Primeiro, temos que entender o que Jesus instituiu na ceia. Depois de ensinar aos seguidores como viver, pegou elementos simbolizando sua carne e sangue e disse: façam isto em memória de mim. Você acha que Jesus estava inaugurando um novo ritual, onde cristãos devem pegar miniaturas de elementos e comer lembrando de Jesus, ou o que ele estava ensinando, era que em memória do Ele mesmo fez na Cruz, devemos dar nossa carne e sangue pelos nossos irmãos, simbolizando que a partir deste instante éramos um e o que pega pra um, pega pra todos?
Pra mim faz mais sentido, até porquê eles estavam jantando uma refeição completa e Jesus apenas pegou elementos para fazer uma analogia e não para santificar pão e vinho. Ele disse: este é meu corpo dado por vocês, este é o sangue da nova aliança derramado em favor de vocês, Paulo ainda acrescenta toda vez que vocês beberem anunciam a morte até que Ele venha.
Em João 6:53 em diante, Jesus diz que é necessário comer sua carne e beber seu sangue para ter vida eterna e Ele não estava falando de pão e vinho, mas de tomar a cruz sobre si. São benesses inestimáveis, mas também perseguição, afronta, escárnio, estigmas, dor de todo jeito. Ser cristão é aceitar o pacote completo, o que passar disso é ilusão.
Ali em 1 Co 11: 23 a 29, Paulo descreve uma ceia onde se servem alimentos que uns comem demais e outros são negligenciados porque não são discernidos como Corpo de Cristo. Os egoístas comem condenação, porque um deveria servir ao outro, para que não houvesse falta para ninguém. A ceia serve para reforçar o vínculo de amor, justiça e misericórdia e não para encher a barriga.
Este ritual onde se dividem pães, micro taças de vinho ou suco, nasceu na religião criada por Constantino. Na igreja primitiva, comer juntos simbolizava o pertencimento ao Corpo de Cristo.
Esta noção eu sempre tive, pois todas as vezes que a Igreja veio até minha casa, servi o melhor que pude, com fartura e qualidade para que todos pudessem se fartar e ninguém ficasse em falta. Porque era o Corpo, o próprio Cristo na minha casa ceando comigo. Isto é discernimento. E o que é igreja? Dois ou três reunidos por causa de Jesus, já é motivo para comemorar sua presença.
Por outro lado, haviam pessoas que evitavam o máximo receber a Igreja e quando não podiam evitar, não se empenhavam em oferecer seu melhor. Talvez por isso minha casa estava sempre cheia, não só de irmãos, mas de gente que queria comer como aquele povo que Paulo repreendeu. Gente que não discerne que a mesa é só um pretexto pra gente ter comunhão. Que o mais importante nesses encontros é reforçar que somos um por causa da nova aliança e nos entregamos uns aos outros porque a Cruz de Cristo foi por nós.
Comer indignamente, é não reconhecer-se imerecedor de tamanha Graça. O ego do homem é sempre empecilho para reconhecer Jesus. A ilusão que temos a nosso próprio respeito, é o que nos faz negligenciar o outro e nos priorizar.
Assim, o rito perdeu a razão de existir, pois comer um quadradinho de pão de forma e um copinho de refresco de uva, é a coisa mais vulgar que podem fazer com o texto, onde Paulo ensina coisas tão profundas como lembrar que Jesus consumou a Obra redentora, que Ele conquistou para nós a verdadeira liberdade inclusive para fazer a coisa certa, que devemos servir uns aos outros como um organismo que se completa, que discernir o Corpo não é ver o pão como memorial, mas o próximo como parte deste Corpo.
Os símbolos, Cordeiro, vinho, pães asmos, ervas amargas, tinham e tem valor para os judeus. Para nós como cristãos, seriam elementos de nossos costumes. Quer mistificar pão e vinho? Que faça, mas que o objetivo do encontro seja fortalecer o compromisso que temos uns com os outros, porque a comunhão é fazer algo em comum juntos e não apenas um ritual tão vazio que precisa se repetir o tempo todo.
Se cada um se avaliar, não precisa ser julgado por Deus. Todo mundo é capaz de saber se está comprometido com o Evangelho ou não. Se enxerga a vida do próximo com o mesmo amor que quer para si mesmo. Ou se é alguém que não discerne a importância de nos fortalecer como Igreja num mundo que rejeita o Senhor e também a nós.
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