O diabo não obriga ninguém a pecar. Quem conspira contra o homem é o próprio ego.
Na narrativa do Éden, a serpente despertou o desejo de autonomia, alimentando o ego com a promessa de que Adão e Eva seriam como Deus. A tentação foi apresentada, mas a decisão de transgredir foi humana. E, com a desobediência, vieram as consequências.
Assim acontece conosco. A tentação pode vir de fora, mas encontra terreno quando nossos desejos se sobrepõem à vontade de Deus.
O homem é tentado pela própria concupiscencia. Cada um é tentado pela própria cobiça.
O pecado acontece toda vez que tentamos usurpar o lugar que pertence a Deus, colocando o nosso próprio querer no centro da existência.
O egocêntrico governa a própria vida a partir de si mesmo. Atende aos próprios desejos, submete tudo à própria vontade e, nesse movimento, desloca Deus do lugar que lhe pertence.
A serpente pode sugerir o caminho, mas é o ego que nos convence de que podemos ocupar o lugar de Deus e viver sem Ele.
Jesus disse que aquele que deseja segui-lo deve primeiro negar a si mesmo, tomar sua cruz e segui-lo.
Negar a si mesmo não significa anular a própria identidade, desprezar-se ou deixar de reconhecer o próprio valor. Significa renunciar ao ego que deseja ser o centro de tudo, que prioriza os próprios interesses e faz da própria vontade a medida de todas as coisas.
Quando deixamos de nos colocar no centro, começamos a nos perceber como parte de um todo.
Aprendemos que não existimos isoladamente, que o outro também importa e que amar exige sair da centralidade dos próprios interesses.
Afinal, seguir Jesus é também aprender a amar como Ele amou.
O ego nos faz querer ocupar o lugar de Deus. O amor nos ensina a reconhecer o nosso lugar na criação.
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