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sábado, 1 de junho de 2013

Marta e Maria





"E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;
E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.
E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;
E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." 
Lucas 10:38-42



Estamos  diante do relato de duas posturas diferentes de cristãos. Sabemos que as duas amavam ao Senhor, mas a maneira de demonstrar este amor era bem distinta.

Marta priorizava as obras e Maria a fé. Marta queria servir ao Senhor da melhor forma possível, ficando cansada e agitada com sua impotência. Maria só queria aprender o ensinamento de Jesus.

Jesus estava aconselhando Marta, a priorizar as coisas espirituais. Ela o recebeu em sua casa, mas não lhe deu prioridade. O medo de não servir direito, tirou dela o prazer de se relacionar com o Senhor, de aquietar-se e ouví-lo, de crescer espiritualmente.

Enquanto Maria estava confiante de que tinha escolhido o melhor, Marta estava ansiosa, inquieta, andando desorientada.

Enquanto Maria estava tranquila e atenta à Jesus, Marta andava afadigada e nada aprendia.

Enquanto Maria estava focada na eternidade, Marta estava preocupada com a efemeridade.

Enquanto Maria estava ocupada com os interesses do Reino, Marta buscava muitas coisas.

Enquanto Maria aproveitava a oportunidade para crescer e foi elogiada, Marta estava invertendo os valores e foi censurada.

Maria escolheu a melhor parte, Marta estava escolhendo as coisas passageiras, as quais o Senhor não considerou importantes.

Maria se ocupou do que lhe alimentava o espírito, Marta estava preocupada com o corpo.

Não que as coisas materiais devam ser desprezadas, afinal somos carne e temos necessidades a serem supridas por meio do corpo. Mas nossa prioridade, deve ser preparar sempre o espírito, alimentá-lo e fortalecê-lo,   pois as coisas terrenas passam, mas o que o espírito absorveu, jamais nos será tirado.

Mateus 6:33 "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." 

Aquele que busca as coisas, não é suprido espiritualmente. Mas o que busca o Reino, de nada tem falta.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

O preço da tal liberdade

Quem pode por ordem no caos? 
Quem dissolve a dor, quem povoa a solidão, 
quem entoa músicas no silêncio, 
se não for de mãos dadas com o outro?

A liberdade tem um alto preço, 
preço de sangue que borbulha, mas não redime.

Só há uma cura e está no amor.

Só o amor tem o poder de transcender o homem 
da efemeridade à eternidade. 
Do caos, à esperança de Vida.

Só UM é Amor.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Deus não faz acepção de pessoas




Algum de vocês já se perguntou o por quê de Deus ter feito proibições quanto ao consumo de diversos animais na Lei de Moisés? De acordo com as características de cada animal, eles eram considerados puros ou imundos. Logo que conheci os textos bíblicos que falam à respeito, eu me perguntava o porque de Deus ter criado animais imundos e por que consumir alguns era pecado e outros não.

Nesta semana, um calvinista disse que era por causa da saúde, pois somos templos do Espírito Santo. Claro que a definição não me satisfez, pois como por exemplo: camarões eram proibidos e pelo que me consta, camarões só fazem mal à quem tem alergia a camarões. 

Outro exemplo: um amigo que se dizia judeu, só comia frangos da Sadia, pois dizia que o dono era judeu e não matava seus frangos estrangulados, mas cortava fora a cabeça. Comer frangos estrangulados era pecado, mas comer frangos decepados não. Logo, não tem nada a ver com levar uma vida saudável.

Perguntei à Deus e pus-me a meditar. Afinal, as coisas espirituais se discernem espiritualmente. O que significam estes animais, Senhor? E eis o que aprendi:

Animais impuros, representavam os diversos povos ao redor do Arraial, com costumes e religiosidades estranhas à vontade de Deus, como por exemplo, cultos à deuses estranhos, homossexualidades, prostituições e sacrifícios de crianças.

O povo de Deus, deveria se abster desses animais como alimento, convivência e até do toque, como figura de pureza e separação de outras culturas. 

Veja a atitude de Jesus:


E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada.

Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós.
E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!
Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos.
E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã. 
Mateus 15:22-28


Quando Jesus se referiu àquela mulher com a metáfora dos "cachorrinhos" considerados imundos no VT, não estava chamando a moça de cadela, cão, cachorra, não estava ofendendo ela. Estava apenas dizendo que naquele momento, ainda não era hora da Graça se manifestar aos povos estranhos. Por causa da fé que ela demonstrou, Ele abriu uma exceção. Mas só quando a Igreja se estabeleceu, Paulo pregou à respeito dos Gentios serem enxertados no Ramo. Herdamos o que os seus rejeitaram.

Veja: 

"E tendo fome, quis comer; e, enquanto lho preparavam, sobreveio-lhe um arrebatamento de sentidos,

E viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra.
No qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu.
E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come.
Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda.
E segunda vez lhe disse a voz: Não faças tu comum ao que Deus purificou.
E aconteceu isto por três vezes; e o vaso tornou a recolher-se ao céu."



"E disse-lhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo."



"E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas;
Mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo." 

Atos 10:34-35 


Quando Pedro entrou em conflito, por preservar costumes judeus e considerar a supremacia de seu povo, teve uma visão, onde Deus o mandava "comer" de tudo, entre todos os animais imundos. Pois a Graça alcançou a todos os povos, línguas e nações. Já não há acepção entre os homens. Tanto os judeus quanto os gentios, deveriam ser evangelizados para decidir por Cristo e sua Justiça.

Não existem mais animais impuros, pois o que era sombra no VT é Luz no NT. Assim como Deus não faz acepção de pessoas e fez de cada homem que nasça do Seu Espírito, um filho, co-herdeiro com Cristo.

"Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus."
Gálatas 3:28




quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sobre a desconstrução da religiosidade, mas não do amor.





Por causa da intolerância, dos ataques e dos grupos que se formam em redes sociais, numa verdadeira guerra santa, onde cada um defende seu ponto de vista e constitui nos outros, alvos inimigos. Estes parágrafos eram twittes à princípio, mas resolvi registrar aqui para que outros possam pensar à respeito.

Nietzsche começou um movimento importante para desconstruir a religiosidade que retira o homem da realidade. Fez lembrar a integridade.

Assim como falta no homem natural, o canal que o religa ao mistério de Deus, um homem que se fixe na espiritualidade, se torna lunático. Uma pessoa saudável, precisa se reconhecer corpo, alma e espírito, assimilando o que é próprio de cada nuance de sua vida.

Mas é incoerente que cristãos se tornem seguidores de um homem almático. É preciso entender que ele só pode olhar pelo prisma da alma vivente.

O que um ateu pode afirmar sobre a vida espiritual de alguém?

Assim, toda esperança, todo ideal, toda idealização, toda utopia, tira os pés do chão da vida e não apenas a religiosidade. Isso é próprio. O homem natural, tende a desviar seu foco à algo que lhe dê alguma segurança.

A fé não pode ser combatida, porque há erros de interpretação no cristianismo. São coisas distintas.

Cada homem é livre pra escolher seu caminho e livre até para escolher os narcóticos que tornarão sua vida possível. Logo, se a religiosidade falsa supre alguém, não sou eu que tenho que atacar a escolha alheia.

Tudo o que posso fazer, é sugerir meu entendimento, postar minhas ideias, mostrar como assimilo a revelação. Mas se a verdade deles não serve pra mim, impor a minha é arrogância e prepotência.

Ter consciência de que não somos inerrantes, deveria servir para sermos tolerantes. Toda raiz de prepotência na posse da verdade, já torna qualquer tese antipática. Uma sugestão sempre foi melhor assimilada do que uma imposição.

E cada homem tem dentro de si a fonte que jorra sua verdade. Se aprender à buscar, não precisará da direção dos outros. Rapaz, a aridez de ninguém é capaz de interferir na produção dos seus frutos. Cada um faça o seu, porque cada um responde por si.

Ademais, se os frios, materialistas, racionais, são infelizes, porque ditariam sua verdade à quem busca em outras direções? Se nem estes encontraram o que afirmam...

Descanse numa verdade universal: a única alma que está ao seu alcance, é a sua.

Não condicione a tolerância, a harmonia, a boa convivência, aos que fazem parte do seu gueto. Ame apenas e a vida vai parecer muito melhor.

Já conseguiu amar a Deus acima de TODAS as coisas e ao próximo como a ti mesmo? Como quer ensinar os outros a serem cristãos, cabra?

Faça aos outros, o que gostaria que fizessem a você mesmo.

terça-feira, 21 de maio de 2013

O amor espiritual





Apesar do nosso idioma ter restrito à uma única palavra, uma diversidade de significados, gosto de analisar o AMOR pelos prismas das palavras gregas Eros, Phileo e Ágape, porque considero  perfeitas para traduzir a complexidade.

Eros é o mais egoísta dos três e pra se satisfazer, precisa literalmente entrar no outro e ser com ele uma só carne. Se houver frieza não serve, se não houver beleza e atração física não serve. Um se satisfaz no outro e mesmo que busque a satisfação alheia, é por mera necessidade de alimentar a autoestima. Acabou o fogo, acabou a loucura. E se não houver o amor Phileo ou Ágape, acaba o relacionamento.

Phileo é o amor das trocas, provém da necessidade almática de completude. Há um investimento e a expectativa de retorno. Há doação, mas busca também a reciprocidade. Se não houver reconhecimento, há decepção.

Um exemplo típico é uma família que investe numa criança. Doa, educa, cuida, mas ai deste se não retribuir, se não corresponder aos esforços, se não for obediente, se quiser praticar a própria vontade. Há rompimento, sofrimento, conflito... Phileo é troca e não aceita se entregar gratuitamente. Por isso é tão comum as amizades se dissolverem. Se não há retorno do investimento, Phileo perde a força, não se basta.

Agora imagine que num parto, as coisas não corram bem e o resultado é uma criança com paralisia cerebral. Por mais graves que sejam as sequelas e por menos chances que o filho venha a ter de ter uma vida normal, de corresponder ao amor, ainda assim, receberá entrega, cuidado, carinho, doação,  socorro, suprimento...

Assim é Ágape. É assim que Deus nos ama. A Graça não exige retorno, ela ama primeiro, incondicionalmente.

É esta a dificuldade das religiões. Embora preguem um Deus galardoador, impõem a necessidade de troca, como se Phileo fosse primordial no relacionamento de Deus com o homem. Então ensinam obediência, obras e serviços diversos, como moeda de troca por benevolências e bênçãos. No fundo são os registros humanos que forjam também o entendimento à cerca da fé. Entendimento almático, invadindo o espiritual.

Mas como aquela mãe, que se doa ao filho impotente, vulnerável, frágil e incapaz de lhe corresponder à altura, aquela que ainda assim terá um elo de amor espiritual, sem esperar dele, mais do que ele pode lhe oferecer de si, o amor de Deus é incondicional, é gratuito e não busca troca, pois Ele é pleno, não precisa de retorno.

