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sexta-feira, 22 de março de 2013

Homossexuais X Evangélicos


Nunca foi tão explícita a antipatia mútua, entre ativistas gays e evangélicos fundamentalistas. E como o diálogo por direitos e deveres baseados no respeito e bom senso, tem perdido lugar para a discussão agressiva e à perseguição de ambas as partes, dividindo a opinião dos brasileiros, resolvi fazer uma explanação.

Começando pelo argumento evangélico, que gira em torno da Lei Mosáica, que qualificava como "abominação" a prática homossexual, com pena de morte para os envolvidos. Alguns ativistas gays e simpatizantes, argumentam que muitas outras coisas que a Lei proibia, foram ab-rogadas com o estabelecimento da Nova Aliança, baseada no amor. Esta é a raíz de toda a confusão, porque tanto os fundamentalistas, quanto os ativistas, vão advogar em causa própria, até se matarem.

Em Jesus, tudo se fez novo. Ou não praticamos a Lei, ou vamos ter que ressuscitar as 613. E será bem esquisito, ter que matar nossos adolescentes teimosos apedrejados ou ser considerados imundos quando menstruar ou ejacular, por exemplo.

O foco é outro: segundo Paulo, o homem é entregue à própria concupiscência quando se torna  idólatra. O pecado toma forma em nós, cada vez que tiramos Deus do centro, para colocar lá outra coisa, criatura ou a nós mesmos. A confusão está aí, pois quando o espiritual está desorganizado, a carne vence fácil. E se olhar e não conseguir se enxergar dentro do próprio gênero, é apenas mais uma dessas confusões criadas pela alma. A base é Romanos 1.

Se este argumento não bastar para que um homossexual entenda que há algo errado com ele, os evangélicos devem bater o pó das sandálias.  O Evangelho entra na vida do que crê, sugerindo uma nova postura e mudança de mente. Logo, se uma pessoa quiser aprender com Cristo, vai conseguir vencer a carne. Isto se aplica na vida de qualquer um, mas um dia de cada vez.

Da mesma forma  que luto contra minha concupiscência diariamente, ora vencendo e ora perdendo, um gay que deseje colocar Deus no Centro, vai ter que  estar consciênte de suas batalhas diárias. Se negar dói mais que o preconceito.

Não é algo simples, pois uma coisa é rejeitar o que desejo, à partir da consciência de que é um pecado. Outra coisa é controlar o que desejo, sem saber a raíz de tudo. Ninguém escolhe o que vai desejar.

Segundo Jesus, há os que nascem eunucos (sem libido) e os que se tornam eunucos por causa do Reino (controlam-se para não pecar). Posso conjecturar e dizer que algo acontece ao que nasce sem o desejo pelo sexo oposto, fazendo com que ele substitua o desejo, distorça o sentimento e passe a não se reconhecer, isso baseado em sua história de vida, que nos relatos que ouvimos, é comum registrar abuso, rejeição e violência. Assim, as causas ficam registradas no inconsciênte e muitas vezes ninguém se preocupa em ajudar a pessoa a se reestruturar. Claro que é teoria, mas seria coerente.

Alguns gays argumentam que Deus não exigiria dos homens, algo como abrir mão da felicidade. Para mim, isto é mais uma distorção, primeiro porque a "felicidade" é um conceito utópico. Embora seja possível estar satisfeitos em várias áreas da vida, terá sempre lacunas de infelicidade, crescendo junto ao que se chama felicidade. Não há plenitude nesta vida. Segundo, porque se há alguma, ela não depende do outro, mas de uma sintonia do homem com Deus. Felicidade é gratidão, amizade e prazer em andar com Cristo. O resto é ilusão e este mundo é cheio delas.

Minha posição a respeito da homossexualidade:
- É pecado e é desordem que começa na alma e se manifesta no corpo.
- É mais complexo do que uma simples constatação para mudança. É necessário uma busca sincera diante de Deus, para mortificá-la. Se não houver ânsia pela vontade de Deus, nossa vontade sempre prevalecerá.

Minha posição com relação ao fundamentalismo sobre o assunto:
- A homossexualidade não pode ser vista como barreira que impeça o amor e o respeito pelas pessoas.
- A punição dentro de Israel era aplicada aos homossexuais israelitas e não aos outros povos. Logo, é um pretexto desonesto, atacar pessoas em nome de Deus, se essas pessoas não professam a fé cristã. Desde que um homossexual não tente impor sua preferência dentro da Igreja de Cristo, não temos nada a ver com as escolhas deles.
- O político trabalha por todos. Não puxa a  brasa pra própria sardinha. Lugar de pastor é apascentando suas ovelhas e não lutando contra a carne e sangue em outra jurisdição.
- Tão anti-natural quanto a homossexualidade, são outras práticas sexuais muito bem aceitas dentro do casamento de vocês e disso ninguém quer abrir mão.
- Não há maldição que tenha resistido à Cruz. Quem está em Cristo, já não olha a condição humana com impiedade e acusação. É absurda toda e  qualquer discriminação contra indivíduos, por causa deste ou daquele pecado. Ainda que tenhamos algum conceito sobre esta ou aquela prática, o amor deve ser o caminho escolhido para trilhar. Só ele cobre multidões de pecados e só ele te caracteriza como cristão.

Minha posição com relação ao pecado em geral:
- Todas as tendências humanas tem o mesmo valor diante de Deus. Não há graduação de pecados, embora as consequências deles sejam diferentes.

Tanto o que pratica a homossexualidade, quanto o que pratica a promiscuidade, a mentira, o adultério, a inveja, hipocrisia, enfim, qualquer um que se coloca no centro para atender a carne, se levanta contra Deus e se torna maldito. Foi assim desde Adão.

Por causa disto, precisamos de Jesus para advogar nossa causa e mediar nossa  culpa. Dizer que o pecado do outro é mais grave que o seu, é desonesto e cruel. Antes, busque de Deus a cura para suas próprias mazelas e fraquezas. Uma pessoa que observa o que Jesus ensinou, não tem tempo para atacar pessoas. E uma pessoa que estuda a Bíblia e sabe que estávamos destituídos da Glória de Deus, entende que a maldição estava sobre todos e Jesus se fez maldito por todos. Ninguém mais é abominação.

Aos que acham que a homossexualidade é natural:
- Não pode ser chamada de natural, algo que precise de apetrechos artificiais para acontecer, como lubrificantes e  próteses por exemplo.
- Sabemos que a função do ânus é a excreção, não precisa ser religioso pra saber que se não forem tomadas precauções, a prática improvisada sexual usando este orifício, causa desconforto e consequências futuras. Não foi idealizado para o sexo, embora seja praticado inclusive por héteros.
- Embora se crie um status sexual a cada dia, continuam nascendo apenas meninos e meninas.
- Se a vontade de Deus fosse esta, cada ser nasceria com os dois sexos e escolheria o de sua preferência na idade adulta. Se não é assim, há uma desordem que impede que o homem ou a mulher, se assimile dentro de seu gênero e viva sua sexualidade sem conflitos.

Homofobia e preconceito:

Todos temos direito à liberdade de opinião e expressão. Direito à escolher nossa filosofia de vida, criar e seguir conceitos. Mas é nosso dever respeitar as escolhas dos outros, mesmo não sendo coniventes com elas. O direito de um termina, onde começa o direito do outro.

Perseguir, tratar mal, depreciar, ofender, agredir com palavras e ações, são práticas reprováveis e absurdas contra pessoas que Deus amou. Nada disso representa o Evangelho, nada disso é o que Jesus faria.

Se professamos a fé cristã, precisamos ser coerentes com ela. Podemos julgar atitudes, mas jamais condenar pessoas.

Os preceitos de Deus não mudam, o Evangelho não acompanha as mudanças do mundo, os cristãos não se conformam com o século, Deus não faz acepção mas também não abre exceção.

O homem é que precisa de metanóia e não a Bíblia que precisa de releitura. O Evangelho não vai mudar para satisfazer o ego de ninguém. Ou a Graça nos alcança, ou não. A Boa Nova é a Vida, porque a morte nós já temos.

E acima de qualquer moralismo, senso de ética e cultura (almáticos) está o amor (espiritual) que deve emanar de nós em TODAS as direções.




sexta-feira, 15 de março de 2013

Diferenças?





Fatiamos a humanidade para ter um pretexto para viver divididos, mas Deus alcança à todos, sem nenhuma acepção.

Você escolhe seu gueto, tribo, facção, família, amigos, pessoas preferidas, ideais em comum, ajuntamentos de gentes... mas Ele escolhe todos.

Deus olhou a humanidade de todos os tempos e não viu um justo sequer. Todos pecaram e por causa do pecado, ficamos destituídos da Glória de Deus, precisando de um Mediador para nos reconciliar. 

Toda a humanidade está no mesmo patamar. Todo o tipo de preconceito, destoa do Evangelho que é agregador.

Deus amou o mundo, a causa humana porque não viu diferenças. Enquanto você não entender a Graça, não será grato.

