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sábado, 7 de novembro de 2026

55 voltas ao sol

No dia 11, celebro a vida.
Tenho histórias bordadas na alma, 
Algumas em flores, outras em cicatrizes.
55 anos de muitos capítulos 
Em sua maioria, muito felizes 

Fui menina, fui sonho, fui pressa, 
Fui mulher aprendendo a ser. 
Fui colo, abrigo, sustento, 
E tantas vezes precisei me acolher.

Já perdi o que pensei ser eterno, 
Já chorei o que não pude mudar. 
Mas em cada cova de perda, 
Encontrei motivo para recomeçar.

Não sou a mesma de ontem, 
E ainda bem que não sou! 
A vida me desfez tantas vezes, 
Mas também me ensinou 

Aos cinquenta e cinco, 
Não tenho pressa de chegar, 
Não preciso provar nada, 
Nem pedir licença para mudar.

Quero novos ares, outros caminhos, 
Mais liberdade para experimentar. 
Quero o vento bagunçando meus cabelos, 
Leveza para me deixar levar.

Não quero juventude emprestada, 
Nem apagar o tempo que passou. 
Quero a beleza da minha história, 
E o que a alma já conquistou 

Ainda tenho sonhos guardados, 
Curiosidades para alimentar, 
Lugares que ainda não conheço, 
E muito amor para trocar 

Se a vida me trouxe até aqui, 
É porque ainda há chão para caminhar. 
E se Deus me permite mais um ciclo, 
Que eu tenha sabedoria para desfrutar 

No dia onze, não conto rugas, 
Nem faço balanço de perfeição. 
Celebro a mulher que sobreviveu 
Sobretudo  guardando o coração.

Cinquenta e cinco anos de existência, 
De quedas, escolhas e reconstrução. 
Não estou chegando ao fim da viagem 
Mas estou mudando a estação.

E que venha o novo! 
Porque ainda sou jardim, 
Ainda sou semente, Ainda sou flor. 
Continuo tendo dentro de mim 
Espaço para a vida, para o novo 
E para o amor.

Agora é menos sobre dar conta 
e mais sobre finalmente colher 
Me permitir emanar pra todo lado 
Esse jardim ainda tem o que florescer. 


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