Alguém pode dizer que o exemplo é ruim, afinal temos condições de servir, retribuir. Mas aí é que está. O serviço é consequência e não causa. Fomos amados primeiro para conseguir amar. Se fazemos algo à partir deste amor, é a gratidão que nos move e não um meio de pagar o impagável.

Se há um elo entre Deus e o homem, é espiritual, são laços de amor incondicional, sem relação com as obras humanas. O que o homem consegue fazer, é porque está em Cristo e não por mérito próprio. Mas ainda que permaneça egoísta e não avance em crescimento na direção do amor espiritual, continua sendo alvo de misericórdia, amor, cuidado, porque Deus jamais abandona o homem. Deus é abençoador porque é Bom e não porque merecemos.

Por isso, ponha de lado a barganha, a culpa, o medo, as acusações, as ameaças... tudo isso são contaminações humanas, numa área que serviria para religar, mas se tornou em mentiras.

Quem crê que foi amado imerecidamente, ama por consequência, como resposta. E sentirá fluir de si, este impulso natural na direção de Deus e do próximo. Aí conseguirá doar de si sem esperar pagamento. Porque sabe que antes de todas as coisas foi amado.

Para uma melhor ilustração, leia esta postagem http://janetecardoso.blogspot.com.br/2007/05/surpresas-do-cotidiano.html se refere à uma criança que conheci no metrô. Sua mãe o abandonou logo após o nascimento, ele estava com 5 anos quando o encontrei e o portador do amor Ágape, era o pai.


"Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti." 

Isaías 49:15

domingo, 19 de maio de 2013

Sobre a necessidade de se encaixar




Conversava com meu irmão à respeito de nos incomodar com as fotos que aparecem de nós na internet, sem antes receberem nossa aprovação. Geralmente nós gordinhos, vivemos escolhendo fotos que nos favoreçam, grande parte só do rosto, enfim, estamos sempre preocupados em como vamos aparecer para as pessoas.

Eu dizia à ele, que já não me importo de postar fotos de corpo inteiro, mesmo que as pessoas sejam preconceituosas e comentem ou com ironia, ou com falsidade. Não sou eu que tenho que me esconder porque as pessoas não querem me ver como sou, são os preconceituosos que precisam sentir vergonha do que são, pois qualquer um que superestime ou subestime o outro por causa de alguma característica física, ainda não sabe amar, mas julga as coisas superficialmente. É como comprar um produto pela embalagem, sem saber o que há dentro.

Mas olhando por outros prismas, percebi que tudo na vida é assim: criamos guetos, padrões, grupos e precisamos nos encaixar neles para receber alguma aprovação. São times, religiões, política, cursos, clubes, moda, músicas, carreiras, etc. São inúmeras as tentativas de parecer igual, se encaixar em parâmetros, fazer parte, ser aceito.

Nisso tudo, se perde a individuação. Entramos em formas e já não somos. Ficamos parecidos para não ser rejeitados e perdemos a liberdade para conseguir ser iguais. Não é louco? A Natureza criada é tão perfeita! Tão diversificada e tão rica de detalhes, mas nós, os racionais, não queremos ser únicos, mas iguais.

Estou lendo sobre filosofia e observando as diversas escolas, discutindo temas e há sempre um time de lá e outro de cá refutando, apresentando suas visões, criando discípulos, mudando a forma como as pessoas vivem à partir do pensamento. Para mim, tanto a filosofia, quanto a teologia são válidas como campo para discussão, mas resposta nenhuma é definitiva, pois cada pessoa tem uma percepção. Portanto, para mim, é válido conhecer o pensamento alheio, mas eu não tenho que necessariamente abrir mão do meu.

Assim, consigo acompanhar tanto o pensamento de Agostinho quanto de Nietzsche por exemplo, sem me violentar, retendo o que é bom pra mim em cada posição. Li um pouco sobre vários filósofos,  me reconheci em vários deles, mas ainda prefiro buscar minhas respostas dentro de mim, onde o Espírito Santo habita. É Ele quem me dá o suporte para viver e não as influências externas.

Na teologia a mesma coisa. As diversas correntes e vertentes que tentam afirmar isso e aquilo, pra mim só servem como observação da capacidade humana em questionar e se perder em respostas. Não tenho que aceitar o calvinismo e nem por isso, aceitar o arminianismo como consequência. Posso analisar as duas vertentes e enxergar nelas erros graves. Logo, o que me orienta, continua sendo minha intuição. Gosto de participar de fóruns de discussão apologética, mas não com intuito de mudar o pensamento de alguém e nem sou persuasível ao ponto de acompanhar qualquer viagem. Gosto porque conhecendo o pensamento e argumentos do outro, criamos nossos próprios caminhos para chegar às respostas que nos satisfazem.

Assim, se alguém quer de fato ser livre, precisa primeiro se livrar dos padrões. Seja ousado, descubra quem você é, o que gosta, o que pensa. Desde que não se prejudique e nem prejudique o outro, é tão bom descobrir nossos limites por nós mesmos! Toda ideia que tenta encaixar uma pessoa em formas, já é castradora.

Para ter alguma noção de liberdade, primeiro temos que ser livres dos padrões, dos grilhões, das imposições, da moda, da ditadura. Ser livres das formas, da escravidão aos padrões pré estabelecidos pela sociedade, dos ideais, das estereotipações, dependendo do crivo alheio.

Deixe esta preocupação, para quem não sabe ainda o porque de ocupar uma vaga na existência. Você que faz parte do Corpo, já entendeu que nem todo mundo é mão, que nem todo mundo é olho, que para ser o Corpo de Cristo, tem que ser diverso, completo, cada um desempenhando sua função, vivendo sua individuação, usufruindo da liberdade conquistada à preço de Sangue.



sábado, 11 de maio de 2013

Das minhas memórias




A memória é algo incrível. Ontem, enquanto ia no ônibus, recordava uma reflexão que fiz aos 14, 15 anos sobre a vida.