João 3:16 "Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu filho unigênito para que todo aquele que n'Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."




quinta-feira, 14 de março de 2013

Conceitos

Observando o que a religião fez com alguns conceitos, acoplando à sã doutrina algo insuportável de ser carregado, resolvi registrar aqui uma nova proposta para sua reflexão, baseada num vídeo que assisti do meu amigo Roberto. 

Para quem quiser saber mais, procure no You Tube, a série de vídeos "O Evangelho Vive". 

Igreja -> Pessoas chamadas de uma condição à outra, os que recebem uma nova oportunidade de mudança de mente, um novo nascimento. Ela é formada por pessoas habitadas pelo Espírito de Deus e chamadas para levar a mensagem do Evangelho.

Evangelho -> A Boa Notícia que diz que o homem não termina quando morre. A Eternidade é para todo aquele que reconhece Jesus como seu Libertador, Salvador, Senhor, pois é  por meio Dele que se alcança a Vida após a vida. Antes, o homem nasce, cresce, reproduz e morre. Agora, quando crê no Evangelho, a ressurreição é o novo estágio, acrescentado ao destino do homem que segue Jesus.

Seguir Jesus -> Fazer o caminho que Ele fez, ouvindo e praticando o que Ele disse, morrendo com Ele para então reviver, com Ele.

Inferno -> Sepultura. O inferno não prevalece contra a Igreja, significa que a sepultura não pode mais reter o homem na morte, à partir do momento que ele se torna Igreja.

Lago de fogo -> Onde o inferno e a morte serão aniquilados, junto aos inimigos de Deus e as almas que não desejaram a eternidade. Deus é o fogo consumidor. Isto significa que todas estas coisas deixarão de ser.

Salvos -> Após a ressurreição, receberão um novo corpo incorruptível. Uma nova essência puramente amorosa, porque Deus é Amor. E serão UM com Ele.

Se você acha que tudo o que viver do nascimento à morte, basta pra você, é o que você terá. Se você acha que já alcançou toda a sua plenitude, tem todo o direito de não querer mais nada além disso. Deus não te obrigará a ser eterno e te dará justamente o que deseja seu coração. E assim que descer a sepultura, será como um ponto final na sua existência. 

Mas se você deseja ser UM com Deus e viver com Ele eternamente, precisa buscar as coisas do Alto. Ninguém vai ao Pai, se não for por Jesus, o Verbo encarnado. Aí está a sua responsabilidade, o carregar sua Cruz é justamente viver para levar às pessoas a Boa Notícia de que elas não precisam mais morrer, porque o preço foi pago para que vivam eternamente.

terça-feira, 12 de março de 2013

Jesus é o Alvo

Em tempos onde o amor já se faz frio e as igrejas se desviaram à outros alvos em suas pregações... em tempos onde não se busca mais a Deus, mas se usa o Evangelho para alcançar coisas e benefícios, tenho escutado aqui e alí, com a ajuda de amigos, algo que gostaria de compartilhar com vocês.

Não é novidade para ninguém que ao longo dos séculos, a Igreja como Corpo de Cristo, unido e sem máculas, se converteu numa prostituta, que troca favores por algo que lhe beneficie. Agregou em si costumes pagãos, idolatria e ostentação e passou a ensinar mentiras. Mesmo com a reforma protestante que acabou denunciando algumas doenças estabelecidas, não houve plena restauração. Prova disto, é que a Igreja nunca parou de se dividir e até hoje ela agrega mentiras dia após dia.

Escatologia não é um assunto onde tenho liberdade de mergulhar, até pelo risco de interpretar erroneamente tantas metáforas e mistérios. Sou cautelosa quando leio algum estudo sobre, mas esta semana algo me chamou muito a atenção.

Alguém dizia que as cartas às Igrejas, representavam os períodos da História e descrevia fatos que ocorreram, sempre com bastante coerência. Se antes as promessas eram feitas ao Corpo, ao conjunto que se reunia como cristãos, nas últimas cartas, a promessa era dirigida aos remanescentes, aos que perseverassem até o fim, aos vencedores, aos que guardavam o que tinham.

Pela opinião de alguns estudantes, estamos no último período da História, onde o Espírito já não se revela  à comunidades, mas à pessoas separadas fisicamente, mas unidas ao Nome de Jesus. E é através dessas vidas, que o Evangelho continua avançando, sem enxertos, entulhos, mentiras acopladas. Confesso que lamentei muito, pois isto significa que a doença estabelecida, não tem mais cura. E o número dos que tem compromisso com o Evangelho puro e simples, está reduzido à uma minoria. Mas basta olhar ao redor e constatar que é a mais pura verdade.

As religiões que se dizem cristãs, pregam coisas para quem busca preenchimento, solução de problemas,  curas, bênçãos específicas, estão ocupadas ensinando pessoas a adquirir bens e se estabelecer na Terra, ajuntando tesouros corruptíveis. Ou encucando a mentalidade de que os evangélicos são uma raça privilegiada num mundo de perdidos.

Buscar coisas é religião vazia e enganosa. Fazer de Jesus um meio para alcançar benefícios e bens é patético. Religião é a busca egoísta pela satisfação da própria alma, aquilo que deveria ser mortificado para não nos destruir.

Jesus não é um meio, um instrumento para chegar a algum lugar. Jesus é o alvo, Ele é o próprio destino dos Cristãos. Nossa busca deveria ser estar cada vez mais parecidos com Ele. O que ocupa nossa mente, deveria ser cada palavra dita, cada ensinamento, cada promessa acompanhada de seus conselhos. Deveríamos estar buscando Seu Reino e Sua Justiça, assim nossas necessidades seriam supridas naturalmente. Mas ao invés disso, buscamos o suprimento das coisas terrenas e por consequência, continuamos negligenciando no Amor e na Justiça, como os religiosos que Ele reprovou.

A Graça basta. Basta ao Evangelho a promessa da ressurreição para a eternidade. Jesus é Deus. É essa a certeza que nos faz transcender para a eternidade. Tudo o que é efêmero, temporal, passageiro, não deveria ocupar nosso tempo, muito menos  tirar nossa paz.

Vejamos o que sucedeu à Paulo e acontece constantemente conosco: "E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo." 
2 Coríntios 12:7-9

Percebe que o "espinho" foi enviado para a carne, a parte mais vulnerável, fraca e sem serventia? Percebe que seu incômodo porém, atingiu a plenitude de Paulo? Como Paulo se sentiu quando foi assolado pelo tal espinho? Era algo de que Satanás o lembrava como se fosse esbofeteado, ao ponto de Paulo desviar a atenção de suas orações para este fim, com insistência. Até que ouviu de Deus, que estando fraco ou seja se reconhecesse sua fraqueza, seria então aperfeiçoado. Pode ser doloroso para nossa carne passar por constrangimentos neste mundo, mas a Graça, que é a fé na ressurreição para a eternidade, continua bastando para que nossa paz não seja abalada. Só o sentimento de dependência, fez com que Paulo visse a dor com outros olhos, passando então a se gloriar na própria condição.

Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Não chegamos ao Pai através de seus benefícios, mas através de uma intimidade, uma dependência e de perseverança em suas palavras.

Não se permita ser mais um religioso. Seja verdadeiramente um filho de Deus.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Moço





Pra que novelas, se já são tantas emoções... O Moço é um desses conhecidos virtuais, que se valem da distância para dar vazão à toda deformação de seu caráter adoecido.

Eu o encontrei armado com quatro pedras nas mãos, empenhado numa tal revolução contra a Igreja, naquela ocasião onde um líder chamou o outro de "bundão". Naquela época, os chamei  de "Messias mal ressuscitados", porque já estava cansada de ouvir choramingos. Era muita lamentação pra pouco Jeremias, afinal, só Jesus apanhou calado, não?

Bom, o Moço me confundiu com uma revolucionária e me adicionou, cuidando pra me lançar numa de suas listas. Sorri e vi que era mais um daqueles que saem dos templos para apedrejar as janelas do lado de fora. Mais um vândalo levado pelo discurso de guerra, camuflado de Evangelho.

Meu primeiro contato com ele, foi tentando mostrar sua humanidade falha, que não deveria anular sua fé. Ele falava sobre masturbação e eu dizia que até o fim seremos carne e que Deus sabia disso. Ele passou a me observar e acompanhar o blog. A admiração que ele dizia sentir, aos poucos foi se distorcendo e virou um tipo de vício, doentio e possessivo.

Quando eu dizia coisas pessoais, não mostrava interesse algum. Nunca quis de fato me conhecer, saber quem sou. Seu único interesse era saber o que eu pensava à respeito da fé. No início parecia concordar com tudo e até começou a fantasiar, idealizar uma perfeição impossível, que logo veio abaixo, no primeiro contato com minha pouca paciência e impulsividade para responder à altura.

A admiração se foi, quando deixei claro o direito do religioso ser o que quisesse. Sua revolta parecia exceder ao limite do bom senso. Se referia aos evangélicos com palavrões e ofensas gratuitas, sempre com argumentos muito fracos. Sem dúvidas chamava a atenção. Passamos a nos confrontar.

