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terça-feira, 17 de março de 2026

O que se perdeu?



Eu gosto de gente que me faz rir, mas no geral, sempre atraí gente que gosta de fazer chorar. Antigamente eu sabia quem procurar quando buscava leveza e papos agradáveis, agora não.

Minha risada sempre foi minha marca mais evidente nos meios por onde andei. Já teve gente que disse que minha risada dava pra dividir em 12 prestações.

Minha irmã me disse algumas vezes que tinha vontade de ir até minha casa quando escutava minha risada, pra saber do que tanto eu ria. E às vezes era só uma gracinha que meu filho fazia ou algo bobo que passava na TV ou internet.

Ainda tenho esse lado infantil, às vezes estou corrigindo meus netos e dou uma risada bem no meio e quebro o clima tenso.

Também quando encontro amigos, é só pra espairecer mesmo, rir de bobagens, assistir um show de stand up, todo mundo precisa de um alívio cômico de vez em quando. Na verdade sempre ri até das minhas desventuras.

Mas também tem um lado em mim que acha tudo muito cansativo, acha as pessoas muito presas ao raso, acha tudo muito superficial. Amo falar besteiras, mas se é pra mergulhar em assuntos sérios, não gosto do besteirol, da boçalidade, da tolice, da falta de compromisso.

E notei que ultimamente não tenho muito com quem trocar. Nem conversas profundas, nem piadas internas. Ou o mundo tá insosso ou eu que tô enfadada de tudo. Faz tempo que não ouço ninguém falar da minha risada.

Mas as pessoas desagradáveis, amargas, provocativas, abusivas, insensíveis, murmurentas, negativas ou vazias... Brotam como mato depois da chuva.

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