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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Todos pecaram

Embora aos nossos próprios olhos, sejamos justos e íntegros e valorizemos tanto os erros das outras pessoas, se não entendermos a nossa inimizade com Deus, não podemos ser salvos.

Se julgamos que o pecado é pequeno, a salvação faz-se desnecessária. Mas ter consciência do que se é, nos coloca como seres incapazes de negociar nossa dívida, barganhar por benesses, exigir libertação.

Somos imerecedores da Glória de Deus, seres destituídos por praticar o mal. E por isso mesmo, a Maravilhosa Graça se manifestou entre nós.

A revelação do Evangelho, não diz respeito apenas sobre a salvação dos homens, mas também do peso da ira de Deus sobre todos nós.

O sofrimento não é necessariamente um sinal de condenação, mas quando um homem está entregue a si mesmo, não tem paz, não tem prazer, não se relaciona bem com as outras pessoas, não é sensível a Deus, não vive pela fé e não sabe o que é ter um coração grato.

Se este mesmo homem ouviu e conheceu a Palavra, mas é prisioneiro de si mesmo, não está em situação melhor do que aquele que não creu. Toda a prática religiosa, sem um coração circuncidado, é mera ilusão.

Uma pessoa que prioriza a realização pessoal, permitindo o pecado como meio para alcançá-la, está evidenciando que não tem um coração convertido a Deus.

A religião se torna pecado, quando nos faz enxergar mérito em nós mesmos. Agir por conta própria e crer em si mesmo, é gerar um Ismael e não esperar o Isaque prometido.

Se algo não está dando certo, o lado errado é o nosso. Não podemos colocar condições para o agir de Deus. Ele continua sendo verdadeiro e todo homem mentiroso. A Palavra só não se cumpre em nós, se não estivermos em Deus.

O mal é inferior ao bem, que é Deus. O bem prevalece e isso não muda, porque quando Deus condena o pecado, glorifica a si mesmo. O homem que insiste na prática do mal, mostra o espírito de negação da verdade. Toda vez que há pecado, o mal é automaticamente gerado. Nisto há justiça. Deus é glorificado na justiça e isto é inquestionável.

Todos pecaram e não há quem faça o bem, porque nossa compreensão de Deus é imperfeita. O homem não compreende nem a si mesmo, enquanto não encontrar sua relação com Deus. O homem pode conhecer o mundo à sua volta, mas permanece um tolo se não conhece a Deus. Se a Raíz de significados não é tocada, este homem permanece em trevas.

O pecado tem efeitos intelectuais, ele corrompe o entendimento. O homem que não vê a Glória de Deus no mundo, passa a adorar o mundo e se afasta de Deus.

Não há quem busque a Deus, se houvesse, o teriam encontrado e seriam perfeitos. O que buscam então? O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, mas foi corrompido pelo pecado. E como não pode apagar os vestígios do conhecimento de Deus, cria deuses para si. Buscam a caricatura.

Deus já veio à nós, por isso não o buscamos, mas Ele nos busca e encontra. O homem não tem como buscá-lo por esforço. Não depende de quem quer ou de quem corre, mas Ele nos atrai por misericórdia. O pecado nos faz fugir da presença de Deus, tal como Adão.

Não há esperança para quem vive sem temor. O temor é o sentido de que Deus está presente. Quando se vive como se Deus não estivesse, não fosse, não contemplasse nossas vidas o tempo todo, é porque não há temor.

A mentalidade da carne não se sujeita à Lei de Deus. A vontade de Deus causa mal estar, porque a carne a sente como limitação. Para o homem carnal, Deus está tomando seu espaço, tirando-lhe a liberdade.

Se você diz pra você mesmo que está bem, mente para si. O homem está em constante conflito entre a própria vontade e a vontade de Deus. Precisamos nos negar a nós mesmos, para então nos achegarmos a Deus.

Sem reconhecer nossa própria miséria, não temos a menos condição de entender a necessidade da Mediação de Cristo.

Todos pecaram e fomos todos destituídos da Glória de Deus. Não há um justo sequer, não há quem o busque, não há quem faça o bem. Nossa auto-aprovação e vaidade são ilusão. E nossa justiça com relação ao próximo, trapo de imundícia. Nossos pecados não são menores e não estamos em vantagem em detrimento aos que são mais fracos, débeis e tolos.

A única coisa que pode nos diferenciar uns dos outros, é ter esta consciência de impotência e à partir dela, a dependência para nos render ao favor de Deus, que nos ama apesar do que somos em nós mesmos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sob a Ira de Deus ou Sua Justiça

Os gentios, eram todos aqueles que não tinham a Lei de Deus. Todo o que não pertencia ao povo de Israel, eleito para servir ao Senhor.

Quando Paulo estava revelando o Evangelho aos gentios, desconstruindo a religião judaica para inserir os valores cristãos, trazendo ao lume o que era sombra, explicava o que é ter um coração circuncidado, para viver sob a Graça de Deus, pois mesmo aqueles que circuncidavam a carne do prepúcio, acabavam vivendo sob a ira de Deus, por rejeitarem Sua Lei. Eram filhos da desobediência.

A Justiça de Deus é Cristo, revelado no Evangelho. Os que foram alcançados pela Graça, vivem desde agora e para sempre, sob a misericórdia de Deus. Estes, ainda que pequem, não escolhem pecar e não permanecem pecando, porque são livres.

Mas a ira de Deus está sobre os que hoje são gentios na alma, pois negam a natureza regenerada e guerreiam contra o próximo. É evidente que há algo errado com a raça humana e os sinais estão por todos os lados.

É possível ver as obras de um filho da ira, pois ele vive a contradição de saber o que não se deve ser, mas ainda escolhe ser. Isto é a ausência da Graça e a presença do Juízo. Um escravo de si mesmo, é alguém que carrega o sinal da ira de Deus.

Tanto os que fazem, quanto os que aprovam, estão sob a ira. É indesculpável todo aquele que entende o erro, mas escolhe praticá-lo. Pois a Graça nos dá a liberdade para arrependimento e não para o pecado. Todo libertino cai em desgraça.

A Graça é concedida ao homem para mudança de vida e não para justificar o pecado. A liberdade é para conseguir obedecer e não para confirmar a posição no pecado. Quem assim escolhe agir, acumula ira para si.

Deus retribuirá a cada um segundo as obras. Vida eterna desde agora, ou indignação desde agora. Ou vivemos sob a Graça ou em desgraça.

Em Deus não há parcialidades. As obras exalam ou não o bom perfume de Cristo e determinam, ou melhor, evidenciam quem vive sob a Graça ou sob a ira.

Um coração aprisionado em coisas temporais, é evidente naquele que não ama a eternidade. O bem deve ser a prioridade e não a caça à felicidade, compreende?

O aprisionado na temporalidade, escolhe o pó. A ressurreição é para os que desejam a ressurreição. Os cegos espirituais, são estes prisioneiros do próprio ego. Escravos de si mesmos, deixados à própria sorte. Filhos da ira, filhos da desobediência.

A Graça revela ao homem, tanto a consciência para discernir entre bem e mal, quanto a consciência da inferioridade do mal em relação ao bem. Mesmo sem conhecer a Lei, o homem é sua própria lei, por isso é indesculpável, pois o pecado é contra a natureza. É uma verdadeira opressão contra si mesmo e contra os outros.

Os mandamentos de Deus, são a estrutura do bem e nos ensina a nos relacionar. Todo aquele que pratica o mal, destrói o outro, mas antes foi esmagado dentro de si. Pra fazer o mal, alguém precisa primeiro se violentar e se destruir, degradar a própria natureza que escolheria o bem. Mas o mandamento do Senhor, restaura a alma.

Se alguém violou a natureza, quebrou a lei e a consciência denuncia. O natural é discernir entre bem e mal e escolher o bem.

