vida, para a comunhão, para a troca. Não há esperança. Ele passa pela vida mergulhado em sua confusão. Um homem espiritual, sabe o material de que é feito, tem consciência de sua alma e de tudo o que o prejudica. A diferença, é  que ele pode dizer "não" à si mesmo, negar-se. O homem espiritual também sofre, mas não está centrado em suas causas egoístas. Sabe que o propósito para todas as coisas, é o bem global. Tem seu fardo, mas é leve. Tem seu jugo, mas é suave.

Mas da mesma forma que um homem almático está com um mal contato que o prejudica a entrar em sintonia com o invisível, o homem espiritual não pode perder o contato com sua individuação, ou também entrará em crise. Ele precisa perceber a vida através de seus sentidos. Mente no alto e pés no chão.
 
O funcionamento pleno de tudo o que nos forma, depende apenas de uma boa orientação. E nada melhor para nos orientar na vida, que o Autor da Vida.







terça-feira, 10 de julho de 2012

Sobre a caminhada cristã

Estava lendo um exercício do curso que estou fazendo na igreja, onde a missionária sugere o diário de um cão e o de um gato, para que cada aluno identifique sua postura diante da vida cristã. é mais ou menos assim:

Cão

8:00 Oba, ração--- gosto muito disso
9:30 Oba, um passeio de carro --- gosto muito disso
9:40 Oba, uma caminhada --- gosto muito disso
... e assim por diante.

Gato

Dia 283 no cativeiro. Meus sequestradores insistem em zombar de mim, balançando uns objetos pequenos e estranhos. Enquanto eles comem carne fresca, sou forçado a comer cereais secos. Só aguento isso por causa da esperança de escapar e da leve satisfação que tenho em destruir alguns móveis.
... e assim por diante.

E aí, como vocês já me conhecem, minha mente começou a borbulhar de ideias, coisas que provavelmente vou compartilhar amanhã, segunda semana do curso.

Nem a visão romântica do cão, que acha tudo perfeito e agradável, nem a visão murmuradora do gato, que acha que o mundo inteiro conspira contra ele.

Minha postura diante da vida é assimilar tanto o dia bom, quanto o dia mal, como necessários pro meu crescimento e proximidade com Deus.

Minhas dificuldades existem para que eu aprenda a confiar em Deus e depender Dele. Os momentos agradáveis, para que eu tenha sempre um coração grato. Vivemos o tempo da fartura e o da escassês, temos o dia de rir e o tempo de lamentar, porque precisamos desses parâmetros.

Se eu não soubesse o que é a morte, se não tivesse vivenciado o dia da perda, como assimilaria o sacrifício na Cruz? Se não soubesse o que é uma perseguição, abandono, traição, como entenderia o que Jesus sentiu no meu lugar? E se tudo nesta vida fosse maravilhoso como a visão romanceada do cão, por que eu guardaria a esperança na perfeição do porvir?

Quando leio que Jesus levou sobre si a minha dor, o que vem à minha mente, não é que estou isenta de sofrer. Mas a certeza de que seja lá que tipo de dor eu venha sentir, ele sentiu. Com a diferença de que sofro como consequência das minhas escolhas, mas ele, pura e simplesmente pela causa humana, por amor à nós.

Logo, entendo que a maturidade espiritual, não é negar que hajam  contingências, é justamente tirar de cada dia o seu valor e usá-lo como experiência. 

Como um pai que ensina o filho a andar de bicicleta e o vê caindo várias vezes, se machucando e tem compaixão dizendo: "tentamos numa outra oportunidade". Creio que assim é Deus, quando atende à um pedido de socorro. Ele livra, mas a prova virá em outro tempo, porque Ele nos quer emancipados. Geralmente o cristão quer ser abduzido do meio do problema. Eu creio que cada dificuldade tem seu propósito.

Quando pedimos a Deus sabedoria, fé, paciência, geralmente imaginamos uma chuvinha invisível de virtudes, que nos tornará de uma hora pra outra diferentes. Mas não é  assim que acontece. 

Se pedimos fé, sabedoria, disponibilidade para perdoar, somos provados com situações que vão mostrar se estamos mesmo buscando o que pedimos. Surgirão oportunidades para perdoar, para usar a fé ou para exercitar a sabedoria e geralmente chamamos essas situações de problemas. Assim se cresce na graça: vivendo.

Alguns cristãos pensam que as provações mostrarão quem somos a Deus. Mas o fato é que Ele sonda e esquadrinha corações e sabe perfeitamente o que somos. As provas portanto, servem para nos mostrar nossa condição à nós mesmos. Assim, tomamos consciência das nossas fraquezas, imaturidade e pequenez.

E à medida que caminhamos e mudamos nossa postura, entendemos enfim, que é nossa própria carne quem conspira contra nós e não inimigos externos.

Entender que a vida é inconstante, não é falta de fé, mas certeza de que seja lá em que circunstância for, seja o dia de rir ou o dia de chorar, tudo vai sempre cooperar pro nosso bem.

sábado, 30 de junho de 2012

Antes, amar.

Compreendo perfeitamente o quanto se sente ludibriada, a pessoa que foi manipulada pelo sistema religioso institucional. Depois de uma vida dedicada à religiosidade e às regras humanas, com um pouco mais de afinco nos estudos bíblicos, é possível identificar a enorme quantidade de entulhos gospeis e enxertos.

O que não concordo, é que violentem pessoas de boa fé, com discursos arrogantes e cheios de mágoa, empurrando verdades garganta adentro.  Isso é violentá-las, sem se dar conta se estão ou não preparadas para uma decepção tão grande, já que a fé é algo bem íntimo. É como socar feijoada num recém nascido. Longe de ser amor, isso é crueldade.

É preciso delicadeza para sugerir novas possibilidades. Se queremos contribuir com o crescimento do Reino, o anúncio da Boa Nova, temos que ser mansos como Jesus. 

Me importa menos desmascarar líderes e sistemas, do que amortecer a dor do meu próximo, de forma que as decepções não os transforme em gente desiludida.  E percam a fé na Graça de Deus por consequência da desumanidade desses que saem para apedrejar do lado de fora. Se vingam porque não amam. São vândalos e não revolucionários.

Quero me aproximar das pessoas, e na medida que se interessem pelo que tenho a dizer, direi. E se não se interessarem, as amarei como Jesus amou, sem acepções. Respeitando sua imaturidade, mas plantando sempre a semente do amor. Para que no tempo delas, germinem. 

E está se tornando corriqueiro isso, de tentar trazer os revoltados à consciência, de que não é fazendo o mal inconsequentemente, que vão de uma hora pra outra, mudar o erro estabelecido. Mas com posturas e ideias, é possível sim, ser luzeiros na vida de alguns.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sem acepções

Há um tempo atrás, uma amiga me pediu ajuda em oração e enquanto ela se justificava, fui incapaz de pronunciar palavra. Depois que o irmão começou a namorar, se afastou da família e ela dizia: "Tenho orado no sentido dele abrir os olhos e se decepcionar ao ponto de não restar nem amizade". E eu, atônita com tanta frieza, ainda tentei sem sucesso, dizer que Deus não a ouviria e que o certo seria ela desejar uma mudança positiva na vida da moça, de forma que a harmonia voltasse para a família.

Num outro caso, um moço tenta me convencer que sua mãe tem revelações da parte de Deus e que estas mudam a atitude dela e a de sua família. Para mim, esse tipo de coisa só contribui como alimento para a arrogância de sentir-se mais santo, mais ungido, mais espiritual que os outros. E claro, um pretexto e tanto para manipular as pessoas. Bastaria que conhecessem a Bíblia e com a ajuda do Espírito assimilassem, afinal, não precisamos de novas revelações além das que estão contidas alí. No que tange à experiência de cada um com Deus, se dá no chão da vida, dos sentidos, dos encontros. Não precisamos de revelações sobrenaturais para entender coisas óbvias. Entendam que creio que Deus tudo pode, mas sou contra essas banalizações do que para mim, é sagrado. Além de não acreditar em privilégios concedidos à quem é tão carne quanto qualquer outro. Não depois de estar TUDO consumado.

Essa semana sugeri num post no facebook uma auto-análise para avaliarmos se sustentamos nossos discursos com atitudes. E isso serviu de pretexto para duas irmãs lavarem roupa suja na minha página. O desejo que Deus castigue, condene, que essas pessoas sejam desmascaradas era gritante das duas partes.

