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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Estatura de Cristo

Você poderia escolher mentir, mas se estiver na mesma frequência de Cristo, escolherá ser verdadeiro. Você poderia trair um parceiro, ser desleal a um amigo, ser o vizinho antipático... Mas se estiver na mesma frequência de Cristo, será empático com teu próximo, será um com quem te cerca, será solícito com quem precisa de você.

Deus é amor e amor não é sentimento, é a essência pura de quem não tem ego para ferir. É a frequência de quem tem prazer em agraciar e dar leveza; quem busca a estatura de Cristo, enxerga o outro como parte do todo, é a extensão da sua própria carne, a dor alheia te incomoda e te move para socorrer, a alegria alheia te satisfaz e contagia.

Penso que vivemos para sair da condição de Adão, ensimesmado, leviano, transgressor, para a estatura de varão perfeito que só Cristo tem. Nesse processo, as relações são treinamento, é onde aprendemos a negar o si mesmo e servir.

Quem busca entrar na mesma frequência de Cristo, ouvirá sua voz e a reconhecerá. Praticará o bem e será bom. Amará porque esta é a seiva que circula no ramo que está enxertado na videira verdadeira e será frutífero em todas as suas escolhas.

Parece utópico mas este é o natural. O homem sem a corrupção moral é o homem que não se deteriora com a carne. O tesouro incorruptível que permanece, é o que se faz sem pecado. Quanto mais se esvazia de si, mais tem condições de refletir a pessoa de Cristo e ser um de seus luzeiros. Foi para isto que o preço foi pago.

O egocêntrico que vive como se tudo e todos devessem orbitar sua vontade, pode ganhar o mundo inteiro, mas já perdeu o domínio de sua alma. A treva que o cega, também angustia seu íntimo e pesa sua consciência, mas é réu de suas decisões.

Que Cristo seja o norte para onde você caminha, que seja o destino para onde você queira chegar e que seja seu descanso desde agora.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Adeus 2025



Foi um ano que dei um basta nos abusos, no desconforto, foi a última vez que fiquei num lugar porque não podia parar, sofrendo humilhação, sofrendo ataques gratuitos, ouvindo coisas que não mereço. Verdade que em outras épocas da minha vida se levantaram outros demônios, mas me prometi que seria a última vez. Não aceito mais que as pessoas lancem seu lixo em cima de mim. Não sou  caçamba e aos 54 anos não tenho que ficar onde não quero. Chutei o balde, virei as costas e nada faltou, porque meu provedor é Deus. Trabalhei em outro lugar, paguei o que tinha que pagar e nada como um dia depois do outro.

Meu lar é um lugar de paz, de respeito, de boa convivência entre todos os familiares. Nós não brigamos, estamos sempre juntos dividindo as alegrias e nos apoiando nos dias difíceis. Ninguém vai minar minha energia, roubar minha alegria, me adoecer e ficar por isso mesmo. Eu me retiro, mas antes a criatura se arrepende.

Fiz algumas obras na casa e comprei vários móveis novos. Sempre quis mobiliar minha casa com móveis de madeira de demolição e esse ano eu consegui renovar tudo.

Aconteceu tanta coisa boa no nosso meio! Meus sobrinhos e nora definindo suas carreiras, Celina nasceu, meu filho estabilizou num bom trabalho, meus netos estão amando ter uma avó mais disponível e menos intoxicada.

Pude rever gente que não encontrava há anos e todos os encontros foram muito agradáveis. Por outro lado desapeguei de gente que não me considera e nem quer estar. Sabe o que entendi? Os ciclos duram o tempo necessário, depois precisam se fechar para outras coisas acontecerem. Não quero mais investir, me esforçar, tentar, insistir, deixar ir faz parte, dificilmente essas pessoas vão fazer falta, porque o que tinham que ensinar ou aprender já foi. 

Bom, termino o ano com algumas expectativas: talvez este ano de 2026 eu faça bariátrica e consiga chegar no meu objetivo. Também quero aceitar uns convites para viajar. Tenho 3 destinos pelo menos que pretendo me empenhar para ir: Nova Friburgo, Curitiba e Ilha de Paquetá. 

Trabalhar menos e viver mais, esse é meu plano para o ano novo. Sinto que minhas prioridades estavam no lugar errado.

Além é claro, estar com as pessoas que me consideram e gostam da minha companhia. No mais, deixo acontecer porque também não quero planejar demais.

2026

Não barganha com Deus. Ele não está limitado à sua caixa de concreto, nem te retribuirá por você passar a virada em determinado endereço que você mistifica. Ele é o mesmo em qualquer endereço e estar em Sua presença é algo que deveria acontecer 24 horas por dia, onde você estiver. 

É no espírito, não na construção humana. É em verdade, no teu íntimo e não para mostrar ao outro o quanto você é espiritual. Enquanto você não entender que o Espírito de Cristo habita em você, você ainda vai se deixar levar por tradições de homens, achando que está num patamar de privilegiados. 

Contudo, se quiser se reunir com outros cristãos seja em que endereço for, que seja pelo amor de ser um com teu irmão. Seja pela força da oração dos justos que pode muito em seus efeitos, seja pela paz e alegria do lugar e não apenas para mudar a "simpatia" de logradouro, porque a dinâmica seria a mesma de pular ondinhas e receber sorte.

A visão de mundo é que está equivocada da maioria. Tudo o que é feito com sabedoria e entendimento não tem erro. O perigo é ir na correnteza, só porque não quer ser cobrado. Ou porque não confia o suficiente no amor do Pai.

Quer mudanças? Mude a postura. Quer colher bem? Escolha melhor as sementes. Faça um plano e cumpra, faça projetos e se empenhe. Sonhe e busque realizar. 

A realidade não muda por causa do calendário. Mas se a cada manhã é a misericórdia se renovando, quanto mais um ano novo. O receba como um presente cheio de oportunidades!

Bom 2026!

sábado, 27 de dezembro de 2025

Para a liberdade

Uma criança precisa ser ensinada, precisa ser orientada: isso pode, isso não. Se obedecer é recompensado, se desobedecer é punido. Sem essa educação ficará sem referência de certo e errado.

Porém quando é adulto, responde por si. Não adiantará confrontá-lo com o que não aprendeu. Se os princípios e valores não estiverem fixados no seu caráter, dificilmente aceitará ser doutrinado.

A lei serviu para instruir, para educar, para formar o caráter dos filhos. E sendo incapazes de cumprir integralmente, nos tornamos réus. A lei revelou nossa culpa e a necessidade do Salvador. Jesus veio para cobrir as lacunas, revelar o que faltava. A Graça é a consumação do que estava proposto. Já não precisamos de tutor. As coisas de meninos ficaram para trás, agora nossa consciência está pautada nas palavras de Cristo, que são espírito e vida.

Jesus trouxe ao lume o que antes era sombra. Ele é a revelação do que se pode conhecer de Deus. Seu Espírito nos ensinou todas as coisas e agora somos autônomos para realizar. Já não seguimos ordens externas, porque a Lei de Cristo é sabida, compreendida e vivida na prática de amar.

Onde há amor, Jesus está. É por esta fé que o justo vive.
 
"Vocês foram comprados por alto preço; não se tornem escravos de homens”. (1 Co 7.23)

Não estou preocupada em ter meu nome arrolado em igreja evangélica, Jesus nunca foi religioso e foram os religiosos que o mataram. 

Em nome de seus estatutos internos, seu entendimento particular do que está escrito, em nome de sua doutrina corrompida, perseguem, oprimem, acusam e desprezam exatamente igual aos prosélitos de Israel, cumprem direitinho o protocolo, a agenda, os ritos, mas negligenciam no que é importante, porque pra eles o que importa é parecer a quem assiste e não de fato ser para aquele que sonda o íntimo de todos nós.

Antes me importa estar inscrita no livro da vida, onde nada depende de mim, porque sou incapaz de me justificar, porque se não fosse a misericórdia, já teria sido consumida desde o útero da minha mãe.
Sequer quero contabilizar se fiz algo proveitoso, por alguma coisa ou por alguém. Quero ser quem fui chamada pra ser. Apenas intuir e ser. Pra que diante do amado da minha alma, ser chamada de bendita e bem-aventurada.

Paulo disse certa vez que todos os piedosos seriam perseguidos. Jesus disse aos 12 que seriam odiados, que teriam aflições o mundo, que o incentivo era lembrar que Ele venceu. Saber disso prepara qualquer um a resistir qualquer coisa. Não tenho medo de carranca de fariseu.

Eu não costumo viver me lamentando pelos meus erros, até porquê Deus os deixa no mar do esquecimento. Não tenho dúvidas do que sou e de quem posso ser em Cristo. Quando penso que vivi essas coisas dentro de ambientes que deveriam me dar suporte e não julgamento, por um minuto queria nunca ter passado pela porta, mas em seguida penso que todo o processo foi importante. Tem gente que está lá e nunca perderá as escamas dos olhos. Tem o nome de Jesus na boca mas não o conhecem e vão ficar assim porque se acomodaram na aparência de ser. 

Antes não ser nada e depender de tudo, mas estar disposta a perder a vida para a ganhar das mãos de Cristo. Tetelestai, está consumado, cumprido integralmente, completamente pago. Estou alforriada, verdadeiramente livre, não sei para onde vou, não sei como viverei daqui pra frente, estou como o Vento. Só sei que rol de membros de clubes institucionais, é um pertencimento caro demais, desgastante demais, fardo pesado e desnecessário. Não me deixarei escravizar novamente.




Desviados do Caminho

Para o cristão institucionalizado, qualquer um que não esteja no seu gueto, ou não cumpre sua agenda, ou não abrace sua placa, rol de membros, CNPJ, é um desviado.

Sob meu ponto de vista, há duas classes de desviados: aqueles que se desligam de suas religiões e resolvem ser escravos dos gritos de sua própria carne, já que não tem mais a listinha de castrações, nem os tiranos pra vigiar, mergulham de cabeça em sua própria morte, porque não sabiam o que estavam fazendo dentro, muito menos saberão o que fazer fora, posto que não sabem o que é temor. Grande parte da massa evangélica não sabe o que fazer sem aquelas paredes.

