No dia 11, celebro a vida.
Tenho histórias bordadas na alma,
Algumas em flores, outras em cicatrizes.
55 anos de muitos capítulos
Em sua maioria, muito felizes
Fui menina, fui sonho, fui pressa,
Fui mulher aprendendo a ser.
Fui colo, abrigo, sustento,
E tantas vezes precisei me acolher.
Já perdi o que pensei ser eterno,
Já chorei o que não pude mudar.
Mas em cada cova de perda,
Encontrei motivo para recomeçar.
Não sou a mesma de ontem,
E ainda bem que não sou!
A vida me desfez tantas vezes,
Mas também me ensinou
Aos cinquenta e cinco,
Não tenho pressa de chegar,
Não preciso provar nada,
Nem pedir licença para mudar.
Quero novos ares, outros caminhos,
Mais liberdade para experimentar.
Quero o vento bagunçando meus cabelos,
Leveza para me deixar levar.
Não quero juventude emprestada,
Nem apagar o tempo que passou.
Quero a beleza da minha história,
E o que a alma já conquistou
Ainda tenho sonhos guardados,
Curiosidades para alimentar,
Lugares que ainda não conheço,
E muito amor para trocar
Se a vida me trouxe até aqui,
É porque ainda há chão para caminhar.
E se Deus me permite mais um ciclo,
Que eu tenha sabedoria para desfrutar
No dia onze, não conto rugas,
Nem faço balanço de perfeição.
Celebro a mulher que sobreviveu
Sobretudo guardando o coração.
Cinquenta e cinco anos de existência,
De quedas, escolhas e reconstrução.
Não estou chegando ao fim da viagem
Mas estou mudando a estação.
E que venha o novo!
Porque ainda sou jardim,
Ainda sou semente, Ainda sou flor.
Continuo tendo dentro de mim
Espaço para a vida, para o novo
E para o amor.
Agora é menos sobre dar conta
e mais sobre finalmente colher
Me permitir emanar pra todo lado
Esse jardim ainda tem o que florescer.
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