A Obra Redentora foi consumada dentro do tempo, quando Cristo expirou na Cruz. Mas não, a Graça não tem 2012 anos. O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo (Ap 13:8). Antes que houvesse homem e pecado, já havia o Amor, já havia a Porta da Redenção. E antes da consumação do sacrifício de Jesus, muitos foram justificados Nele, pela fé.
Além do equívoco de fatiar o tempo, separamos a fé em dispensações e isso facilita uma confusão muito comum no meio cristão. Apesar do Sacerdócio de Cristo ter entrado em vigor após a ab-rogação da Lei Mosaica, a Graça é espiritual e atemporal.
A metáfora do Oleiro, sugere que o Senhor trabalha na vida de cada homem de forma artesanal, individual. Não somos robôs agindo em série, cada um vive num ritmo e todos somos filhos amados, recebendo atenção minuciosa, de acordo com as necessidades de aperfeiçoamento de nossa alma.
Portanto, a Graça chega na vida de cada homem, à medida que este homem decide passar pela Porta. Antes disso, ele está sob a Lei.
Sim, dentro do tempo tudo está consumado. Mas dentro de cada coração, a decisão é singular. Ela acontecerá no momento da conversão da mente. Mudança que marca o nascimento de uma nova postura, uma nova realidade de vida. Não é uma condição, mas uma consequência natural na mente do que crê.
O que temos visto, é um grupo de pessoas que erram deliberadamente, afirmando que a Graça absolve a culpa e já não vivemos mais na Lei. Mas a consciência cauterizada é diferente da absolvição da culpa proposta pelo Evangelho. Não há perdão sem arrependimento.
O preço está pago, mas sem fé, é impossível reconhecer e assimilar a voz do Bom Pastor.
Desde o antigo testamento, Deus nunca desejou holocaustos e sacrifícios vazios de sentimentos. Eles deveriam ser precedidos por contritamento e quebrantamento de espírito. Assim é hoje em nossas vidas. Qual a serventia de tantos discursos que valorizam o próprio ventre, se os corações não se voltam para Deus, se as pessoas já não se reconhecem como são?
O homem que nega suas próprias responsabilidades, usando Cristo como bode expiatório, não o viu como Cordeiro de Deus. Não há fé sem metanóia. Não há conserto sem a proposta de um recomeço. Novidade de vida.
Assim, os que perseveram no mal menosprezando a Lei, continuam debaixo dela. A Lei não é má, ela apenas denuncia quem somos. A Lei serviu para mostrar ao homem, sua incapacidade de se justificar por obras. Ela revela a condição humana. A necessidade do Salvador.
Não há meio de viver na Graça, se não for pela intimidade em andar com Cristo, o Amor. O Reino de Deus é hoje e está dentro de quem aceitou e amou a Boa Nova.