Deixei claro que não faço parte de revolução nenhuma. Ao contrário, defendo que algumas pessoas precisam dessa dinâmica para vivenciar o Sagrado. E cada um é livre para escolher como se relacionar com Deus, até porque, cada homem o percebe de forma distinta.

Com o tempo percebi que a agressividade dele, era disparada à todas as direções. Era como se a vida conspirasse contra ele e por isso buscasse um culpado. Não demonstrava afeto e usava suas relações para atingir seus interesses. Manipulava os amigos, que por fim mostraram ter o mesmo perfil.

Fantasiou uma paixão e quando viu que eu não o correspondia, decidiu que minha amizade também não queria. Era tudo ou nada. E passou a responder cada vírgula minha, sempre com ofensas, xingamentos e descontroles emocionais, seguidas de mais declarações fantasiosas.

Já não "ouvia" meu pensamento. Parecia me seguir e perseguir, tão somente para não perder as oportunidades de rebater. Diariamente, vivia em função do que eu escrevia.

Longe de mim tentar definir o amor, mas era óbvio que aquele sentimento nada tinha a ver com a descrição bíblica sobre a doação, a entrega, o serviço, enfim. Era um sentimento inverso, carregado de egoísmo, carência e tirania. Resolvi não conservar nenhum contato, porém continuei observando.

Em um ano ele aderiu à um visual bizarro e tirou fotos sensuais. Passou a corresponder as cantadas gays que sempre recebeu. Parecia querer afrontar e me parecia muito infeliz. Só demonstrava certa alegria, quando estava evidentemente bêbado. Depois voltava ainda mais deprimido, num misto de culpa e ataques contra todos.

O moço acaba de assumir sua homossexualidade.

Quantas vezes criticou o que eu escrevia, mas não conseguia parar de ler? A palavra que o confrontava, era a mesma que o consolava. Ao mesmo passo que se sentia afrontado, era obrigado a se avaliar.

Ele me atacava, como se eu fosse a autora do Evangelho e guerreava comigo, como se eu fosse o próprio Deus. Uma associação doentia, que ele usava para justificar tanto ódio. 

Reivindicava meu amor gratuito, apesar de jamais ter reconhecido suas agressões. E se ofendia quando eu declarava meu amor ao dono dele.

Era como se eu o devesse. Ele tinha ânsia de acertar as contas e espelhava em mim o objeto do seu ódio. Era consumido por conflitos internos e minha fé afrontava sua infelicidade.

Apesar de estar vazio, cego e nú, é a primeira vez que vejo verdade no Moço. Uma vez que seu maior conflito está revelado, já é um passo na direção de Cristo, que veio para salvar quem deseje Salvação.

sábado, 2 de março de 2013

A Salvação dos homens (continuação)

Quando cremos que Jesus é nosso Salvador e entendemos nossa dependência constante do seu ensino, percebemos que também não ficamos livres de pecar. Há uma luta constante em nosso ser, que oscila entre fazer a nossa vontade e fazer a Vontade de Deus, esta que Ele nos revela. É que apesar de pertencermos à Ele, continuamos com nossa liberdade de escolha preservada e em nosso interior, ainda há o ego que precisa ser mortificado.

Aquele que te libertou, para que verdadeiramente você fosse livre, não te imporá Sua Vontade. Ele te fará conhecê-la, mas quem vai se dominar é você.

Mas quem segue Jesus e entende Seu grande amor, se torna imitador de suas obras. Podendo ferir, escolhe curar. Podendo acusar, escolhe perdoar. Podendo prevalecer, escolhe sustentar, auxiliar, colaborar. Podendo mentir, escolhe a verdade. Podendo viver a partir da escravidão ao ego, escolhe amar. Estas são as veredas estreitas que Deus preparou para que andemos nela. Não é nada confortável nos negar para seguir Jesus.

Contudo, a caminhada cristã dura enquanto peregrinarmos por essa Terra. Vez ou outra fracassaremos e escolheremos nos atender. Mas o Espírito Santo nos auxiliará à reconhecer nossa falha e nos guiará de volta ao Caminho reto. Isto é verdadeiramente ser livres, poder escolher o mal, mas escolher o bem, dominando assim nossas cobiças e desenvolvendo, aprimorando, aperfeiçoando o que recebemos de Graça. Deus dará o crescimento quando escolhermos o bem, mas não interferirá nas nossas escolhas.

Não há em toda a Terra, um homem que já tenha alcançado o Alvo, que esteja pronto, embora tenha recebido a Salvação. Somente seremos plenos, quando recebermos um novo corpo glorificado. Mas perseveraremos e chegaremos vencedores, desta luta diária contra nós mesmos.

"Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." Filipenses 3:13-14

A Salvação dos homens

Salvação é Graça, é dom de Deus, é favor imerecido que recebemos independente de qualquer esforço. É o resgate do meio das trevas, através do preço pago por Jesus, o Cordeiro Perfeito de Deus, dado em Oferta pelos nossos pecados, levando sobre si a nossa culpa, riscando então a cédula que havia com nossa dívida impagável.

E embora não haja obra nossa que a possa comprar ou que nos faça merecedores dela, desenvolvê-la depende de nossas escolhas. Mas como? Quem não foi capaz de salvar-se por méritos, poderá desenvolver, crescer, acrescentar algo à Obra Redentora?

No sentido de completá-la, nada podemos fazer. Jesus não pagou a primeira parcela e deixou para nós as prestações. Ser Perfeito era a condição para que seu Sangue fosse eficaz de uma vez por todas. Não fomos perdoados simplesmente de nossas culpas, elas tiveram um preço, um altíssimo preço. E por ser Perfeito, sem máculas, sem pecados, o Sacrifício foi único e suficiente. Portanto, quem começou a Boa obra em nós, há de completá-la. Então o que Paulo chamou de "desenvolver a Salvação"?

Primeiro, precisamos trazer à luz algumas questões: Fomos salvos por que? De que? Pra que? Assim entenderemos qual a nossa parcela de responsabilidades, qual a consequência de sermos salvos e quando seremos plenos.

O homem foi criado livre para fazer escolhas. E para ser bem sucedido, precisa entender que o Centro de nossas vidas é Deus e não há outro que seja digno de ocupar este lugar. Quando o primeiro homem pecou, tirou Deus do Centro e se pôs no lugar Dele, fazendo sua própria vontade (ainda que induzido pela Serpente e por Eva) e desobedecendo a única Lei que havia no Éden. Assim provou quem era o primeiro lugar de sua vida, seu próprio ego. O desejo de ser como Deus o fez pecar e pecar contra um Ser Eterno, tem consequências eternas.

À partir dalí, todo homem ficou incapaz de vencer sua própria cobiça, ainda que amasse a Deus. Vemos no Velho Testamento, a história de um povo que Deus escolheu e muitas vezes não entendemos sua rebeldia, sua desobediência e até sua idolatria. Esta é a figura do homem antes da conversão. Apesar de ter uma ideia sobre a divindade, não consegue se vencer. Está entregue ao seu próprio ego. O pecado é gerado dentro de nós. São nossas concupiscências que muitas vezes decidem nossas atitudes e vencê-las, antes era impossível.

Então, fomos salvos de nós mesmos, da nossa capacidade de auto destruição. Se não éramos capazes de nos dominar e se nossos méritos eram incapazes de nos purificar, estávamos mortos em nossos delitos e separados de Deus, que é Puro e Santo. O Sacrifício de Jesus nos religou, reestabeleceu nossa comunhão e nos deu livre acesso à Deus pela Sua Mediação.

Não fomos salvos do mundo, mas para o mundo. É aqui mesmo que devemos ser luz e sal. É no meio do lamaçal de pecados, que devemos cuidar para nos manter limpos. É convivendo com quem ainda não se domina, que devemos mostrar ser diferentes. Não é excluindo, nos sentindo maiores e privilegiados, não é alimentando a arrogância, nem apontando o dedo em riste. Precisamos saber que somos representantes Daquele que pagou por nós e se fez Senhor. É por isso que falamos no "Nome de Jesus". É isto o que nos identifica, somos Dele.

Continua no próximo post.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Espelhos




O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus.
Era como um espelho, refletindo a imagem da pureza.
Era cópia fiel dos traços da essência divina.
Exceto naquilo que um espelho não reflete.

No íntimo, a cobiça, a ambição,
O desejo oculto de prevalecer e ser senhor de si.
O homem quis conhecer o bem e o mal. Conhecemos.
Hoje o espelho distorce a  imagem.

Conhecemos o bem, mas fazemos o mal.
Queremos resgatar a pureza do início,
mas a carne é ímã que corre para a imundície.
Já não vemos nitidamente, o espelho reflete o inverso.

No dia eterno, todo espelho será restaurado.
Refletiremos a imagem real do Criador.
Reduzidos a grãos de areia, para conhecer a unidade
Seremos um povo só... seremos um com Deus.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Maranata, oh vem, Senhor Jesus!