E hoje o motorista lamentava com a cobradora: "Deus conhece o meu coração! Se eu ganhasse essa cesta, ajudaria as pessoas, mas olha a vida do "fulano", o que ele vai fazer com ela?"

E eu daqui da minha insignificância, olhava a paisagem lá fora e fazia contato com meu próprio egoísmo. Quantas vezes já amaldiçoei quem desejou meu mal, quem investiu contra mim, quem me feriu e desejei que Deus fizesse justiça por mim? Glória à Deus, que amou tanto à mim quanto à essas pessoas, justamente por conhecer meu coração, não deu trela pra ele :P

Para Ele, tanto o desejo mal que as dominou em determinado momento, quanto meu desejo de vingança, são a mesma coisa, nos põe no mesmo patamar. E Sua misericórdia, cobriu tanto à eles, quanto à mim.

Graças a Deus ainda consigo reconhecer meus tropeços e saber que o preço de quem amo foi pago, mas também o dos que não quero amar. Não há acepção, não há privilégios neste lugar, além deste de ter crido na Boa Nova. 

Na fé, encontramos força para não deixar que o Sol se ponha sobre nossa ira.

Reconhecer nossa condição, é o caminho para a tolerância, a renúncia, o perdão e finalmente o AMOR.

sábado, 9 de junho de 2012

Deus nos homens



Estava pensando. Se não houvesse uma Palavra revelada, expondo a vontade de Deus para a humanidade, ainda assim Deus falaria à Sua criação.

Tudo o que vem a existir, tem em si as digitais do seu criador, seus sentimentos e desejos, ainda que não corresponda a toda a sua expectativa, tem a essência do seu criador. Por que seria diferente com a criação divina?

Imagino que o corpo (instrumento) do homem foi formado e com ele o ser (alma). Toda a sua individuação estava alí em potencial e o sopro de vida (espírito) acrescentou no homem a presença do Criador. Não há uma criatura sequer, que não carregue em si a energia de Deus, o sopro e a essência de Deus por meio de seu fôlego.

É nisso que creio, quando lembro que Jesus disse que apesar da carne ser fraca, o espírito estava pronto. Na verdade, o que está pronto não pertence ao homem. O espírito é o fôlego de Deus, que se retira de nós e volta pra Ele quando morremos. Mas enquanto vivemos, é este o canal que nos liga. É por meio do espírito que percebemos a fé, o amor, a contemplação do belo e desenvolvemos o fruto do Espírito até que esteja pronto a ser nosso alimento espiritual.

Por esse prisma, não há sequer um homem que não perceba Deus, pois todos tem um espírito dado por Ele. Ainda que uma cultura diferente, molde o entendimento deste homem em outra direção, ele ainda será capaz de perceber o amor e conhecer a vontade de Deus, por meio do espírito.

O que a cultura molda, é a alma. O espírito está pronto. O corpo é apenas o instrumento que nos possibilita realizar ações. Ele mesmo nada deseja e não peca. A concupiscência do homem, está em sua alma.

Então, cada povo, língua e nação, apesar de não conhecer a cultura cristã, ainda tem a essência de Deus advinda do Sopro de vida.

Mesmo os ateus, aqueles que negam a existência de Deus. Quando conversamos com eles, os argumentos são sempre direcionados à injustiça dos homens, à desigualdade no mundo, as catástroferes inexplicáveis, enfim, claramente percebemos, que o que eles rejeitam não é Deus, mas as caricaturas do deus criado por cada homem. Negam com a mente, porque não assimilam o Deus que percebem, com o deus apresentado pela ortodoxia.

Deus é Mistério. Ainda que haja uma revelação, ela é apenas o que podemos suportar Dele e ainda assim, cada homem a enxergará por um ângulo, de acordo com o suporte que sua própria alma lhe dará. São seus anseios e angústias que formará um deus à sua imagem e semelhança.

Conhecemos muitos cristãos que tem em Jesus, o seu vingador pessoal, ou aquele que está o tempo inteiro preocupado em satisfazer os desejos e necessidades dos seus súditos. Tudo indica que sejam manifestações de egocentrismo e não do AMOR, que deveria moldar a vida de todo aquele que a Graça alcançou.

Uma pessoa liberta dos costumes deste mundo, há de imaginar que Deus não está mais ocupado com a conta bancária dela, do que com o miserável que come lixo. É sempre a mesma tecla: o ego destrói o que o Amor deseja construir.

Creio sinceramente que o Espírito de Deus foi derramado sobre toda carne, pois é isso o que a revelação bíblica garante. E que apesar das religiões separarem os homens em grupos que digladiam entre si, o Deus que vivifica um, faz o mesmo pelo outro e sem acepção.

E possuir uma Bíblia em casa, não garante a ninguém um espírito em sintonia com o Amor. Da mesma forma que vemos manifestações de amor por todo o mundo. E não me consta que haja outra fonte do Amor, senão Deus, o Criador de todas as coisas.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Metanóia

A Obra Redentora foi consumada dentro do tempo, quando Cristo expirou na Cruz. Mas não, a Graça não tem 2012 anos. O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo (Ap 13:8). Antes que houvesse homem e pecado, já havia o Amor, já havia a Porta da Redenção. E antes da consumação do sacrifício de Jesus, muitos foram justificados Nele, pela fé.

Além do equívoco de fatiar o tempo, separamos a fé em dispensações e isso facilita uma confusão muito comum no meio cristão. Apesar do Sacerdócio de Cristo ter entrado em vigor após a ab-rogação da Lei Mosaica, a Graça é espiritual e atemporal.

A metáfora do Oleiro, sugere que o Senhor trabalha na vida de cada homem de forma artesanal, individual. Não somos robôs agindo em série, cada um vive num ritmo e todos somos filhos amados, recebendo atenção minuciosa, de acordo com as necessidades de aperfeiçoamento de nossa alma.

Portanto, a Graça chega na vida de cada homem, à medida que este homem decide passar pela Porta. Antes disso, ele está sob a Lei.

Sim, dentro do tempo tudo está consumado. Mas dentro de cada coração, a decisão é singular. Ela acontecerá no momento da conversão da mente. Mudança que marca o nascimento de uma nova postura, uma nova realidade de vida. Não é uma condição, mas uma consequência natural na mente do que crê.

O que temos visto, é um grupo de pessoas que erram deliberadamente, afirmando que a Graça absolve a culpa e já não vivemos mais na Lei. Mas a consciência cauterizada é diferente da absolvição da culpa proposta pelo Evangelho. Não há perdão sem arrependimento.

O preço está pago, mas sem fé, é impossível reconhecer e assimilar a voz do Bom Pastor.

Desde o antigo testamento, Deus nunca desejou holocaustos e sacrifícios vazios de sentimentos. Eles deveriam ser precedidos por contritamento e quebrantamento de espírito. Assim é hoje em nossas vidas. Qual a serventia de tantos discursos que valorizam o próprio ventre, se os corações não se voltam para Deus, se as pessoas já não se reconhecem como são?

O homem que nega suas próprias responsabilidades, usando Cristo como bode expiatório, não o viu como Cordeiro de Deus. Não há fé sem metanóia. Não há conserto sem a proposta de um recomeço. Novidade de vida.

Assim, os que perseveram no mal menosprezando a Lei, continuam debaixo dela. A Lei não é má, ela apenas denuncia quem somos. A Lei serviu para mostrar ao homem, sua incapacidade de se justificar por obras. Ela revela a condição humana. A necessidade do Salvador.

Não há meio de viver na Graça, se não for pela intimidade em andar com Cristo, o Amor. O Reino de Deus é hoje e está dentro de quem aceitou e amou a Boa Nova.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Contradições

Por pura misericórdia, Deus tem me usado como canal para levar outras pessoas a refletirem sobre suas mazelas. São palavras que na maioria das vezes, latejam e fluem de mim, mas não são exatamente minhas.

Não poucas vezes, eu mesma sou confrontada com elas. Elas trazem à tona minhas próprias dores e misérias. Elas desenterram gritos e gemidos que insistem em se esconder na minha alma.

Não há ser  humano que não se contradiga em algum momento. Não há homem que não depare com a dor de existir e ser o que é.