A outra classe de desviados é o que vive em função de empresas religiosas, programações, entretenimento, são consumistas do mercado gospel e idólatras de seus líderes e cantores. Querem tanto a semelhança do mundo que seus ambientes de "culto" mais parecem danceterias, teatros, as prioridades estão na beleza, no conforto e no chamariz da estética moderna. Porém são pessoas que não servem à comunidade em que vivem, não tem laços de amor genuíno pois se alguém se desliga do rol, já não faz parte da família de Deus. Cada um segue sua cartilha, sua liturgia e seu estatuto. Mas continuam negligenciando no amor, justiça e misericórdia. Jorrando água suja misturada com a limpa, contaminando tudo. Tão longe da sã doutrina piedosa de Cristo, tão longe de tudo o que Paulo instruiu, tão certos de que são de Cristo só porque vivem dizendo Senhor, Senhor... Porém não sabem o que é caminhar com Ele, o que é servi-lo nos pequeninos, o que é cultuar racionalmente através das escolhas, glorificar a Deus com a vida e não com jargões.

Não estou generalizando, acho que tudo o que a gente vive é processo, que pode servir para nos melhorar ou piorar. Apesar de nunca ter concordado com tudo, um dia eu também estive lá, vendo joio e trigo conviverem. Deus não deixa obra pela metade, quem foi chamado, também pode estar entre os escolhidos.

Contudo não aceito sobre mim mais este carimbo. Não me desviei do que fui chamada pra ser. Do lado de fora estão os campos brancos prontos para ser colhidos e todos os dias recebo alguém para amar. Assim vou na contramão da correnteza, contra o curso para onde o mundo com seus sistemas descem. Sem me conformar com o século e suas depravações e bizarrices. Firme nos princípios e valores inscritos na tábua do coração, porém livre como o Vento que Deus conduz.

Você sabe porque dá o dízimo?


Pra começar este assunto polêmico, já digo que não estou em nenhum rol de membros institucional por opção e por amor à minha liberdade de pensar e discernir a revelação bíblica, sem correr o risco de afrontar ninguém em seu ambiente de culto. Assim, não pertenço à organização nenhuma, me contento em ser só de Cristo mesmo.

O assunto "dízimo", que divide grande parte dos evangélicos, confusos entre o que a Bíblia revela e o que se prega nos púlpitos, vejo que a maioria ainda opta em continuar separando mensalmente 10% de seus rendimentos, como forma de se proteger do tal devorador, da maldição e do terrível pecado de roubar a Deus. Veremos sobre a Lei do dízimo daqui a pouco.

Primeiramente, quero falar um pouco à partir do livro de Hebreus, que menciona Abraão e Melquisedeque, Rei e Sacerdote que recebe depois de uma guerra, uma oferenda à Deus, contendo a dízima de todos os despojos. Segundo o escritor de Hebreus, Melquisedeque simbolizava o sacerdócio eterno, maior do que o sacerdócio temporal que Abraão trazia nos lombos, pois dele nasceria a nação de Israel. Quem recebeu, é maior do que o que fez a oferenda. Ou seja, a Ordem de Melquisedeque, eterna e atemporal, representava o sacerdócio eterno de Cristo, maior que a Ordem de Aarão, que mais tarde recebeu a Lei para o povo de Israel, uma ordem temporal e imperfeita, que apontava para o que mais tarde se revelaria por meio de Jesus encarnado.

Os despojos, eram tudo o que restavam das guerras, uma espécie de prêmio para quem vencia. Não apenas bens materiais, mas também as ruínas e os corpos e escravos daqueles povos.

Colossenses 2:15, menciona a guerra espiritual vencida por Cristo na Cruz, onde ele prega na Cruz o escrito de nossas dívidas. Humilha o príncipe deste mundo e toma dele os despojos, ou seja, os reinos que ele ofereceu a Jesus no deserto e os que antes estavam mortos em seus delitos e pecados, escravos de si mesmos, transportando-os para seu Reino de amor, religando-os de volta para Deus. Ou seja, Dízimo perfeito, foi Jesus quem realizou de uma vez por todas. O Sumo-sacerdote eterno, segundo a Ordem de Melquisedeque, conquistou para Deus um sacerdócio real, povo exclusivo seu, agora livres. Para trás ficou a Ordem de Aarão, com sua Lei que jamais justificou alguém, mas revelou as misérias humanas e apontou para a necessidade do Salvador. 

Colossenses 2:16, revela que o Velho Testamento é sombra, revelada pela Luz do mundo, Jesus. Nada mais está encoberto, está consumado. Novo sacerdócio, novas Leis. Ou seja, o episódio onde Abraão oferece à Melquisedeque o dízimo dos despojos, apontavam para Cristo vitorioso, entregando para Deus o seu povo, Reis e Sacerdotes segundo a Ordem de Melquisedeque. Compreendido o dízimo de Abraão? Alguma associação com os dízimos mensais das igrejas, onde o membros separa a décima parte de seus rendimentos? Nenhuma, até porque, se a Igreja necessitasse deste ritual, o dízimo de Cristo não teria sido perfeito.

Agora vamos ao dízimo da Lei, que nada mais é do que um princípio de igualdade social, onde quem tinha terras e produzia, separava uma porcentagem e entregava à quem não tinha de onde tirar o sustento: Sacerdotes, Levitas, órfãos, viúvas, estrangeiros... todos aquele que não tinha direito à terra, recebia e consumia os mantimentos que enchiam as dispensas do Tabernáculo, depois do Templo. Era anual, era comida, era a providência de Deus para que houvesse igualdade.

Só os Levitas tinham autorização para receber dízimos e repassar esta comida aos necessitados. Pois bem, fica muito fácil entender agora porque Jesus não mandou a Igreja continuar dizimando. Era Lei e como Lei, revelou a miséria dos sacerdotes que roubavam a Deus, negligenciando no real sentido do dízimo, que era suprir. Tomavam os dízimos e as ofertas, mas completamente divorciados de Deus e de Sua vontade, tratavam com desprezo os necessitados.

“Os seus sacerdotes transgridem a Minha lei, e profanam as Minhas cousas santas; entre o santo e o profano não fazem diferença; nem discernem o impuro do puro; e de Meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles. Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa, para derramarem o sangue, para destruírem as almas, para seguirem a avareza. E os seus profetas têm feito para eles reboco de cal não adubada, vendo vaidade, e predizendo-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor Jeová; sem que o Senhor tivesse falado. Ao povo da terra oprimem gravemente, e andam roubando, e fazem violência ao aflito e ao necessitado, e ao estrangeiro oprimem sem razão.” Ezequiel 22:26-29.

Alguma relação com o dízimo pregado nos púlpitos? Alguma associação com o salário mensal dos fiéis? Nenhuma.

Outro dia postei a seguinte frase: "Nunca assisti nenhuma pregação honesta com relação ao dízimo. " E nenhum dos meus seguidores ousou me apoiar com sua "curtida". Pudera, com tantas ameaças de maldições, distorções e domínio de consciências por meio do medo, poucos se sentem à vontade para divergir dos líderes religiosos. Preferem acatar.

Não que eu seja contra que as pessoas que usufruem do prédio e da comodidade de suas dependências, sustentem as despesas dele. Sou contra a distorção da Palavra e da escravização dos que Jesus libertou. Se o dízimo nunca foi dinheiro, por que chamar as contribuições de dízimos? Por que mistificar as contribuições e forçar para que elas sejam mensais? Seria mais honesto e cristão, ensinar o amor às vidas que se beneficiam da instituição e a responsabilidade de cada um deles em manter as portas abertas. Contribuiriam com alegria e não pelo sentido de obrigação de cumprir um dever.

Enfim, aos que já se libertaram das distorções religiosas, cada vez que você se deparar com alguém em alguma situação de necessidade, se alegre em poder ajudar. Melhor é dar que receber, não é? Deus te deu esta condição e fazer o bem é gratificante pra qualquer pessoa, muito mais quando temos a consciência de que é Jesus na pele destes pequeninos. Isto fará muito mais sentido do que pagar contas de água, luz e telefone de uma empresa religiosa ensimesmada e mentirosa.

E cada vez que algum líder distorcer a Palavra para lançar peso sobre o dorso de seus membros, lembre que a Graça é leveza e suavidade. A religião será sempre acusadora e castradora da liberdade, mas Jesus oferece alforria.

Seja o dízimo de Abraão ou o dízimo da Lei mosaica, nada pode legitimar o dízimo das igrejas evangélicas que tem raiz no medo de faltar recursos para pagar contas e salários. Ou seja, falta de fé de que o Senhor da Obra a manterá funcionando.

No mais, voto que as contribuições (que não são pecado) sejam chamadas de contribuição mesmo, porque Oferta eficaz foi oferecida por Cristo em nosso lugar e Dízimo Perfeito, foi oferecido por Cristo após consumar a Redenção. Tudo o que veio depois, é usurpação dos méritos de Cristo e isto é um erro muito grande e de consequências eternas. É impossível ser menino e adulto ao mesmo tempo. Viver a Lei e a Graça ao mesmo tempo, Quem escolhe cumprir a Lei, confiando em seus próprios méritos, rejeitou o sacrifício de Jesus e nada entendeu sobre a Cruz.

Ora, muitas pessoas nunca tiveram oportunidade de serem ensinadas e outras, mesmo ouvindo não discernem espiritualmente as coisas espirituais. Mas a Bíblia é uma mensagem global onde tudo se encaixa perfeitamente. Leitura de versículos isolados, com interpretações obscuras são carnalidades que se cometem em nome de Deus. Enquanto isso, o rebanho de tolos vive uma vida de repetições de rituais vazios e cumprindo suas tradições religiosas, sem entender nada do que professam como fé. Permanecem na sombra, tendo já a Luz do mundo revelado todas as coisas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Premiada

O amor nesse mundo é loucura, amar e viver pela fé então... Destoa de tudo o que o hábito da frieza, egoísmo e maldade aceitam como normal e corriqueiro. Não foi atoa que Deus escolheu se revelar aos simples e dar sabedoria às coisas loucas desse mundo.

Todo mundo adoece em algum momento da vida, mas nem todo mundo cresce ouvindo testemunho de cura depois de ter sido desenganado. Todo mundo se sente sozinho e deslocado. Mas nem todos são neuro diversos tentando se encaixar num mundo que não acolhe e nem aceita as diferenças. Sorte minha que há sempre outros rejeitados e desfavorecidos para me juntar. A dor estreita as conexões. Mesmo sem conseguir me expressar, me explicar, brincar junto ou interagir espontaneamente, encontrei gente mais triste para acolher e cuidar, mais discriminados e estigmatizados que eu, para unir forças e continuar.