A vida do cristão, não pode ser indistinguível entre os outros que são escravos. Buscar as coisas do nosso jeito, é tentar alcançar felicidade. Buscar as coisas do jeito de Deus, é alcançar o bem. Quem busca primeiro o Reino e sua Justiça, recebe as outras coisas. Quem busca ser feliz, vive frustrado.

O verdadeiro descendente de Abraão, é quem circuncidou o coração. Isto é, uma mudança na alma onde o coração desiste de trabalhar por esforço próprio, porque entende que Deus já trabalhou por ele, daí descansa. Está submetido à vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável. Esta é a verdadeira religião, ter o coração orientado pelo Espírito de Deus.

Um filho de Deus, não deposita sua confiança no que acontece exteriormente, mas está firmado pelo relacionamento que tem com o Pai. Estes tem liberdade para escolher o bem.

Sem os terrores da Lei, ninguém compreende a Graça. Assim se faz separação entre os que são e os que não são, pois os filhos da ira, continuam aprisionados em si mesmos, se violentando e guerreando contra si e contra o próximo. Mas os filhos de Deus, militam contra a carne e vencem em Cristo.



domingo, 29 de novembro de 2015

Soberania e amor

A igreja evangélica em sua grossa maioria, tem utilizado o nome de Jesus para atrair um povo que não busca exatamente o Evangelho, mas uma forma rápida e fácil de se estabelecer nesta vida, de se livrar dos problemas, de driblar a vulnerabilidade física e de subir o patamar da raça de privilegiados. 

Assim, elegem para si líderes que massageiam o ego, enquanto as bênçãos de Deus viram moeda de troca, mediante a barganha, onde quem dá mais, tem muito mais chances de ser contemplado com um ato de misericórdia. Muito nojo, muita carnalidade em nome de Deus. Muito alimento podre, que ao passo que enchem o estômago, contaminam e adoecem todo o resto, afastando da verdade, àqueles que se dizem sacerdócio real.

Um servo diante de seu Senhor, não tem o poder de persuadí-lo à fazer sua vontade. Em se tratando da Soberania de um Deus que criou cada coisa com seu propósito e decretou desde a eternidade, o tempo certo para que cada coisa fosse consumada na história, é possível alcançar o grau de infantilidade estabelecida no meio cristão, onde se crê que uma oração tem poder de mudar os desígnios de um deus inseguro, que pra mudar o próximo capítulo da história de alguém, este alguém deve dar as coordenadas numa oração determinada.

Desperta, você que é Igreja! Não podemos mudar o que Deus estabeleceu desde os tempos eternos. Ele não lançará mão do que Ele mesmo designou. Sua vontade é imutável, tanto quanto Ele mesmo é imutável.

Humanizamos Deus e o diminuímos para que caiba em nossos conceitos, tornando-o tão medíocre quanto cada um de nós, que mudamos nossos desejos, conforme a oscilação das nossas próprias emoções. Buscamos algo hoje com tanto afinco e amanhã precisamos de uma outra motivação para continuar vivos. Hoje queremos o que amanhã repelimos.

O fato do homem querer, não faz com que Deus queira e não parte do homem a diretriz de como Deus vai governar a vida. Não é o homem quem escolhe o caminho por onde Deus deve conduzí-lo. Não existe Soberano que se sujeite ao servo.

O deus deste século, está disposto a se sujeitar à inconstância do homem que criou e obedecer ao servo, para não correr o risco de ser abandonado. Ver filhos frustrados, deve colocar este deus em crise existencial, por isso atende a todos os caprichos dos evangélicos mimados.

Pela linha religiosa, não vamos a lugar algum, antes retrocederemos até virar amebas cumpridoras de dogmas, rituais e estatutos humanos. O mais sábio é voltar à Bíblia e compreender que no chão da vida, nas contingências, percalços, insegurança dos problemas, dores e decepções, se cresce e se amadurece no crescimento em amor, fé e esperança.

Enquanto há esperança, há vida. O justo vive pela fé, porque está com os olhos fitos naquilo o que espera e o motiva a não desviar do alvo, que é Cristo, o mesmo que nos garantiu que teríamos muitas aflições neste mundo.

Embora nosso amor seja imperfeito, porque esbarra nas nossas limitações humanas, é por meio dele que seremos aperfeiçoados, de forma a continuar confiando em meio ao que estamos sujeitos nessa vida. É neste sentido que nossas aflições nos tornam seres melhores, porque passamos por elas, guardando a esperança Naquele que venceu o mundo.

Deus, que é amor e sabe o material de que fomos feitos, conhece nossas estrutura e sabe quando deve nos socorrer para que não sejamos tragados pela frieza e falta de fé. Ele nos socorrerá no devido tempo, para que não o conheçamos apenas de ouvir falar, mas como a um Pai que se relaciona com os filhos em amor.

Viveremos momentos de tristeza, inquietações, dores e desestabilizações, mas não perderemos a esperança em Cristo, pois as provações nos filhos, produzem sempre a perseverança, experiência e mais esperança. 

Tão certo como vive o Senhor, cada dia trará o seu mal. E tão certo quanto as aflições chegarão, também nossa esperança nos manterá firmes, confiando em Cristo.

Não, eu não sei o que é bom para mim. Talvez o que eu chame de solução para meus problemas, me faça sucumbir no meio deles até perder as forças. Assim, esvazio-me da minha vontade e descanso em Deus, que me viu antes da fundação do mundo e sabe do que de fato preciso.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Babilônia

Dura coisa é enxergar para além das basicalidades. A humanidade é podre e se não fossem as misericórdias do Senhor, já estaríamos consumidos na inexistência.

No rol daqueles que acham que são, acham que vêem, acham que sabem, acham que detém o poder e a manipulação de outras vidas, jorra veneno e matam abraçando. Raça de víboras disputando o tamanho da boca. São cegos curvados diante da estrutura de pedra, em adoração e prostituição com ela.

Alí, nada do que o Senhor ensinou, é mais do que meras palavras. Alí o que vale são seus rolos de leis intermináveis e suas tramas e conchavos. O interessante é manter o rebanho tão idiota como sempre foram, porque gente que pensa é um perigo pra manutenção dessas diabolices.

Ando enojada. Literalmente meu estômago anda fraco. Mas, mais do que nunca sou confiante de que a grande Babilônia colherá em breve, tudo aquilo que lhe foi designado por escolher a podridão. A puta vai responder pelo que se transformou e pelas vidas que se assentaram em baixo dela.

Mas os de Cristo permanecerão eternamente!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O Evangelho ou a tradição evangélica

Vivemos um período de grande apostasia da fé, onde se usa o Nome de Jesus pra legitimar engodos, heresias, comércio e entretenimento gospel, enquanto negam a prática do amor nas relações.

E eu que pensava que nos últimos tempos, negar a Cristo era se submeter à besta para não morrer. Constato que se nega a Cristo quando não se guarda suas palavras, ou quando simplesmente silenciamos na hora de fazer justiça.

Negar a Cristo é algo muito mais sutil do que se pensa, porque quem não amou ao próximo que viu, não pode ter amado a Deus, que não viu.

No último mês de maio, após postar contra posturas que acontecem em igrejas, pois em nome da tradição evangélica se nega o Evangelho. E após ficar exposto que as pessoas se constrangem em ouvir sobre a falta de amor, mas não se constrangem por não amar, tenho sofrido com a hostilidade dos que se chamam pelo nome do Senhor, sem o ser.

Estou sendo perseguida e meu nome foi lançado na roda dos escarnecedores, por pregar a Palavra da Verdade e eu não conheço entre os homens, honra maior do que esta. Pelo Reino, pelo Evangelho e por Cristo, perco a vida, porque sei que perdendo-a, a ganharei.

Se eu fosse me intimidar com vômitos de ódio, não saía mais de casa. Mas é sobre esta timidez que protege o ventre e sacrifica a verdade, que o Espírito adverte:

Apocalipse 21:8 "Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte."

Sou dos que dão a cara a tapa, mas não nego o Evangelho.