Ultimamente não tenho sentido vontade de escrever. Geralmente quando vem a inspiração, é como se eu entornasse o que está dentro de mim e isso acontece naturalmente, como um impulso incontrolável. Mas neste momento, minha necessidade é ser instruída. Então, silencio para ouvir.

Neste período de carnaval, meu retiro foi dentro da minha casa. Nem na igreja eu quis aparecer. Tudo o que busquei, foi fazer contato com meus próprios sentimentos. E me vi completamente insatisfeita com a vida, com as pessoas e com a ilusão que ronda os que se chamam pelo Nome de Cristo.

Habitualmente, o que se ensina nas igrejas, é que decidindo por Jesus, automaticamente recebemos bênçãos de todos os lados. E o rebanho, composto por uma maioria que se recusa a pensar, é levado pela ilusão dessas palavras hipnotizantes. Carregam à partir deste instante um sorriso de plástico e agem como se não houvesse dor por todos os lados.

Se o desejo de Deus é que sejamos UM, é evidente que este egoísmo foi enxertado por outro. Jesus tomou sobre si, uma dor que não lhe pertencia. Padeceu e se entregou sem merecer, motivado por amor. Como pode os membros de seu Corpo, não sentirem a mesma empatia? Como alguém pode ser de fato feliz, vendo o sofrimento do próximo?

Jesus era um homem que chorava. Chorou por causa da dor de uma família, lamentou a cegueira de um povo e desejou aconchegá-los debaixo de suas asas, como uma galinha. Até no Getsemani, onde o terror da morte o assombrou, ele foi fortalecido quando pensou na importância de sua morte em favor de muitos.

Na medida em que o Evangelho de Cristo, é subtituído pelo que as pessoas desejam ouvir, na proporção em que o capitalismo toma as rédeas da Igreja e adquirir bens passa a ser sinônimo de vida abençoada, é a medida que nos tornamos tão egocêntricos quanto qualquer outro que rejeita Jesus.

Quando Jesus disse que o amor se esfriaria da maioria, não estava falando da frieza que rege o mundo. O sistema deste mundo, nunca foi movido pelo amor, mas pela cobiça, pelo egocentrismo, por Mamon... É a Igreja que tem se corrompido e caído aos pedaços. É o interesse pessoal que tem roubado a consciência de sermos Um Corpo só.

A ausência do amor, tira da Igreja qualquer vínculo espiritual com o propósito à que fomos chamados. Se cada um é por si, o que professamos é uma mentira. E só se habitua com mentiras, quem nunca conheceu a Verdade.

O mundo já vive em completa frieza, porque a fonte de amor é Deus. Quanto mais distantes da luz, maior a escuridão. Quanto menor a sintonia com o Amor, maior a frieza espiritual.

Não chamo de mundo quem está fora da instituição. E não chamo de Igreja quem vive em função de um templo. Tanto mundo quanto Igreja é um pensamento, um espírito, uma força que nos conduz ou por vias que o próprio Deus preparou para que andássemos por elas, ou por vales tenebrosos que insistimos em escolher à partir da cobiça e ânsia por satisfação.

O amor já se esfriou da maioria. E isto, aconteceu por meio de um movimento sutil, um falso evangelho infiltrado com uma camuflagem  convincente, que infla o ego e corrompe os que nada entenderam.

Mas ainda existem os remanescentes. Estes que anseiam e clamam: Maranata, oh vem, Senhor Jesus!


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Nome de Jesus



“Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome, que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, e dos na terra, e daqueles que estão sob a terra”  Fp 2:9-10


Embora a Bíblia oriente  ao cristão usar o Nome de Jesus para realizar grandes obras e alcançar a benevolência de Deus, há uma distração sobre o tema, que deveria ser  algo tratado pela Igreja, mas não é.

Sabemos que cada país traduz o Nome de Jesus para seu próprio idioma, logo, não é o simples fato de usar o Nome  que surtirá alguma mudança na situação de alguém. 

Alguns religiosos afirmam que o Nome em si, é milagroso e que não importa quem use. Mas não é verdade, caso fosse, teríamos que usar a forma original, o qual Jesus era conhecido quando encarnou: Yeshua Hamashia. E não a forma aportuguesada que o Nome recebeu.

Quando a Bíblia orienta usar o Nome, está dizendo  que falamos da parte do único que é digno, aquele que pagou o preço de sangue pelo nosso resgate. Usando o Nome de Jesus, estamos reconhecendo nossa incapacidade de alcançar qualquer favor por nossos próprios méritos, reconhecendo que somente Jesus foi perfeito.

Alcançamos o favor de Deus, através da Mediação de Jesus Cristo e não basta usar o Nome, mas ao proferí-lo, é necessário conhecer Jesus e sua obra redentora, consumada na Cruz.

Ou Jesus não teria reprovado os religiosos que teriam usado seu Nome para realizar toda sorte de obras, sem de fato ter um relacionamento com Ele: Mateus 7:22 "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?"

Assim, não importa se usarmos:

`Isà عسى / Yesū`(a) يسوع
Español Jesús - Josué
Euskera Josu - Iosu
Griego Ιησούς (Isoús) pronunciado /iisús/
Hebreo Yeshúa [יֵשׁוּעַ ] - Yehoshua [יְהוֹשׁוּעַ]
Inglés Jesus /ˈdʒiːzəs/ - Joshua
Irlandés Íosa
Italiano Gesù
Noruego y Polaco Jezus (Iezus)
Rumano Iisus (Iisus)
Ruso Иисус (Iisus)

e etc...

Importa crer que Jesus é o Filho de Deus, enviado por Amor, para o resgate de muitos. Temos livre  acesso à presença de Deus, não apenas pelo Nome, mas pela pessoa de Jesus, o Cristo.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

É Natal constantemente





Ele andou entre nós.
O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo e dentro do tempo, encarnou, morreu e ressuscitou. Não permaneceu em cronos. É Deus. 

Para o cristão, o marco não é o nascimento, mas a morte de Jesus na Cruz. É este o memorial que fortalece a fé: a lembrança da obra redentora. É interessante, mas Jesus instruiu a Igreja a lembrar sempre de sua morte, não do seu nascimento.

De fato o Eterno não aniversaria, mas esta é uma das oportunidades de nos reunirmos em Nome de Jesus, ao redor de uma mesa, em verdadeira comunhão, sem excluir aos que não tem os mesmos privilégios. É oportunidade de por em prática tudo o que sabemos a respeito da paz, amor, perdão, união, altruísmo...

Saber que Deus caminhou com os homens nos enche de alegria, viver o que Ele ensinou, nos aproxima Dele em relacionamento.

Mais importante do que lembrar da cena humilde num estábulo, é saber que aquele menino era a promessa de Deus, enviado ao mundo para nos resgatar, por amor. E que após a consumação de sua obra redentora, passou a nascer no coração dos homens cansados e sobrecarregados.

Jesus nasce a todo momento no coração de quem deseja a Vida. E nos convida a dar sentido à nossa caminhada junto à Ele.

Quem imagina que ser cristão é seguir um conjunto de doutrinas religiosas, não entendeu ainda o que é caminhar com a pessoa de Jesus. Não fomos chamados para viver em função da Igreja, mas a Igreja foi instituída por Ele, em função da Vida.

A instrução, é para sair anunciando que o preço foi pago, acolhendo quem deseje se agregar em nome da fé, socorrendo quem necessite de amparo, buscando sempre  aprender com o Mestre na vida, nos encontros, nas relações.

Se Jesus já nasceu em você, esta noite tem sabor diferente. O verdadeiro sentido do Natal é a certeza de que Ele nos fez Um com Ele, para que fôssemos todos Um, a família de Deus. 

Muitas pessoas não sabem verdadeiramente o que estão comemorando. Talvez para alguns, o Natal ainda não tenha chegado. Cabe à você e à mim, dizer que Deus conosco, é muito mais do que uma festa religiosa, Natal é o início de uma caminhada na companhia de Deus.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Meu justo, viverá pela fé

Algo que só traz confusão à mente do homem, é  a associação que ele faz entre bênção e merecimento. Não há homem que não peque, por isso, todos foram destituídos da presença gloriosa de Deus e nenhum merece coisa alguma da parte Dele.

Porém, houve da parte do próprio Deus, uma ação que possibilita ao homem viver melhor, mediante a fé, que é um atributo espiritual, dado ao homem quando Deus soprou-lhe as narinas. Não há homem que não possua fé, embora a maioria deles não a usem ou a distorçam.

Eu mesma, um dia passei por turbulência que quase me fez sucumbir, pois não conhecia e nem usava a fé. Mas no momento em que alguém me ensinou sobre ela, as coisas ao redor mudaram.

Não, não creio que Deus entrou na minha história naquele momento e resolveu me estender a mão. Creio que Ele fez isto por toda a humanidade, antes que houvesse mundo. Deus não age dentro do tempo, entrando e saindo a todo momento. Nossa percepção é que assimila assim.

Jesus Cristo homem, consumou o plano de Deus dentro da história. Disponibilizou à quem cresse, a autoridade para mudar as coisas ao redor, desde que nossa vontade esteja em sintonia com a Vontade de Deus, estabelecida desde a eternidade.

