Família é minha base, somos muito apegados. Também cresci entre militares e numa época em que a gente era estimulado a amar a Pátria. E não é novidade pra ninguém que Deus é o centro da minha vida e que sou uma apaixonada pelo Evangelho. Porém minha postura na vida não me qualifica como cidadã de direita, nem mesmo totalmente de esquerda. Pra falar a verdade, não gosto de ativismos.
Me incomodam pautas de retratação histórica, porque foco no indivíduo e para mim, quem se esforça com afinco, estuda, busca, merece ter. Quem leva a vida com corpo mole, se escora, prioriza as ilusões ao invés de se estabilizar, merece ficar para trás. Isso independente de quem seja, a cor que tenha, a classe social, concordo com a meritocracia, mesmo sabendo que as chances não são iguais para todos. E se for para preencher cotas, que seja de pobreza comprovada e não por raça, porque no fim das contas, este profissional ainda será desacreditado pela vantagem.
Também não concordo que somos o que a mente sente que é. Uma transformação artificial com hormônios ainda é forçar a natureza a se moldar a nosso bel prazer e nós sabemos que a natureza é indomável quando o homem tenta manipular.Todo mundo tem direito de se relacionar como quiser, mas esse negócio de mudar pronomes, mudar sexo, obrigar a todos a ignorar as disforias uns dos outros e ser um sub-grupo do próprio gênero é demais pra minha cabeça neurodivergente.
Me incomoda também atropelar qualquer homem que passa na frente porque sou mulher e preciso de reparação histórica porque no século passado era assim e assado. Vou escandalizar geral falando de temas como promiscuidade, entre outros, porque mulheres foram reprimidas, etc e tal. Não! Uma coisa é ser reconhecida pela capacidade de cumprir várias tarefas ao mesmo tempo, ter diversas funções na sociedade, direitos e deveres iguais, outra coisa é querer a todos custo se vingar de homem, querer fazer as mesmas merdas, achar que todo mundo tem que aguentar tudo e se uma mulher falar alto o cabra tem que colocar o rabo entre as pernas porque a sociedade calou as mulheres e agora tem que ouvir berro. Me poupem.
Por outro lado minha postura na vida sempre foi visceral. Não sei se porque não funciono como a maioria, mas nunca me submeti ao que não concordo. Meus pais cortaram um dobrado pra me educar, porque pra obedecer eu tinha que ver sentido na ordem. Por que preciso fazer? Por que tem que ser eu? Fulano vai fazer também? E dentro da cabecinha ligando uma resposta na outra e avaliando se era justo. Os outros nem questionavam, obedeciam por medo, se encaixavam no que esperavam deles. Apanhei mais? Apanhei, mas fui autêntica desde sempre.
E quando tive que fazer escolhas na vida adulta, nunca levei em conta a opinião dos outros. Fui apontada muitas vezes mas ninguém de fato tem do que me desabonar. A vida era minha e eu decidia por mim. Vida íntima, religião, familiar, etc. Sempre fiz o que achei que deveria fazer, inclusive causando estranheza e desconforto em quem acha que devemos nos conformar com tudo, que ser diferente é errado, que a irreverência é sempre algo ruim. Não, para mim ser verdadeiramente livre é garantido pelo próprio Cristo.
Nunca fui irresponsável, mas também nunca me domaram. O que sinto eu falo, o que eu quero eu busco, o que não quero, não faço nem por um decreto. Isso me desqualifica a ocupar a vaga de detentora da moral e dos bons costumes, da gente perfeita, das mulheres submissas, das evangélicas cumpridoras de regras, acertando ou errando sempre fui eu. Gostando de mim ou não, ninguém foi enganado porque sou bem transparente. Quem não conhece é porque não me viu direito.
Então, embora discorde de muitas ideologias, hoje me vejo mais voltada para a esquerda do que pra direita. Até porquê as pessoas mais hipócritas e preconceituosas que conheço, pregam em nome de Deus. Esse negócio de demonizar pessoas já deu, de exigir que todos sigam a cartilha, os dogmas, as estereotipações, as regras, caso contrário é marginalizado, excluído, oprimido, quem não quer sou eu.
Cada um é o que é, colhe o que planta, entra e sai de onde escolheu. Todo mundo se ajuda sem interferir ou exigir nada em troca. Ninguém castra ninguém e nem solta a mão de quem é diferente, porque ninguém é igual mesmo. Não acredito em perfeição, a vida é um processo pra todo mundo e ganha mais quem entra de cabeça. É isso aí.
Interessante como tudo o que a gente vive é política, mesmo sem saber ou querer se envolver com a ideologia em si. Tudo o que a gente acredita e vive, acaba sendo o lado que escolhemos.
Jesus, embora tenha dito que seu Reino não era deste mundo, viveu se posicionando, defendendo os fracos e oprimidos, desconstruindo as tradições religiosas e preferindo a companhia dos marginalizados em detrimento aos perfeitos da sociedade. Eu desconfio que estou do lado certo.
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