Todo mundo chora escondido, mas nem todo mundo chora por ver chorar. Muito menos num ambiente insalubre, com violência gritando na porta, pais discutindo, avó morrendo, carência de tudo ao redor. Ainda assim ser grato pelo básico, se alegrar com a grama no parque, a borboleta voando, a água revigorante do mar, a comidinha de mato, os bichinhos abandonados, os gatinhos nascendo, as joaninhas e o cheiro da rosa aberta. Ah, a contemplação me salvou tantas vezes e a reflexão embaixo da cama ou dentro do armário, onde esquecia os barulhos e o tempo e voltava pra minha essência.

Todo mundo se decepciona na vida, mas não incontáveis vezes como alguém descartável e sem valor, que só serve enquanto tem sumo para extrair. Todo mundo enfraquece, perde, desiste, mas ainda preserva a esperança de sair do fundo do poço, mas nem todos aprendem a voar, a encontrar abrigo no mistério, a viver os ciclos sabendo que eles terminam, esperando sempre o pior das pessoas e apesar de tudo ainda estar disponível.

Todo mundo se deprime, mas nem todos vivem essa melancolia constante. Uma tristezinha continua que já faz parte do ser. A poesia que nasce dela é a mais bonita. 

Preto e pobre tem aos montes, lutando pela dignidade. Mas nem todos trabalham colocando ordem no caos alheio, ainda ter conselhos, risadas e compromisso de dar conta anos a fio. Ainda assim nunca bastar, nunca ter valor, não ser incluída e sair sem direitos.

Família todo mundo pode constituir, mas nem todas se vêem sozinhas com a responsabilidade de criar filho, construir casa, manter a dispensa cheia e as contas pagas sem depender de ninguém, mesmo com todas as limitações.

Insatisfeitos com o corpo muitos são. Quando não é a magreza, é a gordura, a careca ou o cabelo indomável. Mas nem todos convivem com a obesidade grau 3, carregando o peso de duas pessoas ou mais e tendo que dar conta de tudo. É doença desencadeada por distúrbios emocionais, mas a crueldade das pessoas muitas vezes é o que mais sobrecarrega.

Todo mundo vai se deteriorando com o tempo, perdendo o viço e a disposição de agradar. Mas eu que sempre fui autêntica, me vejo cada vez mais a margem de tudo o que é convenção. Antes eu até me esforçava para pertencer, agora quero evitar a fadiga.

E como se não bastasse o preconceito pela neuro diversidade, cor, status social, maternidade solo, obesidade e idade cronológica, agora ainda sou desigrejada. Taxada de desviada, porém encontrada pelo bom Pastor. Já compraram minha passagem para o inferno, só não vieram trazer porque sou louca e meu discurso é perigoso. Enfim, resisto e persevero, porque não existe plenitude nessa vida.

Só de uma coisa me glorio: de conhecer a Deus através de Cristo. Não me encaixei nos padrões mas fiquei livre dos grilhões.

 Lucas 10, 21-24

"Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: ‘Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar."

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Antes e depois

Deus é o principal na minha vida, amo a pátria e minha base é minha família. Sem o vínculo de afeto que me cerca não sou ninguém, tenho segurança entre os meus desde a infância, quando meu pai militar, dividia com minha mãe a responsabilidade de nos manter unidos e respeitosos uns com os outros. 

Juntos davam o sangue para que nada nos faltasse. Ele, apesar do regime militar, era muito leve na vida, feliz, brincalhão, cozinhava coisas gostosas pra nós, levava pra passear e aliviava quando minha mãe que era rédea curta, queria nos segurar. Ele incentivava que a gente namorasse, saísse, se divertisse e fizesse tudo o que era próprio da nossa idade, era militar e cristão, mas também era coerente na nossa educação.

Minha mãe ficou mais suave depois que ficou viúva e com o passar dos anos também ficou leve e foi nosso porto seguro. Até hoje que já não os temos, contamos uns com os outros. Eles sabiam separar as coisas, eram pais presentes e amorosos, tinham autoridade, mas também reconheciam nossa individuação. Nos ensinaram a respeitar as diferenças, os espaços de cada um, sabemos viver juntos sem interferir na vida uns dos outros. Alguns vivem a fé de um jeito, outros crêem de outra forma e uns nem tem fé, mas não há discriminação. O mesmo acontece com a visão política, econômica, etc. Cada um é de um jeito e a gente se ama.

Me lembro do governo militar, quando eu percorria pelo menos três kilometros pra chegar na escola, sozinha aos 10, 11 anos em pleno Rio de Janeiro e ninguém me incomodava. Era seguro, não se via essa violência gritante de hoje em dia. A família participava da vida escolar, me lembro de um mutirão pra pintar a escola, meus pais participando, bazar onde a gente doava e comprava ao mesmo tempo, ensaios para marchar no 7 de setembro, o clima era tão gostoso que chego a sentir de novo quando visito o passado. Até hoje sei cantar todos os hinos oficiais e foram os melhores anos da minha infância. Verdade que tudo o que a TV transmitia era passado pelo crivo da censura, mas isso era visto como cuidado e não como castração.

Quando a democracia chegou com o primeiro voto popular, o regime foi embora e a fartura também sumiu. Na escola, no lugar de um farto prato de comida, fruta e leite a vontade, era um pão com refresco em pó. A violência cresceu, o medo também. Só a liberdade diminuiu. Ah, a censura também. Agora se a gente não quiser ser surpreendido com o que não quer ver, tem que desligar a TV.

Mas enfim, a vida é o que é, as pessoas são o que são e todos precisam conviver e se respeitar com suas diferenças. Se precisam de censura pra não extrapolar, é porque não é visceral, acabam criando um povo enjaulado. A censura doma mas não muda essências. Ou se educa para que cada um decida por si, ou vira o que virou, gente se impondo a todo custo, afrontando e fazendo engolir a seco suas bizarrices.

Sonho com o equilíbrio, famílias de todos os formatos, sem gente engessada e incomodada com as escolhas alheias. Gente que assimila o sagrado de várias formas e todo mundo se acolhe e se respeita. Por enquanto realizo isto só na minha família mesmo, tem bastado.

...

Ontem vi por acaso um vídeo do cantor e pastor Fernandinho, dizendo que um cristão não pode ser de esquerda porque cristianismo e ideologia de esquerda são antagônicos etc e tal. Sem entrar no mérito que cristianismo é um sistema religioso e Evangelho é a notícia de que o preço já foi pago, portanto coisas diferentes, sei que essa postura é geral no meio. Tenho amigos que sequer podem dizer o que pensam se quiserem participar.

Confesso que minha condição neuro divergente me limita na questão dos meus focos, uma coisa que faça sentido pra mim num momento, pode mudar radicalmente. Mas uma coisa que não consigo me aprofundar é ideologia política. E atualmente sinto verdadeiro asco dessas discussões acaloradas, onde conservadores classificam cristãos como se fossem porteiros do céu, permitindo ou impedindo pessoas de entrarem e pertencerem. 

Uns até chegam no extremo de citar versículos onde Jesus está à direita de Deus e que na passagem onde ele diz que os da direita são os que entram e os da esquerda são lançados fora, como se Jesus estivesse falando de política e não da disposição em amar e servir.

Deixando claro que não tenho políticos de estimação e analisando bem as pessoas e mentalidades que se podicionam aqui e alí, fica nítido pra mim quem é coerente e quem é só massa de manobra mesmo.

Um cara desses que enriqueceu às custas do nome de Jesus, agora julga do seu patamar superior, quem é e quem não é. Pra mim, relis mortal que só quero viver com dignidade, pagar minhas contas e ter o que meus 35 anos trabalhados me dá o direito, me sentiria uma arrogante desgraçada, se dissesse que alguém não pertence ao aprisco de Cristo, se esse tal pensa diferente de mim. O Reino Dele não é desse mundo. A direita me ensinou que não basta decorar um versículo se a essência é a crueldade e a esquerda que justiça só se aplica na vida do pobre que faz merda, o rico pode. Quem quiser dar o sangue pra qualquer vertente que se lasque. Eu só quero viver e deixar viver. 

Hipocrisias à parte, o que Jesus disse que era a verdadeira religião é não se deixar contaminar e ter empatia com quem precisa de nós.  Cada um que avalie e decida por si. Minha parte é viver e morrer pelo Evangelho e não por esse meio podre. Dane-se o número do seu candidato. Pra mim é o seis e o meia dúzia.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Aprendendo com as crianças



As fofurinhas da vovó tem 9 e 4 anos. O que acabou de fazer 9, vive tentando me pegar numa distração, me perguntando qual é o meu preferido. O menor está sempre atento e logo responde: "Os dois, né vovozinha, você tem dois netos." O mais velho finge se conformar, mas em outro momento faz a mesma pergunta. Por muito tempo ele foi único, então vive essa disputa de afeto. 

Tento fazê-lo entender que amor não se divide, se multiplica. E cabem muitas pessoas dentro do nosso amor: filhos, netos, amigos, irmãos, primos, pais, etc e não precisam disputar espaço, não é uma competição.

Mas volta e meia o mais velho implica com o mais novo, corrige, chama atenção e o pequeno que é muito sensível chora, porque para ele o irmão é o máximo. 

Ontem o pequeno disse alguma coisa e o mais velho o chamou de mentiroso. Ele se escondeu atrás do sofá e foi chorar. Chamei atenção do mais velho porque ele não tem filtro pra falar as coisas e muitas vezes soa ríspido e até ofensivo e disse ao menor que não precisava chorar, era só responder que não mente. Voltei pra cozinha e estava escutando os dois.

Maurício disse: "Jonas, me desculpa, eu não queria ofender você."
Jonas: "Tá tudo bem, as pessoas às vezes cometem erros."
Maurício: " Verdade, eu também já chorei por besteira".
Jonas: "Vamos assistir Sonic, irmão?"
Maurício: "Vamos".

Eu alí achando a coisa mais preciosa, eles se consertarem tão rápido, lembrando que nossas mágoas fazem até aniversários, porque não relevamos que as pessoas às vezes cometem erros contra nós, mas continuam sendo nossos irmãos.