Assim, quando fui curada de uma infecção que me afligia por quase um ano, minando minha paz, autoestima, alegria, confiança... não foi porque Deus me preferiu, privilegiou, viu algum merecimento em mim, etc. Fiquei curada, quando usei a fé que muitos rejeitam ou simplesmente desconhecem. Bastou que alguém estimulasse minha fé e 4 dias foram suficientes para que a secreção parasse, as dores sumissem, a cirurgia fechasse, a qualidade de vida voltasse.

A Boa Notícia consiste numa salvação integral. Não apenas vislumbrando um tempo futuro, na consumação de todas as coisas. Mas uma Salvação na vida, em cada um dos seus aspectos, que só acontece mediante a fé. Uma vida verdadeiramente abundante.

Se o homem não usa a fé, o mundo o engole. Usando-a, as bênçãos o perseguem. 

Isto, sem que haja privilegiados, escolhidos, grupos seletos de gente perfeita. Deus não faz acepção de pessoas e basta que  o homem entenda a Cruz, para que em sua vida se concretize o que Jesus prometeu: Ao que bate, abre. O que busca, encontra. O que pede, recebe.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Meias verdades




Como sondar o Espírito? Como definir o Mistério?
Se Deus é insondável e seus caminhos inescrutáveis, o mais coerente é analisar o que sou. Só assim posso compreender a impotência da condição humana e alcançar o mínimo que minha mente pode entender sobre o Eterno.

Quer ver só uma coisa?
Se não sou capaz de alcançar a salvação por mérito próprio, tampouco sou capaz de me manter salva. Logo, o justo mesmo é que Deus me mande pros quintos (cai o arminianismo). Mas porque a Justiça de Deus é Cristo, minha imperfeição não é imputada para condenação. É da Perfeição de Cristo que preciso como mediação.

Sou livre? Veja:
Se desejo o bem, mas não consigo realizar. Se não quero fazer o mal, mas acabo fazendo, onde está a liberdade? Posso fazer escolhas, mas ainda dependo da direção de Deus para acertar. Logo, Deus jamais deixou de intervir no meio dos homens. Nisto está nossa constante dependência, apesar da livre escolha. Sem Ele, o homem está à mercê de sua própria incapacidade de fazer o bem.

Isso é escravidão? De forma alguma, já que cada homem escolhe se vai ou não se relacionar com Deus (cai o calvinismo). Dessa forma, a afirmativa de que um ateu seja recebido no colo de Deus, como alguém disse ontem, é incoerente. Seria uma violência, uma tirania, se Deus impusesse a própria presença eternamente, à quem nunca desejou estar com Ele. E a liberdade de escolha? E a Justiça? Isso é amor? (cai a teologia relacional ou seria o universalismo?).

"Se Deus é amor, não há inferno". É o mesmo princípio que os calvinistas usam quando dizem "Se Jesus é Senhor, não há liberdade, livre arbítrio". Conceitos limitados à mediocridade humana. Deus não é lógico, é Mistério!

Viu como é fácil viajar na maionese, construir e desconstruir conceitos humanos, fundamentar crenças à partir da nossa limitação? O fato é que nossa imperfeição é empecilho para uma perfeita revelação. Passamos muito mais tempo discutindo opiniões, do que vivenciando o Evangelho na vida das pessoas. Gastamos nossas vidas entre julgamentos e condenações, esquecemos que o selo dado como penhor, é o amor.

Ainda bem que Jesus simplificou as coisas para nós, pois quem amou, cumpriu a Lei de Cristo. Todo o tempo que gastamos discutindo correntes teológicas, é egocentrismo e sede de prevalecer.

Drummond escreveu um poema que ilustra bem o que penso à respeito:



VERDADE
Carlos Drummond de Andrade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crescendo em graça.

Tenho aprendido e entendido, que o indício do crescimento espiritual, não é ficar livre dos problemas, como ensinam algumas religiões. Mas saber lidar com o sofrimento e se aprimorar dentro das adversidades, é o objetivo da semente, que precisa morrer para germinar e dar muitos frutos.

Olho ao redor e vejo semblantes descaídos, ouço gemidos e urros de dor. Desolação de quem caminha no escuro e nada entende. Se vê perdido num labirinto de confusão, sem o menor sentido. Rodam, rodam e gritam suas auto comiserações. Sentem-se a vítima do Universo e não percebem que não há um sequer que seja plenamente feliz.

Olho para dentro de mim e vejo alguém que se amplifica. As dores, tantas, aos poucos são anestesiadas e viram lembranças. Fatos e atos que já não machucam, mas contam como experiência. A sensação é de que foram etapas vencidas.

Minha reação para a perplexidade é o silêncio. Observo o vazio de algumas pessoas e sinto a agonia do seu retinar frio e barulhento.

Olho minhas próprias decepções, as traições que sofri, os xingamentos injustos e gratuitos, os sonhos que ficaram pelo caminho, as tentativas de concretizá-los, seguidas de frustrações e mais decepções, enfim, ou a dor vai nos calejando até que fiquemos insensíveis, ou há dignidade nela, que nos aperfeiçoa e transforma para melhor viver.

Se fui traída por namorados, há as que descobrem traições quando seus maridos formaram outra família. Se perdi um filho no ventre e o enterrei num vaso de plantas, há as mães que convivem, perdem e enterram seus filhos, sendo obrigadas a viver com suas lembranças. Se o mercado de trabalho se trancou pra mim e eu tive que me submeter a fazer faxinas, há aqueles que vêem seus filhos sentindo fome e nada tem a lhes dar. Se volta e meia preciso lidar com o preconceito das pessoas, sei que sou inteligente para argumentar e me defender. Enfim, se eu olhar ao redor, de maneira nenhuma meu egocentrismo aflorará.

O fato é que para mim, nada foi em vão, nada foi sem sentido, tudo teve propósito, tudo cooperou para meu bem e para o que me tornei. Viver doeu e dói, também não foi fácil pra mim, mas meus olhos não estão nas circunstâncias, mas na minha esperança em Cristo. Me sinto plena Nele.

Parece um papo meio espírita, não? Mas falo sem preconceitos, concordo com eles nisto. Aqueles que se julgam donos da verdade, são adestrados dentro de uma doutrina que nada explica, nem entende. Não há donos da verdade. Há os que pertencem à Verdade e são conduzidos por Ele. Os planos de Deus jamais foram frustrados. O que é, era mesmo para ser.

Quando penso nas coisas que já enfrentei, não remôo e nem ressinto. Penso que tudo isto aqui é transitório, efêmero e secundário. Com toda a certeza, vem mais escaladas pela frente, até chegar no patamar que Deus reservou pra mim.

Enquanto a maioria quer ser abduzida do meio dos problemas, procuro crescer dentro deles. Certamente que a imperfeição da massa, se transforma conforme a sova.

Não é a quantidade de problemas e dores que fazem a diferença, mas a maneira como lidamos com essas situações. O crescimento se dá com o tempo, aos poucos amadurecemos e entendemos que somos o conjunto de tudo aquilo o que vivemos.

Quando estiver doendo, Deus te falará coisas, que você é incapaz de ouvir quando está bem.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Graça




Amamos porque fomos amados primeiro e respondemos a este amor como consequência natural, assim como um eco. Amor é a essência de Deus transcendendo aos homens e emanando de nós em todas as direções.

Perdoamos porque fomos livres da nossa dívida impagável. Alguém pagou por nós e nos deu a paz. O perdão livra, restaura e cura.

Tomamos a dor do outro sobre nós, porque primeiro o Cordeiro de Deus tomou sobre si a nossa dor.

Nada do que fazemos é por mérito próprio, ou tudo teria raiz no ego. Fazemos porque o Amor de Deus nos inspira. Um minuto com os olhos fora do alvo, é suficiente para que nossa carne nos lance no chão. Mas porque Deus é Bom, sua Misericórdia dura para sempre.

O pecado deforma todas as coisas, mas a Graça, restaura a beleza!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Diversão de crente

Confesso que ando sem motivação para cuidar deste espaço. Ando me sentindo negligente, mas tem momentos que são para calar e assim poder ouvir o que se diz ao redor. E Deus tem me mostrado nas situações práticas do cotidiano, o que a Palavra profetizou há séculos. O amor tem se esfriado da maioria, de forma assustadora.

Aparentemente, anda tudo correndo muito bem. No último fim de semana, os jovens da Igreja, estiveram em congresso regional (digo jovens, mas aqui na congregação, não há essa divisão de departamentos tão evidente. No final, todos participam de tudo.) Como ando cada vez menos envolvida com a Igreja como instituição, só estive presente no último culto. Não me envolvi diretamente com o evento.

E a pregação, muito boa por sinal, falava sobre a oscilação dos jovens, entre a frieza e o fanatismo. Alguns desistem mediante o desânimo e acabam perdendo completamente o vínculo com o propósito bíblico de proclamar o Evangelho. Enquanto outros, transformam a caminhada cristã, em ocasião para mais um vício, o de separar-se do mundo para buscar uma santidade, que na verdade é cegueira.