Mas no Reino de Deus, é pra cima que se cai.  Essa ferida só vai sarar, depois que o carnegão sair. Que doa até o último gemido, mas que a ferida se feche.

Reconhecer minha incompletude e desespero, me torna cada vez mais dependente e entregue à quem pode me resgatar.

Na verdade, me permito chorar e urrar de dor, nos braços do único que se importa em secar minhas lágrimas, sem sombra alguma de acusação. Ele apenas me ama. Apenas me aperta forte em seu peito largo.

sábado, 26 de maio de 2012

Sede santos, como eu sou santo

Em 1Pe1:16, Pedro citou as Escrituras, aconselhando os cristãos à uma vida separada. 
No Velho Testamento, o lugar santo, era o separado dos outros, para a adoração, o dia santo, sábado, era separado por causa do Senhor. Os objetos santos eram de uso exclusivo no templo, enfim, algo santificado, é algo consagrado para o uso de Deus, separado das coisas comuns.

A religião distorce o sentido da santidade, da separação, da consagração, colocando nos lombos do homem, uma carga deveras difícil de se carregar. Dão a conotação de perfeição à esta separação, frustrando cristãos sinceros e alimentando sentimento de culpa.

Jesus foi santo. A Razão de sua vinda era justamente o propósito do Pai de oferecer o sacrifício Perfeito pelo resgate de muitos. Ele foi fiel até o fim e portanto digno de ser ressuscitado, cumprindo Nele o que cabia a nós.

Muitos cristãos gostam de dar ênfase ao sofrimento de Jesus, contar quantas pontas tinham o açoite, quantos espinhos na coroa, falam com ímpeto que Jesus derramou até a última gota de sangue, enfim, supervalorizam a dor, como se ela fosse o que validou o sacrifício. Se todos esses pormenores fossem importantes, haveria um livro inteiro apenas para descrevê-los, mas não são.

A própria Bíblia narra a história de uma mulher, esposa  de profeta, que além de ser estuprada e assassinada, foi também esquartejada pelo marido como ato de seu protesto e cada parte sua, enviada às doze tribos de Israel. Certamente uma morte muito terrível, porém, sem valor redentor.

O que valida o sacrifício de Jesus, é sua Perfeição. O fato de não ter pecado, apesar de andar num meio corrompido. O Lírio dos vales, que permanece alvo no meio da lama. E por causa de sua Perfeição, ressuscitou glorificado, digno de ser nosso Mediador.

Conheci um cristão que disse: "Mesmo que Jesus não tenha ressuscitado, eu creio nele". Provavelmente esse moço, não tenha entendido nada até agora. Pois se Jesus não ressuscitou, sua morte foi em vão, não serviu para nos justificar. E esta história tem tanta validade quando a de Cinderela. 

Mas se Jesus ressuscitou, significa que o Cordeiro foi Perfeito e aceito como expiação de nossa culpa. Como sabemos disso? Mediante a fé. É o Espírito Santo que testifica em nós todas essas coisas.

Quando o Senhor diz "Sede santos, como eu sou santo", está dizendo "Escolha ser instrumento, seja usado para as coisas do Reino, aceite ser moldado pela voz doce do meu Espírito, seja separado das coisas comuns".

Se a religião te impõe algo insustentável, algo que certamente sua condição humana tornará impossível, não se aflija! A santidade vem do Santo Deus. Fomos criados para luzir a santidade de Deus para o mundo, espelhar o caráter de Cristo. E quem começou a boa obra, é fiel para concluir. Descanse nisso e apenas busque boas escolhas.

Um adendo para expor uma teoria: imagino que  a "fofoca" seja algo tão comum em comunidades evangélicas justamente porque a frustração de não alcançar a utopia de perfeição, faz com que a pessoa sinta a necessidade de denunciar o erro dos outros, aliviando assim sua própria incapacidade. Ou seja, é danosa essa imposição e muito infrutífera.

Tão somente tenhamos essa consciência de separação por meio de Cristo, para escolher sempre a Boa, Perfeita e Agradável Vontade do nosso Deus. A santidade produz em nós refrigério, enquanto escolher o ambiente do pecado, nos enche de desconforto. Mas saber que estamos sujeitos a obedecer nossa carne é necessário para entender que quem nos justifica é a Perfeição de Cristo e não nossas próprias obras.

sábado, 19 de maio de 2012

Desprendimento

Estava lendo um texto muito interessante do meu amigo Júlio Diniz http://www.quartododesejo.com/2012/05/bonanca-nao-vira.html sobre a morte e como lidar com ela.

Ainda ontem, estava meditando sobre a efemeridade da vida e no movimento que as pessoas fazem, ao correrem atrás do vento, tentando acumular coisas e pessoas, tentando alcançar seus pódiuns, vencer, conquistar, crescer, ser...

A morte é uma realidade, que nos coloca frente a frente com nossa condição. A de não ser e apenas estar dentro do tempo, até o dia que isso é retirado de nós, querendo ou não. Seja lá qual for nossa fé, um dia seremos talvez lembranças pra quem fica.

Logo, toda essa correria em busca de realização, é mero desespero. A morte não escolhe gênero, idade, posição social. Ela é a única certeza que temos, apesar da incerteza de quando será.

E enquanto o corpo quer o crescimento, a caminhada cristã sugere o inverso: o decrescimento. Convém à alma diminuir, para que cresça a presença de Deus em nossas vidas. Um vaso cheio, não deixa espaço para receber azeite. Quanto mais cheios de nós, de coisas, de ocupações, menos disposição para assimilar o que vem do Alto.

As pessoas buscam o crescimento, as conquistas, todos querem vencer na vida. Tudo o que eu quero é decrescer, diminuir, me esvaziar de mim. Quero não querer.

Assim, talvez quando for minha vez de partir, as lembranças que ficarão, serão a de um abraço, um sorriso, um auxílio, uma boa palavra... 

Nada  na minha vida aconteceu de forma convencional. Sempre senti que não sou deste mundo e as coisas do mundo, as que a maioria das pessoas lutam pra ter, sempre me pareceram pequenas demais. Cheguei  a uma conclusão: Deus não me deu uma família, me deu todas. Não sou um indivíduo, sou o mundo que Ele  amou. O que passa pelas minhas mãos, não é meu, mas está sob minha administração. Assim, cabe a  mim usar de forma que beneficie os outros também.

Desprendimento. Acho que a consciência de que tudo é efêmero, reaviva em nós a esperança no que há de vir. Estamos nessa dimensão para deixar de ser. Matar o ego, para conseguir viver o amor.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Acolhei ao débil na fé

A gente lida com coisas bem bizarras no meio gospel. Eu, me limito a observar e silenciar, desde que não se deturpe a mensagem bíblica.

Condenar o débil na fé por necessitar de amuletos, canais para vivenciar a divindade, é o mesmo que escarnecer de alguém que precise de prótese.

A falta de sensibilidade para lidar com a superficialidade do outro, já é indício de superficialidade. É como rir do olho de vidro, enquanto arrasta um andador.

É sensato dizer que um cadeirante está se locomovendo errado? Não seria esta a única forma que ele dispõe para ir e vir?

Da mesma forma, não se empurra feijoada boca à dentro, de um bebê lactante. Ou se comete uma monstruosidade.

Continuo achando, que Deus se revela a cada homem de forma distinta, usando a essência desse homem como canal. Somos diferentes. Mas é fato que reconhecemos nossos iguais.

O erro é a arrogância de achar que nossa forma de perceber o mistério é o correto e todos os outros, equívocos.

Cada homem percebe de Deus, o que suporta.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Família: amor ou ego

Na congregação, estamos no período do ano que mais gostamos, porque é quando separamos o mês para visitar as famílias da Igreja, orando especificamente e estreitando a comunhão. É sempre muito gratificante e crescemos muito estudando temas sobre a família e aprendendo com as experiências dos irmãos.

E como Deus me deu o texto anterior para compartilhar com os irmãos ontem, eu ainda não tinha entendido bem a relação entre o ego X amor dentro da Igreja e a relação que este assunto tinha com a família. Só ontem Deus me deu o restante da reflexão e eu percebi, que a Igreja, é uma família amplificada ou a família, uma miniatura da Igreja.