A Graça nos possibilita viver com integridade, num mundo desintegrado. Ela nos reestrutura de dentro para fora. De forma que a clareza com a qual agora vejo, tem me feito discernir os espíritos e as confusões espirituais que assolam membros de igrejas evangélicas.

Os campos continuam brancos e os trabalhadores continuam poucos, pois a maioria entende que pregar o Evangelho, é dar corda na religião pra que esse brinquedo não pare de funcionar. É distração, entretenimento pra alma e muitas vezes pedra de tropeço pro anuncio da Boa Nova. To chegando no limite.

Foi para silenciar a Verdade, que levaram Jesus ao Calvário. (tentativa que potencializou o Evangelho, diga-se). E na tentativa de calar minha boca, acabaram por potencializar a minha sensibilidade, de forma que houve um despertar que agora me impulsiona a tomar uma atitude que me livrará de perecer com ela. Entendi que preciso me despir de todo e qualquer resquício de religiosidade, para viver o Evangelho com integridade. Odre velho não comporta vinho novo. E sempre tentarão calar os que se manifestem pela verdade. Mas quem pode contra a verdade? 

A fé vem pelo ouvir (dar ouvidos) à Palavra de Deus (Verbo, Filho, Cristo). Mas enquanto escolherem assuntos que afagam o ventre, negarão a Palavra da Verdade. Com relação ao "mês da família", que critiquei por trazer uma tradição exclusivista e egocêntrica, negando que a Igreja de Cristo é uma família só, cujos membros são aqueles que cumprem a vontade do Pai, é isto o que tenho a dizer:

Cristo não chama famílias, chama indivíduos. Assim, cada indivíduo se torna bênção em sua própria família e a família se torna bênção na sociedade e assim por diante. Os valores cristãos são como boa semente, multiplicando a 30, a 60 e a 100 por um.

Enquanto o alvo das pregações forem a exaltação dos laços de sangue, haverá acepção de pessoas, hipocrisia e desprezo ao ensino de Cristo, que uniu o miserável, o doente, o carente, o abandonado, o pecador, numa só família pautada no amor, a Família de Deus. Alí, é o Sangue de Cristo que tem importância. 

Os urros de fúria me são como elogios pois os que vivem a antítese do Evangelho, não falam da parte de Deus. É pelo fruto que se conhece a árvore e os enxertados em Cristo, só podem frutificar segundo seu Espírito.

As pessoas se expõem em público para amaldiçoar, quando o Evangelho nos instrui a abençoar. Guerreiam, enquanto fomos chamados a apaziguar. Odeiam e esbravejam, quando a marca do cristão é amar. Adoecem como reflexo de desordem na alma, quando deveriam estar regenerados. Enfim, fazer um curso não garante a ninguém o dom para servir, este é apenas mais um dos erros da religiosidade.

Sistema falido, corrompido, adoecido, só produz gente doente e longe da verdade.
Megalomaníacos que acham que precisam carregar a Igreja de Cristo nas costas, esquizofrênicos que falam de amor, mas só conseguem exalar ódio, acreditando que falam da parte de Deus, egocêntricos que pensam e agem como frangos assados, girando ao redor de si mesmos... A religiosidade só produz gente doente. Em contra partida, o Evangelho gesta vida naquele que crê.

O serviço mútuo, a consciência de unidade, o amor fraterno, a esperança comum, são coisas que unem e nos guardam para o encontro tão esperado entre Cristo e os seus.

Os do Evangelho não se fixam, são peregrinos em terra estranha, os da religião se estabelecem e disputam poder. Os do Evangelho recebem dons para servirem de formas diferentes, tal como é cada membro do Corpo, pois está garantido a cada um a sua própria individuação, mas os da religião são socados em formas de conceitos e costumes, até que percam a capacidade de pensar. 

Os do Evangelho são chamados para conduzir o rebanho, curar as ovelhas feridas, trazer de volta ao caminho as perdidas, apascentar as desgarradas, mas os da religião se organizam em hierarquias e pensam ser autoridade sobre os menores. Em Cristo, o maior é o que serve aos servos, o que morre e o que abre mão do que tem em favor do outro. 

Os do Evangelho adoram em espírito e em verdade, os da religião dependem de um grupo de músicos para os conduzir à presença de Deus. Precisam desse toque de emoção pra acharem que o culto "foi uma bênção". Os do Evangelho foram levados à presença de Deus por Cristo de uma vez por todas e jamais saíram de lá. Os da religião entram e saem cada vez que oram, pois nunca se livraram do véu.

Os do Evangelho são verdadeiramente livres. Os da religião dependem da estrutura, de seus estatutos e de suas liturgias vazias de verdade. Os do Evangelho refletem a luz de Cristo. Os da religião são estrelas gospeis... em trevas.

O Evangelho é para os de Cristo, uma pérola de raro valor, ao qual estes guardam no coração, como algo que é mais precioso que a própria vida. Para os da religião é letra decorada, vomitada em cima do primeiro que passa na frente.

Os do Evangelho tem a mente iluminada, os da religião estão embriagados pela ilusão. Cada um que continuar bebendo deste cálice, continuará enlouquecendo e morrendo em sua confusão espiritual.

Ajuntamento de tolos, ninho de cobras, carrancas de fariseus! Quando vão temer a Deus e viver o que professam como fé? Até quando vão atormentar e hostilizar quem não se encaixa nos seus padrões? Até quando serão este barco à deriva?

Meu coração é desinstitucionalizado. Não precisei da estrutura nem para conhecer o Evangelho e nem para crescer em conhecimento. A Graça de Deus me levantou do pó no chão da minha casa e me colocou assentada com príncipes. 

O que sempre me motivou a estar num rol de membros, foi a comunhão. No momento em que ela deixar de existir, não haverá mais motivo para fazer parte de nada que aconteça alí. 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Igrejas judaizantes




Hoje, a maioria das igrejas evangélicas se fixam em pregações judaizantes. Formulam suas táticas de engodo, usando textos do Antigo Testamento, como se Israel e a Igreja fossem o mesmo povo. E como se não houvessem duas alianças, com promessas distintas e Leis distintas. Usam a velha aliança para prometer o que Deus não prometeu à Igreja e para garantir o que jamais foi garantido. E assim, plantam a semente da segregação, da falsa ideia de povo seleto de privilegiados, gente alienada, materialista, vingativa e vazia do amor de Deus.

Israel é a figura de um povo endurecido, adúltero e almático. A Igreja de Cristo é quebrantada, esposa fiel e espiritual. A imagem do Deus de Israel é percebida pela limitação do homem em Adão, por isto é a de um Deus terrível, vingativo e ditador. Em Cristo, Deus é um Pai amoroso, abençoador e que convida a humanidade a ser co-herdeiras com o Filho.

As promessas feitas a Israel são materiais, temporais e condicionadas à obediência. As promessas para a Igreja de Cristo são espirituais, eternas e ofertadas pela Graça de Deus.

A Lei de Moisés foi dada a Israel, porque eles jamais a cumpririam e assim, foram o povo escolhido por Deus para mostrar à humanidade, a necessidade do Salvador. Nunca houve um justo sequer além de Cristo e sob o prisma eterno, não poderia ser diferente, pois o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo.

Já ouvimos tantas vezes leituras superficiais, onde se afirmava que Abraão se precipitou ao ter um filho com
Hagar, a egípcia. Pois o filho da promessa deveria nascer de Sarah, sua esposa. Mas conhecendo a explicação de Paulo acerca da escrava e da livre, onde uma representa a Lei e a outra a Graça, vemos que nada do que acontece é em vão e que tudo está perfeitamente amarradinho ao plano de Deus, que era levantar um povo na Terra, para estabelecer Seu Reino Eterno.

Haviam promessas naturais para a descendência natural de Abraão, os hebreus. E haviam promessas sobrenaturais, para os que se faziam herdeiros da fé de Abraão, seus descendentes por meio de Cristo.