Na minha meninice, visualizei uma sala totalmente fechada, sem portas, sem frestas e apenas com uma pequena janela lá no alto, próxima ao teto.

Eu era um quadrado no centro da sala, olhando para o alto, sonhando alcançar aquela pequena janela, para então ser plena do lado de fora. Como um quadrado poderia alcançar aquela altura, se não havia nada na sala para ajudá-lo?

Foi então que percebi que tudo o que havia alí (na minha vida) vinha de dentro de mim, inclusive a solução para aquele dilema.

Comecei então a me lançar contra as paredes, me chocando contra aquilo o que eu julgava opressor. E quanto mais me lançava, mais via necessidade de me lançar.

Primeiro as quinas do quadrado foram quebrando, as arestas sendo arrancadas, polidas pelo choque com  chão e as paredes.

Aquilo doía, era bem desconfortável, mas eu parecia saber o que estava fazendo. Era como se eu fosse uma expectadora, mas soubesse que aquele quadrado era eu.

E me lançava e perdia as arestas, fiquei sem forma e já não lembrava um quadrado, mas rolava com certa facilidade e os choques não precisavam mais ser violentos. Eu estava arredondando.

E assim, com a perseverança e sutileza de quem sabia o que queria, eu me vi mudar de forma, até me tornar uma esfera. Parece que a substância que formava a superfície do quadrado era sólida e quebradiça, mas o núcleo dele, era leve e liso como uma bola de borracha.

Quando finalmente cheguei neste formato, comecei a quicar no centro da sala, cada vez mais alto. O alvo continuava sendo a janela no alto da sala e a esperança de encontrar plenitude do outro lado.

Achei graça me lembrando dessas coisas, mas hoje vi sentido nelas. Era uma das primeiras revelações que meu espírito assimilou, apesar de nada saber sobre a caminhada cristã.

Para alcançar o alvo, é preciso mudar de formato, é preciso eliminar aquela capa quebradiça e o impulso vem de dentro. Nada do lado de fora pode fazer isso por nós. São nossas tentativas, atritos e perseverança que farão as mudanças necessárias. Um quadrado inerte, jamais deixaria de ser um quadrado inerte.

Hoje eu seria aquela esfera de borracha, saltando e quicando cada vez mais alto, próxima, bem próxima da janela. Perto de descobrir o outro lado, onde a promessa se cumpre e todo anseio é suprido.

sábado, 4 de maio de 2013

Por que escrevo?

A Bíblia descreve a fé, como uma certeza, uma convicção. Algo que possibilita ao homem, assimilar os mistérios de Deus e crer que nada do que se vive é em vão. 

A fé é a transcendência que liga a promessa, ao cumprimento dela. Quem vive pela fé, sabe que cedo ou tarde, tudo cumpre seu propósito debaixo do Céu.

É ela que nos aproxima de Deus em relacionamento. Por ela, é possível intuir a revelação no espírito. Por causa disso, um homem sem fé (ou que a mortificou) não pode agradar a Deus, sequer vai conhecê-lo ou saber o que Ele quer através da sua vida.

Muitas pessoas perguntam-me por que não escrevo livros, por que não divulgo minhas reflexões de forma que muitas pessoas tenham acesso, enfim. Minha resposta é sempre a mesma: escrevo inspirações, não sou escritora e nem pretendo ser.

O que faz minha letra se tornar vida em quem lê, não sou eu, mas a fé da própria pessoa. São textos simples e de linguagem direta e assertiva, sem pretensões de mudar o mundo, mas com esperança de ser luzeiro na vida de muitos.

Muita gente que passa por aqui fica encantado, outros, apesar de voltarem sempre, reforçam a opinião de que sou apenas mais uma louca que seduz. Quem mergulha no amor, sabe que vai ficar impregnado com um perfume que incomoda. 

O importante é que 20, 30 pessoas passam por aqui diariamente. São 6 anos lançando sementes, que não sei se vingaram ou continuam adormecidas. Nós cristãos, não levamos Deus às pessoas. O anúncio do Evangelho, apenas desvenda os olhos das pessoas, para o que já foi feito por elas. Se crerão ou não, não depende do que dizemos, mas se há fé para as assimilar no espírito.

Escrevo esperando que creiam no que digo, mas Tomé me ensina o que é peculiar no ser humano. Muita gente precisa primeiro de uma experiência com Deus, para só então através de algo concreto, professar alguma fé. Entre espantos e acusações de pessoas que me consideram louca por não conseguir acompanhar o que digo, não cabe à mim colher resultados. Isto é função de outro.

O fato é que meu trabalho não é em vão no Senhor. Posso passar como a neblina, mas as palavras que lancei, frutificaram de alguma forma e isso é a fé que me garante. À medida em que viro palavra, meu carimbo de posse perde a função. Sou de quem quiser me ler, sou de quem vê verdade em mim.

Para mim, a Verdade é única e existe de eternidade à eternidade. De maneira nenhuma ela se desvia do homem. Somos nós que a evitamos para não sermos confrontados com nossa mediocridade.

O ponto de partida é a fé. Sem fé, tudo o que sobra é o efêmero, o temporal e a limitação. Não é raro vermos grupos de pessoas que se dizem cristãs, limitarem seu entendimento aos 33 anos da existência física de Jesus. Para eles não há antes, nem depois. São ateus enrustidos, racionalizando o Mistério. Na verdade lêem a Bíblia com o intelecto que é atributo da alma e não com a fé, que é espiritual.