A família é uma instituição, que representa a Igreja de Cristo, onde o marido é o cabeça, a esposa sua cooperadora, auxiliar e os filhos são como os cristãos que seguem sob orientação e bom exemplo do pai.

O marido, deve amar sua esposa, ao ponto de se dar por ela. Autoritarismo, orgulho, tirania, não são atributos do amor. Não é possível amar sem renúncia. Tem homens que casam e acham que ganharam uma serva, mas a postura de Jesus com relação à Noiva é outra: Ele se deu por amor à ela, para que ela fosse verdadeiramente livre.

A esposa deve ser submissa ao marido, por questão de ordem na família, para que não hajam choques de ideias que prejudiquem a harmonia do lar. Não é possível ser submissa a quem não se ama. Num contexto amplificado, Jesus amou a Igreja, se deu por ela e EM RESPOSTA a esse amor que recebeu primeiro, a Igreja coopera com a expansão do Reino. A mulher é auxiliar do marido, em resposta ao seu amor.

Os filhos, devem respeito e honra aos pais. Não é possível a obediência e a reverência sem amor. Filhos rebeldes, irreverentes, afrontadores, estão mais centrados no ego, do que no amor.

Os pais, devem conduzir os filhos, sem provocá-los a ira. Devem entender que autoridade, não está vinculada à ditadura, pois até o Deus Soberano, nos dotou de livre arbítrio, para que escolhamos obedecer, por amor.

Na parábola do filho pródigo, entendemos que deixar ir, também é amor, porque as experiências ensinam mais que teorias. Na parábola, podemos observar que o filho que vai, volta convertido, reconhecendo sua real condição, enquanto o que ficou, continuou egoísta, ciumento, enfurecido com a misericórdia do pai.

E da mesma forma, que no texto anterior, enfatizamos que o ego tem o poder de distorcer, deturpar o verdadeiro Evangelho, em detrimento ao amor, que deve reger todas as nossas ações, o mesmo ego também distorce o sentido da família, inverte papéis e às vezes coloca ponto final, porque só o amor é eterno.

Lembrem-se que o diabo já foi vencido na Cruz. Hoje, nosso maior inimigo é nosso próprio ego. É ele quem tem o poder de distorcer o sentido de todas as coisas, quando o amor se esfria.

sábado, 5 de maio de 2012

O Evangelho de Cristo e os outros

Do início ao fim, a narrativa bíblica trata da disputa entre ego e amor. E o vencedor, é o que consegue renunciar à própria carne, para amar.
 
A matemática é simples: Quanto mais quero pra mim, menos penso no outro. Se me nego em favor do outro, estou exercitando amor. Numa pessoa cheia de si, não cabe mais ninguém.
 
A Lei de Cristo é o amor. À Deus acima de tudo, porque assim saimos do centro e ao próximo como à nós mesmos, para conseguir ser UM com o outro.
 
- Adão: a Serpente não fez outra coisa, senão despertar o ego de Adão, que já havia. Ela não criou o mal, ela não fez a concupiscência brotar na alma dele, ela apenas o seduziu com a ideia de ser "igual a Deus". Adão cobiçou essa posição e escolheu fazer sua própria vontade, em detrimento à Vontade de Deus, que era de que ele se negasse e obedecesse a única lei que havia alí. Seria o amor, vencendo o ego.
 
- Jesus, o 2º Adão comeu de outra árvore e viveu. Foi perfeito, porque preferiu a Vontade do Pai à sua própria. Assim, foi guiado pelo Espírito Santo, mortificou a alma e venceu. Jesus, enquanto encarnado, era homem sujeito à desejos como qualquer outro. Mas permaneceu no propósito à que foi enviado.
 
Quanto mais mortificados para nossa vontade, que é o mal em nós, porque provém do nosso egoísmo, mais sensíveis ao que devemos realizar. E quanto mais de nós, da vontade, do ego, da necessidade de nos atender, menos percepção teremos de Deus e de Sua Vontade. Por isso devemos buscar o Reinado Dele em nossas vidas. Assim, as outras coisas são acrescentadas naturalmente, sem necessidade da nossa preocupação com elas. (Mt 6:33)
 
Jesus nos ensinou como deve ser a caminhada e o Evangelho é como um espelho que nos reflete por dentro.

- A Graça nos dá condições de perdoar 70X7. Se nossas mágoas fazem até aniversários, significa que ainda temos mais de nós do que de Deus. Assim é com a raiva, ciúmes, divisões, egoísmos, etc. Está consumado! Já temos condições de nos negar!
- Dar o outro lado da face, caminhar a segunda milha, só ofertar depois do conserto com o irmão, ceiar após examinar-se, ser desprendido das coisas materiais, socorrer e dividir com os necessitados... tudo isso, são exercícios propostos por Jesus, para que nos avaliemos, para mortificar o ego e alimentar o amor.
 
Jesus também nos ensinou a viver um dia de cada vez, dependendo de Deus constantemente: "o pão nosso de cada dia, nos dai hoje", " Cada dia traz o seu próprio mal, não andeis ansiosos", "no mundo, tereis aflições", "negue-se, tome sua cruz e siga-me".


Jesus apresenta um Evangelho, onde:
-O menor, é o maior.
-O fraco é o forte.
-O pequenino é o que conhece.
-O que sofre é o bem-aventurado, feliz.
-O que perde, é o que ganha.
-O que dá, é o que recebe.
-O que se nega, é o que vence.

Filipenses 1:29 "pois vos foi concedido, por amor de Cristo, não somente o crer nele, mas também o padecer por ele"

João 15: 18 e 19 "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia."

Ap 21:4 "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." 





Perceberam que o povo de Deus é bem diferente do que se prega hoje? Não há privilégios, não há o céu na Terra, mas há a realidade de perseguição e inimizade com o sistema aceitável no mundo. Há o compromisso de negar a carne, tomar a cruz que são as nossas responsabilidades e seguir Jesus anunciando o Reino.


O evangelho falso


- O Evangelho de Cristo nos une, nos faz UM Nele. Instituições religiosas nos separam por placas.
- O que pregam:

Evangelho agradável aos ouvidos (2Tm 4:3,4) "Porque virá o tempo, em que não suportarão a sã doutrina; mas tendo comichões nos ouvidos, amontoarão para si, doutores segundo suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando-se às fábulas".

Gal 1:8-11 "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.
Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. 
 
1 Tim4:1,2 "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo sua própria consciência cauterizada"

Filipenses 3 :17 a 19 "Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós;  Porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição, cujo deus é o ventre, e cuja glória assenta no que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisas terrenas."

Distorções de títulos: Cargos na Igreja primitiva, é questão de dom e organização de funções e não hierarquia. Não há outra mediação além da mediação de Cristo.

Presbítero - ancião
Apóstolo - enviado
Discípulo - aprendiz, seguidor
Bispo - sipervisor
Diácono - ajudante
Pastor - Metáfora sobre o pastoreio de ovelhas. O que guia, alimenta, protege.

Traduzimos a Bíblia, mas usamos os títulos em grego. Isso dá status e até certa disputa de importância, num Corpo onde só um é o cabeça.

- Comércio de dons, músicas, livros, testemunhos, produtos gospeis. Um verdadeiro mercado, em detrimento ao preceito de Jesus de que devemos DAR o que de graça recebemos. A ira de Jesus no Templo, foi contra os que vendiam e os que compravam, profanando o Sagrado.


Com toda essa distorção, o falso evangelho faz o caminho inverso, tornando o homem cada vez mais egoísta e menos amoroso.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tristeza não tem fim, felicidade sim.

Estava meditando sobre felicidade. Certamente já abordei esse assunto neste blog, mas convém conversar mais um pouco.

Hoje, não só os evangélicos da teologia da prosperidade buscam o céu na Terra, mas o conceito geral de felicidade sob o prisma humano, perpetua o sentimento de abandono e vazio, já que segundo meu ponto de vista, a felicidade neste formato, é utopia. Jamais seremos plenos neste corpo corruptível.

De acordo com o ensinamento de Jesus, os bem aventurados são outros. Aqueles que apesar de todas as adversidades, perseguições e injustiças, conseguem guardar Nele sua esperança.

O Evangelho de Cristo, é o da perseguição, da inimizade com o sistema do mundo. A promessa consiste num revestimento interno, nada que nos diferencie ou privilegie em comparação aos não crentes.