Depois que Abraão recebeu a promessa de que seria o pai de uma grande nação e que dele Deus suscitaria uma enorme descendência, tal como as estrelas do céu, e que através de seu descendente, todas as famílias da Terra seriam abençoadas, nasceu Isaque, o herdeiro da promessa e nele, o descendente Jesus, por meio de quem no tempo oportuno, Deus consumou a Obra Redentora.

A promessa foi feita antes da Lei, mas cumprida no Novo Testamento, em Cristo. Pois por meio da fé, todo homem que guarda Nele a esperança, será salvo.

Portanto, Hagar a escrava, é representada pelo Monte Sinai e a Lei. Antes de se converter, todo homem é um Ismael. E Sarah a livre, é a Nova Jerusalém celestial e a Graça que nos converte em Isaque.

Enquanto não tínhamos fé, dependíamos de nosso esforço e éramos escravos do pecado que habita nossa natureza terrena. A Lei servia para apontar nossas culpas. Era como se uma grande carga estivesse sobre nosso lombo, pois jamais poderíamos cumprir todas aquelas regras.

Mas vindo a Luz do mundo, nossos olhos foram abertos pela fé. E nosso fardo foi substituído por algo leve e possível. Viver sem culpa, é incomparavelmente melhor.

A Lei em si é boa. Não podem ser más, cláusulas que dizem "não roubem, não matem, não cobicem, não adulterem". Posto que são ordenanças que protegem o homem. O problema está na nossa imperfeição. É impossível ao homem natural, cumprir toda a Lei e falhando em uma, nos tornamos culpados de todas. Assim, a Lei nos torna malditos e dignos de morte. Ela é boa, mas nela nos tornamos réus inevitavelmente.

Pela fé em Cristo, esperamos Nele a salvação. Foi Ele quem pagou a nossa dívida, se fazendo maldito no nosso lugar e riscando a cédula que nos condenava. Nele somos verdadeiramente livres da culpa e da condenação. Já não observamos a Lei, pois em Cristo, é o amor que nos aperfeiçoa.

A conversão consiste numa confissão: somos incapazes de nos justificar pelas obras e dependemos da Justiça em Cristo. É impossível se converter e ainda crer em mérito próprio.

Assim, já não somos Ismaéis debaixo da Lei, escravos de nossa imperfeição. Mas em Cristo, fomos feitos Isaques, herdeiros da promessa, livres. Um herdeiro não precisa se esforçar para herdar. Ele apenas espera, é herdeiro.

Os da Lei, abrem mão de Cristo. Julgam que a Obra Redentora é imperfeita e portanto devem completá-la guardando mandamentos. Os da Graça, simplesmente descansam e esperam Nele. Pois crêem na Sua Perfeição e na eficácia do sacrifício na Cruz, consumado de uma vez por todas, para que as benesses da Graça de Deus, alcancem Seu povo.

Enquanto as igrejas continuarem agindo como se fossem Israel, permanecerão na sequidão do deserto espiritual, negando o amor e cegas para as promessas conquistadas por Cristo com alto preço.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Igreja ou igreja




Para a maioria dos evangélicos, a Bíblia é um manual de regras e prática da fé, para mim é Palavra de vida, que encontrando terra fértil, germina e gesta vida de Cristo naqueles que creram. Por esta razão, o que o Senhor disse, é. O que Ele não disse ou não mandou dizer, simplesmente não é. 

Este é o parâmetro para que eu saiba o que é da vontade de Deus e o que nasceu da vaidade humana. Este é o diferencial entre minha vida e a de pessoas religiosas. Se a Palavra está do lado de fora, ela é regra de conduta, se ela está dentro, é caráter.

Fui chamada por Deus, capacitada com olhos que enxergam para além do que vêem e sensibilidade para discernir as coisas que vejo. Para os mais atentos, não é novidade que a igreja caminha a passos largos para a perdição. Digo a igreja com "i" minúsculo, porque a Igreja de Cristo está garantida por Ele mesmo, desde antes da fundação do mundo e segue até que Ele venha. Ao passo que a igreja histórica, desde que se corrompeu em Roma, nunca mais deixou de se prostituir com os sistemas do mundo. Se os que se chamam pelo Nome de Cristo, cressem no que Ele disse, estariam preparados para esta apostasia, pois precede a Sua volta.

Fui chamada para resgatar a simplicidade e pureza do Evangelho naqueles que são. Não gasto energia com os que não são. Assim, desconstruindo conceitos, costumes, distorções que a igreja histórica instituiu, resgato no coração dos filhos a esperança Nele. Enquanto se acoplam os costumes humanos na sã doutrina, a igreja histórica vira qualquer coisa, menos a Igreja instituída por Cristo.

Desde que a igreja virou empresa e os dons viraram hierarquia, pouco sobrou da comunhão dos que amam, pois as motivações para servir, são cada vez mais diversas.

Jamais escrevi ou falei contra placas ou pessoas, até porque o sistema corrompido está revelado no Apocalipse e será destruído, não é algo pontual, que eu possa simplesmente resolver ou sugerir saídas. Está claramente exposto o que será dele. Mas contra a Igreja de Cristo, a porta do inferno não prevalece, posto que Ele mesmo a comprou para si. Isto é, pessoas de todos os tempos, línguas e culturas, que creram e esperaram no Senhor.

Assim, minha missão é muito mais ampla, do que discutir opiniões com gente que abraça a causa evangélica e nega o Evangelho. Um sistema estabelecido não muda e não mudará. Mas os que estão cegos, por negligência daqueles que tomam a frente para os conduzir, a estes bastará ouvirem a Palavra da verdade e a guardarem, para terem de novo os olhos abertos. 

Enquanto cegos guiarem cegos, tudo será apenas religião. Mas quando virem, tiverem suas mentes iluminadas pela Luz de Cristo, trilharão o Caminho, a Verdade e a Vida.

A grande confusão que acontece na cabeça de religiosos, é que só enxergam o sistema, mas não a Igreja. Enquanto as decisões vierem de fora para dentro, não há nova vida. Mas quando as consciências estiverem pautadas no Evangelho de Cristo, e o ensino do Mestre for a comida de cada filho, digerida e metabolizada, a força virá à partir de dentro e já não haverá mais confusão. Por enquanto, tanto dentro, quanto fora das paredes, joio e trigo crescem juntos.

Hoje, as pessoas se melindram com a verdade porque são medíocres. A sã doutrina sempre causará comichões nos ouvidos daqueles que não são. Ao passo que as que são, já não tem ego para ferir e nem orgulho para doer, porque morreram e ressuscitaram com Cristo e já não vivem, mas Cristo vive nestes.

Assim, não me esforço para justificar o dom aos homens, não é a estes que prestarei contas do que faço e vivo. Mas se vejo e entendo, ai de mim se não proclamar a verdade! Antes, não temo o que possa me fazer o homem. Nasci com o fim de glorificar a Deus com a vida.

Se as portas institucionais se fecharem para mim, Cristo é a Porta por onde passei de uma vez por todas. Pregarei fora do arraial.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Mês da família?




Pela tradição da Igreja evangélica e para o cumprimento da agenda anual de programações da Igreja, o mês de maio é separado para instruir e exaltar a função das famílias dentro da comunidade cristã. Para isto, todas as pregações, cultos nos lares e palestras, são direcionadas ao mesmo tema: funções/obrigações/responsabilidades do marido para a esposa, da esposa para o marido, dos filhos para com os pais e dos pais para com os filhos.

Mas como fui agraciada com um olhar mais amplo, percebo coisas que a maioria das pessoas deixam passar desapercebidas ou se calam, para evitar mais constrangimentos. Meu objetivo neste post, pode ser visto como uma crítica à religiosidade, mas também pode servir como edificação do Corpo que foi chamado para acolher e amar.