Delas é o Reino.

Dois lados da mesma moeda



Alguém viu alguma ditadura se instalar no governo Bolsonaro? Alguém viu o comunismo se tornar obrigatório no governo Lula? A depredação de Brasília foi um vandalismo sem tamanho, assim como a facada no bucho do outro, foi um crime sem precedentes.

A culpa da pandemia foi do governo? Claro que não, foi de quem não respeitou a quarentena e levou a doença para casa. A demora da vacina se deu por causa da liberação e tudo caiu na conta do presidente. O desrespeito com as famílias enlutadas e agressividade nas declarações sim, foi frieza e desumanidade de um homem que minimizou o problema e perdeu as rédeas da situação.

Eu trabalhei a pandemia inteira, não tive ajuda do governo e nada me faltou. Tomei a precaução de não aglomerar, tomei vacinas e usei máscara, não adoeci. Da mesma forma continuo trabalhando, sem ajuda de governo e nada me falta. Administro minha vida como sempre foi e quero para mim o mesmo que quero para quem me emprega.

Os escândalos de desvios continuam sendo marca do governo Lula? Só cego não vê. Mas para o pobre, que pagou 30, 40 reais num pacote de arroz, paga menos de 20 com sorriso no rosto. Vamos viver só de bolsa e cotas? Não. Se as políticas não forem para todos, o trabalhador vai trabalhar onde? No lugar de 4 funcionários, serão 2 sobrecarregados.

Para os religiosos e conservadores da sociedade, basta a tríade Deus/pátria/família, um versículo decorado e uma enxurrada de fake news. Mas qual vertente realmente favorece órfãos, viúvas, estrangeiros e desfavorecidos? Quem prima pela igualdade nas oportunidades dos cidadãos? De que lado o cristão está? De que lado Jesus estava? Dos marginalizados ou da elite conservadora?

Querendo ou não, Ele preferia se assentar com pecadores do que com a raça de víboras que cumpria a Lei mas negligenciava no amor, na justiça e na misericórdia. Disse que as putas e cobradores de impostos precederiam os religiosos opressores no seu Reino. "Ah, mas o Lula é ladrão." Acredita que até o ladrão foi perdoado, mas os hipócritas não? 
Só ilustrando que se for analisar à luz do Evangelho, até o bem mais precioso que o homem recebeu de Cristo foi de graça, sem meritocracia humana. Então porque incomoda mais ver um pobre recebendo ajuda do que ver que às vésperas do Natal, tem gente cortando sandálias havaianas pra ninguém reutilizar?

Nem Lula e nem Bolsonaro são demônios como os binários pintam. A histeria se vê nas redes onde qualquer assunto vira ofensa dos dois lados. Ninguém quer uma visão panorâmica das coisas, ninguém quer se posicionar com inteligência, apenas confundem o governo com times de futebol, escola de samba, sem se dar conta de que enquanto perdemos amigos e nos afastamos de parentes, de todas as maneiras o brasileiro continua se contentando com pão e circo, enquanto paga seus impostos.
 
A verdadeira moral vem do respeito, o verdadeiro valor é ter empatia. O escândalo é não amar ao ponto de ofender o outro por causa de pontos de vista diferentes. Uma coisa é dialogar, outra coisa é se sentir dono da verdade. Tem gente inflamada dos dois lados mitificando dois homens comuns.

Todo fanatismo é cegueira, todo extremista é massa de manobra. As pessoas chegam ao absurdo de vibrar por uma facada ou por uma chacina de marginais. Primeiro a torcida, depois a vida.

Ainda somos um país só, privilegiado em tantos aspectos, mas com um povo tão médiocre, tão mirim e tão manipulável em sua maioria... Duas metades e uma boçalidade só.

Defender pontos de vista é saudável, ok? Pisar em pessoas com ou sem chinelos não.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Cada hora um surto novo



Ah, gente, basta um pouquinho de noção pra não querer fazer parte dessa idiotização em massa. Que adoecimento coletivo é esse? Será sequela da pandemia? 

Cultura do boicote conservador antes tinha cunho religioso, agora é político, acho tudo isso tão mirim, tão massa de manobra, tão broxante... Não quero fazer parte desse beabá, parece birrinha de criança do pré primário, não sou fantoche nas mãos de ninguém, quanto mais de ideologia política, meio podre onde o sujo vive de apontar o mau lavado. 

Bem disse Jesus: deixa os mortos enterrarem os mortos, meu Reino não é deste mundo. Fui!

Oposto do amor

O contrário do amor não é o ódio, nem indiferença.

Quem odeia alguém, tem fixação nesta pessoa, gasta tempo pensando, investindo, acompanhando o que acontece, é tão fissurado quanto alguém apaixonado.

As pessoas costumam dizer que o contrário do amor é a indiferença, o tanto faz que invisibiliza o outro. A inexistência de alguém é algo que traduz a distância, quando quem ama quer estar perto. Mas por trás da falta de interesse no outro, há o excesso de si mesmo.

O que esquecem é que amor não é sentimento, é essência de Deus em nós porque Deus é amor. Quem está nele ama, sem acepção, sem endereço, sem rosto mesmo. Amar é se doar, dar de si em favor do outro, assim como Jesus fez no ápice do amor.

Você ama o próximo, o distante, o desconhecido e até os inimigos, quando lhe dedica quem você é, o que sabe, o que pode fazer, quando prioriza alguém em detrimento do seu próprio ego, sua vontade, seu desejo.

Ama quando compartilha, quando alimenta, quando remedia, quando deixa de se atender para atender quem precisa mais que você.

O contrário do amor é o egoísmo.
O egoísta é aquele que não se importa com o outro, porque está ocupado consigo mesmo. Se prioriza sempre, se serve e passa por cima de qualquer um para atender a própria carne. 

O que assimila a essência de Deus e por Ele é conhecido, é o que se dispõe em favor do que tem fome, tem sede, está preso, está doente, está só, está em apuros, está precisando ser salvo em alguma área da vida.

O homem em Adão tende a negar a Deus para atender a própria demanda. O homem em Cristo, embora a carne milite contra o espírito, experimenta a renuncia em favor do próximo, porque a essência que transcende de Deus, emana em todas as direções.

O contrário do amor não é ódio, nem indiferença, mas o egoísmo. Quem quiser seguir Jesus, vai ter que primeiro negar a si mesmo, deixar de se enxergar como o centro do mundo, para conseguir ser amor.

domingo, 21 de dezembro de 2025

Você no universo


 
O Corpo funciona como uma extensão do outro. Fisicamente, somos uma coisa só, uma matéria só. Pra melhor entender, pense que com a mesma facilidade, um corpo passa ao outro tanto doenças, quanto consolo num abraço, quanto prazer na cópula. Uma carne se completa na outra, uma carne continua a outra como uma imensa corrente. Calor humano é acolhimento e a ausência dele, causa muita dor. Sentimos falta desses encontros, mesmo que venham com atritos, pois são mesmo os toques que vão aparando nossas arestas. É necessário que o corpo esteja se relacionando com outros, experimentando por meio dos sentidos, aquilo que a natureza traz como testemunho da criação.
 
A Alma já é mais seletiva. Um grupo pode conseguir acompanhar meu pensamento e assimilar parte do que quero transmitir e pra isso é necessário afinidade. Mas um não pensará exatamente como o outro, porque as questões que movem um ser, não são idênticas para todos. Vai depender da história, da experiência de cada um. O raciocínio é independente, mesmo que o laço de afeto exista, mesmo que haja um bom diálogo. Aprenderemos algumas coisas juntos, mas cada um perceberá a vida a seu modo. Concordamos, divergimos, discutimos, queremos prevalecer com nossas ideias. Nos unimos à um por laços de afeto e nos afastamos de outros, de acordo com a "liga" que acontece ou não.
 
O Espírito não. É o religamento entre Deus e o homem. É particular, pessoal, exclusivo, completamente independente do que acontece com os outros. Do início ao fim, é você e Deus. Cada um avança em seu próprio ritmo e a liberdade para se ampliar, depende dos obstáculos e bloqueios que cada um forja para si. À medida que subimos os "degraus" nessa estatura que buscamos, vemos as coisas com mais clareza e nitidez, posto que mais achegados à Luz, todas as coisas são reveladas e nada permanece oculto.
 
O Evangelho realiza no homem, uma espécie de harmonização. Ninguém precisa escolher anular parte alguma, nem mesmo a carne, tão marginalizada. Um homem íntegro, não pode viver por aí sem seu corpo, não pode anular sua capacidade de raciocinar e não pode viver sem o impulso que o faz buscar a Deus, mesmo que ele não compreenda que o vazio que o consome, é justamente este canal partido.
 
O que a Boa Nova propõe, é que o homem chegue à um grau de crescimento, que o permite dominar seu próprio corpo para que não se deprecie e se destrua. Que ele consiga direcionar seus pensamentos e relações, de modo que o ego seja mortificado. Que ele possa assimilar tanto a revelação de Deus, que consiga avançar em amor. A revelação bíblica é uma espécie de educação, que possibilitará ao homem de boa vontade, deixar de ser semente para finalmente germinar, crescer e dar frutos.
 
A Eternidade é a assinatura do Criador, em sua criatura. É algo que nossa mente não assimila por motivos óbvios, mas que nosso espírito intui porque está estreitamente ligado ao plano global de Deus para a humanidade. Crescer, ampliar cada vez mais esse desejo, nos traz a consciência de quão ínfima é nossa realidade, de quão pequena é nossa perspectiva, quando estamos encerrados na condição humana. 
 
Mas à medida em que o Mistério se desvenda, se revela, se relaciona conosco, é possível entender o simbolismo bíblico, que retrata o homem na sua condição mais vil, mais egocêntrica, mais vazia do desejo de relacionamento com o Criador. Quando diante de uma única Lei, a infringe para que seu ego prevaleça. O homem diante da promessa de ser como Deus e conhecer todas as coisas, cobiça o poder, deseja usurpar um status que pertencia a Deus. E diante  da culpa se esconde, se envergonha e responsabiliza ao outro.
 