De que adianta ter uma alma inteligente, se não há um espírito sábio? A pessoa assimila o sofrimento, mas não sabe o que fazer com ele. Jesus direciona tudo, mas pra isso é necessário a fé.

É muito corriqueiro ver pessoas seguindo o pensamento de outros, como se as respostas tivessem que vir de fora. Identificam-se com filósofos, líderes religiosos, pessoas que persuadem pelo intelecto e convencem pela racionalidade. É como se o Criador tivesse privilegiado alguns, enquanto outros tivessem que agir por imitação. Não penso que seja assim. O que falta nas pessoas é buscar as verdades que estão no íntimo de cada um. Escrevo para ser luz, não para adestrar pessoas.

Minha intuição brota do meu espírito como água transbordando. O olho d'água é a fé e eu não tenho controle sobre a revelação que meu espírito recebe. Minha inquietação dura, enquanto minha mente não sistematiza as ideias e as transforma em mensagens.

À partir do momento que lanço essas reflexões, elas já não são minhas. Vai depender de quem as acolheu, se transformarem em verdade ou lixo. Em mim elas se tornaram vida, mas em você que lê, podem ser nada.

Quem dera que minha sede de Deus despertasse a sua, quem dera que meu prazer em caminhar com Cristo te contagiasse... mas cabe a mim lançar sementes, que só frutificarão em terra boa.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O amor não é um sentimento





O maior erro da maioria das pessoas, é achar que o amor é um sentimento. À partir deste equívoco, relativizam toda a revelação bíblica, como se o fato de Deus ser Amor, o impedisse de ser qualquer outra coisa.

Amor não é sentimento. Amor é a própria essência de Deus, que transcende na direção do homem e encontrando receptividade, emana em cada direção. Não encontrando "terra fértil", volta para Ele.

Se a "terra" não é boa para frutificar, não serve senão para ser pisada. Terra seca é o coração voltado para si mesmo. O que busca o próprio interesse. O que se prioriza em relação aos demais.

A terra fértil, receptiva ao amor, gera a vida e se doa, alimenta e dá crescimento. Quanto mais frutifica, mais amor recebe, pois sabe que quanto mais dá, mais tem.

Muitos passam por esta vida, sem saber o que é amor, embora tenha sido amado. Pois para assimilar o amor, é necessário abandonar o egocentrismo. Quem se coloca no centro, não tem condições de viver pela fé; Colocou um impedimento no canal que o ligava à Deus. Um espírito bloqueado, não assimila o amor.

Mas a mensagem do Evangelho, tem o poder de arar a terra. Quem ouve e aceita esta Boa Nova, tem condições de ser vivificado. No momento em que nos enxergamos como estamos e desejamos ser transformados, o Espírito de Deus, realiza todo o trabalho. Apenas os que resistem a este impacto e o rejeita, permanecem áridos e mortos em seu egoísmo.

Quando digo que amo, estou me colocando à disposição para sofrer por você, me doar, te auxiliar, te perdoar, te cercar de cuidados, etc. Uma vez que você me impeça de te alcançar com meu amor, embora eu ainda te ame, não teremos acesso um ao outro. E tudo o que você tiver que passar, será longe de mim, porque assim você escolheu. 

É assim com relação ao amor de Deus, de outra forma, não haveria justiça nem liberdade. Deus não invade ninguém. Não coloniza corações e dita ordens. O Espírito apenas nos convence de que sozinhos, nada podemos fazer. Assim, desejando sua intervenção, temos condições de receber vida em nós.

Da mesma forma que em nós, o ego é a ideia da individualidade, a ideia do "si mesmo", o amor é a ideia do "todos em UM". 

Amar os inimigos, amar quem nos quer o mal, é estar disposto à ajudá-los a se reencontrar com Deus e se tornarem férteis, perdoando, iluminando, testemunhando a vida de Cristo em nós. Conseguiremos êxito nisto, à medida que nos mortificamos para nós mesmos. No Evangelho, o ego e o amor, são opostos entre si.

Quem odeia o outro, é amante de si mesmo. E quem trata ao outro com indiferença, também está mergulhado em desvalor. Portanto, ódio ou indiferença, não são sentimentos contrários ao amor como muitos pensam. O maior inimigo do amor, é o ego, por isso para amar, é necessário que nos neguemos.

O amor tem se esfriado da maioria, na medida que a vida se torna uma corrida por crescimento material, onde a valorização do homem consiste em ter, possuir, se destacar. O ego é o impedimento para que o homem veja no outro, a extensão de si mesmo. Somos um imenso organismo, onde um deveria se enxergar no outro.

Na medida em que demarco áreas e limites para o que chamo de amor, só demonstro meu egoísmo, em cuidar apenas daquilo o que considero meu: amigos, familiares, pessoas das minhas relações. O amor, não faz acepção de pessoas.

Com a distorção da palavra "amor" se comete todo tipo de torpeza, agressão e partidarismo. E não é preciso muito esforço para perceber que se trata do egoísmo e não do amor. Todo pecado nasce da cobiça, que é o desejo egoísta. O homem que se coloca no centro para buscar satisfação para sua alma, em detrimento ao bem estar de qualquer um, de forma alguma está agindo por amor.

João 15:13 "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos."

Este é o ápice do amor. Quando a própria morte, significou a vida de muitos. Consequentemente, o maior ato de autonegação. Isto só foi possível, porque Jesus homem, tinha a consciência de ser UM com o Pai e através do amor, se tornou UM conosco. Foi pleno neste propósito e por isso, foi Perfeito. No Getsemani, entendemos o quanto esta escolha foi difícil e dolorosa. O negar-se é sempre um sacrifício. O amor é sempre sofredor, porque requer abdicação.

