Minha família nuclear convive como vizinhos. Embora cada um viva em sua própria casa, temos uma área comum onde convivemos e comemos juntos quando desejamos. Porém da porta para dentro, ninguém interfere, invade ou opina sem ser solicitado.
Estamos juntos, mas ao mesmo tempo temos privacidade e respeito.
Respeito que acolhe as diferenças políticas, sociais, porque somos indivíduos criados para fazer as próprias escolhas. Tem famílias tradicionais, tem famílias atípicas, tem gente de esquerda, de direita e centrão. Tem branco, tem pretos de vários tons, tem torcedores e gente que não sabe nada de futebol. Tem gente de todas as religiões e até ateus. Ninguém se aponta, discrimina ou discute.
Até quando discordamos, respeitamos o direito de ser de cada indivíduo, porque aprendemos que a colheita corresponde ao plantio.
Desde minha infância, ouvia minha mãe dizer que cada um escolheria seu caminho. Ela se limitou a nos educar para a vida e para a boa convivência. Nunca impôs crença alguma, nos deixou intuir o melhor para cada um.
Era até rígida com relação a cada um cumprir suas responsabilidades, mas nessa área ela nunca opinou. E assim aprendemos que cada um é o que é e devemos deixar ser, porque nosso vínculo afetivo tem que ser maior que tudo.
Nossa família é conhecida pela união e harmonia e raramente algum desconforto dura mais do que deve. Nossas crianças crescem juntas e repetem nosso estilo de vida.
É o legado que recebemos e repassamos.
Minha fé não foi algo transmitido pelos meus pais e eu nunca fui régua do mundo. Talvez por essa razão, mesmo quando experimentei a religião, me recusei a engolir tudo o que mastigavam.
Eu, da mesma forma que a Graça de Deus me alcançou em casa, também me instruiu fora da estrutura religiosa, usando muitas pessoas e também minhas leituras solitárias. O que falo, escrevo e posto, é revelação que nasce das minhas próprias experiências. Não sou dependente de ninguém, senão do próprio Cristo. E sei que Deus se revela a quem Ele quer.
E por fim, cabe a mim por em prática minha fé e cuidar da minha alma para que não se corrompa. Aos outros, eu só devo amor.
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