Nada tenho contra as instruções de Paulo sobre a família, apesar de perceber que textos onde ele se mostra contrário ao casamento, não tenham o mesmo valor doutrinário. Creio piamente que uma família bem estruturada, tende a ser mais harmoniosa e amorosa, coisas primordiais para que a caminhada cristã seja facilitada.

Porém não posso fechar os olhos para as coisas que saltam às basicalidades e superficialidade das pessoas, que na tentativa de fortalecer conceitos sobre a estrutura da família, passam de largo para o que de fato legitima uma família: respeito mútuo, cooperação, divisão de tarefas e obrigações e principalmente o AMOR que possibilita uma boa convivência.

A realidade da Igreja é outra, somos formados também por famílias atípicas, que ficam à parte durante um mês inteiro. Entre estas: casais sem filhos, filhos sem pais cristãos, viúvos, divorciados, avós que criam netos, sobrinhos que acompanham familiares, mães solteiras, sogras que foram acolhidas... enfim, realidades que são descartadas no mês de maio, quando nada faz menção sobre estas vidas que durante o ano participam ativamente de tudo o que acontece na Igreja.

Atos 2:47b " E assim, a cada dia o Senhor juntava à comunidade as pessoas que iam sendo salvas."

Acompanhem meu raciocínio: A Graça alcançou sem acepção, o Senhor iluminou o entendimento, enxertou na Videira Verdadeira, arregalou os olhos para as revelações espirituais, constituiu a cada um de nós Rei e Sacerdote, porque a Igreja é um sacerdócio real segundo a Ordem de Melquisedeque. Então nos tornamos habitação do Espírito Santo e até nossa espiritualidade é reconhecida. Mas a comunidade ainda exclui e considera como caso à parte. O Evangelho é agregador, mas a tradição evangélica, o Cristianismo histórico, a instituição religiosa é excludente e continua agindo com acepção.

Pelos moldes da Igreja, nem Jesus se encaixaria, porque nem era filho de José. O que fica evidente, é que muitas vezes a tradição evangélica fala mais alto que o próprio Evangelho. E que histórias como a de Rute, que decide cuidar de sua sogra Noemi, a de Timóteo que é ensinado pela avó, a do pai que pede socorro pelo filho endemoninhado, a da mãe que pede socorro pela filha sem que sejam mencionados outros membros da família, ficam sem valor.

Pelo que parece, o Evangelho excludente, não é o mesmo que alcançou a mulher que foi pega em flagrante adultério, ou a que teve cinco maridos e estava com um que não era marido dela. 

E a questão é a seguinte: É Deus que cega a congregação por causa da constante falta da prática de amor, ou é o exagero da religiosidade que cega para as coisas que são de fato importante? O que é inegável é o retrocesso, ao invés do avanço na estatura de varões perfeitos, porque toda a segregação, toda a exclusão e todo o preconceito, são contrários ao amor que caracteriza a Igreja de Cristo.

Este ano não vou participar do retiro de encerramento do mês de maio da Igreja, porque foi estabelecido que família é o casal com filhos, o resto é parente e parentes não serão permitidos.

No meu caso, a família que considero é a parentela inteira, porque na prática, eu moro só. Mas para a Igreja que exclui, eu sequer tenho uma família. Assim como eu, muitas outras pessoas que o Senhor acolheu, ficarão em situação constrangedora, porque a Igreja não aprendeu a amar e nem a acolher essas pessoas.

Este ano fazem 18 anos que congrego no mesmo lugar, mas o esforço que faço para permanecer e perseverar, é muito maior no meu caso do que no caso de famílias tradicionais, porque tudo gira em torno do umbigo dos religiosos. Assim, nas festas de solteiros estou de fora por causa da minha idade e por ter um filho. Nos encontros de casais estou fora, nos encontros dos homens onde podem levar a família estou fora e também no contexto do mês de maio.

Se não fosse a Graça que me sustenta e o amor de Deus que jamais me abandona e nem despreza, por que eu bateria nesta porta que nunca se abre?


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Deixando as coisas de menino

Um pouco de fermento, leveda a massa inteira, ao ponto dos líderes que se dipõem a pregar o Evangelho, o transformarem em veneno, completamente nocivo à saúde espiritual dos que os ouvem. De fato, o evangelho simpático aos ouvidos carnais, promete abrir portas, garante vitórias, segrega, distorce, engana, manipula, escraviza, vicia e cega uma multidão incontável de débeis na fé.

Gente que lê e não compreende, escuta e não ouve, olha e não enxerga, enquanto engolem uma gororoba evangélica, incapaz de dar crescimento, inútil para edificar, mantendo cativos numa ilusão, pessoas que usam o Nome de Jesus, sem nunca ter andado com Ele. Sangue-sugas da fé, insaciáveis meninos birrentos, que terminam frustrados em sua atrofia, sem jamais ter experimentado da Graça de Deus.

Chega! Todo aquele que deseja andar com Cristo, terá que entender que carregará a marca dele, será reflexo de seu Senhor. Sim, padecerá, sofrerá escárnio, será abandonado, dará a cara à tapa, será traído, negado pelos amigos, viverá na maioria das vezes só. Contudo, permanecerá amando.

Os filhos de Deus, à semelhança de Cristo, sofrerão muitas aflições e o consolo destes, é se lembrar que o Senhor venceu tudo o que lhe fora proposto, firme até o fim. Nosso alvo é ser como Ele e suas palavras ecoam dentro de nós, pois são espírito e vida. "Não desanimem, estou com vocês até o final, perseverem, não retrocedam, sejam constantes, sua felicidade consiste na certeza de ser meu. Você é feliz quando sofre injustiças, é perseguido, ou quando chora por causa de mim. É um bem-aventurado quando permanece humilde, fiel, manso e pacificador, porque assim aprendeu comigo."

Observem a vida de Paulo, se ele passou a conquistar coisas para si mesmo, depois da conversão. Ao contrário, ele se despiu de quem era, para ser revestido de um novo homem, cujo viver sempre foi Cristo, tendo inclusive a morte por Cristo como lucro.

Quem quiser enganar-se ainda, coma mais deste alimento estragado. A tolice lhe garantirá muitas companhias e te manterá nas amenidades, na superfície, nas basicalidades, na carnalidade.

Quem não estiver disposto a perder pessoas, abrir mão de status, esvaziar-se de si mesmo, jamais conhecerá as coisas do Alto, nem compreenderá a profundidade da revelação.

Há que se tomar cada qual a sua cruz e conviver cada um com seu espinho fincado na carne. E não faltarão filhos das trevas para apontar o dedo em riste. Mas a Graça bastará.

Padecer por Cristo é privilégio para poucos. Os remanescentes que herdarão a Vida Eterna.

sábado, 21 de março de 2015

Desde os tempos eternos

Assimilar a atemporalidade é um desafio para nós que somos finitos e tão limitados em todos os sentidos. Mas uma leitura espiritualizada da bíblia, um mergulho além da letra, uma entrega de coração nas revelações, nos permitem compreender o que muitos não conseguem sequer enxergar, por estarem acorrentados à razão, como se a fé fosse algo definido, algo raciocinado e encerrado num conceito humano qualquer.

Não... apesar de experimentarmos a vida dentro de uma percepção de tempo e espaço, onde identificamos os acontecimentos dentro de uma sequência lógica, ela É antes de ser concreta neste mundo. 

Tudo, absolutamente tudo, existia desde a eternidade, de forma subjetiva em Deus, porque Ele é eterno e Nele, tudo subsiste, tudo é desde sempre e numa linguagem revelada biblicamente, simplesmente é, desde antes da fundação do mundo.

Assim, a narrativa de Gênesis, simplesmente concretiza aquilo o que era subjetivamente, porque o homem só compreende o que é objetivo. Nas narinas do homem feito de pó, Deus sopra o homem que existia desde antes da fundação do mundo e ele então se torna uma alma, um ser objetivo, que trilhará uma jornada neste mundo, tempo e espaço.