Todo esse discurso atraente de promessas e vitórias, de prosperidades e conquistas, são fábulas enganosas e não tem vínculo com a sã doutrina. Servem apenas para manipular quem não se domina.

Quem consegue olhar ao redor, conviver com tanta dor, injustiça e disputas e ainda assim permanecer zen, não conheceu o Evangelho, porque não é possível ser um com o outro e ter paz vendo o outro sofrer. Essa história de ser filho do Rei, é coisa de lunático que não tem senso de comunhão.

Tenho muitos momentos de angústia, de outra forma seria uma pedra e não uma pessoa habitada por Deus. Jesus não incentivou o conformismo e a estagnação, mas a busca constante de auto domínio. Isto é negar-se. E tomar a cruz, é cumprir a parte que nos cabe, as nossas responsabilidades, assim como Jesus tomou a dele.

Felicidade é relativo. Pra muita gente por exemplo, felicidade é fechar o mês no azul, ter paz de consciência pra dormir, ter uma casa agradável, a dispensa farta, ter uma família unida, ter amigos carinhosos, ter o respeito das pessoas... enfim, tenho todas essas coisas, vivo ou não no céu?

Fixar os olhos na minha carência, é no mínimo egoísmo, porque ninguém tem tudo. Por que eu seria mais merecedora? Até porque, se eu fosse mais tolerante com os erros dos outros, não estaria só. Solidão é o preço que pago por não querer menos que o amor, não querer menos do que dou. Vou lamentar o que eu mesma escolhi?

Então, se me acorrento às minhas noites sem carinho ou aos momentos em que não tenho com quem falar, poderia me sentir infeliz e ficar cega pra tudo de bom que tenho e sou. Mas se valorizo a vida que tenho, reconheço que apesar de estar inserida num mundo frio e  cheio de sofrimento, Deus me guarda e supre em tudo.

Dor, sofrimento, perseguição, frustrações, decepções, são episódios necessários e proveitosos pro nosso crescimento. São como impulsos que nos lançam pra cima, se soubermos crescer na situação. Até mesmo as doenças tem um lado positivo que nos dá coragem e perseverança, desde que se guarde a fé. Há dignidade na dor.

Mas as doenças psicossomáticas, que são decorrentes de problemas emocionais viciosos e insistentes, nada acrescentam, senão peso nas costas. Jugo pesado, que carregamos por opção.

Portanto, você é feliz se tem bom relacionamento nos seus encontros, se sabe perdoar e pedir perdão, se guarda a fé e a esperança em Cristo, se acima de tudo, ama.

Espinhos na carne, nos lembram dia e noite a nossa condição, Mas a Graça, continua bastando.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Dois extremos


Dois extremos, tem adoecido o Corpo chamado Igreja: Os que enveredam pela influência da pós-modernidade e os que se deixam levar pelas fantasias evangelicais, que enchem a sã doutrina de penduricalhos dispensáveis.

Dia desses, ouvi uma pérola sobre as gotas de sangue que brotaram e desceram da testa de Jesus, no auge de sua agonia no Getsemani. O pregador leu em algum lugar, que Jesus pode ter tido um infarto ou derrame cerebral. Segundo ele, só nessas condições, é possível transpirar sangue. É mais fácil aceitar uma heresia, do que simplesmente crer que houve uma conversão do suor em sangue.

É como se a revelação bíblica, já não fosse suficiênte. A morte de Jesus, não foi terrível o bastante e carece de uma incrementada.

É como se o mérito de Jesus fosse o tamanho de seu sofrimento e não mais a Sua Perfeição ao se entregar sem nenhum pecado e impureza, depois de caminhar no meio da lama, da podridão... O Lírio puríssimo no meio dos vales.

O outro extremo, é a total ausência de fé. Não sei por que cargas d'água, alguns cristãos ao estudarem mais à fundo a filosofia, escolhem Nietzsche e outros pensadores ateus, para com suas ideias, relativizarem o ensinamento de Cristo, pondo de lado a certeza de que Ele era antes de todas as coisas e que tudo foi conforme deveria ter sido.

A maioria não se diz ateu, mas perdem completamente a fé e a visão à partir do espírito. É como uma "miopia" espiritual, que só permite que a visão fique limitada à carne e toda a sua corrupção.

Realmente, é muito mais fácil confessar o fracasso, mas por que, se temos a Graça conquistada pela Perfeição do Cordeiro de Deus?

O perigo dos cristãos seguidores de filósofos ateus é este: não conseguem vislumbrar o que receberam na Cruz, por motivos óbvios.

O pensamento de Nietzsche, é centrado em alguém que enxerga a vida à partir da carne, enquanto os cristãos genuínos, vêem à partir da Cruz.

Sem a fé, sobra apenas o que somos. Mas pela fé, já não importa o que somos. Importa o que Cristo é. Importa que a Perfeição comprou os imperfeitos e não foi em vão que nos deu o Seu Espírito como penhor.

Se estou só, realmente sou um fracasso. Mas se  estou em Cristo, sou mais que vencedora.

Não que haja mérito em mim, mas o preço foi pago, pra que eu vencesse Nele. E vencer, não é outra coisa, senão poder dizer não ao meu ego e às minhas concupiscências.

Sem a fé edificada na Rocha, sobra ilusão ou desilusão.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Vida Abundante






Na quarta feira passada, propuz uma reflexão às irmãs da UAF, reunidas pela ocasião do aniversário de uma delas, onde me escolheram para trazer a Palavra naquela tarde. 

Baseada numa das reflexões de Ed René Kivitz, que por sinal sempre me ensinam muito, expus num quadro dividido ao meio, duas colunas: uma para "Vida" e outra para "Morte".

E cada uma delas ia designando onde eu deveria escrever as expressões que eu citava: amor, perdão, discórdia, paz, trabalho, família em harmonia, ódio, drogas, acusação, fruto do Espírito, frieza, amizade...

O objetivo deste quadro era fazer com que as irmãs visualizassem, que na coluna concernente à palavra "Vida", haviam frases referentes à vida espiritual, material, emocional, relacional, etc. Para que entendessem que a Vida abundante conquistada por Cristo, é plena, completa, integral, saudável em cada área.

E que um corpo sem alma é defunto e uma alma sem corpo é fantasma. Portanto, Jesus não morreu por defuntos e fantasmas, mas morreu por homens, sabendo que estávamos inseridos nesta realidade. Por isto, embora seja temporal, transitória, passageira, ainda assim a vida é valiosa e a qualidade dela custou caro.

Refletimos também sobre o que escrevemos na coluna referente à "Morte". E verificamos que todas nós, estamos em falta em algum quesito. Há um ajuste à fazer em determinada área. Algumas delas perceberam inclusive, que embora congreguem há tanto tempo, ainda vivem uma vida de morte.

Constatamos então, que a cura já não depende de Deus, mas de uma mudança de postura nossa, porque a Obra Redentora está pronta. É interessante perceber que a maioria dos cristãos mistificam o que está errado, culpando o diabo. A dinâmica serviu para trazer à consciência de cada uma, sua responsabilidade para viver com abundância.

Lemos também Lucas 17:21, para ilustrar que o Reino de Deus já é uma realidade e está dentro de nós. Se por alguma razão não o vemos, a falha é nossa.

É como algo que cai no fundo de um lago e não pode ser visto enquanto a água está agitada. Uma vez que as águas se tranquilizam, é possível encontrar o que se procura.

Enfim, todas acharam o encontro proveitoso e estavam felizes por entender que a Salvação está na esperança do porvir, mas também é o pão na mesa. É a comunhão da Igreja, mas também é a saúde do corpo. É a alegria no Espírito Santo, mas também é a reconciliação.

Jesus disponibilizou Vida abundante e ela já começou!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

5 anos



Mão cheia! :D

Este blog está celebrando seu 5º aniversário. E eu fico muito feliz porque por meio dele fiz amigos, compartilhei pensamentos, abri diálogos, recebi e transmiti afeto e posso constatar as muitas mudanças que aconteceram ao longo desse período, na minha vida e principalmente na minha fé.

Como percebemos que estamos trilhando o caminho certo? Acredito que quando contemplamos frutos saudáveis brotando para a nossa provisão. E nisto minha alma se compraz. Deus cuida de mim em cada aspecto, cada área, cada necessidade que se apresente em minha vida.