Se o primeiro Adão revela o homem em sua condição mais medíocre, Jesus faz o caminho inverso, negando sua própria vontade para acolher a Vontade do Pai, mortificando completamente qualquer raiz de ego, frutificando excelentemente o Amor e sendo Perfeito. Tendo todo poder se esvazia, sendo digno passa a maior vergonha que um homem poderia passar e sendo inocente, aceita em si a culpa dos homens.

Se o homem avançar à ponto de viver à partir do seu espírito, saberá se conduzir pelo Caminho, sem desviar nem para a esquerda, nem para a direita, até chegar à estatura do varão perfeito. Se viver à partir da alma, tudo o que terá será temporal e limitado à esse sistema. E se viver à partir do corpo, agirá por instinto e se destruirá.

Olhe para o Universo e perceba para que obra maravilhosa você foi chamado! Um dia, a Terra já foi sem forma e vazia... Em Cristo, faremos obras ainda maiores.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Onde foi parar?



A doutrina de igrejas cristãs foram tão deturpadas nos últimos séculos que é fácil entender quando Jesus disse:"Quando vier o Filho do Homem, achará fé na Terra?"

Basta observar o que as pessoas andam crendo e perceber o quanto da sã doutrina ficou pelo caminho, quando as pessoas estão separadas por placas denominacionais, reconhecendo apenas as pessoas do mesmo clube como "irmãos". 

O dom pastoral também ficou em segundo plano. Agora cada denominação tem seu próprio curso e provas de avaliação interna. Fica difícil associar ao que acontecia a Igreja primitiva, quando Jesus era o Bom Pastor e as ovelhas pertenciam a vários apriscos mas eram um povo só. 

A ideia de ser conhecidos como a comunidade dos que amam era comum e todos tinham prazer em dividir o que tinham para aliviar as necessidades dos menos favorecidos. Assim como no antigo testamento foi instituído o dízimo para alimentar quem não tinha terras e gado (sacerdotes, levitas, estrangeiros,  viúvas, órfãos, etc.) No novo testamento era hábito vender propriedades para que os apóstolos enviassem pessoas para pregar, socorrer necessitados e perseguidos. 

Hoje, quanto mais desprendimento, mais tosqueadas são as ovelhas, sempre ao som de extorções disfarçadas de privilégio. Aí de quem não concorda, facilmente são chamados de ladrões. Bancam o conforto de seus covis de salteadores, onde a comida que servem, engorda o ego e definha o espírito.

Tanto que na cabeça dessas pessoas, merecem mais que os de fora, porque em nome de Jesus, fazem isso e aquilo, tem usos e costumes distintos, estão num patamar acima dos relis mortais. Dá até para confundir com a doutrina espírita, baseada em merecimento. Você é abençoado porque cumpre o protocolo e não porque Deus é agraciador.

Onde ficou a verdade bíblica que afirma que ao homem não foi permitido julgar, porque condena a si mesmo? Somos incentivados a julgar situações e não pessoas específicas, mas esse povo parece que vive para apontar o dedo e lançar no inferno.

Não há um justo sequer, ninguém que agrade a Deus, por isso foi enviado o Filho, para que por meio de sua perfeição, fôssemos justificados nos méritos Dele. A caminhada cristã consiste em abandonar a crença em nós mesmos e ser cada vez mais parecidos com Cristo, se é que o reconhecemos como Senhor. Sem mérito humano, mas por meio do favor de Deus, é Graça.

Onde ficou a revelação em Cristo, que trouxe à luz tudo o que era sombra? Por que será que as religiões ainda continuam distribuindo suas listas de certo e errado e creditando ao homem a benção e a maldição? Jesus não levou sobre si todas as maldições? Por que fazer de fantoches quem é curto de entendimento, por que manipular a ignorância de quem tem preguiça de esmiuçar a fé que professam? No fim das contas, continuam não entrando e nem deixando entrar, mas quem é culpado se cada um escolhe o líder segundo o ventre?

Onde foi parar a esperança dos que vivem pela fé de ser revestidos de uma nova natureza? Qualquer mazela no corpo já mina a fé, quanto mais um espinho fincados na carne.

É tanta contaminação que lendo a Bíblia e comparando com o que acontece hoje, não parece a mesma coisa. É muita fantasia, muito entretenimento, muita viagem na maionese, muita frieza e ilusão.

A gente só sabe que no final fica tudo bem, porque essa grande Babilônia vai ser lançada no Lago de fogo e enxofre, senão nem faria sentido mudar de Ordem de Aarão para Ordem de Melquisedeque. Se não fossem os remanescentes, seria melhor transformar o Adão em barro.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Ano novo



Este ano foi um marco para mim como fechamento de ciclos. Sabe aquelas situações que você vai empurrando com a barriga porque precisa tentar, faz de tudo para relevar, mas acaba se machucando para poupar outras pessoas? Pois é, acabou. Coloquei pontos finais em situações que se arrastam há anos. Consegui me priorizar em vários momentos, me proteger, cuidar de mim e do que é do meu interesse.

Não cabe mais aos 54 anos, engolir mais nem um sapinho sequer e olha que muita gente já me confundiu com brejo. Não, não quero mais ser caçamba pra jogarem seus lixos em mim. Não me sacrifico pra receber migalhas de ninguém, não me violento mais nem por um minuto. Quem quiser pertencer ao meu mundinho tem que ser necessário na minha vida.

Em 2026 completarei 55 anos mas já considero que estou entrando na terceira idade. Já não quero trabalhar tanto, só o suficiente para completar minha renda e se for preciso. Quero viajar a passeio por uns dias, faz tempo que não me dou esse descanso para a mente. 

Já diminuí bastante a quantidade de gente que não soma comigo e pretendo ainda filtrar muito mais. Muitos amigos caíram para a classificação de "conhecidos" mas em compensação encontrei antigos problemas e percebi que eles ficaram bem pequenininhos. Até sorri pra eles, conversei, me despedi e saí leve desses encontros. Evoluí, nem pareço aquela que ainda estava alí disponível mesmo com a faca fincada nas costas.

A crosta que a gente vai acumulando ao redor, tira a sensibilidade para o que realmente importa. Entendi isso faz tempo, mas estou permitindo quebrar isso aos poucos. Aliás estou quase no final porque me sinto bem mais leve e feliz.

Menos dinheiro, menos pessoas ao redor, menos tempo pra viver nessa terra, porém com mais vida em mim, mais tempo pra dedicar a quem amo, mais planos para descansar em outros lugares, esperança de fazer minha bariátrica, mas se não conseguir, vou continuar meu processo de emagrecimento até me sentir bem com meu físico, porque nem só de espírito viverá o homem rsrs.

Nesse réveillon não vai rolar uma praia pra começar o ano do jeito que gostaria, mas a água salgada vai acontecer durante o ano. Também quero ir até Nova Friburgo visitar uns amigos. Também quero viver cada vez com menos, estou me educando pra consumir só o que preciso e me desfazer de algumas coisas.

Enfim, todo ano que se encerra quero enterrar pessoas e situações, mas este ano quero isso com mais afinco, porque estou acabando, estou nas últimas décadas da minha jornada e daqui pra frente, só quero próximo o que floresça em mim.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O Mediador

"Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos."  1Timóteo 2:5

Embora muitas pessoas tenham veneração por outros cristãos que viveram antes deles, elevando essas pessoas ao nível de um mediador, intercessor, seja o que for, outros tem no seu líder religioso, uma "cobertura espiritual" que teoricamente libera o caminho até Deus. 

A mediação é algo que somente através da consumação da obra salvífica foi capaz de dar a Jesus este título. Ele é a religião, no sentido de religar o homem à Deus, não há outro que tenha o mérito necessário para fazer isto. Ninguém além Dele pode fazer esta ponte. 

Quando nos olha, Deus já não vê nossos méritos, obras, sacrifícios, investimentos, dedicação, nada disso. Mas também não leva em conta nossa deformidade, miséria, nudez; Ele enxerga CRISTO entre Ele e nós. O Mediador que nos religa à Deus.

Nada e nem ninguém pode acrescentar algo que contribua com o que já recebemos quando cremos. Dentro do tempo tudo foi consumado por Jesus homem, tornando objetivo o que já era subjetivo desde antes da fundação do mundo. É por meio desta fé que podemos ter livre acesso ao Pai, se estivermos em Cristo.

Fora isso, qualquer escultura, batina ou terno, só serve pra ajuntar poeira e ácaro. Música de fundo também não encurta o caminho. O justo vive pela fé.



quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

A fé cristã



Não é uma questão de olhar para o céu e imaginar que existe algo para além do que podemos pensar. É fato que o espaço intriga nosso íntimo com questionamentos. Pra que uma imensidão tão complexa se a vida estivesse limitada à Terra? Mas não é esse o ponto. A fé não tem nada a ver com nossa capacidade racional. Não é uma conclusão que se chega a partir do raciocínio, não vem através da lógica e muito menos por consequência em frequentar uma religião e cumprir uma religiosidade.

A fé vem pelo ouvir no sentido de dar ouvidos, acreditar na boa notícia, mas sobretudo lincar esta notícia com algo que vem por intuição. É como se antes já esperássemos por ela. É como se já houvesse plantado no interior, o embrião dessa esperança, que se desenvolve e cresce, quando ouvimos que houve um propósito desde a eternidade e que no tempo e espaço oportuno foi consumado. E que tudo caminha para ser o que Deus planejou.

Claro que tudo o que conseguimos pensar e crer, de alguma forma está contaminado de humanidade. Inclusive humanizamos Deus para encaixa-lo em nossos conceitos. O Eterno, infinito, ilimitado, transcendental não cabe em mentes tão medíocres. Logo, a humanidade de Jesus é tudo o que temos para através de suas metáforas, parábolas, alegorias, imaginarmos o que vem após a morte do corpo.

Não é olhando para fora, é algo que vem de dentro, onde o Espírito veio habitar. De lá sentimos que estamos sendo cuidados, conduzidos e aperfeiçoados. 

A fé não começa quando alguém levanta a mão, cumpre o protocolo religioso ou tem tempo de frequência em igrejas. Mas quando se percebe essa presença no interior, ao ponto de deixá-la governar nossa consciência. É como identificar que queremos duas coisas ao mesmo tempo, sendo que uma vontade luta com a outra. Carne e espírito já não são amigos e quando um é mortificado o outro prevalece. No caso de quem tem fé, embora a carne grite por satisfação, o espírito a subjuga.