Fiquei pensando nas duas situações e lembrando de algumas pessoas. O primeiro grupo, perde a motivação e não se encaixa no mundo. Alguns distorcem a liberdade ensinada por Cristo, até perderem o discernimento e se tornarem escravos de si mesmos. Acabam se afundando num terrível complexo de inferioridade.

O segundo grupo, acaba se julgando santo demais, merecedores demais, ungidos demais, donos da verdade demais e esquecem que o Evangelho se vive é na vida, nos encontros. Se é luz apenas no meio da escuridão, não há outra forma de manifestar diferença, senão no meio dos que ainda não conheceram uma vida com Cristo. Tendem a ficar soberbos e intolerantes. Religiosidade é laço.

Observo estas coisas e me sinto muito só. Não concordo nem com um grupo e nem com o outro, mas raramente se encontra equilíbrio no meio cristão. Fiquei ouvindo algumas pessoas, falando com certa euforia sobre a festa de sábado à noite, onde puderam dançar e brincar sem culpa. Falavam como se fosse proibido ser feliz fora do meio, para evitar uma certa contaminação com "o mundo".

Posso parecer implicante demais, mas acho que enquanto a Igreja se preocupa em promover entretenimento para seus membros, o necessitado continua carente, o doente continua sem socorro, o desesperado continua desamparado, os "mortos vivos" continuam existindo sem a esperança na ressurreição.

Creio que o Evangelho não separa a humanidade em guetos, mas torna todos os povos num só. Os da família de Deus. Todos UM em Cristo. Logo, a Igreja está tão longe do foco quanto os de fora. Quem dera houvesse o mesmo empenho para falar do amor de Deus...

Claro que é bom estar em comunhão com gente da mesma fé e estar neste espírito por 3 dias consecutivos, é uma festa! Mas quando o congresso acaba, o que fica no coração dos jovens? Qual o compromisso com os de fora? Passaram alí 3 dias sendo encucados de que são um povo seleto, privilegiado e separado.

Minha intenção aqui não é contabilizar boas obras, mas apenas analisar se esta é a Vontade de Deus, se foi para isto que nos chamou e se há tempo para nos distrairmos com nossos próprios interesses, enquanto o mundo perece.

Longe de mim dizer que crente não tem direito de se divertir. Mas não consigo espiritualizar a coisa, mistificar o evento. Pra mim é só mais um tipo de entretenimento, que separa ao invés de unir, que divide ao invés de agregar, como ensina o Evangelho de Cristo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Cristãos agnósticos

Há um pouco mais de cinco anos, tenho tido um contato mais estreito com pessoas que por razão que desconheço, enveredaram por um pensamento que tem se tornado muito comum. A ideia de que Deus, após esvaziar-se de Sua Glória e encarnar, tenha perdido seus atributos divinos e portanto hoje, a vida desses cristãos está isolada de qualquer tipo de intervenção divina. Deus não transcende com o homem e estamos todos soltos ao acaso.

Meu espírito rejeita essa ideia e talvez por isso eu nunca tenha me interessado em estudar com mais afinco o tema. Mas a vida se encarrega de trazer para minha convivência, pessoas que se impressionam com minha forma de viver a espiritualidade, justamente por ver em mim, algo que já não possuem.

Não é uma escolha minha. Minha experiência com o sobrenatural começou aos dois anos, quando eu não tinha condições de fazer escolhas por mim. Fui alvo de misericórdia, recebi uma cura importante, quando já estava desenganada. E também o momento da minha conversão (creio que o homem começa sua relação com Deus, quando nasce. Mas há um momento de escolha, quando enfim entende sua dependência) se deu num cenário repleto de mistérios e fatos que eu jamais poderei explicar. Logo, seria louca se depois de ter vivido tantas experiências, negasse que Deus se moveu em meu favor.

Me resta então observar essas vidas e tentar encaixar esse pensamento no cristianismo. Busco fundamento, mas só encontro um amor frio e algo como se o fio que nos conduz à Deus e nos faz percebê-lo, esteja com "mal contato" nesses amigos.

Jesus exultou dizendo que essas coisas foram ocultas aos sábios e entendidos, porque Deus escolheu se revelar aos pequeninos. Em tantas outras passagens bíblicas lemos que Ele, exalta aos humildes e aos exaltados, humilha. Que Ele resiste aos soberbos, mas tem misericórdia do coração quebrantado. Logo, não fica difícil entender que o tropeço e impedimento, é justamente o crescimento do ego.

Curiosamente, todas essas pessoas foram persuadidas por uma promessa de liberdade, que as fizeram abrir mão do convívio eclesiástico. Não entendem mais que receberam a liberdade espiritual, de não ser subjugado pela carne. Distorcem a palavra liberdade, como se ela significasse viver instintivamente como um animal irracional, mas como em toda escolha, colhem consequências. Na ânsia de ser, entram num labirinto de confusão. Na sede de ganhar a vida, a perdem.

Jesus pagou o preço da reconciliação, justamente para que fôssemos adotados e tivéssemos restaurados um relacionamento com Deus. A fé na justiça de Cristo, nos dá a mediação que nos faltava para estar religados à Deus. E para que Deus adotaria filhos, se não fosse para estar com eles? Nos abandonaria ao acaso? Não teria nos chamado com um propósito?

O mesmo Deus que procurou Adão e esperou na varanda o retorno do pródigo. O mesmo Deus que amou a causa do mundo, enviando a Redenção por meio de Jesus. O mesmo Deus que buscou se relacionar com seu povo, o que acolhe ao órfão e a viúva, o que tira o homem do pó e o faz assentar com príncipes. O Deus imutável, mudaria?

A fé é o instrumento que Deus disponibiliza ao homem para vivenciar as coisas do Alto. Vivemos pela fé e sem fé, não há assimilação das experiência com Deus.

Concluindo, para mim eles perderam a melhor parte. Apesar de confessar Jesus e fazerem questão de ser chamados cristãos, fizeram como Esaú e seu prato de lentilhas. Abriram mão de um direito conquistado para eles, por preço insignificante: a ilusão de ser.

Vale lembrar que só Deus É. O homem está limitado no tempo. 
E livre é o Espírito que é Vento e sopra onde quer. Qualquer tentativa de ser igual à Deus, me remete ao Éden e às palavras da Serpente. A mesma proposta ecoa hoje, com nova roupagem, causando a mesma morte, a mesma separação.


domingo, 16 de setembro de 2012

Culpa e perdão

"Davi, que julga a um desconhecido e o condena à morte e ouve mais tarde a revelação: 'Tu és aquele homem'" ["O Aleph", de Borges].

O Evangelho de Jesus, nos ensina o amor e isso é tudo.
Não ama quem não se coloca no lugar do outro, quem não consegue se alegrar com a felicidade alheia, quem não se importa com a dor do outro, mesmo quando temos a nossa própria dor.

Não ama quem corre atrás de seus próprios interesses, passando por cima de outras pessoas, como se elas fossem degraus. Não ama quem vê Jesus como seu vingador pessoal, pronto a destruir qualquer vida que ousar à se opor a este. 

Dia desses li uma frase de uma música cristã (?) que dizia "Vai lá e pega quem falou da minha vida, avisa que eu Estou de Pé. E quem contou o fim dos meus dias, avisa que eu Estou de Pé" e fiquei pensando que a motivação das lutas, podem passar por vales de sentimentos de ódio e vingança, tipo "Conta lá, instiga a inveja deles, desperta a raiva desses filhos do cão".

Não foi isso o que Jesus ensinou. Não é o verdadeiro Evangelho, que nos ensina que somos mais que vencedores, POR MEIO de Cristo Jesus, que nos amou. Quem venceu foi Ele e por amor. Não há privilégios para a "nata da humanidade". Segundo Jesus, devemos amar os inimigos e orar por quem nos persegue, devemos ter a consciência que a luta em si, não é contra carne e sangue, mas contra forças do mal que opera em regiões invisíveis. Mas o ego... sempre o ego, prejudica o que deveria ser um relacionamento de Deus Pai, com cada filho.

Davi ao ouvir uma parábola, teve condições de sentir repugnância por sua atitude. Houve uma reprovação, porque ele não atinou pra sua culpa. Se fosse outro, estaria condenado por ele. Se cada um de nós tivesse o hábito de se colocar no lugar do outro, de fazer uma auto análise vez ou outra, a vida seria um pouco mais fácil.

Sim, Jesus levou sobre si a nossa culpa. Mas se não fazemos contato com nossos erros e sentimentos maus, eles continuam sendo nossos. Não há perdão sem arrependimento. Se não passarmos pelo Sangue, não há purificação.