A caminhada cristã consiste nisto: atravessar de um extremo ao outro. Sair do umbigo em direção ao alvo, o amor. Foi a esta "caminhada" que Paulo chamou de "desenvolver a salvação". Embora a Graça seja um favor imerecido, não havendo nada que o homem possa acrescentar para contribuir com ela, este crescimento em direção ao amor, ninguém fará por cada um de nós. Nos negarmos ao ponto de nos tornarmos UM com Cristo, correspondendo ao amor que recebemos primeiro.

Para mim, todas estas considerações, respondem as questões desde o ateísmo, que muitas vezes vem acoplado à ojeriza pela pregação do Evangelho; Até a distorção que o cristianismo fez quanto à caminhada cristã, tornando o que é secundário como o cumprimento de dogmas, a liturgia, rituais e regras, algo que caracteriza um cristão. E mais recentemente, numa corrida desenfreada atrás do vento, onde cristãos se empenham em conquistas, vitórias e alimento para o egoísmo. Quando o principal alvo que é o amor, deixa de ser anunciado. Tudo tem raiz no ego e impede o avanço do homem.

Grande parte dos cristãos, se movimentam por medo e não por amor. À medida que ganham conhecimento e entendem enfim que a salvação é Graça, perdem o ímpeto de serem úteis. Muitos retrocedem à estaca zero na caminhada, se voltando à sua vida egoísta. Espiritualmente estão estagnados, porque o amor não é motivação suficiente para avançarem,.

Fomos salvos de nós mesmos. Já não há nada que nos escravize ao ego. Somos livres para fazer escolhas que beneficiem o todo, o bem comum, enquanto a maioria vive a frieza da falta de amor, buscando a efemeridade e os tesouros corruptíveis.

O crescimento na verdade é um decrescimento, porque convém que diminuamos para que o amor cresça. Quanto menos de nós, mais próximos estaremos do alvo, colhendo altruísmo, perdão e empatia como frutos, porque já não será difícil nos negar em favor do outro, já que o bem do outro, se torna nosso próprio bem.

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”  (João 13 : 35)

sábado, 20 de abril de 2013

O Cordeiro imolado antes da fundação do mundo




Ah, os líderes que socam feijoada garganta adentro de recém-nascidos... quando não os matam imediatamente, acabam causando danos irreversíveis em sua fé. Sim, meu post hoje começa com um lamento, pois tenho visto uma postura estranha, onde líderes encorajam e fazem apologia ao pecado, distorcendo a liberdade oferecida por Cristo.

Um jovem vocifera: "Deus está de  bem com o mundo, posso fazer o que eu quiser!" E de fato pode, tem livre arbítrio. E nas andanças, de proclamador do Evangelho, se converteu em destruidor de esperança. Já tem em sua conta contabilizadas, algumas almas tão desoladas e infelizes quanto a sua. Estes, espero eu, ainda terão nova oportunidade de entender a Graça, assim que se tirarem do centro. E então, experimentarão a vida abundante, baseada e fundamentada no amor.

O que me preocupa, é a liderança que eles estabeleceram para si. Quantos jovens estes homens ainda vão ludibriar pelo caminho? Quantos meninos serão encorajados a pular no abismo do próprio ser onde só há ilusão?

Pra iniciar nossa conversa, tente não fixar seus olhos, apenas nos 33 anos de Jesus Cristo homem, afinal Ele é o Deus Eterno. Jesus, o Deus encarnado, foi temporal. Teve sua concepção, vida e morte, tudo devidamente cronometrados para consumar dentro do tempo, o que já havia no coração de Deus de eternidade à eternidade. E quando ressuscitou, já estava com um novo corpo glorificado.

Veja estes textos bíblicos:


Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; 
Efésios 1:4

“O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós;”  (I Pedro 1 : 20)

Apocalipse 13:8, que diz: "E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo".

Mat_25:34  Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;


A reconciliação de Deus com o mundo, aconteceu antes que houvesse o mundo. Ele amou a causa da humanidade, antes que houvesse criatura alguma. Expiou o pecado dos homens, quando nem havia homem e pecado. O tempo não tem domínio sobre o Criador do tempo, assim é mais fácil assimilar que a Graça, assim como Deus, não está sujeita ao tempo cronológico.

E mesmo com o Amor evidenciado nestes versículos, mesmo imolando a primícia de toda a criação, mesmo com a Porta aberta desde a eternidade, mesmo com a reconciliação oferecida desde sempre, etc. Eva quis conhecer o bem e o mal, Adão quis ser como Deus, Caim assassinou seu irmão, Cão desrespeitou seu pai, a humanidade se perverteu, Israel foi idólatra e rebelde, a humanidade foi destituída da Glória de Deus, os fariseus condenaram Jesus à morte, Hitler exterminou pessoas consideradas racialmente inferiores, os políticos continuam corruptos, homens continuam matando e destruindo, você e eu continuamos responsáveis pelos nossos pecados.

Percebe que a Graça chegou, mas parece que o mundo  é o mesmo? Aliás, vai de mal à pior... Há como manter o argumento de  que "Deus está de bem com o mundo"? É o mesmo que dizer que Deus é conivente com as escolhas dos homens e não está nem aí pra infelicidade que cada escolha ruim gera por consequência.

A revelação bíblica está aí para nos dar as respostas. Mas estes, saqueados em sua fé, já não conseguem discernir a verdade. Extinguem o Espírito Santo e definham em seu egoísmo. A maioria deles, fica agressivo e revoltado quando há qualquer tentativa de persuasão de esclarecimento. Estão blindados contra o bem e o amor e quanto mais colhem destruição, mais frios e barulhentos ficam. 