Uma pessoa pode ser extremamente religiosa e não ter a mente pautada no Evangelho. Porque princípios e valores ensinados por Cristo tem a ver com a vida, as relações, os encontros em diversos ambientes e não apenas sentando para ouvir um líder ou cantar coisas que não se sente. Do espírito e em verdade vem a verdadeira adoração e nos encontros é que mostramos a quem pertencemos e obedecemos como Senhor.

Um ateu é uma pessoa extremamente racional, com dificuldade de viver pela intuição. Perceber que nem tudo é matéria e que algo subjetivo move tudo, é algo muito complexo para alguém que precisa encaixar as ideias em algo concreto e objetivo, aceitar que não está no controle de absolutamente nada.Tudo o que existe ao redor sufoca a intuição e raciocinar se torna mais seguro do que apenas sentir. Para eles a fé é uma invenção do medo da finitude. Mas é o contrário, viver pela fé é justamente descansar que algo muito maior está no controle de tudo. É justamente entender que nada corre risco de dar errado porque tem propósito. E que com o fim da carne, há algo que permanece e é este algo que realmente vale a vida.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Céu e inferno

Céu e inferno não são lugares, são dimensões onde a alma se dilui. Uns na adoração do próprio ego, buscando se servir mesmo que atropele o direito do outro, uns abrindo mão de si mesmo para ser com o outro e ambos em Cristo, se servindo mutuamente, unidos por laços sinceros de amor. 

Um alcança o inferno por identificação, o outro alcança o céu por essência. Um vive a perdição desde agora. O outro entra no descanso desde agora. Um caminha desnorteado, o outro tem Cristo como norte, como destino, como primogênito de muitos.

Muitos não entendem que fogo, ouro, luz e trevas são linguagem para a mente, metáforas que comunicam ao espírito o terror e o gozo. Mas o que o espírito experimenta através do egocentrismo ou cristocentrismo, é o que aniquila ou nos completa não num tempo futuro, num espaço físico que ainda virá, mas na transição entre a carnalidade e a espiritualidade.

Enquanto a velha natureza se deteriora, a nova já vai sendo edificada. Enquanto o homem se despe da obrigação de se atender, se veste de empatia e misericórdia. Enquanto uns escolhem um abismo após o outro, outros se descobrem sedentos por águas vivas. Enquanto uns rodeiam o próprio umbigo e correm atrás do vento, outros ajuntam tesouros incorruptíveis. Enquanto uns vivem como se jamais fossem prestar contas, outros sabem que a Graça é melhor que a vida.

O que Deus tem preparado nossa limitação impede de assimilar, mas toda alma sabe para onde está indo. O atormentado atormenta e o abençoado abençoa. O sujo continua se sujando e o limpo continua se limpando. Desde agora cada um está se definindo.

Mamon

Quando penso que a verdade é gratuita, que a Graça de Deus é dom gratuito e imerecido, que a fonte de águas vivas jorram de dentro de quem verdadeiramente recebe a verdade, que o preço do nosso resgate quem pagou de uma vez por todas foi Cristo, quitando a dívida, que só é permitido dar de graça o que de graça recebemos.

E como se não bastasse tudo nos cultos religiosos rodearem contribuições, arrecadações pra isso e aquilo, músicas feitas especificamente para o mercado e principalmente para agradar o gosto do cliente, objetos de tudo que é jeito, roupas e afins direcionado ao público religioso, agora também charlatões de todas as espécies vendem congressos, imersões, encontros, retiros, cursos, legendários, etc. Onde se comenta 10% de Bíblia e o resto é lavagem gospel pra engordar a carne e definhar cada vez mais o espírito.

Onde seguir a luz artificial é tão cegueira quanto viver em trevas. Onde todos dizem Senhor, Senhor! Sem contudo ser "conhecidos" por Ele, porque a essência é outra e é estranha.

Mas as pessoas querem pagar, querem dar o sangue, querem ser escalpeladas, querem sentir que de seu próprio esforço pagaram pela salvação e mudança de vida. Só não mudam a mente, só não experimentam a metanoia, só não tem descanso em Cristo, só não vivem a leveza de ter a consciência pautada nas promessas de quem é fiel para cumprir. 

Gostam do engodo, gostam de ser massa de manobra, gostam de ser feito de comércio, gostam de comida podre.

O que fazer então? Que cada um seja deixado à própria sorte, até que realmente se converta, até que não sobre pele pra ninguém mais arrancar e do fundo do poço descubram que nada disso era necessário, que bastava comer e metabolizar as palavras de Cristo que são Espírito e Vida, para viver a vida abundante e suave que Ele disse que viveríamos.

Sabe porque as pessoas rejeitam a Cristo? Porque Ele é acessível. Não lança ninguém fora e ninguém nos arrebata de sua mão. As filas e disputas são para pagar a dopamina dos viciados.

Mamon reina nesse meio.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

O principal dos pecadores

Cada um recebe segundo suas próprias possibilidades. A conversão de ninguém é padrão para todas as pessoas, até porquê quem conhece o interior de cada um é aquele que sonda corações e rins.

As capacitações, a percepção, a vivência de cada um é diferente. Deus age e alcança de maneiras diferentes, respeitando o alcance de cada pessoa.

O chamado da fé, é uma convicção que entra na alma do homem, fazendo com que ele consiga experimentar coisas espirituais discernidas pelo espírito. Mas nem todos suportam a mesma coisa. 

As dinâmicas que acontecem dentro de instituições religiosas, podem satisfazer a muitos, outros por algum tempo, alguns precisam de comidas mais sólidas, experiências mais profundas, relacionamento mais estreito.

Muitas vezes a mesmice do aquário só faz limitar o que as pessoas poderiam conhecer e viver. Às vezes é necessário romper as barreiras, furar a bolha, viver realmente nossas escolhas, assumir quem somos, para que caiam as escamas dos olhos e chegar à mesma conclusão que Paulo. Todos nós devemos nos ver como o principal dos pecadores.

Um exemplo é a parábola do filho pródigo. Ambos são filhos, um se perde no mundo para se encontrar, se enxergar, voltar reconhecendo que nada merece, enchergando com Graça o amor do Pai.

O outro está perdido do lado de dentro, crendo nos próprios méritos, odiando a experiência do irmão, ofendido por receber o fruto de seu cansaço, julgando até a bondade do Pai. Perdido porque não se enxerga, perdido porque não alcança a dimensão do que acabou de ver. Vive com o dedo em riste, infeliz e invejoso.

Cada um enxerga por um prisma e vive as próprias escolhas. Um aprende a servir por gratidão, o outro se vê injustiçado.

Na limitação almática do povo judeu, não reconheceram a revelação do Filho consumando o que estava proposto. Sem lei alguma, nós os gentios experimentamos o novo e vivo caminho e herdamos a fé. Pessoas de outras culturas não conhecem o Jesus histórico, mas Deus se revela na pessoa de Cristo onde quer, segundo a Ordem de Melquisedeque, eterna e atemporal. 

Muita gente vai se ofender com o amor e a bondade do Pai, mas e daí? Os filhos continuarão sendo filhos, amados e esperados para serem recebidos com festa, independente de merecimento. Quem sonda é um só.

Minha conversão foi dentro da minha casa, num momento de esvaziamento de mim mesma. Ninguém tocava música para me persuadir, ninguém fazia apelo para me intimidar, ninguém segurou no meu braço para insistir. Apenas Deus e eu, por testemunha meu bebê de 10 meses. Não teve mão levantada, teve corpo sem força no chão e alma entregue.

Aqui estou quase 34 anos depois, desinstitucionalizada e firme na minha fé. Mas reconheço que algumas pessoas são tão mirins que se ouvirem toda a verdade, morrem. Sem as paredes e regras não sobra nada. Sem a estrutura de pedra já não sabem quem são.

O que sei é que o joio não se transforma em trigo nem rápido e nem devagar. E muitos se desviam da sã doutrina porque buscam líderes segundo o próprio ventre. 

Quem busca sabedoria, encontra. Quem deseja a pessoa de Cristo, vive verdadeiramente livres. Quem anda na prática do amor, recebe mais e mais o tesouro que permanece. Quem se esvazia de si, se torna luzeiro para o caminho de muitos.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Cinquentenário


Faltou um amigo leal, reciprocidade, comprometimento, presença, afeto. Mas sobrou da minha parte entrega, interesse, cuidado, disponibilidade.
Faltou na labuta o reconhecimento, gratidão, compromisso, empatia. Mas sobrou da minha parte esforço, superação, ouvidos, conselhos, apoio, alegria nos nascimentos e tristeza nas mortes, coleção de histórias, amizade unilateral, paciência, tolerância.
Faltou um companheiro, amigo e amante, empenhado em fazer dar certo. Mas sobrou da minha parte tentativas, dedicação, perseverança e perdão. Por outro lado preferi ter independência, liberdade, paz , amor próprio e auto cuidado.
No fim das contas sobra muito mais do que falta, ganho muito mais do que perco, dou muito mais do que recebo, aprendo inclusive que valor, amor e respeito, é a gente que se dá, porque só doa de si, quem tem para dar.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Conversão

Senhor, eu estava tão angustiada,
Sozinha, desempregada,
Doente, um filho pequeno e a alma no breu
Eu chorava sem esperança,
Lembrei que quando criança,
Fui livrada de morrer por um prodígio seu

Se era para viver assim,
Por que operou um milagre em mim?
Não seria bem melhor nem ter nascido?
Se até aqui fiz tudo errado
Então esquece meu passado
E faça agora o que quiser comigo 

Se morrer será libertação 
Mas se viver transforma meu coração 
Minha vida agora é toda sua
Eu só quero ser cuidada 
Por favor, estou prostrada
Faz de mim o que quiser, me reconstrua

E então a Graça me alcançou 
No pó do chão me resgatou 
Por testemunha só o meu neném 
Num longo processo me fez crescer 
Me deu clareza para entender 
Que até a dor coopera para o bem 

No mesmo dia alguém me procurou 
Trazendo a Bíblia me evangelizou
Orou por mim e alimentou minha fé 
Curada no corpo e na alma
Pude experimentar a calma
De pertencer a Deus restaurada, de pé.