À imagem e semelhança de Cristo, que é de eternidade à eternidade, Adão vive no tempo cronológico e experimenta do conhecimento do bem e do mal, que havia subjetivamente em Deus, que tudo sabe e tudo conhece. Traz à existência material, o que já existia e já era ciência de Deus, como se a vida humana fosse um filme visto pela primeira vez por nós, mas por Ele, conhecido em cada detalhe.

Assim, cada homem e cada trajetória, está exposta diante de Deus, sem que haja nada encoberto e por acontecer. Cada vida está desnuda do início ao fim, do ventre ao túmulo para Ele, enquanto para nós, aguardam tão somente ser concretizadas no tempo. Tanto os eleitos quanto os que O negaram, são conhecidos desde antes da fundação do mundo. 

Não porque Ele tenha feito acepção, mas porque toda a humanidade foi encerrada no pecado, para que todos conhecessem a Misericórdia revelada em Cristo, o Cordeiro imolado desde antes da fundação do mundo. Todos se reconheceram por meio da maldição da Lei que acusa da culpa, para que o Salvador fosse ansiado por todos e para que crêssemos que Ele se fez maldição no nosso lugar.

E então, cada um escolheu ou se render à Justiça de Deus que é Cristo, ou buscar a justificação pelos méritos e esforços humanos ou simplesmente não creram.

Para a maioria das pessoas, Deus é solicitado para fazer, abençoar, conceder, livrar... eu entendo que Deus é, fez, realizou, abençoou, concedeu, deu crescimento, elegeu, santificou e salvou desde antes da fundação do mundo. Aqueles a quem João viu diante do Trono Branco, existiam e estavam lá de forma subjetiva. João estava em espírito, no solo da atemporalidade, da mesma forma que nós morremos com Cristo na Cruz, para ressuscitar Nele e viver a vida Dele.

O tempo da ignorância que Deus não levou em conta, deixou de existir com as coisas de menino. Renascido, cada filho de Deus tem condições de se enxergar e escolher a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. E pelos frutos que cada um deu ou não, determinou se foi limpo para frutificar mais, ou se foi cortado.

É preciso entender, que o tempo é problema para o homem almático, mas não para aqueles que entenderam que são eternos desde sempre. Somos Dele, vivemos por Ele e para Ele, desde antes da manifestação concreta de todas as coisas, até sermos coroados Naquele dia. E o que vivemos agora no tempo, precisa ser o reflexo daquilo o que aprendemos com a Luz do mundo, pois Ele revelou o que antes era sombra e trouxe ao nosso entendimento, coisas que homens comuns não assimilam.

Os santificados, são todos aqueles que foram separados para o uso de Deus, os que vivem piedosamente, trilhando as veredas do amor. Estes que tem um Salvador, porque nunca o rejeitaram como Senhor e nem desprezaram seus ensinamentos. Não apenas guardam as suas palavras que são espírito e vida, mas as praticam e as tem como um grande tesouro.

Estes que o amaram, amam também seus semelhantes, perseverando até que o tempo seja consumado. Selados pelo amor, porque tem a essência amorosa de Deus, aguardam a volta de Cristo, para ser plenos Nele, eternamente.

E os que se fixaram na cobiça e na satisfação do próprio ego, são igualmente conhecidos e para estes não há esperança, porque correram atrás do vento e não são dos que amaram a Deus.

Deus sempre soube quem é quem. E agiu com Misericórdia, com todos os homens que aprenderam a amar como Ele nos amou.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Jesus, meu tudo.

Graça, favor recebido, jamais merecido!
"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão." João 10:27-28
Uma consciência pautada no Evangelho, reconhece que não tem mérito.
Sabe que independe de quem quer, ou de quem corre atrás de um suposto merecimento às coisas que vem do Alto. Mas foi alcançado puramente por bondade e misericórdia...

Saber-se verdadeiramente livre, é entender que apesar de que NADA nos separará do amor de Deus, nosso maior prazer é estar no centro de Sua vontade. Já não faz sentido o pecar deliberadamente, porque ser livre, é também conseguir SE dizer "não".

Compreender a Graça Maravilhosa e estar em Cristo, é reconhecer-se destituído por causa das obras, mas religado por causa da fé. A Vida gestada no coração dos filhos de Deus, é o que nos sustenta nesta caminhada, em direção ao Alvo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Análise da 3ª Carta de João

Aula de capacitação de professores e vocacionados - Professor Reginaldo Xavier
Alunos: Janete, Mateus, Renildes, Zuleika, Eunice e José Antônio.



Autor: O autor da Carta se denomina "O Presbítero". A tradição estabelece que o autor tenha sido o Apóstolo João, para a Igreja em Éfeso, entre os anos 80 e 95 D.C.

Texto: 3ª Carta de João
Tema: A permanência na verdade
Chave: Verdade  v. 1, 2, 3, 4, 8 e 12
Divisões: v. 1 a 4   Saudações e exaltação do bom exemplo de Gaio
                v. 5 a 8   Mal testemunho de Diótrefes
                v. 9 a 15 Bom testemunho de Demétrio

Personagens: João, Gaio, Diótrefes, Demétrio e os evangelistas itinerantes.

Gaio - Há algumas menções a personagens no Novo Testamento com este nome:

* Um cristão da Macedônia é mencionado como companheiro de Paulo em sua 3ª viagem missionária, juntamente com Aristarco (AT 19:29)

* No capítulo seguinte, um Gaio de Derbe é listado como um dos sete companheiros de viagem de Paulo que esperam por ele em Trôade (AT 20:4)

* Um Gaio é mencionado morando em Corinto e sendo um dos poucos que Paulo batizou (os outros foram Crispo e a família de Estéfanas) que fundou a Igreja na Cidade (1 Co 1:14)

* Um Gaio aparece na porção final de cumprimentos da Epístola aos Romanos (Rm 16:23) como sendo o anfitrião de Paulo e também de toda a Igreja. (Provavelmente Paulo estava escrevendo de Corinto, da casa de Gaio)

* Finalmente, Gaio de Éfeso, a quem a 3ª Carta de João foi enviada (Ele pode ser qualquer um destes ou não).


Diótrefes

Diótrefes era grego como indicado na etimologia de seu nome (alimentado por Zeus).
Era orgulhoso, arrogante, prepotente, incapaz de respeitar a autoridade do Apóstolo João. Era um líder movido pelo ciúme de "sua" Igreja.

Demétrio

Há duas menções ao nome Demétrio no NT. Provavelmente se trata da mesma pessoa.
O primeiro aparece em AT 19:24 Era um ourives da prata que fazia nichos para colocar imagens da deusa Diana dos efésios, rico que sentiu-se ameaçado pela pregação de Paulo e instigou os artífices. Juntos arrebataram Gaio e Aristarco, macedônios companheiros de Paulo na viagem.
Demétrio estava encabeçando toda esta confusão, sem contudo ter uma acusação concreta contra os cristãos, que não blasfemaram e nem cometeram sacrilégios contra a deusa deles, apenas pregavam o Evangelho.
Na 3ª Carta de João, Demétrio é um convertido ao Evangelho, que dá bom testemunho. Um cristão modelo, elogiado por João.


Cenário


Muitos dos primeiros cristãos foram chamados para a evangelização itinerante e dependiam que outros cristãos os recebessem como hóspedes nas aldeias. 
Diótrefes havia se ajuntado à comunidade cristã e se tornado líder, mas se via como um "dono da Igreja", queria um lugar de primazia entre os irmãos e expelia da Igreja quem quer que não o seguisse. 
Seus esforços para proteger seu próprio partido e interesses, eram prejudiciais à causa de Cristo (Verdade). João não se intimidou com tal carnalidade.
Queria o primado, ou seja servia a si mesmo, embora fingindo estar servindo a todos.
Vivia num permanente clima de encenação. Saberia manejar e tirar proveito da pureza, ingenuidade e da simplicidade dos irmãos em Cristo, tudo isto a seu bel prazer e egoísmo, longe do ensinamento de Jesus.
De maneira autocrática ele não só deixava de acolher os emissários de João, como impedia que os irmãos os hospedassem. E quando não conseguia seu intento, expulsava os irmãos da Igreja. Seu procedimento era maligno e reprovável diante de Deus.
João escreve à Gaio insistindo para que continuasse sua obra piedosa de receber os servos do Senhor, apesar da oposição de Diótrefes e promete tratar drasticamente com o usurpador, já que este rejeita sua autoridade e não recebe suas cartas. Menciona também Demétrio, como um cristão genuíno que serve de modelo para os outros.