A cada contato com a consciência da nossa condição humana, temos condições de rever posturas, voltar atrás em atitudes, reconhecer que a imagem do espelho, é de alguém que não caminha com Cristo. Assim há um despertar, seguido de coração incomodado, seguido de reconhecimento e arrependimento. Assim há perdão e liberdade.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Caminho largo e caminho estreito

"Entrai pela porta estreita porta grande e larga é a estrada que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. Estreito é a porta e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos encontram." (Mateus 7, 13.14)


Muito se discute sobre isto e são várias as interpretações que já ouvi. A maioria acha que o caminho largo, consiste nos prazeres do mundo, em detrimento à uma postura sacrificada, vivida na Igreja. Ultimamente tenho ouvido que o caminho largo é o apresentado pela religiosidade que ilude o cristão à buscar a prosperidade financeira, deixando de lado o verdadeiro Evangelho.

Enfim, comecei a meditar sobre isso hoje e foram brotando possibilidades, que meu espírito acolheu.

Creio que fomos salvos de nós mesmos, para viver uma nova realidade. Negar-nos e seguir Jesus, é mais do que simplesmente dizer um "sim", ter o nome inscrito no rol de membros e cumprir um protocolo.

"E poucos encontram." Percebe que Jesus não está falando de um grupo, ou de um conjunto de regras, mas da decisão e sucesso pessoal de cada caminhante? "Estreito" é um adjetivo que sugere a passagem individual de cada pessoa, assim como a possibilidade de encontrar esse caminho que conduz à vida, é algo que experimentamos à partir de uma busca pessoal.

A decisão por Cristo acontece em cada vida num momento distinto. E o caminho também é estreito, porque cada caminhante requer tratamento específico, cada um no seu passo, tempo e necessidade.

Para mim, o primeiro passo é assumir minha responsabilidade individual e intransferível. Meu crescimento espiritual, depende da mortificação da minha carne. Enquanto estamos nos enxergando como parte de um pacote, perdemos a noção da nossa individualidade dentro do Corpo. Sim, somos um organismo, mas nem todos são mãos, ou boca, ou olhos, etc.

Qual a importância de nos enxergarmos como indivíduos, tratados por Deus de forma artesanal? Porque assim conseguimos saber o quanto temos avançado ou o quanto temos ficado estagnados no caminho. Salvação é graça, mas o aperfeiçoamento é uma resposta natural na vida do salvo. É este desenvolvimento que se alcança no caminho estreito. Ninguém que tenha sido alcançado pela graça, permanece o mesmo.

Pelo que percebo, o caminho estreito se refere a viver em amor, que requer a renúncia de nossa vontade e do impulso de nos atender. É um caminho deveras desconfortável, penoso, difícil e apertado. Passar pela porta estreita, ou seja, o acesso que é Cristo, também se esvaziou de si para encarnar a vontade do Pai. Seguí-lo, é tomar consciência de que amar é algo mais próximo do sofrimento, do que desse perfil do cristão inserido num grupo seleto de privilegiados.

Em contrapartida, o caminho largo é o que escolhemos à partir do ego. É prazeroso e fácil nos servir e nos obedecer, mesmo que isso seja oprimir o outro.

A maioria das pessoas escolhem este caminho, posto que a carne age como a lei da gravidade. Não requer esforço algum, viver segundo nossos instintos caídos.

Mas amar é tarefa árdua. Se dar pelo outro, é para a minoria. São poucos os que encontram este caminho.


domingo, 19 de agosto de 2012

Graça, para que ninguém se glorie

Voltei a participar de fóruns de discussão apologética, mas não com a dedicação de antes. Dose certa pra conversar e crescer mais um pouco, mas sem aquela entrega toda, que acaba resultando em disputas e decepções.

Uma coisa me chama muito a atenção. A religiosidade é uma espécie de doença que marca a alma. Por mais que a mente se abra, por mais que haja a ilusão da liberdade, por mais que o caminho mude, o ranço religioso não sai com água e sabão. E a pessoa que uma vez foi violentada pelas regras humanas impostas pela religião, sempre estará escravizada às próprias culpas e com o dedo em riste na direção do outro, buscando no que pode acusá-lo. Religião é mesmo um jogo de culpas, quem deve mais, quem é mais sujo, quem é menos ou mais merecedor da Graça.

Então, se perpetua a condição das obras como moeda de troca pela Salvação.

Ah gente... não basta o que a Palavra diz a respeito? Um grupo de destituídos da presença Gloriosa de Deus, onde não havia "um justo sequer" e aceitos de novo por meio dos méritos de UM SÓ? 

Estávamos antes na mesma condição, no mesmo patamar de "mortos em seus delitos e pecados" e ressuscitamos em Cristo, para estar com Ele na condição de aprendizes. A única ordem dada aos seguidores, era que fossem anunciando esta Boa Nova, para que creiam todos os povos. O preço foi pago, é GRAÇA, as pessoas só precisam receber a Notícia!

Não há mérito em mim que possa me manter salva, já que fui incapaz de conquistar minha própria Salvação. Jamais poderei me gloriar de nada, porque recebi um favor imerecido. Contudo, as palavras do Bom Pastor estão guardadas no meu coração e se consigo praticar alguma, é como resposta ao seu amor, como um eco Àquele que amou primeiro, por fé de que Ele é a Verdade e que tem as Palavras de Vida.

Jamais meus atos, minhas obras e minha tentativa de seguir as regras, seriam imputadas como justiça,  pois não há perfeição em mim. Nem sempre consigo fazer o que desejo fazer, ora meu espírito milita e vence, ora a carne prevalece e tudo isso acrescenta dívida e não justificação. Mas se tenho a Mediação de Cristo, é a Obra Dele que me justifica. Minha justiça já não é o que faço, mas o que recebi.

É tão mais fácil descansar em Deus!
Certamente surgirão por todos os lados acusadores que vão lembrar obras passadas, gente contaminada de inveja e comparações com sua vida e que te acharão indigno. Mas descanse, pois o amor de Cristo te cobriu de Sangue e te lavou para sempre! O que você fez, faz e fará já passou por purificação atemporal e agora, dentro do tempo, você vai caminhar como qualquer outro homem.

A caminhada cristã não se concretiza em planícies. Há que se aprender a subir barrancos, descer ribanceiras, entrar em vales e passar por pedregulhos que tentarão te derrubar. Cuide para não cair, mas se cair, lembre-se que é Dele todo o trabalho e seu trabalho é descansar Nele :)

sábado, 11 de agosto de 2012

No lugar que se chama hoje

E de novo, a mulher diante do espelho, tenta ouvir a voz que vem de dentro. Mas agora, sua história não vem mais como flashs involuntários, vem como um filme, que ela assiste como se fosse mera espectadora.

Ah, menina... quem dera eu pudesse te pegar no colo e dizer baixinho "vai passar..."

Há alguém que te escolheu para proclamar uma mensagem de esperança à crianças vazias como você, mas para que você saiba o que elas sentem, é necessário que pise no solo da experiência.

Ah, moça... quem dera eu pudesse sentar-me contigo e dizer que neste mundo só há ilusões. As pessoas correm atrás do vento e se perdem nas próprias cobiças, sem se dar conta de que são neblina que logo se dissipará. Essas mesmas ilusões que te cegam, são sementes ruins que crescem conspirando contra você e só podem produzir uma coisa: vazio.

Ah, jovem... quem dera eu pudesse te alertar, que nem todos que oferecem o braço, querem te levar à um bom caminho. Que nem toda mensagem camuflada de esperança, provém da verdade e que a esperança que procuras, não está dentro dessas paredes, mas nos encontros, nas trocas, nas relações e na experiência com o amor.

Ah mulher... que as lembranças te sirvam como crescimento, para saber que há UM contigo, que jamais te deixou nem abandonou. Cada dor manifestou Sua Glória, cada lágrima Seu consolo, cada dúvida Sua amizade e cada momento de solidão a Sua companhia te ensinando.

Que as lembranças não morram nunca, para que você não esqueça em quem tem crido, mas que elas jamais voltem a doer, para que você proclame que há esperança para quem sofre!

Em resposta ao post http://janetecardoso.blogspot.com.br/2008/02/em-algum-lugar.html

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Eis que era muito bom

Ontem pela manhã, saí da igreja de alma leve porque falei um pouco sobre minha percepção da narrativa da criação, para pessoas que lêem e interpretam o Gênesis literalmente, perdendo a essência principal do texto  (e isso tira dele toda a beleza). Claro que não pude expor tudo o que escrevo aqui, pois a maioria das pessoas alí não tem estrutura para acompanhar minhas viagens. Mas aqui eu posso :D

As metáforas usadas naquela poesia para mim, fazem toda a diferença na forma como entendo a fé cristã e eliminá-las como figuras de linguagem, empobrece não só o texto, mas também compromete o entendimento de todo o contexto bíblico.

A conversa girava em torno do que os irmãos achavam sobre o fato de Adão preferir atender à Eva do que à Deus. Por que o homem não resistiu ao fruto proibido e por que a mulher ouviu a Serpente? Todos eram unânimes de que o pecado original era a desobediência e alguns se arriscavam a especular. Quando resolvi opinar, um silêncio ensurdecedor tomou conta do ambiente, mas fui em frente.

Para mim, a leitura da criação não é literal. Moisés(?) usou de figuras de linguagem, para que a interpretação fosse alcançada pelos hebreus. Todos sabem que uma sugestão é melhor assimilada que uma afirmação e a Bíblia inteira é repleta delas.