Não; Eu não tenho uma fórmula. Algo à ensinar, além do que já está revelado e exposto na Bíblia. Mas creio num Deus que molda as pessoas de forma artesanal, usando a matéria prima disponível em cada alma. E somos nós que "ajuntamos" este material na terra, durante a trajetória. Por causa disso, a resposta é diferente pra cada um, tudo depende de nossas escolhas.

Não posso negar que reconheço que provei de um alimento mais sólido. Isso me proporcionou uma "sustância" maior, para enfrentar as contingências inevitáveis da vida.

Não entro na presença de Deus para buscar retribuições, porque tudo o que mereço é morte. Entro, por meio dos méritos de Cristo, o digno.

Não vejo Deus como um prestador de serviços, que paga ou gratifica um servo que obrou bem. Mas sei que tudo o que recebo, é porque Deus é Bom. E mesmo o bem que consigo fazer, não está em mim. Mas acontece porque eu estou Nele.

Não frequento a "casa de Deus". Mas sou parte do templo em que Ele escolheu habitar e por meio dessa consciência, toda minha postura é determinada, pois onde estiver, sei que Ele está.

Não busco milagres, intervenções ou soluções de problemas. Busco onde tenho errado, o que preciso aprender, em que área devo dar mais atenção, pois todas as respostas estão contidas nos ensinamentos de Cristo e pra ser bem sucedida, só preciso lembrar deles e seguí-los. Se há algo errado, com toda a certeza o erro é meu. A raiz de cada problema, está no desvio dos meus pés.

Então, a solução não está em pedir que Deus venha em meu socorro e olhe pra mim. A solução está em olhar para Deus e identificar no que preciso mudar para solucionar meus problemas. Está consumado, lembram?

Hoje me sinto menos comprometida com a postura religiosa evangélica, ao passo que me sinto cada vez mais plena no meu relacionamento com o Pai. E isso é motivo pra continuar celebrando, pois o que tem sido corriqueiro, é ver que as pessoas decepcionadas com tantas distorções e heresias, acabam rompendo também com Deus.

Mas tudo isso são conclusões minhas e talvez só sirvam pra mim. O importante é que cada filho seja sensível à voz do Pai, buscando para si a intimidade com o Senhor.

Obrigada Senhor, pelo teu favor!
Obrigada amigos, pelo apoio e amizade! :)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Seus olhos estão na promessa?

Por que este discurso de fome, se o Pão Vivo já desceu do céu?
Por que esta alma sedenta, se as Águas Vivas fluem do interior?
Por que a sensação de acorrentamento, se a Porta já foi aberta?
Por que continuar acumulando culpas, se o Evangelho restitui a leveza?

Descanso, porque o mérito não é meu.
Entendo, porque a revelação do Amor já veio.
E sou bênção, porque tudo está consumado.

Não fixarei os olhos na minha nudez, porque a fé me veste com trajes nupciais!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Muita discussão e pouco do que interessa

Observando os discursos do Papa com relação à união homoafetiva, questiono mais uma vez a atuação da  Igreja no mundo e percebo que na maioria das vezes, ela se perde fora da sua alçada, com questões que dizem respeito ao Estado, à política, ao bem comum, etc. A Igreja de Cristo foi chamada para anunciar a salvação e ensinar o amor. O que passar disso é corrupção com a política. É fugir do objetivo.

Lembrei também que domingo logo cedo, o pregador da congregação repetia em suas palavras, tudo o que eu havia conversado durante a semana, sobre o tempo que a Igreja perde discutindo questões irrelevantes e se omitindo em ensinar o povo a encarnar o Evangelho. Só pra constar, me reúno à algumas pessoas, numa Igreja  Congregacional, onde as discussões são comuns, mas basta observar a espiritualidade do povo e ver que o caminho que escolhemos não é o melhor.

De um modo mais geral, a Teologia é um campo útil para dialogar, um instrumento para conhecer o contexto, a história, mas cada homem abraça sua vertente, corrente, posição e só. Não há conclusão, não há verdade absoluta, não há um certo e outro errado. É válida pelo espaço pra dialogar, pela oportunidade de conhecer os homens e as religiões, mas inválida para revelar Deus.

Biblicamente, a base que temos é justamente inversa. Deus escolheu se revelar aos pequeninos, aos simples. E quanto mais o homem mergulha em seu próprio conhecimento, mais confuso fica em sua própria sabedoria humana. Não há garantia de relacionamento com Deus, para uma pessoa que resolve estudar a Bíblia sistematicamente. Aliás, sem a instrução do Espírito Santo, uma frase ganha a interpretação que cada homem quiser dar. Sem o Espírito instruindo, a mesma Bíblia que revela Deus, é berço para as mais absurdas heresias.

Um exemplo: Calvinismo e Arminianismo. Há quem mergulhe nessas idéias e ambas tem respaldo bíblico para existirem, mas, observando como gosto de fazer, descobri que não aceito pra mim, nenhuma das duas vertentes. Há quem diga que não tem jeito, pois negando uma, concordamos com a outra. Mas é só questionar alguns pontos e ver que são falácias humanas, de quem tenta encaixar Deus em nossos conceitos.

Se o objetivo do calvinista é exaltar a Soberania de Deus e escolhe Romanos como texto Áureo para fundamentar seu ponto de vista, por tabela nega todo o restante, inclusive a Justiça (pois se todos merecem o inferno, não é justo escolher alguns para a salvação) e põe em cheque a Misericórdia e o Amor, que inclusive motivaram a vinda de Jesus ao mundo. E textos como: "cabe à você dominar", "Deus não faz acepção", "Essa persuasão não vem de Deus", "Resisti e ele fugirá", "Ao vencedor darei", etc. São atropelados como se não existissem. Particularmente, acho que nada é tão repugnante na Teologia quanto o Calvinismo.

Mas sou Arminiana? Não. Porque apesar de crer na livre escolha, acho impossível ao homem, salvo pela Graça por intervenção do Espírito Santo, que convence do pecado e da necessidade de arrependimento, por meio da  fé, que caiba a este mesmo homem, manter-se salvo. Logo, se a Graça me alcançou, quem a tomará de mim? Se tomar, já não foi Graça, porque nunca a mereci.

Sim devemos ser santos, mas santidade não é pureza, porque o homem jamais será puro, mas em Cristo somos purificados. Santidade é separação do que é comum, para ser usado no que é sagrado. E Deus decidiu isso, inclusive sabendo que a carne é corrompida e que seremos carne até a morte. A condição humana não nos permite ser outra coisa senão pecadores, mas com o auxílio contínuo do Espírito Santo, conseguimos escolher o que é bom para o nosso espírito, mortificando a alma.

Então o que entendo? Do nosso prisma temporário, temos a ilusão de que colhemos os resultados das nossas escolhas, mas o que importa para Deus, é a intenção que Ele enxerga quando sonda nossos corações. Errando ou acertando, é como lido com minhas culpas que fazem a diferença. Assim, serei ou não como Davi, um homem segundo o coração de Deus, apesar das muitas falhas. Porque Deus busca adoradores verdadeiros e requer deles coração contrito e não sacrifícios.

E sob o prisma Daquele que não é detido pelo Cronos, creio que ao revelar à João, coisas  que ainda não aconteceram para nós, Ele revelou uma partícula do que é ser atemporal. Aquelas pessoas de "brancas vestes" diante do Trono Branco, são conhecidas Dele. Ele viu seus rostos, seu proceder e sua intenção. Os que nunca foram conhecidos não terão este privilégio, pois não receberão um novo corpo.

Deus não visita o tempo em cada vez que o solicitamos, mas conheceu todas as coisas de uma única vez, simultaneamente, fora de qualquer limite temporal. E sabe quem desejou estar com Ele, sabe quem chegou no último dia, vencendo, perseverando em Cristo.

Então, no fim das contas, perdemos tempo com tanta falação :)
Importa é anunciar que Jesus pagou o preço de nosso resgate e que é ao Salvador, à sua instrução, seus passos  que devemos seguir.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O ser


Viver é mergulhar num abismo. Sem arriscar, a vida não vale a vida.

Com meu silêncio e ritmo, sei diferenciar o gosto amargo, doce, azedo, salgado, cítrico, picante, apimentado... aprendo sentindo o sabor.