Significado:


Natural: O problema daquela Igreja local, que consistia no amor de uns que serviam a Cristo e a falta de amor do líder usurpador, contrário ao Evangelho nas coisas mais básicas.

Original: Ainda hoje existem líderes que ocupam cargos nas Igrejas, mas com outras motivações e não pautados pelos fundamentos da fé cristã.
É muito atual este tema. De um lado, verdadeiros cristãos, unidos no amor, buscando permanecer na Verdade e na prática do Evangelho: Enquanto do outro lado, líderes que se infiltram em busca de poder, tentando estabelecer sua supremacia, não se dobrando nem mesmo à Cristo.

Coerente: Por outro lado, o testemunho positivo dos verdadeiros cristãos, nos mostra que se formos fiéis, todos saberão. Quem convive conosco precisa testificar de quem somos. E mais importante que isso, podemos influenciar outros irmãos a caminharem na verdade. De uma forma ou de outra, nossa conduta envia uma mensagem e esta mensagem, pode ser uma influência positiva ou negativa. Que tipo de testemunho estamos dando?
Nossa preocupação deve ser sempre permanecer na Verdade, isto é, nos ensinamentos do Mestre, fundamentados no amor, ainda que hajam forças contrárias que tentem impedir o crescimento dos irmãos até a estatura de varões perfeitos. Sempre haverão pessoas infiltradas nas igrejas, fixadas nos anseios do próprio ventre. 
Na Igreja de Cristo, não há espaço para disputas de poder, há apenas UM dono, Um que é o Cabeça de todos os membros. Não há lugar para ambições pessoais. 
Nós que somos livres, somos capazes de reconhecer um líder tirano e se estivermos firmes na Verdade, serviremos em amor como aprendemos.

Bibliográfico: sinceridade, hospitalidade e caráter cristão

1, 2 amor fraternal
3, 4 andando na verdade
5 fidelidade a Deus, deveres sociais, hospitalidade
6 reputação
7, 8 Por Cristo, cooperação
9 opositores
10 Autoridade, calúnia, perseguição
11 Advertência
12 bom nome, veracidade
13 verdadeira amizade
14, 15 amizade entre irmãos, paz invocada



Aplicabilidade - Valores como o serviço em amor, a disponibilidade na doação e a fidelidade à Doutrina de Cristo são para todos os tempos.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Canto de júbilo

O Evangelho enche meu coração de júbilo, como é bom compreender o amor de Deus! Está consumado, está pronto, sou grata pelo que recebi de Graça!



Porque sou fraca, Ele é minha força
porque sou pobre, Ele me supriu
porque sou frágil, fez-se meu abrigo
porque sou nua, Ele me revestiu
Porque sou breve, deu-me nova natureza
porque sou pó, moldou-me pela fé
porque sou vento está me conduzindo
para ser santa, tal como Ele é
Porque me ama, chama pelo nome
porque me ama, não me deixa mais
porque me ama, deu-me segurança,
porque me ama, deu-me Sua paz!
Estou segura e isto, eternamente
porque se fez pecado em meu lugar
Por isto, Nele eu fui regenerada
e pela Graça, eu aprendi a amar!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Olhar para além

Há muito que não alimento ilusões.
De certo que aprendi a ver mais vantagem nas desilusões do que nas ilusões, porque pelo menos são verdades. Encaro o sabor amargo da vida, com todos os seus percalços, todas as suas adversidades, todas as frustrações, todas as inseguranças... contudo, quem me sustenta está adiante e eu ouço sua voz.

Não, não há ilusões. Quando olho para trás e remexo nas minhas coleções de sonhos frustrados, na falta de amor, nas tentativas vãs de encontrar felicidade nesta vida, vejo que a infantilidade dos meus sentimentos me fizeram muito mal. Não as pessoas, mas o que esperei delas.

O que o homem tem de bom para oferecer? Que esperança é esta que nutrimos uns nos outros? Por que investimos tanto tempo procurando no outro, o que pode nos suprir, se o Único que pode, porque é pleno em si mesmo, é aquele que nos chama a perseverar até o fim?

Pareço pessimista, sei. Mas não estou lamentando nada. Apenas enxergo para além do que vêem e prefiro não me juntar aos que correm atrás do vento, porque entendi que só sobrará enfado e cansaço. Aprendi a viver com pouco, com menos companhias, com poucas expectativas, com nenhuma ilusão.

Sob o prisma da carne, que nunca se satisfaz, certamente ela não se alegra em ter que viver só, sem a segurança de um bom emprego, sem o conforto de um salário justo, sem a oportunidade de gozar as delícias dessa vida, porque certamente conheço algumas.

Mas sob o prisma do espírito, que está pronto e segue para o alvo, a consciência de que sou uma privilegiada, chamada para ser luzeiro na vida de meus irmãos é o que me conduz para adiante. Não há tempo para correr atrás do vento, há pressa para chegar vencedora em meu destino.

Peregrina em terra estranha, não poucas vezes mal recebida. As palavras que tenho, não são amadas por todos e como forasteira, muitas vezes não tive onde recostar a cabeça. Mas há propósito, sou serva designada por meu Senhor, a ir anunciando que Ele voltará.

Meu Senhor não é o meio de conseguir coisas. Ele é o meu destino, o objetivo porque caminho, o alvo onde quero chegar. Quem me alimenta é sua Palavra, quem me sustenta é o espírito e vida que vem dela. Sem o amado da minha alma eu não vivo. Minha esperança não está em dias melhores, mas adiante, na vida que terei na minha Pátria.

Os sonhos tornam esta vida possível, mas só a esperança torna esta vida suportável. Enquanto correm atrás do vento cada vez com mais pressa, eu olho para o Monte e digo vem, Senhor, vem!

1 Coríntios 15:19 "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens."


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Sobre o amor na tricotomia

Neste post, pretento transcrever o que tenho meditado nestes dias, sobre o amor em seus três tipos distintos, tão melhor percebido pelos gregos do que por nós. Se por aqui temos que nos virar com uma única palavra amor, que pode significar muitas coisas, nos textos bíblicos é possível identificar o amor em cada uma de suas fontes.

De qualquer forma, o amor é um impulso na direção do outro.

Em Eros, o mais egoísta dos três tipos de amor, é o que liga um corpo ao outro, não necessariamente entre um casal, mas mesmo entre amigos, quando há toque, abraço, beijo. É estreitamente ligado ao prazer, porque desperta os sentidos do corpo, que busca satisfação. É troca, mas se prioriza o próprio desejo.

Em Philos, é a alma que é despertada, com sua sede de troca. Com o mesmo ímpeto que doa de si, quer receber na mesma medida. São afinidades, são necessidades que complementamos uns com os outros. O que falta em um, o outro supre. Mas não é amor incondicional, pois perdemos o interesse quando não nos correspondem na mesma medida. Investimos, mas esperamos retorno.

Ágape é doador. Não se prioriza e nem busca a própria satisfação. É o amor despertado no espírito, é sublime, é incondicional. E quanto menos possibilidade há de retorno, maior o grau de amor. Jesus amou assim, se dando por quem estava perdido. Negando-se em favor de quem nada poderia retribuir. Amor puramente espiritual.