Foi assim, sem mensagem, sem trilha
Sem iniciação na família 
Apenas uma decisão pessoal
Sem vínculo com religião 
O Senhor me ergueu do chão 
Para ser dele até o final.


Sobre a ilusão



Há dez anos não estou inserida em um rol de membros e para mim isto significa apenas que não quero estar institucionalizada, mas desvinculada da ilusão de pertencimento onde a dinâmica já não satisfaz.

Para mim não é Evangelho, chegar num lugar e encontrar sorrisos e abraços, tapinhas nas costas e cordialidade superficial, de gente que na verdade não se envolve com sua vida, não quer saber o que você vive, o que sente, as dificuldades que passa, se chora, se ri, se come, se é crente, contando que não falte nas programações da religião, tá tudo bem.

Ora, canta, repete o que mandam, ouve um sermão tecnicamente construído, cumpre uns rituais e vai embora se sentindo santificado até a próxima sessão de dopamina artificial.

Experimenta sair desse ambiente pra você constatar o que constatei. No início te chamam pra tudo, porque tem esperança que você volte e continue aceitando o cabresto. Depois, se você permanecer firme na sua decisão, recebe a placa de desviado e passa a ser visto como uma ameaça, um perigo .

Sou um tipo que nunca me envolvi com conversa fiada, chegava demonstrando meu afeto por todas as pessoas. Abraçava a todos, tinha o sorriso fácil, conversava e brincava, mas também era firme nos meus posicionamentos. Era respeitada como cristã, nunca tive nada que me desabonasse, até porquê construí o respeito das pessoas à duras penas, porque o preconceito precisou ser desconstruído. Uma mãe solteira, que constrói uma casa e se mantém, cria filho, nunca precisa de nada, é algo que destoa da "perfeição" daquele seleto grupo. Mas consegui, me ouviram e contribuí até certo ponto. 

Surpreendi algumas pessoas quando quis me desligar, alguns verbalizaram, outros apenas oraram por mim, eu mesma vivi o luto porque inaugurava uma nova versão de mim mesmo, deixando uma história para trás e isso dói. No início ainda era confuso, porque eu me sentia ligada a essas pessoas. Eram uma família que eu não queria perder, mas para eles eu só tinha valor se estivesse no clube. 

Com o tempo, o vínculo virou distância, os sorrisos viraram frieza, o amor deixou de existir, a companhia deixou de ser valiosa. Quando se reúnem já não me incluem, se eu convido ninguém vem. O que falo causa terror, pode ter a coerência que for, sempre um leigo vai entender e me procurar, jamais um evangélico.

O que parece família é um jogo de interesses, o que parece um povo que vive a Graça de Deus é um teatro de manipulações, o que vivi durante décadas não passou de uma grande ilusão, um devaneio que projetei por algum tipo de carência. Verdade é o que vivo hoje, devagar e sempre.

Nem sempre é fácil, sozinha eu sempre fui, mas achava que não. Agora, se eu não arregaçar as mangas, ninguém faz minha parte. Mas a desilusão é infinitamente melhor que a ilusão, porque sei o que me espera e sei em quem espero.

A verdade não é tão sedutora quanto o espetáculo forjado para iludir, mas é de fato compromisso com o Evangelho, na caminhada, de dentro para fora, consciência pautada nas palavras de Cristo, num mundo que não é simpático conosco, mas o olhar está adiante, na esperança.

Não me distraío com entretenimento para a alma, não perco tempo observando se estamos ensaiando o suficiente e nem preciso viver o esteriótipo da religião. O melhor de tudo é que não estou mais sozinha nessa forma de viver a fé. Às vezes aprendo, às vezes ensino e vamos crescendo para a glória de Deus, que sempre termina o que começou em nós.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Acolhei ao débil na fé

Nem todo mundo enxerga com a mesma clareza, nem todos assimilam a liberdade. Pode imaginar um recém nascido comendo um prato de feijoada? Ou um banguela comendo comida crocante? Não, tem tempo pra tudo debaixo do Sol.

Um acha que o lugar que frequenta é místico, que seus rituais o aproximam de Deus. Acham que viver em função da religião é o caminho certo, separar o dia santo agrada a Deus. 

Outro entende que sagrado é o templo de carne, onde o Espírito escolheu habitar. Que na graça não há homem, nem mulher, nem escravo, nem livre, todos estamos no mesmo patamar de pecadores alcançados pela misericórdia. Um é com o outro e todos em Cristo, sem hierarquia, sendo todos conduzidos pelo mesmo Pastor e Senhor. Assim mesmo sem placas, sem rotina, sem orgulho de pertencer a nada terreno, mas pertencendo a pátria celestial, cidadãos do céu, cujo governo é de UM só.

Não estou aqui para discutir opiniões, até porquê eu já estive nesse processo de depender das dinâmicas evangélicas e não foi de uma hora para outra que deixei de ser menina. A revelação vem na medida que a alma suporta e é assimilada aos poucos. É como um balão inflando e indo embora com o vento, pode até ficar vulnerável, mas cumpre o propósito para o que foi criado. 

Penso para fora dos portões, porque Deus criou relacionamentos e não instituições. Evangelho não é um conjunto de regras, mas um modo de viver. Jesus é a Porta, não as religiões.

"E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta.
Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério."
Hebreus 13:12-13

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Sempre só

Fui só quando não sabia brincar 
Mas tentava ao menos estar 
Rodeada de música e gargalhadas 
De alegria e interações 
Eu ali observando, sem conseguir ser
Despercebida, nos cantos, disfarçada 

Fui só todas as vezes que amei 
Mas não troquei senão fluidos 
Minha entrega foi inteira 
Mas à minha maneira, sem perder o sono 
Nunca o suficiente para continuar 
Sempre as traições e abandonos

Fui só entre as multidões 
Entre o raso das religiões 
Caminhei meio sem cor
Entre entregas e paixões 
Daqui eu tentava me doar
De lá só queriam censurar

Fui só na beira do caminho
Sem ser destino de ninguém 
Por mim passaram sem ficar
Sem me acompanhar também 
Sozinha na maneira de enxergar 
Peregrina para uma terra mais além 

Seguindo sem conseguir me encaixar 
Cansada de nunca pertencer 
Descartada tantas vezes sem tentar
Me importando nem sei por quê
No profundo estarei só para pensar
Nas alturas estarei só para entender 

sábado, 6 de dezembro de 2025

A árvore e seu fruto



Aquele que não tem o Espírito de Cristo não é dele. Como saberemos? Pelo fruto conhecemos a espécie da árvore. E que fruto? O fruto que o Espírito de Cristo produz onde habita.

Certa vez o pastor que estava liderando a igreja evangélica que eu frequentava, estava dando um estudo bíblico sobre o fruto do Espírito e falou sobre o processo que o crente enfrenta depois que se converte, que uns tem tal qualidade do fruto, mas não tem outra, que o fruto tem 9 virtudes, etc e tal.

Meu entendimento é o seguinte: não há processo algum para quem se torna um ramo enxertado na boa Oliveira. Há sim, jambuzeiro bravo se dizendo cristão, conformado na religiosidade, porque se está em Cristo, a seiva que circula nele é o amor.

Que tipo de processo um crente deve sofrer para ser amoroso, alegre, pacificador, paciente, fiel, bom, benigno, manso e se dominar? Se guardou as palavras de Cristo, que são espírito e vida, não tem como ser perverso, infeliz, rixoso, murmurador, traíra, ruim, maligno, violento e descontrolado. Se assim é, não entendeu nada e nem vive pela fé.

Toda a caminhada cristã consiste em sair da condição de Adão, que priorizou seu desejo de ser igual a Deus, para formar Cristo em nós, de forma que sua mediação, nos religue a Deus. O preço foi pago para nos dar verdadeira liberdade, que é fazer a coisa certa. Não vai cair do céu uma chuvinha de virtudes, mas se enxergar com honestidade e saber quem somos em Cristo, já inicia a metanoia.

Porém, homem nenhum está completamente pronto, nem aos 20, nem aos 80. Seguiremos sendo aperfeiçoados nos encontros, nas relações, no meio de cada circunstância. Mas o processo da santidade precisa estar acontecendo.

Processo é para ser santo, separado para o uso de Deus, porque abdicar do nosso próprio ego é nosso maior desafio. Mas Jesus disse que esse desejo é o primeiro passo para quem quiser segui-lo, negar a si mesmo. Por que? Porque ninguém ama ao próximo como a si mesmo, se antes se priorizar. Meu direito não deve passar por cima de ninguém. Quando alguém tem alguma necessidade e precisa de mim, preciso ser disponível e fazer ao próximo o que quero que me façam. Se vejo o outro como parte de mim, evito muitos problemas.

O fruto não, porque o Espírito já veio e já frutifica no que crê. E se não frutifica? É porque o terreno não é fértil. Conhece a parábola do semeador? Pois é, em solo rochoso, em espinheiro e em terra rasa não cresce o fruto, não acolhe a revelação.

Mas na religião, basta ser um frequentador assíduo, mesmo com uma carranca de fariseu. O fruto de suas virtudes, é mero detalhe. Mas e para Cristo? Para Ele há a direita e a esquerda, o grupo dos que são e o grupo dos que pensam que são. Os que são conhecidos e os que nunca foram conhecidos, mesmo enchendo a boca pra chama-lo de Senhor.

Para aquele que se alegra com a boa nova e recebe o selo que o identifica como lavado e remido, é enxertado no ramo e não tem outro destino a não ser glorificar a Deus com a vida, refletindo a pessoa do Filho.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

O que quero

Não quero ser contada com um povo que nada questiona, que apenas engolem um discurso mastigado e obedecem. Não a Deus como Senhor, mas a homens que se intitulam liderança depois de concluir um curso ministrado por outros homens, que apenas perpetuam o que também engoliram 

Não quero ser contada com um povo que acha que encontrou o único caminho certo, porque a grande Babilônia aprisionou pela culpa e pelo medo do castigo eterno. Um pertencimento caro demais, castrador demais, transformando a boa notícia num decreto de nova escravidão.

Não quero ser contada com um povo que não cresce, que não busca sabedoria e discernimento para ler e entender. Meninos imaturos precisam de certas dinâmicas, adultos não. E Deus quer filhos autônomos que sejam testemunhas de Cristo, que o reflitam e falem em seu nome, com a liberdade do vento, sem cabrestos imaginários.