O Fruto portanto não era um fruto, mas a representação do discernimento. Algo que já estava reservado para o momento designado por Deus, pois o homem foi criado tal como somos, com sua parcela de bem e de mal, tanto que a "Árvore do conhecimento do bem e do mal" já estava representada alí.

Sem entrar numa discussão sobre o que representa o que, imagino Adão como homem e como humanidade. Assim, ao mesmo passo que leio a narrativa como a experiência dele, faço alusões com a postura comum de todos os homens.

O trabalho da "Serpente" não foi outro, senão despertar no homem, sua cobiça, sua concupiscência, seu ego. Usei a figura do diabo, para que os irmãos entendessem que o que nos seduz, é algo que já está estabelecido pelos nossos desejos mais íntimos. O mal se apresenta com a aparência de bem. A proposta que conspira contra nós, tem aparência boa e sedutora, mas sua raiz já está fincada em nossas almas.

Pois bem. Já li e ouvi inúmeras pregações à respeito da queda humana, sempre muito superficiais. Fica sempre no ar, um quê de injustiça, pois a humanidade herdou tudo o que há de mal, à partir da rebeldia de dois adolescentes que não sabiam discernir por não terem experiência alguma e uma figura astuta passou-lhes a perna (por isso as perdeu haha).

Mas se formos um pouco mais atentos para o fato de que o mal já havia (lembram da Árvore do conhecimento do bem e do mal?) e que a Serpente foi certeira ao seduzir o casal, dizendo que eles seriam iguais à Deus, constataremos que a arrogância foi tamanha, quando as criaturas desejaram usurpar um atributo que pertencia ao Criador. E uma ofensa à um ser Eterno, tem no mínimo consequências eternas.

Ele, que as colocou num lugar perfeito e os fez cooperadores consigo mesmo e ia ao seu encontro para relacionar-se com eles como um amigo íntimo.

Conhecedor de todas as coisas (lembram que a redenção estava em seus planos antes da fundação do mundo?) a pergunta "Onde estás?", serviu para que o homem se enxergasse longe da vontade de Deus. Cada vez que um homem se afasta do centro da vontade de Deus, esta pergunta lateja em sua consciência e por isso todos são inescusáveis (Rom 1:20).

A parte mais bonita que vejo nesta narrativa, é o gesto de amor que Deus tem, quando providencia-lhes vestes que cubram sua vergonha. Porque isto acontece após o homem reconhecer sua nudez e recebe perdão através do sacrifício de sangue. Apesar do casal colher as consequências de seu erro, vejo que o amor de Deus é o mesmo.

Para mim, apesar do pecado ter entrado no mundo por meio de um, cada homem responde por si. Todos nascemos com esta terrível tendência à escolher nossa própria vontade, em detrimento à vontade de Deus. E o auto domínio só é possível por meio da mortificação do ego. O negar-se tão aconselhado por Jesus.

Não sei se Adão tinha umbigo (:P) mas com certeza foi egocêntrico. E o homem que se coloca no centro e vê a vida a partir do próprio umbigo, é incapaz de viver o amor, que não visa o próprio bem, mas se manifesta sempre na direção do outro.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

As rédeas que te prendem

À partir do comentário de uma irmã querida, de que hoje ela é muito mais cristã do que no tempo em que foi Batista, comecei a meditar em algumas coisas que normalmente não atinaria.

Não posso dizer nada à partir da experiência dela ou de qualquer outro, mas à partir da minha própria caminhada com Cristo, posso expor o que entendi.

Na minha vida, a primeira manifestação sobrenatural de que tenho conhecimento, foi aos dois anos, quando eu sequer tinha condições de saber o que é fé. Desenganada, recebi cura e cresci com esse sentimento de gratidão, por esse tal Jesus, que disseram ter me salvado da morte. Cresci assim, sem religião, sem doutrina, sem igreja e sem obra alguma que não fosse motivada por um amor que brotava naturalmente. Eu tinha prazer em ouvir as pessoas testemunhando sobre minha vida e realmente me sentia amada.

Quando tive minha primeira grande crise existencial, já estava com 20 anos. Nesta ocasião, tive uma briga com Deus. Era tão grande a turbulência, que eu o questionei o porque de ter me livrado na infância, pra permitir que naquela época eu passasse por tudo aquilo. Eu não queria mais viver se não houvesse uma solução. Doente, sem recursos, sozinha, com a responsabilidade de criar um filho eu pedi que Deus me matasse de uma vez ou me desse um recomeço. Alí, prostrada no chão da cozinha, sem religião, sem igreja, sem testemunhas, reconheci minha completa dependência e me rendi cansada em Seus braços. Tenho este dia como marco da minha decisão. Deus e eu nos acertamos e eu renasci.

Abandonar minha velha mente foi um parto que demorou longos 5 anos. O renascimento não é como o nascimento físico, que ocorre em algumas horas. O processo, pelo menos o meu, foi algo muito penoso e demorado. Só depois desse tempo todo, comecei a congregar numa igreja evangélica.

Fui, porque o testemunho de um amigo me convenceu. Ele foi um alcoólatra que vivia caindo na sargeta e várias vezes depois de beber todo o pagamento, voltava sem roupas e sem sapatos, humilhado, pedindo dinheiro para ir embora. Agora, restaurado, falava empolgado da igreja que lhe estendeu a mão. Eu gostava de conversar com ele, sempre íamos lanchar juntos e ele sempre insistia pra que eu o acompanhasse à igreja. Certa noite fui e acabei ficando por alguns meses, uns poucos, até começar a discernir.

Naquela época eu ainda era muito crua, não sabia nada de Bíblia, mas já sabia que aquele alí não era meu lugar. Quando os absurdos começaram a vir à tona, mesmo sem muito conhecimento, entendi que a questão não é o lugar, mas a postura. A decisão diante do Evangelho é que faz toda a diferença. Fez na vida dele, fez na minha, faz na vida de qualquer um que crê na Boa Nova de Salvação.

Depois de algumas decepções, conheci a igreja que congrego hoje e sei o que estou fazendo alí.

O que tenho a dizer é o seguinte: a instituição não pode ser responsabilizada nem pelo crescimento, nem pela decadência de ninguém. Aquele que crê, começa um processo de mudança de mente, à partir do ensino que o Mestre nos deixou e isso independe do endereço que ele esteja. A fé vem pelo ouvir e nesse contexto, ouvir significa entender, assimilar. À medida que há entendimento, a fé vai criando corpo, ficando robusta e há crescimento espiritual.

Minha relação com Cristo, começou no início da minha vida e se fortaleceu quando cri em sua Obra Redentora. Onde quer que eu esteja, seja dentro ou fora de qualquer institução, nada pode tirar de mim a fé de que a cédula que havia contra mim, foi riscada. E eu posso te garantir, querido leitor, que o que sei a respeito da fé cristã, aprendi na caminhada, nos encontros, na troca de ideias, nas experiências com Deus, enfim, a instituição jamais me atrapalhou ou influenciou. A diferença continua sendo a postura.

Pelo que entendo, amado, a "igreja" que pode ser uma casa, um templo, uma garagem, um pedaço de areia na praia, deve ser o espaço onde se reúne pessoas prontas a acolher quem o Senhor acrescenta conosco. Pessoas que chegam feridas, confusas, necessitadas. O cristão que vai à igreja para receber algo, ainda é imaturo. O cristão que conhece seu lugar no Corpo, se reúne para oferecer de si em favor do outro, porque sabe que IGREJA é ele. Deus escolheu habitar em Templos de carne.

Por isso não vejo sentido nessa supervalorização do formato das reuniões deste século. Pra mim, aquele endereço é o lugar que escolhi para ter comunhão com pessoas que passaram a ser extenção da minha família. E poderia ser outro. 

Se o fato de congregar numa igreja te tira a liberdade, o erro está na sua postura. Se o fato de estar fora da instituição te faz sentir-se livre, você não entendeu que o que te fez livre, foi o preço de sangue pago em seu resgate. Você continua preso às rédeas de seus preconceitos.

Conheço muitas pessoas que se iludem com essa "liberdade" e perdem a paz, sentem-se vazias, desamparadas, atordoadas num labirinto sem solução. Isso é resquício do que a religiosidade fez com você, quando disseram que uma vez longe da instituição, você seria um desviado, um perdido, um sem rumo. O que você não percebeu, é que está preso pelo inconsciênte, porque creditou à instituição e não à Cristo a sua paz.

Se de fato você está convicto do que recebeu, não fará diferença estar ou não na lista do rol de membros de qualquer congregação. Te bastará saber que do Livro da Vida, ninguém te riscará.

Fato, é que a vida cristã não pode ficar estática. Você olha para trás e precisa ver que algo mudou, pois se não houve crescimento, possivelmente seu encontro com Jesus ainda não tenha acontecido. 

Antes de militar contra uma instituição, desenterre seu talento e faça discípulos. Mas não se iluda, onde se reúnem dois ou três ao Nome de Jesus, é Igreja. Mas também é garantia de problemas e divergências.