Acredito que isso é ser. Rever conceitos a cada novo sabor. Porque imutável é a essência de Deus. Nós, acrescentamos algo ao ser todo tempo.

Então na verdade, para o homem, ser é estar.


Por que não cultuo meu ser? Porque sei que amanhã, em relação ao que sou hoje, ele estará defasado. Não há ninguém pronto.

O que percebemos como carne, é apenas carcaça. Morrendo hoje, daí há dois dias ninguém aguenta estar perto, igualzinho qualquer animal.

O corpo é mero instrumento, apenas o meio que temos para viver de acordo com a alma (o ser) e o espírito (canal que nos liga ao sagrado).

E é justamente na alma o nosso problema. Lá está tanto o que nos diferencia (convém saber), quanto o que nos destrói (convém mortificar). 

Por exemplo: o orgulho ferido é almático e prejudica o ser, o perdão é espiritual e restaura. 

Ser espiritual é mais simples do que parece, mas não fácil. Tudo depende de aceitar não prevalecer com tudo o que se é, mas perceber a necessidade de discernir a individuação, entre todas as características que nos prejudicam. A mortificação de nossas concupiscências, depende única e exclusivamente do nosso desapego ao ego.

Jesus homem, foi a plenitude de um ser espiritual, renunciou à sua tendência almática em obediência. Adão, um ser almático, que iludido com o "ser como Deus", foi o primeiro egocêntrico da história e assim morreu.

Nós, à medida que caminhamos, temos a liberdade de escolher e um Mestre que deu as coordenadas.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Recomeçar






Geralmente a virada traz um sentimento de esperança com relação ao futuro. O novo ano vem com a incumbência de consertar o que está errado e renovar as forças. Virei o ano chorando, não por mim, mas pelas escolhas de outras pessoas. Quando coloco gente amada diante de Deus em oração, meu coração fica muito apertado.


Resolvi que não vou traçar metas, não vou estipular prazos, não vou investir demasiadamente em causa alguma. Vou dar uma de Zeca Pagodinho e deixar a vida me levar. Deixar Jesus me levar pela vida... O máximo de planejamento que me permiti fazer, foram minhas férias daqui há 3 semanas, mesmo assim tentarei ser flexível, porque quero mesmo é descansar.

Os anos anteriores comecei mais esperançosa, mas percebi que a gente sempre faz o que não planejou e deixa de fazer o programado, porque sem que esperemos, vem uma contingência nova, uma adversidade inesperada, ou uma boa surpresa que muda o roteiro. Então relaxei... já que estou nas mãos de Deus e Ele já conhece o  que é melhor pra mim, que venham as alegrias e também as oportunidades de crescimento.

Pra começo de conversa, uma amiga acabou de me ligar, pedindo pra ficar aqui em casa por uma semana, porque resolveu se separar do marido. Pra ela, o ano passado foi um pesadelo e mesmo tendo filhos casados e outros parentes, desejou buscar apoio em mim. Fico apreensiva com a mudança de rotina, mas lisonjeada por ter sido escolhida, sinal de que transmito confiança para meus amigos.

Como meu pedido à Deus foi justamente me tornar uma mulher mais envolvida nos encontros, nas trocas, nos afetos e cada vez menos apegada à coisas, já no primeiro dia do ano, Deus me deu um desafio desse porte. Que minha amiga tome a melhor decisão para si.

Quanto à mim, estou livre de qualquer resquício do passado e sem grandes preocupações com o futuro. Vou desfrutar do presente, que é realmente um presente que recebemos todas as manhãs, com o nome de Misericórdia. E o presente nos pertence até o fim do dia. Temos oportunidades o dia inteiro, para fazê-lo proveitoso ou não.

Deus cuida dos detalhes, melhor, cuida de mim, para que eu tire o máximo de proveito de cada dia.
A impressão que tenho, é que estou transbordando. É hora de dividir :)

Feliz 2012 pra você e pra sua família!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Curtas

Saber que à partir da eternidade, Deus já me disse todos os "sins" e "nãos" que cabem na minha vida, me libera para investir meu breve tempo buscando Seu Reino, até para poder assimilar essas respostas, sem perder a paz.


...


A fidelidade de Deus comigo, independe da minha para com Ele, pois a ambiguidade, contradição e vulnerabilidade da minha condição, me puxa na direção da minha carne, mas porque Ele não pode negar à Si mesmo, permanece fiel e me resgata sempre.


...


Minha oração, quando peço algo, consiste em clamar por favores ao meu espírito, afim de prepará-lo para negar à minha carne, tudo o que ela deseja. Não peço favores materiais, embora Deus me realize cada desejo nesse sentido.


...


A Palavra de Deus não deve ser engolida, de forma que cada vírgula seja santificada. Assim vomitaremos cada versículo pronto, sobre pessoas que não podem discerní-los. Mas deve ser saboreada como alimento para o espírito. Digerida, metabolizada, compreendida e assimilada, de forma que passe a ser parte de nós e se converta em amor na nossa língua.


...


O povo perece por falta de conhecimento, menos por não ter quem ensine, do que por interesse em conhecer a Verdade.


...


Primeiro: precisamos decidir se somos cristãos ou judeus. Porque a Bíblia apresenta duas alianças diferentes e bem distintas. À partir daí, ficamos menos vulneráveis à manipulações.

Segundo: temos que escolher se o que a religiosidade apregoa é mais ou menos importante, do que entender a revelação bíblica. Porque há uma sequência de fatos, um propósito e o cumprimento em Cristo. E o resultado de tudo é o que realmente importa  aos Gentios, o grupo à que estamos inseridos neste contexto.


...



O ateísmo cresce no mundo, porque alguns "cristãos", se tornaram o povo mais mentiroso da face da Terra.
Cada vez que uma pessoa sensível vê uma imagem como esta, vítima do descaso e esquecimento, em contraste com líderes evangélicos passeando pra baixo e pra cima de carro importado e jatinho, "evangelizando" em cruzeiros marítimos e usando botas de Piton, creditando sua corrupção à Deus, sente náuseas. Em Mateus 25:42 a 45 Jesus diz que está nesses pequeninos e que a negligência da Igreja é passível de condenação. Nós como ovelhas, deveríamos reconhecer a voz de Cristo no clamor dessas vidas e não nas mentiras dos estelionatários, que não entram e nem deixam entrar.

...


O filho que desejar ser instruído na verdade, de maneira nenhuma o Pai negará isso.
O crescimento em graça e conhecimento, não é involuntário como o crescimento físico. Jesus abre os olhos de quem deseja enxergar. Mas o ambiente da mentira é confortável, agradável e caloroso para o homem carnal. Aquele que busca sintonia com a Vontade de Deus, não suporta e não permanece nesse ambiente, porque o espírito se alimenta da verdade.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.


Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;

Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
Mateus 25:42-45
Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;

Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
Mateus 25:42-45
Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;

Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
Mateus 25:42-45
Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;

Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
Mateus 25:42-45
Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;

Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
Mateus 25:42-45

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Promessas de quem?






Sobre um evento televisivo, apresentado no último fim de semana.

Os comentários de evangélicos conhecidos, tem me incomodado bastante, porque denuncia o fato de que as instituições tem distorcido o Evangelho, de forma que nem os seguidores de Cristo, reconhecem mais o seu caminho.

Tem coisas que praticamos porque é Palavra, tem coisas que praticamos porque aprendemos assim, porque é a moda, porque é tradição, porque é mais legal. Faço parte de um pequeno grupo, que sonha em resgatar a pregação pura e simples do Evangelho, sem mistificações, sem engodos, sem o fermento da religiosidade, sem a ilusão que se transformou a igreja evangélica, carregada de enganos e farças em nome de Cristo. 

Sonho com o dia, em que as pessoas despertarão para o fato de que não existem templos, pois Jesus é o Templo e nós somos a Igreja se estivermos neste Corpo. Sonho que à partir desta consciência, as pessoas se vejam como a Igreja em tempo integral e não apenas no domingo ou em outras programações. Mas seremos todos cristãos na vida, nos encontros, em todo o tempo.

A preocupação do cristão, será proclamar que o preço já foi pago e que basta crer. Não há acepções, nem privilégios e nem bênçãos em troca de boas obras. Fomos abençoados quando tudo estava consumado na Cruz, pura e simplesmente porque Deus nos amou. 