Os líderes alimentaram neles o ódio pelo outro extremo, sobre o evangelho corrompido pela avareza, sem alertá-los para guardar o que tinham.

Se o alvo do primeiro grupo de corrompidos, é escravizar o homem ao medo, o alvo do segundo, é encutir uma liberdade falaciosa, que resulta em nudez, fome e abandono. Quando Deus sai do centro dos nossos corações, qualquer escolha que fazemos, gera a morte.

Paulo advertiu como seriam os últimos tempos em 2Timóteo3:1 
“Sabe, porém, isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis; pois líderes religiosos serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres que amigos de Deus”.

O Evangelho é simples...
Há quantos anos se prega isso? Que resultado negativo se pode ter na vida, em amar e respeitar o outro, ser gentil e leve no proceder? Que prejuízo ao amor próprio, pode levar o agir com justiça e que deformidade ao ser, pode causar o fruto do Espírito?

Tudo depende de uma coisa só: Entender que o Cordeiro imolado na eternidade é Jesus Cristo homem, sacrificado no nosso lugar para expiação de nossa  culpa. Amando essa Boa Notícia, naturalmente observaremos seus ensinamentos e teremos prazer em praticá-los.

Ele por sua vez, prometeu estar conosco, ajudando, auxiliando, convencendo dos nossos erros, consolando, para que cada um persevere  Nele até o final, guardando em suas promessas a esperança.

Sim, o Evangelho é simples, mas para assimilar a verdade, precisamos ser simples. 

Segue o link de outro texto, onde falo sobre a mudança de postura.

http://janetecardoso.blogspot.com.br/2012/05/metanoia.html

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Dando, nós recebemos.




Um conhecido, que outrora congregou e se batizou professando a fé cristã, hoje completamente afastado de qualquer coisa que o lembre da existência de Deus, argumenta: "Não creio mais em Deus, dizem que ele é bom, mas eu não acredito mais, porque ele nunca me deu nada."

Deus se revela, à medida que nos doamos. Se alguém não percebe Deus, é sinal de que é um egoísta. Numa pessoa cheia de si, não cabe mais ninguém, principalmente Deus, porque quando o homem se torna egocêntrico, usurpa o lugar da divindade.

Deus escolheu ser amado nos encontros dos homens.

O isolado, o egoísta, o que coloca as expectativas nos alvos errados, estão fadados ao ateísmo.

Mas ao que se entrega, ao que se doa, ao que busca intimidade com Jesus, este Ele chama de amigo e anda junto.

"Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." Mateus 18:20


Significa que se estou só, se oro só, se trabalho só Jesus não está? Sim, Ele está. Mas no encontro com os outros em Nome Dele, oramos e intercedemos uns pelos outros, servimos uns aos outros, nos envolvemos com os problemas e os testemunhos de cada um, enfim, a presença de Jesus é evidenciada.

É fácil observar que aquele que vai ao ajuntamento de cristãos com o intuito de cumprir um protocolo, fazer sua parte, marcar presença, "servir" a Deus, passa anos estagnado e infrutífero. Mas o que se dispõe doar de si, fazer seu melhor, estar disponível aos outros, estes tem crescimento e aperfeiçoamento nos passos de Jesus.

O que aconteceu ao meu conhecido, é a frieza que o egoísmo produz. E é visível à olho nú, que ele não tem se importado com mais ninguém, além de si mesmo. Tanto que ele já não é grato sequer pela salvação imerecida. Homem nenhum poderá algum dia argumentar que não recebeu nada de Deus, porque o Pai ofertou o Filho em nosso favor.

Do início ao fim, a Bíblia trata do mesmo tema: ego X amor. À medida que um vence, mortifica o outro e é isso o que diferencia nossa percepção do Sagrado.

É dando que se recebe, é escolhendo e plantando a melhor semente, que colhemos os frutos mais saudáveis. Faça esta experiência! Procure pessoas que precisam de você e sirva-as.

É impossível ao homem que não ama o próximo que vê, amar a Deus, que não vê. Ao passo que é impossível ao homem amoroso, deixar passar despercebida, a presença de Jesus.

sábado, 6 de abril de 2013

O esvaziamento que não aniquila a Glória.




 "Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei."  Isaís 55:11


Há alguns anos, ouvi pela primeira vez a expressão "kenosis" que em teologia, significa o esvaziamento de Jesus de toda a sua divindade, para personificar o amor, para andar em carne. 

Segundo alguns cristãos pós-modernos, ao se esvaziar para encarnar em nosso meio, Jesus teria perdido seus atributos divinos eternamente. Aniquilando sua transcendência com os homens, se tornando nada mais que uma sombra, não mais onipotente, onisciênte, onipresente. Converteu-se no Espírito que habita no homem  e tudo o que pode fazer é consolarnos.

À partir desta teologia assombrosamente estranha pra mim, descobri o porque não conseguia assimilar nada do que aquelas pessoas diziam. Vim da simplicidade evangélica, onde presenciei coisas grandes, testemunhos de transformações, curas, libertações e eu mesma, já provei tantas vezes da intervenção divina, como poderia aceitar aquela teologia tão distorcida, onde a principal característica das pessoas, era a falta de fé? Parte do que sou, são minhas próprias experiências com Deus, como eu poderia negá-las?

Observando conhecidos que enveredam por este caminho, percebo que vão-se esvaziando, atrofiando, apagando o Espírito, até se tornarem pessoas que não se constrangem em viver em pecado. Não se constrangem na verdade, com o amor de Jesus, aquele que para eles, é a eterna imagem da miséria, vazio, pobreza, solidão, etc. Um deles chegou a dizer que à Jesus, não cabe mais o status de "Deus".

Eu lamento ter que assistir essa cegueira, porque a maioria deles, investem suas energias atacando a Igreja, religiosos, líderes, como se aquilo que perderam em sensibilidade e intuição, deveria ser aniquilado também nos outros. O que crêem ser uma ilusão, deveria ser destruído, assim como sua fé, sua esperança no porvir, seu relacionamento com Deus e a dependência diária.

O discurso é sempre o mesmo e já fazem anos que observo essas pessoas. Ora se desgastam atacando e acusando pessoas, ora urram suas auto comiserações. Mergulham em obras literárias (não que isso isoladamente cause algum dano, mas o alvo passa a ser o status cultural que os diferencia do resto do mundo) que os livram da realidade, do contato, do encontro, da convivência e assim se afundam cada vez mais em seu orgulho. O negar-se para seguir Jesus, é substituído pela lustração do ego diariamente.

O Verbo de Deus se tornou carne e a Sua Palavra não volta vazia. Jesus retomou sua divindade e recebeu a Glória de vencedor, porque foi Perfeito e cumpriu o propósito de Deus, para o que foi enviado. Jesus é Deus e o é, de eternidade à eternidade. Não perde seus atributos, é o mesmo eternamente.

Mas à quem abre mão da fé, só lhe resta a desolação, porque é por meio dela, que o Espírito de Deus, continua intervindo em nosso favor.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Cristãos sem Cristo



O Evangelho é a Boa Nova que revela Deus através do Filho Jesus, a própria Palavra encarnada, a manifestação do amor de Deus aos homens.

1 Coríntios 13, deveria ser o texto Áureo para todo aquele que professa a fé cristã, já que o que caracteriza um cristão, não são suas obras, mas o amor, descrito com tanta propriedade pelo Apóstolo Paulo. Sem amor tudo é vão. Sem amor, nem o "bem" tem valor e se torna mal.

O amor é entrega, é renúncia, é doação em favor do outro, muitas vezes prejudicando nosso próprio bem estar. O amor não camufla erros, mas cobre pecados, como unguento restaurador.

Amor não é sentimento, mas a essência de Deus que transcende no homem e emana através dele, como canal na direção de todos os outros. Esta essência divina cura, restaura, perdoa, transforma, purifica, dá crescimento, alimenta, instrui, tudo isso em mútua e perfeita troca, como num organismo, funcionando saudável, cada parte em sua função.

Quando há algo errado, o impulso do amor é a restauração. Quando há algum tipo de distúrbio, desordem, o amor age em benefício do todo.

O homem que ama, não visa o próprio bem, não age com egoísmo, não faz nada por vanglória, não se sente superior. O amor é sempre na direção do outro, de forma que é o outro que também nos beneficia.

A palavra amor está vulgarizada. Se usa amor como forma de tratamento, ou como sinônimo de paixões e até para justificar fraquezas e desvio de caráter. Pessoas se tornam coniventes com os erros umas das outras, em nome do amor, mas o amor não age inconvenientemente. Ele entraria neste campo devastado, limpando, orientando, organizando, se doando, plantando bons sentimentos. Mas no ambiente onde o amor se esfria, tudo o que importa é que seus iguais prevaleçam e os outros percam a força.

Aconteceu comigo: Embora a culpa e o desconforto de consciência tenham persistido, três irmãos acreditando que eu me afastaria, se uniram em defesa de um deles. Embora nenhum deles pudesse justificar a ojeriza e hostilidade, se defendiam argumentando que era direito deles não querer a restauração das relações. Se fosse roubo, assassinato ou outro crime bárbaro, seriam ainda coniventes em nome de um amor que sufoca o bom senso, a moral e o bem. Agiram como se a calúnia, difamação, constrangimento ilegal e tortura psicológica não fossem nada, afinal eram irmãos e deveriam se apoiar, mesmo que fossem injustos comigo, que não era nada deles. Como eu estava ainda de pé, tentando aproximação, dizendo que os amava, a irmã mais nova me disse: "Vá amar quem precise do seu amor, quem queira ser amado por você!"

Talvez ela pense que o amor funciona como um dispositivo acionado  pelo desejo consciênte. Se quero amo, se não quero amar, simplesmente abandono. É assim que o mundo enxerga o amor, como algo sem valor, descartável. Mas amor é espiritual. É como o sangue para o corpo ou o impulso do ser para a alma. Para o ser que ama, é natural e vital amar.

Onde há parcialidades não há amor, mas ego. Onde há ego dominando, há Adão, velho homem, visão egoísta e não Cristo, renascimento, renúncia da própria vontade para buscar a Boa, Perfeita e Agradável Vontade de Deus.

Vê-se tanta gente lutando pelas próprias causas e ouve-se tantos falando de Evangelho, pregando o amor. Mas quem está disposto a ser o Evangelho? Quem está disposto a sair do centro com seus iguais, para amar e se doar ao que não pertence a seus guetos, sem acepções?

Amor é o que nos liga uns aos outros e nos religa a Deus e sua essência amorosa. 

Há algo que aprendemos em Mateus 7:22 e 23 - Sem amor, toda obra em nome de Cristo é apenas religião vazia. Quem ouve e não pratica, não é reconhecido como cristão. Ainda mais importante do que conhecer a verdade, é ser conhecido por Jesus, a Verdade. De que vale ser um Cristão sem Cristo?

Amor é o selo que recebemos como penhor da salvação. É assim que seremos reconhecidos.