Assim, respectivamente Eros, Philos e Ágape, são próprios do corpo, alma e espírito. Para quem não entende muito bem como distinguir a constituição humana, penso da seguinte forma:

Percebo o espírito como uma espécie de cordão umbilical, que faz parte da mãe, mas que alimenta o filho em formação. O espírito é sopro e não parte do homem, é o que possibilita nossa sensibilidade espiritual, a intuição das coisas invisíveis, o relacionamento com Deus propriamente dito. É de Deus e volta para Ele quando expiramos.

Estamos assentados nas regiões celestes em espírito e de lá rebemos a revelação. O Espírito se comunica com nosso espírito (ou com este canal que faz a transcendência entre o sublime e o limitado.

Corpo é uma capa de pó e alma é nosso HD com todos os registros do que somos e adquirimos. 

É assim que Deus revela ao meu entendimento, a constituição humana. Isto sem que seja necessário esquartejar nada, porque é patente a função de cada nuance do homem.

O espírito tem sua função enquanto Deus nos edifica. Quando nosso edifício celeste estiver terminado, seremos imagem visível de Deus em Cristo. Enquanto nos negamos aqui e crescemos alí, o espírito, tal como o cordão umbilical, nos dá crescimento enquanto nos purifica dos "produtos de eliminação" igualzinho no ventre.

É um canal e não a parte mais importante em detrimento às outras. É ambiente propício para o Espírito Santo habitar.

Enquanto o homem é carnal, Eros e Philos alternam as posições em seus relacionamentos. Na medida em que se torna espiritual, é Ágape que toma o governo e a decisão de se doar passa a ser prioridade.

sábado, 22 de novembro de 2014

Culto racional

"Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." Romanos 12:1

Ouvi ontem uma reflexão sobre culto racional, onde o preletor dava ênfase à purificação do corpo, citando inclusive a prostituição, adultério e masturbação. E enquanto ele falava sobre estas coisas e sobre a tricotomia, fiquei pensando no prisma como leio o versículo. Interessante como cada um tem uma percepção diferente do mesmo texto que lê. Eu o entendo da seguinte forma:

O culto que saciou a Deus de uma vez por todas, foi realizado por Jesus na Cruz, não restando para o homem nenhum outro tipo de culto, sacrifício e ritual que agrade a Deus. Foi o que Jesus realizou, que Deus enxerga quando nos olha, pois Ele faz esta mediação entre nós.

Assim, o culto que nos cabe, não é o que chamamos de culto na igreja. Aqueles acontecimentos servem para nos unir e não para cultuar a Deus. O culto que devemos oferecer é por meio do corpo, através dos sentidos, nos encontros, no ato de amar e servir ao próximo. É racional porque acontece por meio da consciência de ser separados para o uso de Deus.

Pelo que entendi da pregação, a ênfase à purificação do corpo foi no sentido de não pecar. Mas como é impossível ao pecador viver sem pecado, não creio que o texto trata disto. Pelo que entendo, cultuamos por meio do corpo, porque é por meio do corpo que transformamos o amor em ação. Culto racional acontece, quando fazemos escolhas que agradam a Deus com relação ao próximo. Eu ia até comentar sobre este prisma ontem, mas achei que atrapalharia o raciocínio do meu amigo.

O que chamamos de culto não é culto. Só é possível cultuar por meio do amor e concretizando-o por meio do corpo.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O amor nos regenera

João 3:16 "Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a Vida eterna."

A Vida de Cristo se manifestou aos filhos de Deus, dando-lhes vida.

Primeiramente, gostaria de meditar com os irmãos sobre o que é o amor. O mundo romanceou a palavra amor, de forma que conseguiram banalizar seu significado. Hoje se apelida qualquer sentimento com a palavra "amor", mas nem tudo o que se chama de amor, é de fato amor.

Como a Palavra nos diz que Deus é amor e não que Ele apenas possui amor, concluo que o amor é a sua mais pura essência e não um mero sentimento. Essência que o impulsionou à uma ação que manifestou este amor ao mundo. Um ato amoroso, a concretização de algo, uma doação de si mesmo em favor dos homens.

Quando Jesus disse que quando fazemos algo aos seus pequeninos, estaríamos fazendo à Ele, estava dizendo que o amor só se torna real no ato de amar e Ele escolheu ser amado no nosso próximo. Não de palavras, mas em verdade, com ações reais e sinceras.

Uma vez que o amor de Deus transcendeu na direção do homem, este homem está apto à emanar o amor na direção do próximo, porque a essência de Deus está nele e jorra dele. Esta é a evidência de que o homem foi vivificado com a Vida de Cristo. Você crê que recebeu em si a Vida de Cristo? Sua essência é o amor?

Efésios 2:1 a 3 "E vos vivificou, estando vós mortos em delitos e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência."

Tal como os que ainda estão dominados pela concupiscência da carne, estávamos nós arrastados pelo curso do mundo, que assim como num rio, arrasta tudo o que cai em suas águas. Não há escolha para um objeto sem vida que cai num rio. Inevitavelmente ele segue o curso das águas. Assim são os filhos da desobediência. Quem dita as ordens são os maus pensamentos e os desejos da carne. Assim éramos nós, quando estávamos mortos, filhos da desobediência, filhos da ira, inimigos de Deus.

Mas Deus é riquíssimo em misericórdia. Ele colocou o coração na nossa miséria. Pelo muito amor que nos amou, estando nós mortos, Ele nos deu Vida de sua Vida, nos colocando assentados nas regiões celestiais, porque agora quem vive em nós é Cristo e é esta Natureza divina em nós, que sujeita nossa velha natureza carnal, de forma que já não somos mais arrastados pelo curso do mundo, mas seguimos na direção oposta, com os olhos fixados em Cristo e vivendo o amor que recebemos primeiro.

Fomos salvos de nós mesmos, da morte em que nos lançamos quando vivíamos em desobediência. Recebemos a Vida no maior ato de amor, porque não poderíamos lhe retribuir. Não vivemos nós, mas Cristo vive em nós.

Este ato de regeneração só pôde acontecer porque Deus amou o mundo e enviou a Luz para nos iluminar e dissipar as trevas. A fé que vem pelo ouvir a palavra, é como receber a iluminação e passar a enxergar a própria miséria, assim, a Graça nos salva, porque abriu nossos olhos por meio da fé e passamos a ver a Luz e a refletí-la ao mundo.

Os que antes estavam mortos, precisaram nascer de novo, para receber de Cristo a Vida. Como se deu isto?

Romanos 6:6 "Sabemos isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído e não sirvamos o pecado como escravos."

Efésios 4:22 a 24 "Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade."

É um ato de fé, crer que o velho homem já foi crucificado com Cristo. Mas a velha natureza morre aos poucos. Despojar e revestir sugerem um processo. Nos despirmos da velha natureza, para que possamos nos revestir da nova. A Noiva está sendo ataviada para encontrar o Noivo.

Relembrando, a regeneração é o dom da Graça de Deus, realizada em nós pelo Espírito Santo. É este processo de mudança de natureza, cujo principal efeito é nos salvar de ser arrastados pelo curso do mundo, das trevas, da morte espiritual, mudando a disposição da nossa alma à direção oposta, inclinando nosso coração à Deus e sua Vontade.

Nascer de novo, não é o dia em que ouvimos um apelo e resolvemos levantar a mão. E também não é o dia em que fomos inseridos num rol de membros. Nascemos de novo quando despertamos para nossa condição de miséria e entendemos que sem Cristo, nada podemos fazer e assim, confiamos que Dele procederá toda a transformação necessária, pois Ele que nos amou , a completará.

Romanos 8:1 "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito."

Não basta dizer "sou de Cristo" "estou em Cristo". Há uma característica manifestada na vida dos que são. Eles não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Cristo só é Salvador, daqueles de quem também é Senhor.

E você, consegue distinguir entre estas duas direções distintas? Você vai no curso do mundo, ou vive pela Vida que recebeu de Cristo por causa do amor do Pai?