Neste dia, que parece utópico, visto no que se transformou as intituições evangélicas, os cristãos amarão, perdoarão, compartilharão e deixarão de tietar outros cristãos. Serão apenas cristãos, seguidores dos ensinamentos de Cristo, crescendo em Graça e Amor.

Quanto ao evento, minha crítica não é no sentido de que não deveria ter acontecido. Acho válida a apresentação, mas não aprovo a desonestidade, porque é um evento comercial. Que não mistifiquem o evento, que o tratem como entretenimento.

Os cristãos deveriam assumir "sim, somos telespectadores, consumimos seus produtos, adoramos suas novelas, queremos igualdade, queremos um evento com nossas músicas porque também queremos tirar o pé do chão" ¬¬ 

E não o discurso hipócrita de que o diabo foi envergonhado e que a Globo se dobrou ao Evangelho e que o Brasil será de Jesus e tal... prova desta mentira é que na sequência imediata, a Globo voltou a ser o que sempre foi e todas as partes lucraram com isso. 

2 Pedro 2:3 "E por avareza, farão comércio de vós"
Como se não bastassem os lobos travestidos de cordeiros, pregando toda sorte de engodos, mentiras e heresias, a mídia agora entrou na disputa, porque descobriram que crente dá ibope e lucro. E o povo... como é fácil ludibriar um evangélico!

No dia em que as trevas e a luz se aliançarem, no dia em que houver amizade entre a Igreja e o mundo, no dia em que o Reino de Deus for transferido dos templos de carne, para nações, lugares, bairros e placas de igrejas, a Palavra de Deus deixa de ser verdadeira. Porque o que a Bíblia revela na realidade dos que servem à Cristo, são lutas, aflições, perseguições e inimizade com o mundo, porque o servo é menor que seu Senhor.

E que para estar inserido na Vontade de Deus, é necessário perseverar na Verdade até o fim, sem tomar a  forma do sistema aceitável no mundo, sem nos deixar corromper.

Alguém poderá até achar que assim, ser cristão perde até a graça... pois é, a Graça deveria bastar. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Deus odeia?



Vi essa discussão na página de um cantor cristão e percebi uma grande confusão no entendimento geral. Alguns cristãos acharam absurdo, o pregador dizer que Deus odeia. Participei lá, mas gostaria de expor aqui minha percepção.

Primeiramente, a idéia que temos do ódio, é carregada de humanidade. Nosso ódio é egoísta e provém de um coração maculado pela queda. O sentido bíblico para esse "ódio" de Deus, é a ofensa que o pecado causa num ser Puríssimo. O pecado é um ambiente, onde Deus não suporta estar e consequentemente, o pecador se tornou destituído da presença gloriosa de Deus.

Hoje, a ausência de pregações neste sentido, tira a consciência de muitos cristãos, quanto o que recebemos de Deus. Se prega que Deus ama o pecador, independente do que ele faça. Muitos pecam habitualmente, sem a menor dor na consciência, porque afinal Deus ama e sempre estará pronto à perdoá-los. Mas são ilusões baseadas no egocentrismo humano. A Bíblia diz outra coisa.

O povo acha que pregando uma verdade parcial, contribuem com o crescimento do Reino. Se está revelado, é para que saibamos, afinal, cada um prestará contas de si. É conveniente escolher textos de acordo com o umbigo, mas não é sábio, porque a revelação está exposta integralmente. Devemos dizer sim que Jesus pagou o preço, mas deixar claro que nossa dívida era impagável e eterna, até para que haja consciência e gratidão.

Toda a confusão gerada na discussão, é que a maioria das pessoas tentam enquadrar Deus nos parâmetros humanos, mas Deus é eterno e nós não podemos definí-lo com nossa mente temporal.


O que o texto bíblico trata, é que Deus não suporta o ambiente de pecado e não há um justo sequer entre os homens, portanto, a separação seria inevitável. 

Em contra partida, a Bíblia narra, que o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo, sendo manifesto dentro da história posteriormente, para que tudo fosse consumado. 

Exatamente por isso Deus é Amor, porque antes que houvesse o homem, o pecado e sua consequência, já havia a redenção. O perdão de Deus é o antídoto e antes que a culpa se manifestasse na história, o Amor de Deus a cobriu. Hoje, quando nos olha, é a Perfeição de Cristo que vê, o sacrifício que nos apaziguou, está entre nós, mediando nossa causa.

Nisto consiste a salvação: aprouve ao Senhor, disponibilizar uma Porta. E todos que aceitarem entrar por ela, encontrarão a Vida. Só não será reconciliado, quem se negar a crer. Se antes havia uma separação, hoje há acesso, não por mérito humano, mas porque nossa culpa recaiu sobre Jesus, o Cristo, que se fez justiça no nosso lugar.


 


sábado, 3 de dezembro de 2011

Mais engano na praça

A postura de um amigo me chamou a atenção, porque apesar de sempre o ter admirado por ser verdadeiro, meus olhos nunca estiveram cegos pra sua agressividade ao lidar com pessoas religiosas. Não foram poucas as vezes que reprovei sua arrogância e prazer em humilhar, desfazer, ridicularizar as pessoas que tentavam defender a própria fé, porque segundo ele, a intituição é a encarnação do próprio diabo. Ao mesmo tempo, ele não media esforços em militar uma nova causa e promover um certo mentor.

À princípio, a proposta era boa. A nova filosofia parecia querer resgatar a pureza e a simplicidade do Evangelho, condenando a intitucionalização da Igreja e ensinando aos seus seguidores a verdadeira liberdade cristã. Mas o interesse em conhecer um pouco mais, me despertou para uma observação sob outro prisma.

Os seguidores veneram tanto seu  líder, que é inadmissível que alguém o critique. Mas quem está fora, não consegue ficar indiferente, porque é evidente demais a postura rancorosa, vingativa, que maquina e realiza investidas contra os ex amigos que outrora o feriram.

Deveria ser evidente, que qualquer movimento de fé, baseado em ressentimentos e facções, não pode ser saudável. Sem amor, tudo é inútil, em vão e nada é. Basta observar a falta de perdão fazendo vários aniversários, pra entender que há algo de errado alí. 

Além dessa adoração evidente ao mentor, me pareceu que todos eram movidos por um ódio explícito à causa evangélica, mas não limitada à reprovação natural quanto aos erros de doutrina, interpretação e distorções. Mas algo que excedia ao bom senso, como uma lavagem cerebral.

E à mim, hoje, é claro como água. Infelizmente, o mentor fundou sua própria religião, agregando pessoas  que se deixaram levar pelas suas idéias boas e sábias, mas impregnadas de humanidade, queda e raiva do passado. Os jovens são o alvo principal, atraídos com palavras de impacto, como liberdade sexual, álcool e a ilusão de revolução. Mas consequentemente, alimentados diariamente com doses de sarcasmo, ódio e sentimento de vingança. Além da linguagem própria, de quem repete o mesmo discurso, jargões e ira, de tanto ouvir.

Desprezam todo o conteúdo Bíblico, mas usam o Nome de Jesus Cristo. Só o Nome, porque a Verdade de Jesus é relativizada segundo os interesses do mentor, mas a verdade do mentor é absoluta e inquestionável pelos seus seguidores.

Portanto, é uma seita maqueada de Evangelho, mas na verdade não é cristã, porque o que Cristo ensinou é diminuído ao nível do pensamento filosófico da época, portanto ultrapassado, arcaico. Ele falou, mas não era isso que queria falar, mas falou porque era isso o que podiam entender...

Na verdade, a fé de que Jesus é Deus e que tudo o que existe, foi feito por meio Dele e que nada sem Ele se fez. E que pra Ele, por Ele e Dele são todas as coisas, vem por água abaixo na concepção dessas pessoas. Porque qualquer filósofo ateu, que tenha vindo depois dos filósofos cristãos, para eles tem autoridade.

Porém minha fé, de que Deus É de Eternidade à Eternidade e que não muda, me enche o coração de certeza, de que Jesus nasceu no tempo determinado pelo Eterno e cumpriu o que veio cumprir, me dá a convicção de que o contexto, foi preparado desde antes da fundação do mundo e Sua Verdade é imutável e inegociável. Quem despreza seu ensinamento, é qualquer outra coisa, menos um cristão.

E quem contestou sua Verdade, seja anátema!