Não quero ser contada com um povo que aceita e decora a cartilha e cumpre as agendas, mas não tem compromisso com a vida de quem perece, nem se envolve com quem está fora dos domínios de sua religião. Um povo que fala de Cristo sem amar como Ele amou e ama.

Quero ser contada com os odiados pelos que seguem o curso do mundo, religiosos ou não. Quero estar com os perseguidos, os desacreditados e humilhados por causa de Cristo. Quero ser exposta como Ele foi por não ter ego para ser ferido. Quero ser contada com os que julgam a vida menor que a Graça. Os rejeitados que recebem a pena mesmo sem ter culpa, porque todo escárnio nesse lugar, vale a recompensa de reinar com o Eterno.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

O inferno

Segundo o livro de apocalipse, o inferno foi criado para encerrar o diabo e seus demônios e tudo o que a eles pertence. Mas segundo a própria revelação, este inferno será lançado no lago de fogo e enxofre, se extinguindo.

O que a religiosidade faz quando humaniza Deus, faz também com a eternidade, que na ideia humana, é um tempo linear com início e sem fim, ou seja, a pessoa que imagina o inferno, lugar de completa desolação, se desespera de medo de ir para lá, então não importa o que se diga, o religioso está com os pés fincados na religião que diz que se ele permanecer debaixo desta estrutura, ele estará seguro e protegido de tudo o que há no mundo, que possa roubar sua credencial para o céu.

Deus não lança ninguém no inferno, antes enviou o Filho, para dar esperança de redenção à quem vive seu próprio inferno, sua sepultura, seu lugar de escuridão, seu lugar de dor e desolação. Jesus transporta das trevas para sua Luz, todo aquele que ouve sua voz 

Um tempo sem fim, é infinito. Eterno é algo sem tempo. Sem início, meio, fim, cronologia, ordem pra acontecer, tamanho, é algo que não conseguimos visualizar com nossa mente temporal. Algo elástico, que era, é e será para trás e para a frente, simultaneamente e constantemente. Não assimilamos porque somos limitados, mas Jesus estava no princípio da nossa cronologia e estará no final, sendo que o tempo só existe para nós. Logo, não deve ser nossa preocupação, o fim do inferno e dos que a ele pertence. Não deve ser o medo do inferno que nos leve a aceitar engodos como se fossem Evangelho.

O inferno de cada um acontece hoje em determinado momento de escuridão e dor. Eu já estive sepultada em vários momentos da minha vida, engolida pela dor de existir. 

Certa vez sofri um aborto espontâneo e segurei na palma da minha mão o filho que já imaginava até o rosto. Estava morto alí e a dor foi tanta que  cheguei a pensar em colocá-lo de volta por onde saiu. A sanidade ia e vinha, ao mesmo tempo que cogitei essa loucura, entendia que Deus sabe porque isso se deu. Foi um dos meus momentos no inferno, mas de lá Deus me resgatou para um outro momento de descanso em seu colo.

Pecado é nossa condição. Deus sabe que somos pó. Não é isso que nos afasta Dele, ninguém vai para o inferno por ser pecador. Quem for, se é que alguém vai, será por escolha própria de não querer pertencer a Deus. Tem que ser um demônio em vida, tem que odiar o Criador com tudo o que é. Não tem nada a ver com quem erra não querendo errar.

A ideia de fogo, enxofre e bicho comedor de carne é inspirada no Geena de Israel, onde lançavam lixo e corpos para queimar. E como toda parábola, Jesus usou o que era palpável e conhecido para que alguns alcançassem espiritualmente as coisas espirituais.

Deus mesmo é fogo consumidor quando julga, nossas obras serão queimadas e só os tesouros incorruptíveis sobrarão. Se nem isso o homem consegue entender, por que viver assombrado com a ideia de um castigo sem fim, num lugar horrendo, para seres destituídos, ao invés de simplesmente se alegrar por ter sido alforriado e viver pela fé na promessa de ser eterno em Cristo?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Nova natureza


Quem nasce do Espírito, ganha o dom de enxergar o que é transitório, ínfimo, circunstancial, porque tem o olhar na eternidade, no que permanece, no que realmente importa, atravessando a vida e suas dificuldades, com uma esperança muito maior no que sabe que em breve virá.

Deus ensina a contar os dias, mas não como aqueles que não sabem para onde vão e vêem a finitude do corpo como algo desolador.. 

O olhar do filho é de um peregrino atravessando o deserto, mas com a certeza de chegar no destino, para uma "terra" prometida, onde há de fato a plenitude.

Gratidão Senhor pelo dom da vida, pelo dom de amar, pelo dom de saber esperar em Ti.

Conforme a velha casa vai se deteriorando, a nova natureza vai sendo edificada, de forma que só fica o que é real e verdadeiro.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Soberania e amor

A igreja evangélica em sua grossa maioria, tem utilizado o nome de Jesus para atrair um povo que não busca exatamente o Evangelho, mas uma forma rápida e fácil de se estabelecer nesta vida, de se livrar dos problemas, de driblar a vulnerabilidade física e de subir o patamar da raça de privilegiados. 

Assim, elegem para si líderes que massageiam o ego, enquanto as bênçãos de Deus viram moeda de troca, mediante a barganha, onde quem dá mais, tem muito mais chances de ser contemplado com um ato de misericórdia. Muito nojo, muita carnalidade em nome de Deus. Muito alimento podre, que ao passo que enchem o estômago, contaminam e adoecem todo o resto, afastando da verdade, àqueles que se dizem sacerdócio real.

Um servo diante de seu Senhor, não tem o poder de persuadí-lo à fazer sua vontade. Em se tratando da Soberania de um Deus que criou cada coisa com seu propósito e decretou desde a eternidade, o tempo certo para que cada coisa fosse consumada na história, é possível alcançar o grau de infantilidade estabelecida no meio cristão, onde se crê que uma oração tem poder de mudar os desígnios de um deus inseguro, que pra mudar o próximo capítulo da história de alguém, este alguém deve dar as coordenadas numa oração determinada.

Desperta, você que é Igreja! Não podemos mudar o que Deus estabeleceu desde os tempos eternos. Ele não lançará mão do que Ele mesmo designou. Sua vontade é imutável, tanto quanto Ele mesmo é imutável.

Humanizamos Deus e o diminuímos para que caiba em nossos conceitos, tornando-o tão medíocre quanto cada um de nós, que mudamos nossos desejos, conforme a oscilação das nossas próprias emoções. Buscamos algo hoje com tanto afinco e amanhã precisamos de uma outra motivação para continuar vivos. Hoje queremos o que amanhã repelimos.

O fato do homem querer, não faz com que Deus queira e não parte do homem a diretriz de como Deus vai governar a vida. Não é o homem quem escolhe o caminho por onde Deus deve conduzí-lo. Não existe Soberano que se sujeite ao servo.

O deus deste século, está disposto a se sujeitar à inconstância do homem que criou e obedecer ao servo, para não correr o risco de ser abandonado. Ver filhos frustrados, deve colocar este deus em crise existencial, por isso atende a todos os caprichos dos evangélicos mimados.

Pela linha religiosa, não vamos a lugar algum, antes retrocederemos até virar amebas cumpridoras de dogmas, rituais e estatutos humanos. O mais sábio é voltar à Bíblia e compreender que no chão da vida, nas contingências, percalços, insegurança dos problemas, dores e decepções, se cresce e se amadurece no crescimento em amor, fé e esperança.

Enquanto há esperança, há vida. O justo vive pela fé, porque está com os olhos fitos naquilo o que espera e o motiva a não desviar do alvo, que é Cristo, o mesmo que nos garantiu que teríamos muitas aflições neste mundo.

Embora nosso amor seja imperfeito, porque esbarra nas nossas limitações humanas, é por meio dele que seremos aperfeiçoados, de forma a continuar confiando em meio ao que estamos sujeitos nessa vida. É neste sentido que nossas aflições nos tornam seres melhores, porque passamos por elas, guardando a esperança Naquele que venceu o mundo.

Deus, que é amor e sabe o material de que fomos feitos, conhece nossas estrutura e sabe quando deve nos socorrer para que não sejamos tragados pela frieza e falta de fé. Ele nos socorrerá no devido tempo, para que não o conheçamos apenas de ouvir falar, mas como a um Pai que se relaciona com os filhos em amor.

Viveremos momentos de tristeza, inquietações, dores e desestabilizações, mas não perderemos a esperança em Cristo, pois as provações nos filhos, produzem sempre a perseverança, experiência e mais esperança. 

Tão certo como vive o Senhor, cada dia trará o seu mal. E tão certo quanto as aflições chegarão, também nossa esperança nos manterá firmes, confiando em Cristo.

Não, eu não sei o que é bom para mim. Talvez o que eu chame de solução para meus problemas, me faça sucumbir no meio deles até perder as forças. Assim, esvazio-me da minha vontade e descanso em Deus, que me viu antes da fundação do mundo e sabe do que de fato preciso.

Fonte inesgotável


João 7. 38  "Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva"

Águas vivas em Israel era sinônimo de água corrente, a melhor água em meio ao deserto. Água propícia para gerar vida, renovação, no contexto da fé, saúde espiritual. 

Jesus disse à samaritana, que a fé Nele, produziria nela um mover que nasceria de dentro e fluiria para fora, gerando vida e renovando quem fosse alcançado. 

É o Espírito no espírito, gestando graça e dom.

Quem ama o Evangelho e ama ser testemunha do Salvador, sabe do que o texto está falando. Palavra que jorra e muda vidas, fonte inesgotável de sabedoria e amor. 

Louvado seja Deus, por tão grande favor!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

01/12


Nas suas mãos Deus me colocou para ser cuidada, educada, instruída para a vida, consolada, suportada muitas vezes, amparada, enfim, amada. E você, apesar de nem sempre saber como agir, soube amar e cumprir seu papel de mãe da melhor forma que conseguiu. Sou muito grata a Deus porque aprendi a ser quem sou dentro da família que você construiu com meu pai. E até hoje somos unidos por causa dos seus ensinamentos. Você é minha grande saudade, mãe. Este dia será sempre lembrado como seu aniversário. Seriam 75 anos, você partiu tão cedo... A vida não é medida em tempo, mas em significado e você significou muito para nós com seus exemplos. Te amo pra sempre.