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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Dos encontros que viraram desencontro



Quase duas décadas depois o agradeci.
Ele deu um sorrisinho e disse: "que bom que você tem boas recordações." Na verdade eu tenho muitas lembranças, mas eu guardo as boas. As ruins ficam num compartimento isolado que eu posso ver, mas não me atingem. Eu guardo e acesso o que me construiu em algum momento.

Ele era gente boníssima, mas não comigo. Me fez rir muitas vezes, mas não intencionalmente. Não é que eu idealizasse a perfeição, mas ele tinha o dom de abrir minha mente, massacrar meus conceitos, me fazer reavaliar preconceitos e duvidar das minhas certezas.

Não era padrão, mas pra mim era um anjo. Não era paixão, mas tocava minha alma e me deixava confusa. O não me deixou em carne viva e enferma nas entranhas. Não o "não" como resposta aos meus devaneios, mas o "não" que arrancava minhas cordas vocais. Eu tinha tanto a dizer e tanto à ouvir...

Amei, amo, amarei como amo tudo o que foi importante na minha vida, mas feliz mesmo eu fiquei de ver que hoje ele é um homem formado, feliz e realizando sonhos, amores, viagens e tudo o que merece. É tudo o que eu quis pra ele.

Duas décadas de uma história que nunca entendi. Abraços recorrentes nos sonhos que chego a sentir. E desencontros conscientes como água e óleo, cada um com sua densidade e momento. 

Mas não apagaria nada. É como se os encontros casuais tinham mesmo que ter acontecido, embora estivéssemos em sintonias diferentes, o reconheci. E sem entender nada, pelo menos naquela época, da mesma forma que cheguei, parti. Partimos.


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