Sou uma pessoa que não registra sonhos na memória, se esses sonhos forem algo como descarga de energia, confusos, sem pé nem cabeça. Ao acordar sei que sonhei e às vezes até me lembro de algo que vai se diluindo até sumir completamente. Minha memória é bastante seletiva até com fatos reais. Esqueço fácil coisas superficiais, porém o que me faz sentir, jamais esqueço. Tenho memória dos 2, 3 anos até hoje. De fatos que me construíram. Mas algo sem profundidade, não lembro mesmo.
Porém, algumas experiências, parecem não ser sonhos. Eu realmente lembro das imagens, sentimentos e sensações, não como se a mente criasse a partir do que conheço, mas como se eu realmente estivesse vivendo aquilo.
Numa dessas experiências, me vi inerte na cama, ao meu lado meu neto que estava com 5 anos. Eu tentava descer para me encaixar no corpo, planando como se eu estivesse deitada no ar, com o corpo virado para o teto. Eu tentava descer até o corpo e não conseguia, semelhante quando estamos boiando na água. Eu largava minha energia tentando pousar, não conseguia descer completamente. Eu percebia meu corpo, meu neto, meu quarto exatamente como tudo é. Mas me via como se meu espírito estivesse fora, tentando voltar para casa.
Até que pensei: não vou conseguir voltar, se demorar mais tempo vou morrer. Bom, se não conseguir para onde vou? Não sei o que fazer, para onde devo ir? Será que alguém vem me buscar? Então comecei a orar e pedi "Sê comigo, Senhor Jesus". Nesse momento desci de uma vez e encaixei no corpo. Estava fraca e fiquei alguns minutos me sentindo muito mal até a respiração voltar ao ritmo e a força voltar para o corpo. Acredito que tive mais um episódio de apneia do sono. Eu realmente tinha parado de respirar por mais tempo que o habitual, senti isso no meu corpo. E realmente o cenário era aquele, a disposição do quarto, minha posição na cama e o meu neto do lado.
Outra experiência, eu chegava num paredão de pedra, com vegetação ao redor e uma cachoeira com pedras lisas entre a grande pedra e eu. De longe eu via minha avó materna, figura muito importante na formação da minha fé, porque era analfabeta e enquanto ela enfrentava a doença que a levou, eu lia para ela a Bíblia, cantava hinos e aprendia muito com a prática de sua fé, resignação, enquanto ainda ajudava muitas pessoas, mesmo com toda a fraqueza. Naquela experiência, olhei para uma pedra no chão, achatada e com um texto escrito. Embora fosse uma grafia cheia de sinais, eu conseguia entender tudo, o que eu lia se formava no meu entendimento com a voz dela, como se eu estivesse recebendo aquela carta. A água corria por cima das letras, a imagem dela estática se comunicava telepaticamente, enquanto eu lia as letras grafadas nas pedras e me questionando "Isso é braile? Porque você me escreveu em braile? E a mensagem era de incentivo e felicitação pela pessoa que me tornei, como se ela estivesse muito feliz comigo. Acordei com o coração quentinho, nunca esqueci aquelas imagens, mas depois que acordei, lembrei das tábuas da lei. Não era braile rsrs eram hebraico. O porquê eu não sei. Importante é que realmente me fortaleci.
Logo que perdi meu pai, eu sonhava muito com ele. O interessante é que eu sentia os abraços dele como se realmente me tocassem. E num desses sonhos, ele me buscava na escola ( meu pai morreu quando eu tinha 15 anos). Ele explicou que já estava "instalado" na nova moradia dele e me levou até lá. Me lembro das casinhas brancas, dos arbustos e vegetação, me lembro que ele dizia que a mãe dele morava ao lado mas agora eram irmãos como todos alí. Ele me aquietou, me confortou, nunca mais tive sonhos recorrentes com ele. Só muitos anos depois, quando recebi uma carta, escrita com letras desenhadas como um diploma, como se fosse um documento formal me pedindo perdão por algumas coisas que vivemos. No dia anterior meus irmãos e eu trouxemos à memória algumas coisas. E quando dormi, recebi essa carta.
O mais incrível, é que só lembro desse tipo de sonhos e fico com a sensação de que eles interferem no que sinto. Como se a vida continuasse em outras dimensões e o acesso não é completamente liberado e quando é, acontece por códigos, por telepatia ou por meio de mensagem. Entre muitas outras experiências que não vou contar agora porque esse texto já está grande demais.
Não entendo sobre projeções astrais, não sei se a saudade faz a mente criar essas situações, mas de alguma forma esses são os únicos sonhos que registro e me parecem bem mais nítidos que os outros.
P.s.: chat GPT arrasou nas imagens.
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