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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

12x8

Desde criança sou marcha lenta. Dia desses, uma prima disse ao marido: "Ih, essa aí é 12x8".

E é verdade. Eu realmente não gasto energia com aquilo que não considero relevante dentro da minha realidade.

Tipo: gostou, fica; não gostou, segue seu rumo. Concordou, a gente conversa; não concorda, vive seu prisma. Está bom para mim, fico. Não está, mudo o foco.

O autismo já me tira boa parte da disposição para participar, me envolver e fazer qualquer esforço de pertencimento. E, quando faço, geralmente preciso compensar com horas de isolamento para recuperar minha bateria.

Acho tudo tão sem sentido, tão inútil discutir. Com gente de cabeça dura, então, nem tento.

Acho que algumas pessoas precisam de determinadas dinâmicas para conseguir realizar, internamente, que fazem parte de um grupo.

Tem gente religiosa que só consegue se sentir parte do Corpo quando pratica seus dogmas, estatutos, liturgias, agendas e tantas outras formalidades. Parece que simplesmente crer é pouco.

Outras pessoas precisam repetir os mesmos discursos políticos e atacar quem pensa diferente para se sentirem pertencentes a um mesmo pensamento. Mesmo que, nesse processo, se tornem intolerantes, inconvenientes, preconceituosas e invasivas.

Tenho preguiça. Um cansaço crônico de tudo aquilo que exige de mim um envolvimento que não desejo.

Não quero nada que cerceie meu direito de pensar, ser, escolher e raciocinar dentro da minha própria realidade.

E quero, inclusive, deixar o outro ser, mesmo que eu não goste daquilo que ele é.

Não estou defendendo indiferença, mas autonomia. 

Não é que o outro não importe; é que não sinto necessidade de transformar toda diferença em confronto, toda discordância em disputa ou toda convivência em prova de pertencimento.

E existe uma distinção importante aí: respeitar não exige concordar, pertencer não exige reproduzir e conviver não exige se envolver em tudo.

Cada um no seu quadrado. Porque respeito não é favor, afinidade ou concessão. É dever de todos.


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