Pecado é tudo o que faz mal a si mesmo e ao próximo.
A religião proibe, mas não sabe explicar. Coloca apenas que Deus ama o pecador mas odeia o pecado, de forma que não tendo como se dissociar do pecado por condição, o homem vive o tormento de viver ameaçado pelo inferno e pela vingança de Deus, um ser que se ofende com o erro do que é feito de pó.
De novo: pecado é tudo aquilo que te impede de viver sua integridade, neste mundo completamente desintegrado.
O Evangelho é todo um caminho que parte da condição de egocentrismo conquistada por Adão quando desejou ser como Deus, na direção de Cristo o segundo Adão, que se negou para cumprir o que estava proposto, quando realizou a vontade do Pai e não a de sua carne.
Para atender ao chamado, é necessário negar a carne que milita contra o espírito, porque o espírito assimila o Espírito que é amor.
Portanto, o que atende o chamado do Evangelho ama e nega o Adão que tem na própria carne. Quando não se nega, se atende. E se atender é justamente pecar.
Quando deixado à própria sorte, o homem vive desintegrado, pecando deliberadamente porque não vê sentido no amor, que é essência de Deus. Amar é doar de si em favor do outro, ao passo que egoísmo é priorizar-se em detrimento do outro.
É esta essência amorosa que permite ao homem servir a Deus e aos homens, sem amor só sobra o ego da velha criatura, que passa por cima de qualquer um para se atender.
Pecar é isso, prejudicar a si mesmo porque é uma cegueira com relação às consequências e também prejudicar o próximo como se ele não fosse parte do todo como você.
Quando se ama o próximo como a si mesmo, tudo o que sucede a ele, nos atinge como se fosse em nossa própria alma. Quando o ego impera, nos priorizamos e negamos o próximo.
Por fim, Deus sabe o material de que somos feitos e nos ensinou através de Paulo, que nosso íntimo vive uma verdadeira batalha. E negar a si mesmo é um caminho deveras estreito, nada confortável, mas necessário se queremos seguir Jesus.
Viver atendendo a própria carne, pecando deliberadamente, priorizando a própria vontade, é o que a Bíblia chama de morte, trevas, velha natureza. Mas uma vez transportados do império das trevas para a luz, do jambuzeiro bravo para a boa Oliveira, da morte para a vida, esta consciência de vencer a si mesmo em Cristo que nos fortalece, é o que faz de nós filhos nascidos do Espírito.
Não é mérito humano, porque sem Cristo nada podemos fazer. Mas Nele podemos todas as coisas, inclusive dominar nossa própria tendência.
Porém quem peca e identifica o pecado não deve se martirizar, porquanto sabe que vive sob a Graça de Deus, que resolve o problema antes mesmo dele acontecer. O Cordeiro imolado antes da fundação do mundo é o antídoto para a morte eterna para todo o que crê. Pecamos às vezes até sem saber por causa do pecado que há na carne, mas o espírito nos mantém atentos para a direção de Cristo, nosso advogado.
O que vence o outro é vencedor. O que vence a si mesmo, é mais que vencedor por meio daquele que nos amou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário