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sexta-feira, 6 de março de 2026

Despertamento

Os amigos que antes eu tinha, quando praticava a religião evangélica são cordiais, mas não íntimos. Rodeiam, rodeiam e acabam perguntando se já membrei em outra instituição, mesmo dez anos depois. 

Não entenderiam como penso hoje, porque o natural é rever conceitos e ir se aperfeiçoando e não viver engessado, então não entro em detalhes, mas tenho muita clareza que quando uma pessoa está imersa em tradições, não consegue ser autêntica.

Isso acontece porque eles precisam cumprir o protocolo à risca, ser o que esperam, os ritos, as crenças, a liturgia, a agenda, nada pode fugir dos trilhos.

Ao passo que servir a Deus está mais próximo a imprevisibilidade do oceano do que à monotonia do aquário. Para ser luz, você anda no meio das trevas. Para salgar, você faz a diferença no meio do comum.

Eu sei o que eles sentem quando denuncio as distorções que a religiosidade faz da Bíblia, mas me entendam: não estou "falando mal" da religião ou sendo intolerante religiosa. Estou apenas abrindo os olhos de alguns, assim como um dia abriram os meus. Paulo também passou por isso. Quando cairam-lhe as escamas dos olhos, considerou esterco tudo o que tinha vivido antes pela sua tradição religiosa, inclusive sendo opressor.

Não chamo de esterco porque minha fé nunca me instigou a fazer o mal para alguém. Antes, foi um espaço relacional importante na minha vida. Porém foi degrau para que eu criasse parâmetros. Pra que eu deixasse de ser alguém sem rumo para viver olhando para o alvo. Depois deixou de ser bom pra mim, porque na medida que você coloca Cristo como chave hermenêutica para tudo, percebe onde a Igreja se corrompeu e entende principalmente que um pouco de fermento leveda a massa inteira.

O Evangelho é liberdade. Somos verdadeiramente livres da listinha de podes e não podes da Lei, porque ela virou consciência. Está grafada no coração e será vivida nos encontros.

Enquanto meu entendimento não se abria e eu achava que estava no lugar certo, com as pessoas certas, cumprindo a cartilha certa e tudo fora dali era questionável, também não entendia por que as pessoas simplesmente não seguiam seus caminhos. Estavam do lado de fora, apontando erros. 

Eu via as heresias da porta para dentro, mas ninguém ouviu o que eu tinha a dizer, porque eu não tinha credibilidade. Criticava o que  eu mesma acabava praticando. Hoje vejo que se quero despertar alguns, tenho que estar fora do arraial mesmo, na medida que meu entendimento se amplia, já não caibo nessa bolha. É como um balão que vai se expandindo e ganhando a liberdade de ser.

Há 20 anos eu era cumpridora de dogmas, há dez eu me desinstitucionalizei porque na minha alma isto já vinha sendo trabalhado. E hoje, embora viva o Evangelho sem os entulhos das crenças humanas, tenha inúmeros cristãos congregados à Cristo comigo, o que digo é temido pela maioria, principalmente porque não tem como refutar o que está escrito. Fato é, que quem busca sabedoria encontra.

Se você vier aqui semanalmente, vai ver que sou coerente com minha fé. Este espaço, onde escrevo minhas inspirações, opiniões e experiências, é de fato um jardim regado cujas águas nunca faltam.

Então, embora me vejam como uma ameaça, muitas vezes evitando conversar comigo sobre a fé, ainda assim os vejo como meninos diante de seus tutores, vivendo coisas de meninos.

Um dia, assim como Deus me viu pronta para despertar e discernir, também se revelará a quem quiser. Porque Ele escolhe se revelar na simplicidade do Evangelho, mas para assimilar a simplicidade é necessário ser simples. 

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