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terça-feira, 24 de março de 2026

Raiz

Estou com hiper foco nos meus amados que se foram. Não costumo voltar no passado pra remoer problemas, mas sempre volto para lembrar deles. 

E quando compartilho e vejo a alegria dos meus tios e primos, vejo que essa saudade não é só minha. Tão lindos, tão doces, tão saudosos... E agora tão nítidos nas nossas memórias com ajuda da tecnologia.



Vô Manoel, avô paterno, que também era meu padrinho, partiu há um pouco mais de 20 anos. Atencioso, engraçado, ficava tão feliz com nossa visita. Quando adoeceu já estávamos morando em BH e nos víamos pouco, mas lembro dele com muito carinho, colocando a mesa de café pra nós.



Vó Filhinha, se foi em 84. Quando eu era bebê fiquei muito doente e desenganada. Foi através dela que conseguiu convencer minha mãe a participar de uma campanha de oração, que recebi cura (antigamente os crentes tinham testemunhos sérios para dar). Me lembro dela separando a madre das galinhas cheias de ovinhos pra mim toda semana, porque ela me achava fraquinha rsrs  acho que eu estava com 12 anos quando ela se foi, me lembro dela muito meiga e fisicamente muito parecida comigo.


Vó Chica se foi em 87, no mesmo ano que meu pai. É meu exemplo de força, resignação, acolhimento e serviço. Doente, ela fez tanto por tanta gente, construiu a própria casa e outras que ela alugava, uma mulher a frente do seu tempo, teve coragem de se separar numa época que a sociedade discriminava mulher sozinha. Se hoje é uma luta, imagina na década de 60. Mas manteve com muito sacrifício os filhos menores e na velhice, fisicamente debilitada ainda estava ajudando filhos e netos. Eu lia a Bíblia pra ela e cantávamos hinos da harpa, outras horas ela contava histórias da vida, era um amor de pessoa.


Meu pai se foi num acidente, um ônibus subiu no estacionamento e o atropelou aos 40 anos. Foi uma morte traumática, minha mãe ficou viúva aos 36, com 4 filhos adolescentes. Era bombeiro militar, gente boníssima, amado por todo mundo, alegre, sambista, taxista nas horas vagas, um garotão no meio dos nossos amigos. Eu estava com 15 anos e sempre o mantive vivo em mim.


Minha mãe se foi há 9 anos, era nosso porto seguro. Adoeceu e se foi em apenas 3 meses, mas era tão sábia e consciente que usou esse tempo para ir nos preparando. Era forte, precisou ser. Primeiro porque era arrimo de família aos 14, 15 anos. Depois porque casou e foi mãe cedo demais, viúva cedo demais, então parecia mais firme do que realmente era.

Ah, que saudade dos meus velhinhos! Cada lembrança está devidamente guardadinha num lugar muito especial do meu coração. E eu reflito um pouquinho de cada um, com muita alegria e muito amor. Gratidão, Jesus!





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