Defendo a liberdade da mulher escolher a vida que quer viver, mas PARA MIM, nunca tolerei abuso. Na minha cabeça, se nada desse certo, eu buscaria realizar meus sonhos sozinha, porque meu provedor é Deus. Mas é claro que idealizei relacionamentos, tentei, me iludi, só não permaneci dando murro em ponta de faca. Todas as vezes que precisei abrir mão da zona de conforto, vi a instabilidade como algo que ia passar, nunca fui dependente emocional ao ponto de me submeter aos machismos, traições, comportamento abusivo, relacionamento é troca, é cooperação, é companheirismo, vale pra amizades também. Se não estava bom pra mim, eu terminava.
O que me incomoda é a pressão da sociedade com relação à mulher. Já vi tantas meninas com potencial pra ser tantas coisas e se encerrando numa relação castradora, se submetendo a marido e se anulando como mulher produtiva, realizadora, se enchendo de filhos e depois presa a esse chiclete sem açúcar porque não dá conta sozinha, ou tem que se virar nos trinta com jornada dupla, porque o chineludo até usufrui do salário dela, mas não ajuda em casa, não faz uma comida, essas coisas me incomodam.
Uma coisa sou eu na minha solitude, trabalhar e fazer minha própria comida, ou colocar uma roupa na máquina enquanto assisto minhas futilidades. Quando quero arrumo, faxino, organizo guarda-roupa, mas faço porque quero, porque sobrou energia, não por pressão, não por obrigação, não porque o outro exige. Geralmente tenho alguma coisa congelada ou posso pedir um delivery, gosto e sei cozinhar muito bem, mas quando quero. Gosto dessa liberdade de escolha.
Mas a maioria ainda se coloca nessa posição de lado fraco da relação, embora seja o lado que dá conta de tudo e ainda apoie emocionalmente o lado "forte". Porque as demandas femininas muitas vezes ficam pra segundo plano ou pra quando chegar a vez na escala de prioridades. Por que a mulher se coloca nessa posição? Por que aceita ser subjugada? Por que se diminui pra caber na vida do outro? Por que vive décadas assim, sem realizações pessoais, sem prazer verdadeiro? Sem importância porque se não corresponder à expectativa é trocada.
Tive uma amiga que se casou três vezes e na cabeça dela, eu era carente por não ter marido. O primeiro batia nela, o segundo traia tanto que enquanto ela estava grávida, ele engravidou outra mulher. O terceiro que está com ela até hoje, é grosso, encostado, não a sustenta mas suga o que pode, foi rude com os filhos de outros relacionamentos e a carente era eu?
Ela se submete a situações que eu jamais aceitaria por nada nesse mundo, por um casamento de fachada? Eu jamais abriria mão da minha liberdade se não encontrasse na mesma pessoa um parceiro, amigo, amante, cúmplice, companheiro de vida. Ser sozinha pra tudo nunca foi fácil, mas é minha escolha e sempre será, se minha dignidade estiver em pauta.
Ainda assim defendo a liberdade de uma mulher escolher a vida que quer ter, desde que queiram e assumam que é escolha. Nunca por pressão de quem está de fora, cobrando casamento, filhos, saber cozinhar, cuidar de casa, opressão de todos os lados. Nem todas querem casar, nem todas querem ser mães, nem todas querem depender e está tudo ótimo.
Minha escolha vai ser sempre ouvir minha própria necessidade. Desde que não prejudique ninguém, quem sabe o que é bom pra mim sou eu. Da mesma forma, cada uma avalie a si mesmo.
Eu nunca vou dizer pra uma amiga seguir meus passos. Mas sempre vou dar razão das minhas escolhas, porque não me arrependo delas.
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